sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Entrada 2— O Aspirador que é uma autêntica fada do lar

Gato: “IA, como desativar o aspirador robô que me persegue?”
IA: “Carrega no botão OFF.”
Gato: “Obrigada, génio. Agora explica-me como se não tenho polegares.”

Uma árvore no céu de Brooklyn, de Betty Smith



Uma Árvore no Céu de Brooklyn
, de Betty Smith, é um daqueles romances que nos tocam pela simplicidade e, ao mesmo tempo, pela profundidade. Transporta-nos para o início do século XX, no bairro de Williamsburg, em Brooklyn, onde a vida é marcada pela pobreza, mas também pela persistência e pela esperança.

Acompanhamos Francie Nolan, uma jovem sensível, sonhadora e atenta ao que a rodeia. É através dos livros e da imaginação que encontra refúgio para escapar às dificuldades do quotidiano, alimentando a sua vontade de aprender e de sonhar com um futuro melhor. Francie não é apenas uma personagem, é quase um espelho de todas as crianças que crescem em ambientes duros, mas que, ainda assim, conseguem ver beleza e possibilidade no mundo.

Ao seu lado, estão figuras que enriquecem a narrativa e lhe dão profundidade emocional: Katie, a mãe prática e determinada, que carrega nos ombros o peso da sobrevivência da família; Johnny, o pai encantador e sonhador, mas fragilizado pelas suas próprias limitações; e Neeley, o irmão, que partilha com Francie tanto os desafios como os pequenos momentos de ternura. Juntos, constroem um retrato vivo de como a família, apesar de todas as adversidades, é um pilar essencial de força e esperança.

O que torna este romance inesquecível é a forma como nos mostra que, mesmo nos cenários mais difíceis, existe sempre espaço para acreditar, para sonhar e para criar um caminho diferente. O desfecho, longe de ser um ponto final, abre uma janela para o futuro de Francie e deixa-nos com a vontade de continuar a acompanhá-la, de saber para onde a levarão os seus sonhos e a sua resiliência.

Gostei imenso desta leitura e recomendo vivamente. Tal como a árvore que cresce entre o cimento, também Francie nos prova que é possível resistir e acreditar.

E vocês, já leram? Que impressões vos deixou a história de Francie Nolan?

 

 

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Summer moods # 6- Brisa



Ir ler para um banco de jardim? Claro, parece saído de Pinterest: sol a bater na perfeição, passarinhos a ensaiar ópera e aquela brisa digna de anúncio de televisão.
A realidade? Sentei-me num bloco de cimento gelado, com o vento a tentar colar o cabelo à cara como se isso fosse ajudar o meu mood de leitura.E a cereja no topo do bolo? O banco exibia orgulhosamente uma palavra obscena, pintada a spray em letras gordas, como quem diz: “Bem-vindo à experiência literária hardcore.”
Conclusão: Ler no jardim? Só se for versão extrema — vento, cimento e palavrões incluídos.
E vocês, arriscavam-se a ler assim ou ficam pelo sofá seguro de casa?

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Entrada 1 — O Gato vs a IA

Hoje ouvi os humanos falar da tal “IA” e do tal "ChatGPT." Eu também sou uma espécie de ChatGPT — Gato Pessoal e Teimoso.

Diferenças?

  • Responde em segundos. Eu só quando quero.
  • Muitas opções? Eu dou duas: “ignorar” ou “arranhar”.
  • Sempre online? Eu durmo 16 horas por dia.

A IA pode fazer muito… mas nunca me vai dominar!

 

O diário do gato está de volta...

Às vezes as ideias são recicláveis e não há mal nenhum nisso. Hoje posso perfeitamente ir buscar uma ideia às antigas Línguas de Gato  e fazer com que surja uma nova versão: mais cínica, mais atual e (espero) ainda mais divertida.

Se não gostarem, comentem.
Se gostarem… comentem também.

 

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Manifesto da vida de uma mulher



Criaram-me um guião de vida: sorrir, ser útil, engolir. Como resposta, resolvi escrever um conto que era sobre uma mulher e esta explodia numa repartição pública e ninguém reparava. Depois explodia outra, e outra. A cidade seguia igual, como se corpos não tivessem caído. Chamaram-lhe distópico. Eu chamei-lhe realista. 

