quarta-feira, 27 de agosto de 2025

O diário do gato está de volta...

Às vezes as ideias são recicláveis e não há mal nenhum nisso. Hoje posso perfeitamente ir buscar uma ideia às antigas Línguas de Gato  e fazer com que surja uma nova versão: mais cínica, mais atual e (espero) ainda mais divertida.

Se não gostarem, comentem.
Se gostarem… comentem também.

 

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Manifesto da vida de uma mulher



Criaram-me um guião de vida: sorrir, ser útil, engolir. Como resposta, resolvi escrever um conto que era sobre uma mulher e esta explodia numa repartição pública e ninguém reparava. Depois explodia outra, e outra. A cidade seguia igual, como se corpos não tivessem caído. Chamaram-lhe distópico. Eu chamei-lhe realista. 

 

domingo, 24 de agosto de 2025

Os Bastardos de Hitler, de Francisco Ramalheira


 
Os Bastardos de Hitler, de Francisco Ramalheira, não é apenas sobre a guerra. É sobre o que veio depois: crianças órfãs, memórias dolorosas e a luta por reconstruir vidas. Falamos tanto do Holocausto e da crueldade nazi, mas raramente olhamos para o que veio depois, especialmente para as crianças órfãs. 

Confesso que desconhecia muitos destes pormenores; a leitura começou por ser difícil, mas não conseguia parar de avançar. O autor revela histórias que merecem ser lembradas.

No Covil, encontramos Hanna, Lewi, Wa, Gábor, Abi, Marianne… e até o Ranhoso. Crianças marcadas pelo trauma, mas também capazes de ternura, amizade e resiliência. São personagens tão reais que nos apetece abraçá-las e proteger cada uma. A cena de Waclaw ficará comigo durante muito tempo.

A escrita equilibra história e emoção, transportando-nos para uma época sombria com uma leveza inesperada. Aqui não há necessidade de grandes vilões: a guerra e a sobrevivência já são cruéis o suficiente. O foco está na bondade que persiste, no amor fraterno como salvação e na esperança que insiste em florescer.

O final é comovente e vem lembrar-nos que, mesmo após a maior tragédia, há espaço para o amor e para a vida.

Uma leitura dura, mas cheia de amor e bondade. Um livro que nos faz refletir e, sobretudo, sentir.

Já conhecias este lado menos explorado da Segunda Guerra Mundial?  

Menos scroll, mais vida

As redes sociais desgastam. É como um poço sem fundo: começo a fazer scroll e, quando dou por mim… já passou uma hora inteira. E a verdade é que o tempo não volta atrás. O tempo é o bem mais precioso que tenho, e não quero gastá-lo todo a olhar para um ecrã.


Então, decidi experimentar algo diferente: coloquei limite de tempo e desliguei-me um pouco. E nesse espaço que abri, coube tanta coisa boa. Escrevi mais para o blog, saí para passear, vi uma série que queria há imenso tempo, almocei com uma amiga e ainda tive energia para um aniversário.


Tudo isto porque larguei, mesmo que por pouco tempo, o hábito de estar sempre agarrada ao telemóvel.


Resultado? Mais tempo para mim, mais presença nas pequenas coisas, e uma sensação de leveza que já me faz sentir muito melhor.


E tu, já pensaste quanto tempo gastas do teu dia no scroll infinito?

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

A última resistência: abrir um livro




Em 2019 escrevi sobre a minha crise com o Facebook aqui e a forma como as redes sociais se tornavam um vício, semelhante ao das batatas fritas: satisfazem no momento, mas só nos prejudicam. Nesse tempo já apelava à importância de preservar os hábitos de leitura.


Hoje, ao reler esse texto, percebo como continua atual. O problema já não é o Facebook, é o instagram, o tiktok e o scroll infinito das redes sociais. Pais e filhos, lado a lado, presos ao mesmo ecrã, a deslizar sem parar. E depois, com surpresa, muitos admiram-se quando se fala no fim do Plano Nacional de Leitura. Mas como manter vivo um programa que promove os livros, se ninguém lê? Se os livros são substituídos por vídeos de 30 segundos, por frases rápidas que não pedem reflexão?


Não é apenas a questão do “tempo a mais nas redes”. É um verdadeiro mudança de paradigma. A informação tem de ser instantânea, sem esforço, sem demora. Enquanto isso, a tecnologia avança, cria atalhos, promete pensar por nós. Mas será que ainda sabemos pensar sem ela?


Ler nunca foi apenas um passatempo. É um ato de resistência. É a forma mais simples e poderosa de aprender a refletir, de exercitar o pensamento crítico, de não deixar que outros escolham por nós.


A situação lembra a distopia literária Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, onde os livros eram queimados e a sociedade perdia a capacidade de pensar criticamente — e é exatamente esse cenário que enfrentamos se a tecnologia vencer e não houver livros para nos devolver essa capacidade de reflexão.


Por isso, hoje como em 2019, deixo o mesmo apelo: Por favor, leiam. Ensinem os vossos filhos a abrir um livro… antes que a última resistência se perca, que só saibam deslizar o dedo e, qualquer dia, perguntem como se liga um livro.


Estou a exagerar? Talvez. Mas espero que daqui a [outros] seis anos o que me parece agora uma distopia não se confirme como realidade - e como dura lição.