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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A mania da escrita (repost)

A propósito da imperfeição das pessoas e da inteligência artificial, da obsessão pela perfeição e da escrita em segundos, revisitei um texto antigo aqui no blog que continua surpreendentemente actual. 
A criatividade é isto. 
O perfeito é, sem qualquer dúvida, profundamente desumano.

A não esquecer.

«Quem se revê numa escrita que se proclama próxima da perfeição dirá que deslocar uma vírgula ou substituir uma palavra por um sinónimo é, por si só, escrever melhor. Contudo, em contexto profissional, nada me parece mais nocivo do que esperar que tudo resulte à primeira tentativa ou arrogar-se autoridade absoluta nessa matéria.

Na escola primária aprendemos que uma vírgula fora do lugar pode matar o sentido e a verdade das palavras, quando estas são arrancadas do seu contexto. Aprendemos também, desde cedo, que a escrita obedece a regras, como estas que aqui se aplicam. Ainda assim, não é raro que o aprumo dos dedos de quem sabe, num teclado que não é o nosso, adquira, aos nossos olhos, uma forma e um conteúdo novos, supostamente superiores e elegantes. E, nesse equívoco, convencemo-nos de que há falhas que só acontecem aos outros. Mas quando não existe um manual de instruções de quem tem a mania, nem uma bula que indique a hora exacta da toma, acabamos por engolir vírgulas com a vontade reprimida de lhes gritar impropérios vários, ainda que néscios.

Creio que o elevado grau de intransigência de quem tem a mania não decorre de uma alegada superioridade intelectual, exercida através de tácticas dirigidas aos seus supostos serviçais. Pelo contrário, revela antes a incapacidade de assumir uma liderança estimulante e consciente.

E então, uma vírgula, um sinónimo, fazem ou não a diferença? Podem fazer, mas não devem. Poder não é dever. Tal como, para se ser soberano na matéria, não basta parecer sê-lo, é essencial saber sê-lo. Perante semelhante espezinhamento, a assertividade dos argumentos teria apenas o efeito de enfadar e acintar quem cultiva tal mania, termo que, curiosamente, se define como apego excessivo ou obsessivo a uma ideia ou intenção. Entender isso como escrever melhor do que o outro não é mais do que uma obsessão, palavra que, não menos curiosamente, significa perseguição diabólica.

Por tudo isto, prefiro manter uma espécie de si-lên-ci-o perante tanta imperfeição, amparando-me no exemplo de quem verdadeiramente percebe de escrita, aquele que escreve porque sente e sente aquilo que escreve».

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

SAPO Blogs: O fim de uma Era

 

Há dez anos, troquei o Blogger pelo SAPO Blogs. E há dez anos, a minha conta no Blogger foi usurpada por um hacker qualquer (quem nunca, não é?). Hoje, volto aqui com o coração apertado. Não só porque o SAPO Blogs vai fechar as portas em 2026, mas porque perder este espaço é perder uma parte do meu percurso. Uma parte que, por mais simples que fosse, era minha. Era o meu cantinho, onde escrevia sem filtros, sem pressa e onde, muitas vezes, fazia o meu “trabalho para aquecer”; aquele que se faz porque se gosta, não porque se tem de fazer.

Durante muitos anos, o SAPO Blogs foi a minha casa. A minha casa de férias, para ser mais precisa. Aquele sítio onde as minhas ânsias anti-redes sociais se dissipavam. Onde as palavras fluíam com mais facilidade. Onde, a cada post, eu sabia que havia alguém do outro lado, no mesmo bairro digital, a ler-me. A trocar uma palavra, a deixar um comentário, a fazer-me sentir um bocadinho menos sozinha nesta imensidão que é a Internet.

Mas, como tudo na vida, chega a altura de fechar a porta e sair. E enquanto o SAPO Blogs se despede e nos dá a ordem de despejo, porque não foi dada outra opção senão sair, isto não é só sobre blogs a fechar. É o início de uma mudança muito maior. A inteligência artificial está a tomar conta de tudo. Hoje acabam-se os blogs, amanhã acabam-se os jornais e, depois, começam a substituir-se pessoas por máquinas (o que, convenhamos, já é realidade em alguns países).