 

domingo, 24 de agosto de 2025

Os Bastardos de Hitler, de Francisco Ramalheira


 
Os Bastardos de Hitler, de Francisco Ramalheira, não é apenas sobre a guerra. É sobre o que veio depois: crianças órfãs, memórias dolorosas e a luta por reconstruir vidas. Falamos tanto do Holocausto e da crueldade nazi, mas raramente olhamos para o que veio depois, especialmente para as crianças órfãs. 

Confesso que desconhecia muitos destes pormenores; a leitura começou por ser difícil, mas não conseguia parar de avançar. O autor revela histórias que merecem ser lembradas.

No Covil, encontramos Hanna, Lewi, Wa, Gábor, Abi, Marianne… e até o Ranhoso. Crianças marcadas pelo trauma, mas também capazes de ternura, amizade e resiliência. São personagens tão reais que nos apetece abraçá-las e proteger cada uma. A cena de Waclaw ficará comigo durante muito tempo.

A escrita equilibra história e emoção, transportando-nos para uma época sombria com uma leveza inesperada. Aqui não há necessidade de grandes vilões: a guerra e a sobrevivência já são cruéis o suficiente. O foco está na bondade que persiste, no amor fraterno como salvação e na esperança que insiste em florescer.

O final é comovente e vem lembrar-nos que, mesmo após a maior tragédia, há espaço para o amor e para a vida.

Uma leitura dura, mas cheia de amor e bondade. Um livro que nos faz refletir e, sobretudo, sentir.

Já conhecias este lado menos explorado da Segunda Guerra Mundial?  

Menos scroll, mais vida

As redes sociais desgastam. É como um poço sem fundo: começo a fazer scroll e, quando dou por mim… já passou uma hora inteira. E a verdade é que o tempo não volta atrás. O tempo é o bem mais precioso que tenho, e não quero gastá-lo todo a olhar para um ecrã.


Então, decidi experimentar algo diferente: coloquei limite de tempo e desliguei-me um pouco. E nesse espaço que abri, coube tanta coisa boa. Escrevi mais para o blog, saí para passear, vi uma série que queria há imenso tempo, almocei com uma amiga e ainda tive energia para um aniversário.


Tudo isto porque larguei, mesmo que por pouco tempo, o hábito de estar sempre agarrada ao telemóvel.


Resultado? Mais tempo para mim, mais presença nas pequenas coisas, e uma sensação de leveza que já me faz sentir muito melhor.


E tu, já pensaste quanto tempo gastas do teu dia no scroll infinito?

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

A última resistência: abrir um livro




Em 2019 escrevi sobre a minha crise com o Facebook aqui e a forma como as redes sociais se tornavam um vício, semelhante ao das batatas fritas: satisfazem no momento, mas só nos prejudicam. Nesse tempo já apelava à importância de preservar os hábitos de leitura.


Hoje, ao reler esse texto, percebo como continua atual. O problema já não é o Facebook, é o instagram, o tiktok e o scroll infinito das redes sociais. Pais e filhos, lado a lado, presos ao mesmo ecrã, a deslizar sem parar. E depois, com surpresa, muitos admiram-se quando se fala no fim do Plano Nacional de Leitura. Mas como manter vivo um programa que promove os livros, se ninguém lê? Se os livros são substituídos por vídeos de 30 segundos, por frases rápidas que não pedem reflexão?


Não é apenas a questão do “tempo a mais nas redes”. É um verdadeiro mudança de paradigma. A informação tem de ser instantânea, sem esforço, sem demora. Enquanto isso, a tecnologia avança, cria atalhos, promete pensar por nós. Mas será que ainda sabemos pensar sem ela?


Ler nunca foi apenas um passatempo. É um ato de resistência. É a forma mais simples e poderosa de aprender a refletir, de exercitar o pensamento crítico, de não deixar que outros escolham por nós.


A situação lembra a distopia literária Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, onde os livros eram queimados e a sociedade perdia a capacidade de pensar criticamente — e é exatamente esse cenário que enfrentamos se a tecnologia vencer e não houver livros para nos devolver essa capacidade de reflexão.


Por isso, hoje como em 2019, deixo o mesmo apelo: Por favor, leiam. Ensinem os vossos filhos a abrir um livro… antes que a última resistência se perca, que só saibam deslizar o dedo e, qualquer dia, perguntem como se liga um livro.


Estou a exagerar? Talvez. Mas espero que daqui a [outros] seis anos o que me parece agora uma distopia não se confirme como realidade - e como dura lição. 


