Sei que há quem leia este blogue em várias cidades do nosso pequeno país, Portugal, e também no Brasil, no Reino Unido, em Hong Kong, em Singapura e até nos Estados Unidos. Mas se estiverem por aqui, e já tiverem visitado a página dos 1001 livros para ler antes de morrer (lista 1001 livros), tenho duas coisas para partilhar convosco.
A primeira: quando comecei este espaço, essa lista era um projeto pessoal. Um daqueles desafios que nos motivam, que nos dão rumo e entusiasmo. Confesso que li apenas alguns títulos, não tantos como gostaria. O tempo, os gostos que vão mudando, outras leituras que se atravessam no caminho... tudo isso foi desviando-me do plano inicial.
A segunda: o meu gato — sim, o mesmo que adormece em cima dos livros como se fossem almofadas escolhidas a dedo — decidiu que aquele livro era um ótimo arranhador. Resultado? Capas rasgadas, páginas vincadas, um estrago irreversível. As unhas felinas são, afinal, inimigas naturais do papel.
Hoje, a reflexão impôs-se: os sonhos são frágeis. Às vezes, basta um gesto — ou uma pata! — para que se transformem noutra coisa. O que era entusiasmo virou frustração. E ficou um sabor agridoce, uma lembrança de que nada é eterno, nem sequer os nossos objetivos mais queridos.
Como escrevi no post anterior (este aqui), sinto, cada vez mais, a pressão em torno da leitura. As listas, os desafios, as novidades que não param de chegar. E eu pergunto-me: quantos bons livros vão ficar para trás, esquecidos, simplesmente porque não há tempo, ou porque a vida levou a atenção noutra direção?
Não sei se algum dia lerei os 1001 livros. Talvez nunca leia os 1001 livros. Mas talvez isso não importe, desde que continue a sonhar, e a lembrar-me de que, no fundo, sou eu quem decide o que fazer com os meus sonhos (e... com o meu gato!).