Sim, a IA chegou para ficar. E custa admitir que, pouco a pouco, estamos a ser empurrados para o lado. À medida que as "máquinas" ganham terreno, perdemos espaço para criar de forma genuína. O que antes era feito à mão, com alma, erros e emoção, está a ser trocado pela eficiência, pela rapidez e pela perfeição ...mas sem espírito e sem sentimentos.

E é isso que mais me custa. Ter sentimentos. Essa imperfeição. Depois disso, é ter de sair de um espaço onde as palavras eram minhas. Onde guardei os meus melhores momentos. Onde encontrei refúgio nas histórias que escrevi e onde sabia que alguém, por mais longe que estivesse, as lia com carinho. Hoje, parece-me quase irreal dizer que O Gato Preto não terá mais visitas.

O mundo vai seguir,  os blogs vão desaparecendo e a inteligência artificial vai continuar a evoluir.

E nós?
Nós vamos assistir ao fim de uma Era.

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

A última resistência: abrir um livro




Em 2019 escrevi sobre a minha crise com o Facebook aqui e a forma como as redes sociais se tornavam um vício, semelhante ao das batatas fritas: satisfazem no momento, mas só nos prejudicam. Nesse tempo já apelava à importância de preservar os hábitos de leitura.


Hoje, ao reler esse texto, percebo como continua atual. O problema já não é o Facebook, é o instagram, o tiktok e o scroll infinito das redes sociais. Pais e filhos, lado a lado, presos ao mesmo ecrã, a deslizar sem parar. E depois, com surpresa, muitos admiram-se quando se fala no fim do Plano Nacional de Leitura. Mas como manter vivo um programa que promove os livros, se ninguém lê? Se os livros são substituídos por vídeos de 30 segundos, por frases rápidas que não pedem reflexão?


Não é apenas a questão do “tempo a mais nas redes”. É um verdadeiro mudança de paradigma. A informação tem de ser instantânea, sem esforço, sem demora. Enquanto isso, a tecnologia avança, cria atalhos, promete pensar por nós. Mas será que ainda sabemos pensar sem ela?


Ler nunca foi apenas um passatempo. É um ato de resistência. É a forma mais simples e poderosa de aprender a refletir, de exercitar o pensamento crítico, de não deixar que outros escolham por nós.


A situação lembra a distopia literária Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, onde os livros eram queimados e a sociedade perdia a capacidade de pensar criticamente — e é exatamente esse cenário que enfrentamos se a tecnologia vencer e não houver livros para nos devolver essa capacidade de reflexão.


Por isso, hoje como em 2019, deixo o mesmo apelo: Por favor, leiam. Ensinem os vossos filhos a abrir um livro… antes que a última resistência se perca, que só saibam deslizar o dedo e, qualquer dia, perguntem como se liga um livro.


Estou a exagerar? Talvez. Mas espero que daqui a [outros] seis anos o que me parece agora uma distopia não se confirme como realidade - e como dura lição. 


 

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Quando a realidade insiste em repetir capítulos negros

Gosto de livros. Gosto da forma como me permitem sair da realidade, mergulhar noutras vidas, experimentar emoções que não são minhas e descobrir mundos que só existem no papel. Ler é, muitas vezes, o meu refúgio. Uma pausa no barulho diário. Uma espécie de abrigo.


Mas nem sempre consigo manter-me lá dentro. Há momentos em que “acordo” desse refúgio e volto a olhar para o que me rodeia. E, sinceramente, nem sempre gosto do que vejo. A realidade não tem a leveza da ficção. Traz problemas que não se resolvem no virar da página e capítulos que parecem repetir-se vezes demais.


Penso, sobretudo, nas notícias. Ultimamente, os incêndios parecem uma saga interminável. Todos os anos regressam, como se alguém lançasse sempre mais um volume de uma coleção que nunca quisemos ler. O enredo é o mesmo: destruição, medo, impotência. Desculpem a comparação, mas quase dá a sensação de que os “editores” desta realidade não sabem escrever outra coisa.