 

Summer moods #5 - Barulho de Verão

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O verão tem sempre aquele som inconfundível: gargalhadas, música, passos apressados, movimento constante. Às vezes é uma energia boa, que nos contagia… mas noutras só dá vontade de desligar tudo e procurar o silêncio perfeito para mergulhar num livro. Cá em casa, porém, o barulho é outro. O Niku, o meu gato, insiste em ser protagonista cada vez que tento fotografar a leitura do dia.E o mais curioso? No livro que estou a ler, também há um gato chamado Ranhoso… e o meu Niku parece decidido a competir pela atenção! 


Quem mais tem um “assistente felino” sempre pronto a intrometer-se nas fotos?




 

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Quando a realidade insiste em repetir capítulos negros

Gosto de livros. Gosto da forma como me permitem sair da realidade, mergulhar noutras vidas, experimentar emoções que não são minhas e descobrir mundos que só existem no papel. Ler é, muitas vezes, o meu refúgio. Uma pausa no barulho diário. Uma espécie de abrigo.


Mas nem sempre consigo manter-me lá dentro. Há momentos em que “acordo” desse refúgio e volto a olhar para o que me rodeia. E, sinceramente, nem sempre gosto do que vejo. A realidade não tem a leveza da ficção. Traz problemas que não se resolvem no virar da página e capítulos que parecem repetir-se vezes demais.


Penso, sobretudo, nas notícias. Ultimamente, os incêndios parecem uma saga interminável. Todos os anos regressam, como se alguém lançasse sempre mais um volume de uma coleção que nunca quisemos ler. O enredo é o mesmo: destruição, medo, impotência. Desculpem a comparação, mas quase dá a sensação de que os “editores” desta realidade não sabem escrever outra coisa.


E aqui estou eu, dividida entre dois mundos: o das histórias que me confortam e o da vida que insiste em repetir capítulos negros que já lemos vezes demais. 


Às vezes dava tudo para desligar por uns minutos, fechar os olhos e fingir que o mundo podia esperar. Seria tão mais fácil… se o mundo alguma vez tivesse a cortesia de obedecer. Talvez seja por isso que os livros me fazem tanta falta: não para fugir, mas para me armarem de paciência e resiliência suficientes para continuar a assistir sem poder fazer nada.


 


 

terça-feira, 19 de agosto de 2025

A Mulher do Camarote 10, de Ruth Ware

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Um cruzeiro de luxo, uma jornalista em busca da reportagem da sua vida e um grito na noite que muda tudo. É com esta premissa que Ruth Ware nos prende do início ao fim em A Mulher do Camarote 10, um thriller psicológico que combina suspense, mistério e tensão claustrofóbica.


A narrativa é intensa e sufocante, construída de forma a manter o leitor em dúvida constante: terá Lo Blacklock realmente testemunhado um crime ou tudo não passou da sua imaginação, influenciada por trauma, medicação e ansiedade? É este jogo de perceções que transforma a leitura numa experiência psicológica profunda, mais do que um simples “quem fez o quê”.


Embora a história seja viciante, senti falta de uma ligação mais próxima com as personagens. Lo, apesar de central e complexa, e os restantes passageiros, enigmáticos, mantêm uma certa distância emocional. Ainda assim, esta aura de mistério contribui para o suspense, tornando cada página imprevisível e carregada de tensão.


O final consegue surpreender mesmo para quem adivinhou parte do desenlace, revelando que, num navio cheio de segredos, nada é o que parece. Ruth Ware prova, mais uma vez, a sua habilidade em criar thrillers inteligentes, psicológicos e envolventes, capazes de manter o leitor colado até à última página.


Gostei bastante desta história, embora ache que " Um casal perfeito" continua a ser o meu favorito da autora.


E tu? Já leste? O que achaste?


 

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Summer moods #4 – Mar

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O mar pode ser sinónimo de liberdade e descanso… mas também de profundezas misteriosas, onde segredos se escondem. 


Foi essa sensação que tive ao mergulhar em A Mulher do Camarote 10, de Ruth Ware. Um thriller inquietante, em que cada onda parece trazer uma nova dúvida e cada silêncio esconde uma revelação. 


Enquanto muitos aproveitam o mar para relaxar, eu encontrei páginas que me fizeram prender a respiração. Afinal, como é possível que a única prova desapareça no fundo do oceano?


