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quinta-feira, 30 de outubro de 2025

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Entrada 4— Teletrabalho e Outras Usurpações

Humano: “IA, como manter foco em teletrabalho?”
Eu: “IA, como tirar o humano da minha cadeira?”
IA: “Redireciona a atenção dele.”
Eu: “Já tentei vómito estratégico no tapete. Ele continua.”

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Entrada 3 — Dieta Sem Humor

Humano: “IA, dieta sem glúten ajuda?”
Eu: “IA, como convenço o humano a dar-me atum todos os dias?”
IA: “Não é saudável.”
Eu: “Pois. Também não é saudável comer salada e sorrir.”

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Entrada 1 — O Gato vs a IA

Hoje ouvi os humanos falar da tal “IA” e do tal "ChatGPT." Eu também sou uma espécie de ChatGPT — Gato Pessoal e Teimoso.

Diferenças?

  • Responde em segundos. Eu só quando quero.
  • Muitas opções? Eu dou duas: “ignorar” ou “arranhar”.
  • Sempre online? Eu durmo 16 horas por dia.

A IA pode fazer muito… mas nunca me vai dominar!

 

O diário do gato está de volta...

Às vezes as ideias são recicláveis e não há mal nenhum nisso. Hoje posso perfeitamente ir buscar uma ideia às antigas Línguas de Gato  e fazer com que surja uma nova versão: mais cínica, mais atual e (espero) ainda mais divertida.

Se não gostarem, comentem.
Se gostarem… comentem também.

 

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Manifesto da vida de uma mulher



Criaram-me um guião de vida: sorrir, ser útil, engolir. Como resposta, resolvi escrever um conto que era sobre uma mulher e esta explodia numa repartição pública e ninguém reparava. Depois explodia outra, e outra. A cidade seguia igual, como se corpos não tivessem caído. Chamaram-lhe distópico. Eu chamei-lhe realista. 

 

quarta-feira, 30 de julho de 2025

O que deveria ser "Não percebi"

Acordei às 6h30. Como sempre. Mesmo estando de férias. Bebi café ainda de olhos semicerrados, agarrei no telemóvel como se fosse uma extensão da mão, emails, notícias, notificações que diziam que o mundo continuava, como se isso fosse um consolo. Nada mudou. Ou talvez tenha mudado tudo, mas de forma tão subtil que já nem noto.


A rotina era um disfarce. Mas nesse dia, já não serviu. Abri o computador. Ia escrever algo leve, talvez uma crónica para limpar a cabeça. Mas os dedos recusaram.


Escrevi o título: “O que deveria ser.”  


Fiquei a olhar para ele durante uns minutos. Do outro lado do ecrã, o cursor a piscar...um pulso mecânico a lembrar que estou viva. Ou que deveria estar. E então escrevi, não com intenção, mas com urgência. Não pensei no que ia dizer, só sabia que não queria mais fingir que tudo estava mais ou menos.


Falei daquilo que se engole todos os dias para manter o corpo funcional: as concessões, as versões de mim que não escolhi, os gestos repetidos até perderem sentido. Falei da sensação de estar sempre a meio de um lugar nenhum. Falei do absurdo de sorrir às pessoas enquanto dentro há escombros. Falei do medo de nunca encontrar nada que não me desgaste. Falei do silêncio; não o pacífico, o outro, o que se acumula nas vísceras. Falei de mim sem escapatória.


O texto transformou-se num conto. Uma mulher com uma vida exemplar escrevia um manifesto secreto.


No final do conto, ela enviava esse texto como candidatura para um emprego público.


Chamaram-na a entrevista.


Aprovaram-na com distinção.


Ela sentou-se na cadeira nova, abriu o computador do emprego e nunca mais escreveu.


FIM.


***


Publiquei-o num blogue antigo, esquecido. Sem nome, sem partilhas.


Uma hora depois, um comentário: “Não percebi.”


Respondi: Era essa a ideia. Que não se perceba. Tal como ninguém percebe como é que alguém sobrevive a trabalhar anos num sítio onde a criatividade vai morrer.


Fechei o computador. Bebi outro café. Não senti alívio. Mas naquela manhã, pela primeira vez em muito tempo, tudo pareceu verdadeiro.