E aqui estou eu, dividida entre dois mundos: o das histórias que me confortam e o da vida que insiste em repetir capítulos negros que já lemos vezes demais. 


Às vezes dava tudo para desligar por uns minutos, fechar os olhos e fingir que o mundo podia esperar. Seria tão mais fácil… se o mundo alguma vez tivesse a cortesia de obedecer. Talvez seja por isso que os livros me fazem tanta falta: não para fugir, mas para me armarem de paciência e resiliência suficientes para continuar a assistir sem poder fazer nada.


 


 

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Louca por livros? Como evitar compras literárias por impulso (ou não)

 


Penso que tenho tudo controlado. Juro. Já não me perco nas feiras de antiguidades (não porque ganhei juízo, mas porque os livros antigos têm letra de formiga e espaçamento tão apertado que até os meus olhos se revoltam). Agora, faço compras mais “inteligentes” — cof cof — na Tradestories: livros quase novos, preços simpáticos e zero culpa. Até parece que estou a poupar!


Mas às vezes lembro-me da Rebecca Bloomwood, a protagonista de "Louca por compras ", que li há muito tempo, e penso… será que sou assim tão diferente? Ela comprava porque estava triste, porque estava feliz, porque estava viva. Eu? Bem… também. 


A verdade é que já acumulei livros por impulso, que acabaram a apanhar pó na estante - lindos, mas ignorados. Hoje tento fazer melhores escolhas: menos drama, mais leituras reais. Se o livro entra em casa, é para ser lido (ou pelo menos é esse o plano… mais ou menos… vá, talvez no próximo ano).


E tu? Também tens uma Rebecca interior que adora o cheirinho a livro novo… ou és daquelas que só compra o que vai ler?

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Quando um clube de leitura deixa de ser só sobre livros

Começou como uma experiência de biblioterapia, essa forma tão simples e profunda de encontrar sentido nos livros e, com eles, em nós próprios. Líamos para estarmos presentes num convívio saudável, para compreendermos os nossos gostos e os dos outros e, sobretudo, para partilhar as melhores leituras de cada um. Era um espaço íntimo, quase terapêutico, uma catarse de ideias onde a palavra tinha peso e a escuta era tão importante como a fala. As leituras eram diferentes, os estilos variavam, mas isso não importava. A beleza estava na diversidade, na liberdade com que cada um trazia o seu mundo e o oferecia aos outros. Era leve, era vivo.E assim, num círculo de leitores livres, criava-se algo bonito: uma escuta sem pressa e uma partilha verdadeira.


Mas os grupos crescem. E, com o crescimento, chegam também as dificuldades. Mais pessoas significam mais livros, mais opiniões, mais vozes a quererem ser ouvidas. O tempo, que antes parecia sobrar, começou a faltar. As intervenções tiveram de ser controladas, os temas passaram a ser sugeridos, as regras começaram a surgir — discretas, mas necessárias. E com elas vieram os primeiros sinais de desconforto.


Nem todos gostaram. Alguns sentiram-se travados, outros atropelados. Uns queriam mais profundidade, outros mais leveza. Os que seguiam as regras começaram a sentir que eram os únicos a ceder. Os que não as respeitavam pareciam não perceber o impacto que causavam. A harmonia deu lugar ao desequilíbrio. E, com o tempo, a partilha passou a ser também frustração.


Mais pessoas significaram mais livros, mais gostos, mais formas de estar. Aos poucos, a leitura deixou de ser encontro e passou a exibição. Já não se fala tanto do que o livro nos fez sentir, mas da opinião que temos sobre ele. 


Tentámos ajustar. Dividir o tempo, dividir o grupo, encontrar soluções. Mas gerir um grupo é, muitas vezes, gerir vontades que nem sempre se cruzam. E quando se começa a criticar sem propor alternativas, quando se fala alto mas se recusa escutar, já não se está a contribuir. Está-se a complicar.Está-se a repetir e a fazer parte do problema.


Aquele lugar onde se partilhavam emoções transformou-se, aos poucos, num espaço onde se acumulam opiniões. E o que era terapêutico tornou-se cansativo.