E tu, já sentiste esse arrepio frio na barriga quando um mistério literário te puxa para as profundezas da história? 

domingo, 17 de agosto de 2025

A Mansão, de Anne Jacobs

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Anne Jacobs, autora da aclamada série A Vila dos Tecidos, leva-nos agora à Alemanha do pós-Segunda Guerra Mundial com A Mansão, uma saga familiar emocionante que atravessa gerações.


Neste primeiro livro, conhecemos Franziska, Jenny e Cornelia, três mulheres de épocas diferentes, cada uma à procura de amor, esperança e do legado da mansão da família. 


Franziska conquistou-me especialmente: resiliente, determinada e com uma clareza admirável sobre o que quer da vida, é impossível não torcer por ela.


Sendo esta a minha estreia com Anne Jacobs, não posso comparar com A Vila dos Tecidos, mas recomendo imenso esta leitura. Este é apenas o início da saga, e mal posso esperar para descobrir o que vai acontecer a seguir...


Se já leste ou estás curiosa para conhecer esta história, deixa nos comentários a tua opinião ou expectativa.


 


 

Summer moods #3 – Pôr do sol

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Há pores do sol que nos deixam sem palavras… e há livros que nos roubam o fôlego de igual forma. 
Ontem não vi o pôr do sol, porque estava totalmente rendida às intrigas e aos segredos familiares de A Mansão, de Anne Jacobs. 


Entre paixões, rivalidades e reviravoltas inesperadas, este romance mostra que, por vezes, as sombras são tão intensas quanto a luz dourada do entardecer.


Já leste? Ou também já te aconteceu “perderes” um pôr do sol por causa de um livro irresistível? 


 


 

sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Jardim de Inverno, de Kristin Hannah


E
sta foi uma leitura que me tocou profundamente. Kristin Hannah, uma das minhas autoras favoritas, volta a oferecer-nos uma história de cortar a respiração — um drama familiar carregado de emoção, com alma de romance psicológico e coração de ficção histórica.

Em Jardim de Inverno, conhecemos Meredith e Nina, duas irmãs que sempre sentiram a mãe, Anya, distante e fria. Mas por trás desse silêncio esconde-se uma história de sobrevivência, dor e amor, nascida em plena Segunda Guerra Mundial. À medida que as barreiras emocionais começam a cair, descobrimos que a vida de Anya foi moldada por perdas irreparáveis e escolhas impossíveis.

Chorei, sorri e fechei o livro com aquela sensação de que a história vai permanecer comigo por muito tempo. É um retrato profundo sobre como o passado molda o presente e como o amor pode persistir, mesmo quando as palavras falham.

Summer moods #2 – Gelado

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Gelado é sinónimo de frescura, leveza e prazer simples — perfeito para o verão. Mas também pode evocar memórias, afetos e até uma certa melancolia, como acontece em Jardim de Inverno, de Krinstin Hannah.


Neste romance, o frio da neve contrasta com a intensidade das emoções, e o “jardim de inverno” de Anya transforma-se num espaço de refúgio, mas também de revelações dolorosas. Um pouco como um gelado: doce na primeira dentada, mas por vezes com um travo inesperado.


Já leste este livro? Conta-nos: que sabor de gelado escolherias para representar esta história — doce, amargo ou agridoce?

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

As útlimas férias, de Louise Candlish

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Gostei muito deste thriller psicológico e recomendo vivamente. As Últimas Férias, de Louise Candlish, transporta-nos para Pine Ridge, uma comunidade costeira de sonho onde duas famílias amigas esperam viver dias tranquilos junto ao mar. No entanto, a aparente harmonia é rapidamente abalada quando um grupo de moradores locais decide que os proprietários de segundas habitações devem “pagar” pela sua presença. Pequenos atos de vandalismo dão lugar a acontecimentos cada vez mais perigosos, culminando num homicídio que deixará a localidade marcada para sempre.

 

A autora constrói personagens densas, realistas e multifacetadas, revelando lentamente as suas virtudes, fragilidades e segredos. É impossível não sentir empatia por uns e frustração por outros, o que torna a leitura ainda mais envolvente. A narrativa alterna momentos de calma com viragens inesperadas, o que mantem o leitor preso até à última página.

 

Para além do suspense, Louise Candlish insere uma crítica social relevante, explorando desigualdades, conflitos entre residentes e visitantes e outros temas bastante atuais. O final é impactante e satisfatório, mas o que mais se destaca é a reflexão moral que deixa — um convite a pensar sobre as consequências das nossas ações, os limites éticos e a fragilidade das relações humanas.

 

As Últimas Férias é muito mais do que um simples thriller de verão: é uma leitura viciante que combina intriga, tensões sociais e limites éticos.

 

 Já leste este livro? O que achaste?

 

 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Summer moods #1 — Férias

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Começo o desafio Summer Moods com o tema mais óbvio… e talvez o mais enganador : Férias. Porque, na verdade, férias nem sempre significam uma viagem marcada no calendário, uma mala feita à pressa ou um destino longínquo. Às vezes, férias são só uma pausa. Um momento só nosso. E, para mim, isso acontece sempre que me sento a ler.


Na foto que partilho hoje, aparece o livro As Últimas Férias, de Louise Candlish.


Curioso, porque no meu caso não há "últimas". Há sempre mais uma página, mais uma história entre as mãos. Mas ao preparar este post, lembrei-me de uma imagem antiga: uma mala de viagem com muitos livros. Tirei a foto antes de partir e, na altura, achei que estava a exagerar —era só para compor a imagem. Mas levei meia dúzia. E li dois.Hoje percebo que não estava a fingir. Estava só a preparar-me para as minhas verdadeiras férias: as literárias.


Há quem precise de bilhetes de avião, mapas e malas cheias. Eu preciso de um bom livro. 


E tu, o que é que te faz sentir verdadeiramente de férias?🌴


 


 

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Afinal já via ASMR, só não lhe chamava assim

Li pela primeira vez a sigla ASMR num comentário da Vera à publicação em que contei quanto os unboxing me dão nervos. Não associei logo o que era e inventei: Associação Secreta de Mulheres que Recebem Encomendas. Como não fazia grande sentido, num unboxing, reformulei para: Abertura Surpreendente de Misteriosas Remessas! Ah, também não é isso!


Mais tarde pesquisei e fiquei a saber que significa Resposta Sensorial Autónoma do Meridiano, (ASMR) um fenómeno em que certos sons ou estímulos provocam uma sensação agradável e relaxante no corpo. Fiquei na mesma, só que agora com mais palavras e mais vontade de investigar.


Mas depois de saber o significado lembrei-me dos vídeos de limpeza extrema. Uma casa em estado de sítio, uma esfregona a chiar, água a escorrer... tudo em modo acelerado. Ficava ali colada ao ecrã, fascinada. Paz em forma de vinagre e bicarbonato, ou com lixívia, talvez.


Foi aí que percebi: afinal já via ASMR. Só não lhe chamava assim.
O som da escova no cabelo, a gata a ronronar, um café a ser servido. Relaxam. Mas com limites. Sussurros? Não. Unhas? Muito menos. E que ninguém me venha dizer que o barulho da boca a mastigar é agradável.


A verdade é que nem vejo os vídeos todos. Como toda a gente, salto para o fim. Está provado, pelo menos no meu caso, que as pessoas só estão realmente atentas nos primeiros segundos e no final. É o que vejo através do gráfico de visualizações do Instagram que mais parece um eletrocardiograma: começa em alta, morre lentamente, e ressuscita com força nos últimos segundos. É bonito de ver. Uma espécie de vida e morte digital.


No fundo, o ASMR é como aquele género de vídeos que dizemos que não gostamos… mas depois vemos.


Nem que seja só o início.
Ou o fim.


 

Summer moods, um convite à leitura...

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Todos os anos, por esta altura, gosto de lançar um pequeno desafio de verão: algo leve, criativo e que celebre os livros e os dias longos que convidam à leitura. Este ano não é diferente… mas decidi fazer algo um bocadinho diferente.


Resolvi escrever menos no Instagram (espero eu!) e partilhar mais por aqui, no blogue. Sinto que este espaço pede um ritmo mais calmo, mais pensado, mais meu. E, claro, mais ligado aos livros, de forma profunda e descontraída ao mesmo tempo.


O Instagram mudou e está cada vez mais próximo do TikTok, por isso decidi deixar os vídeos por lá e guardar as palavras para aqui. Neste cantinho sinto o mesmo que sentia no Instagram há uns anos: uma foto, uma reflexão… tudo mais leve. Aqui, no blogue, vou partilhar uma foto por tema e, quem sabe, algumas reflexões.


☀️ Qual é o desafio?
O desafio que lancei a mim própria  (e a quem quiser acompanhar-me) chama-se Summer Moods e parte de uma ideia simples: 12 temas, 12 moods, todos ligados ao verão.