Partilhar livros é partilhar pedaços de nós. É um gesto de entrega. E a entrega só floresce quando há respeito, quando há tempo para o outro existir também. Talvez um clube de leitura não precise de ser perfeito. Mas precisa de ser humano. Precisa de saber acolher. E isso começa em cada um de nós. No silêncio atento, na palavra comedida, no desejo sincero de estar ali, não só para ser ouvido, mas para ouvir também.


O que se sonhou como biblioterapia não precisa de morrer. Só precisa de reencontrar o seu centro. E esse centro está sempre em nós. Talvez o segredo não esteja em agradar a todos, mas em não esquecer o propósito que nos juntou. 


O que pensas sobre o desafio de partilhar leituras num grande grupo? Achas que é possível manter o espírito da biblioterapia num grupo maior?


 


 

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Dos 1001 livros... e dos sonhos que mudam de forma

Sei que há quem leia este blogue em várias cidades do nosso pequeno país, Portugal, e também no Brasil, no Reino Unido, em Hong Kong, em Singapura e até nos Estados Unidos. Mas se estiverem por aqui, e já tiverem visitado a página dos 1001 livros para ler antes de morrer (lista 1001 livros), tenho duas coisas para partilhar convosco.


A primeira: quando comecei este espaço, essa lista era um projeto pessoal. Um daqueles desafios que nos motivam, que nos dão rumo e entusiasmo. Confesso que li apenas alguns títulos, não tantos como gostaria. O tempo, os gostos que vão mudando, outras leituras que se atravessam no caminho... tudo isso foi desviando-me do plano inicial.


A segunda: o meu gato — sim, o mesmo que adormece em cima dos livros como se fossem almofadas escolhidas a dedo — decidiu que aquele livro era um ótimo arranhador. Resultado? Capas rasgadas, páginas vincadas, um estrago irreversível. As unhas felinas são, afinal, inimigas naturais do papel.


Hoje, a reflexão impôs-se: os sonhos são frágeis. Às vezes, basta um gesto — ou uma pata! — para que se transformem noutra coisa. O que era entusiasmo virou frustração. E ficou um sabor agridoce, uma lembrança de que nada é eterno, nem sequer os nossos objetivos mais queridos.


Como escrevi no post anterior (este aqui), sinto, cada vez mais, a pressão em torno da leitura. As listas, os desafios, as novidades que não param de chegar. E eu pergunto-me: quantos bons livros vão ficar para trás, esquecidos, simplesmente porque não há tempo, ou porque a vida levou a atenção noutra direção?


Não sei se algum dia lerei os 1001 livros. Talvez nunca leia os 1001 livros. Mas talvez isso não importe, desde que continue a sonhar, e a lembrar-me de que, no fundo, sou eu quem decide o que fazer com os meus sonhos (e... com o meu gato!).

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Entre livros, monstros e tarefas

Este fim-de-semana foi cheio — e, ainda assim, trouxe-me pequenas pausas onde couberam palavras e pensamentos.


No sábado, o clube de leitura voltou a juntar-se, desta vez com um tema que nos levou à infância: livros infantojuvenis, com crianças como protagonistas, perguntas grandes em corpos pequenos e mundos que ainda acreditam no impossível.


Houve espaço para partilhas bonitas, e para a apresentação do livro Os monstros que vivem na minha cabeça, da Celina Lopes. Tive a oportunidade de assistir à leitura do livro ao vivo, feita pela autora Celina Lopes e pela ilustradora Daniela Lomba, e foi um momento mágico. Ver a emoção com que ambas partilharam esta história tornou a experiência ainda mais especial. 


Claro que o fim de semana não ficou por aqui. No domingo, a parte doméstica não tirou folga: organizei o tempo entre limpezas e roupa, enquanto as refeições ficaram a cargo do marido. Mas, entre um gesto e outro, consegui ainda sentar-me com o meu livro e avançar umas páginas.