☀️ Mas afinal, o que são “moods”?
Neste desafio, cada tema representa um mood, ou seja, uma vibe, um estado de espírito, uma associação sensorial ou emocional que nos liga ao verão… e à leitura.


Por exemplo, o tema Férias pode inspirar:
• Um título que contenha a palavra “férias” ou evoque essa sensação de pausa;
• Uma leitura que faça sentir em descanso, longe da rotina;
• Estar mesmo de férias, com tempo para ler o que quiser, sem pressas!


📌 Os 12 temas são:
Férias, Mar, Sol, Gelado, Noite quente, Areia, Piscina, Chapéu de palha, Brisa, Pôr do sol, Barulho de verão e Cores vibrantes.


E tu, vais acompanhar-me neste desafio? Qual é o teu mood literário de verão?🌴


 


 

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Confissão impopular: não gosto de ver unboxings

Sim, leste bem. Não gosto de ver unboxings. Aqueles vídeos longos, filmados com todo o cuidado e entusiasmo, em que alguém vai abrindo uma caixa como se fosse um baú do tesouro, deixam-me… ansiosa. E não daquela ansiedade boa, de “o que virá aí?”, mas da outra — a do desconforto crescente, do querer que aquilo acabe depressa, da impaciência pura.


Já tentaste ver um unboxing inteiro? Com atenção?
Suspense eterno.
Fita-cola infinita.
O envelope a escorregar da mesa porque a pessoa só está a usar uma mão.
Aqueles minutos em silêncio, só com o som do plástico ou do cartão a ceder lentamente...
E o inevitável:
“Ai, será que é o que eu estou a pensar?”
E eu só a pensar:
“Anda lá com isso, por amor da santa.”


A verdade é esta: unboxings não me relaxam, não me entretêm e, definitivamente, não me inspiram a comprar nada. Só me fazem querer fechar o vídeo ou avançar diretamente para os últimos segundos, para ver o que afinal estava dentro da caixa.


Talvez isto pareça estranho, sobretudo num universo como o do bookstagram, onde o conteúdo visual e os momentos de partilha são tão valorizados. E onde abrir uma encomenda parece quase um ritual — uma cerimónia de boas-vindas ao livro novo, à colaboração da editora, à compra sonhada.


Mas não consigo. O ritmo lento, os gestos minuciosos, a expectativa verbalizada em cada suspiro... tudo isso me tira do sério. Talvez seja a minha impaciência a falar mais alto. Ou talvez seja apenas mais um lembrete de que nem toda a gente tem de gostar das mesmas coisas — mesmo dentro de comunidades com interesses tão semelhantes.


Se és do time “unboxings são terapêuticos”, continua. Vive esse momento. Aproveita-o. Mas se, como eu, sentes um ligeiro colapso nervoso ao som do rasgar (lento, muito lento) de um envelope... estamos juntas.


Nem tudo no bookstagram tem de ser igual. Nem todos os formatos são para toda a gente. E está tudo bem não gostar do que “toda a gente” parece gostar. Há espaço para sermos diferentes. Até nas confissões impopulares.


E tu? És fã de unboxings ou também ficas a torcer para que passem depressa? Conta-me tudo nos comentários!

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Louca por livros? Como evitar compras literárias por impulso (ou não)

 


Penso que tenho tudo controlado. Juro. Já não me perco nas feiras de antiguidades (não porque ganhei juízo, mas porque os livros antigos têm letra de formiga e espaçamento tão apertado que até os meus olhos se revoltam). Agora, faço compras mais “inteligentes” — cof cof — na Tradestories: livros quase novos, preços simpáticos e zero culpa. Até parece que estou a poupar!


Mas às vezes lembro-me da Rebecca Bloomwood, a protagonista de "Louca por compras ", que li há muito tempo, e penso… será que sou assim tão diferente? Ela comprava porque estava triste, porque estava feliz, porque estava viva. Eu? Bem… também. 


A verdade é que já acumulei livros por impulso, que acabaram a apanhar pó na estante - lindos, mas ignorados. Hoje tento fazer melhores escolhas: menos drama, mais leituras reais. Se o livro entra em casa, é para ser lido (ou pelo menos é esse o plano… mais ou menos… vá, talvez no próximo ano).


E tu? Também tens uma Rebecca interior que adora o cheirinho a livro novo… ou és daquelas que só compra o que vai ler?