Às vezes, os melhores momentos não são os mais extraordinários. São os que nos mostram que, entre o ruído dos dias, ainda sabemos escutar uma história, partilhar um livro, sentir que pertencemos.

terça-feira, 1 de julho de 2025

Frases para pensar

 


Tudo sabe a pouco, e a nada, mas é no pouco, no nada,que encontro o tanto que me faz respirar, o tanto que me faz querer ficar.


Tudo é nada, quando a alma pede sentido.
E ainda assim, esse mesmo pouco, esse nada, faz tanto — porque é nele que se medem as nossas maiores vontades,os gestos pequenos que acabam por ser tudo. 


 

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Tantos livros, tão pouco tempo

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A frase "tantos livros, tão pouco tempo" sintetiza um sentimento comum entre os amantes da leitura: a constatação de que, apesar da infinidade de obras literárias disponíveis, o tempo para as explorar é limitado. Esta expressão reflete o desejo de descobrir novos mundos, aprender novas coisas e conhecer diferentes perspectivas através da literatura - mas também a frustração de que a vida é curta demais para ler tudo o que se deseja. Esse dilema é especialmente sentido durante eventos literários, como a Feira do Livro de Lisboa, um dos maiores e mais esperados eventos culturais da capital portuguesa.


Realizada anualmente no Parque Eduardo VII, a feira é um verdadeiro paraíso, onde encontramos uma vasta coleção de livros de todos os géneros e para todas as idades. A Feira do Livro de Lisboa não é apenas um local para a compra de livros; é um ponto de encontro para leitores, autores, editores, livreiros e todo o pessoal das redes sociais. Durante o evento, é comum encontrar escritores, participar de sessões de autógrafos, assistir a palestras e debates sobre os mais variados temas literários. Há também atividades para crianças, o que torna a feira um evento familiar que promove a leitura entre todas as gerações.  


Visitar a Feira do Livro de Lisboa uma vez por ano é, para mim, um hábito do qual não abdico. A atmosfera vibrante da feira, com as suas barracas coloridas e o aroma de livros novos misturado com o verde do parque e o perfume dos jacarandás, cria um ambiente inspirador e acolhedor muito propício a um passeio. 


E a cada edição, a feira traz novas editoras, lançamentos exclusivos e uma programação cultural diversificada. É, também, uma oportunidade para descobrir novos autores, reencontrar velhos favoritos e, claro, refletir sobre o dilema dos "tantos livros, tão pouco tempo".


Em suma, a frase "tantos livros, tão pouco tempo" reflete bem a sensação que tenho em relação à Feira do Livro de Lisboa, especialmente porque só consigo visitá-la uma vez por ano. A cada edição, sinto que há uma infinidade de livros à espera para serem descobertos, mas o tempo limitado da minha visita deixa a vontade de explorar muito mais. 


E vocês, sentem o mesmo ao visitar a Feira do Livro de Lisboa apenas uma vez por ano? 

terça-feira, 2 de maio de 2023

Ler muito, ou pouco, eis a questão.

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Este é um comentário que urge rebater e ter sempre resposta pronta, mas, para mim, já nem faz mossa. Tomara ter tempo para poder ler e concentração, que, por vezes, também falta...O resto, a rotina, o trabalho, as lides domésticas, os filhos, os problemas, os colegas de trabalho, os amigos, a família, as viagens, as compras, tchiiii tinha muito para contar, só que, ah, e tal, depois não faziam mais nada perante um monólogo que vos "espetava" com todos estes assuntos que me ocupam a cabeça, e pasme-se, NÃO é a ler. 


Ler muito, ou pouco, é, assim, a questão de hoje. 


 


 

sexta-feira, 10 de março de 2023

Poe visitado e revisitado

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A página mais visitada deste blog é a história d´O gato preto, de Edgar Allan Poe. O post  em causa não tem novos comentários, não tem uma foto bonita; o conto é bastante mórbido, um horror, e a crueldade sobre pessoas e animais é uma amostra negra do lado mau do ser humano. 


Há quem considere este conto como autobiográfico, digno de estudo pela psicologia, dado que tal como o personagem, o autor tinha um lado obscuro, uma mente perturbada e era um boémio, até que, certo dia, após uma bebedeira, foi encontrado inconsciente numa rua e veio a falecer no hospital, em 1849.


A vida não foi fácil para Poe, o mestre do suspense, terror e da ficção científica, mas as histórias que deixou mostram um génio literário muito à frente do seu tempo. 


Será que intemporalidade do conto é uma explicação para as contínuas visitas dos leitores?


Ou será que o gato preto em vez de azar dá sorte?


Eu não aconselho a que continuem a revisitar só porque fico com muita pena do pobre do gato, mas já que insistem aqui vai: https://olivropensamento.blogs.sapo.pt/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-48496


 


 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Festival "A Porta", a força da imaginação e dos sonhos

A porta na Rua Direita não é uma porta qualquer ou poderia ser já que existem muitas, algumas degradadas como a da casa onde viveu Eça de Queirós.


A tudo assistem, desgastadas, as pedras negras da estreita rua mais conhecida da cidade de Leiria, em direção à porta do "Espaço Eça", da porta centenária da chapelaria "Liz" e até da porta do hostel "Atlas", num edifício antigo renovado.


Mas a porta não é uma porta qualquer, embora os visitantes sigam encautos e encantados pelo visual colorido. 


Esta Porta, não abre nem fecha, dá antes vida e alegria àquela rua empedrada e ladeada por edifícios desgatados pelo tempo; e a tudo empresta a cor vívida dos sonhos, refulgindo de sons e fervilhando de atividades e Workshops para os mais pequenos.


Já as pinturas e artesanato saltam à vista de todos, pois saem das mãos de quem tem rosto cansado e se alimenta de esperança.


Para mim, não é uma porta qualquer, é caminho que se percorre reavivando a força dos sonhos para que não sejamos passado em ruína.


 


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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Uma conclusão óbvia (ou talvez não) #4

Existe um livro com o título de Histórias de Ler e Comer (que nunca ouvi falar e que encontrei por acaso numa pesquisa no google) que poderá servir de mote (o título, claro) para o post de hoje.


  


À partida ler é uma atividade solitária, certo? No meu caso nem sempre, mas também. É que eu gosto mesmo de estar acompanhada de um petisco (sobretudo batatas fritas, shame on me), tais como pipocas, uma peça de fruta, um café ou um chá, dependo essa escolha da altura do ano.


 


Portanto, estava eu a dizer, que o tema são as histórias enquanto estamos a ler e a comer, e aposto que a vossa mãe, marido ou filho já vos chamou a atenção quando estão a ler durante o almoço ou ao jantar. 


Esta atitude, além de ser encarada como falta educação, poderá não ser a melhor, numa altura em que temos de focar a nossa atenção no alimento. Pois. Não vou comentar. 


 


O entretenimento que o livro nos proporciona é importante, porém, a conclusão que se retira -depois de uma pesquisa aturada e fundamentada na necessidade de escrever algo para o blog - é a de que os livros ficam com uma história para contar.


  


É muito fácil imaginar o que diriam os meus livros:


 


1- O d´Os Cinco -«Esta areia resulta daquela ida à praia quando tinhas 8 anos e uma folha ficou dobrada quando saiste para ir ao banho»;


2- Os de Agatha Christie- «Lembras-te que a investigação te deu nervos e que comeste um pêssego que manchou a folha em que ainda não sabias quem era culpado?»;


3-O d´ Amor em Tempos de Cólera-«Já te deves ter esquecido da dedicatória, que deverias considera-me o teu mais precioso tesouro, mas aos 15 anos resolveste deixar-me uma nódoa de chocolate».


 


Poderia continuar a contar todas as marcas que foram sendo deixadas nos meus livros, pois a mesmas são uma forma de arqueologia que me recorda esses momentos, as aventuras, as férias e os divertimentos.


 


Se gostarem dos livros direitinhos e bonitinhos na estante, esqueçam o que disse, mas não deixem de refletir sobre o seguinte:


 


"Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como o corpo que não come" (Victor Hugo).


 


Então, não é óbvia a conclusão de hoje?


 


Não? Pois, para mim, é óbvio que vou continuar a ler e a comer (ahahah).