quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
SAPO Blogs: O fim de uma Era
Há dez anos, troquei o Blogger pelo SAPO Blogs. E há dez anos, a minha conta no Blogger foi usurpada por um hacker qualquer (quem nunca, não é?). Hoje, volto aqui com o coração apertado. Não só porque o SAPO Blogs vai fechar as portas em 2026, mas porque perder este espaço é perder uma parte do meu percurso. Uma parte que, por mais simples que fosse, era minha. Era o meu cantinho, onde escrevia sem filtros, sem pressa e onde, muitas vezes, fazia o meu “trabalho para aquecer”; aquele que se faz porque se gosta, não porque se tem de fazer.
Durante muitos anos, o SAPO Blogs foi a minha casa. A minha casa de férias, para ser mais precisa. Aquele sítio onde as minhas ânsias anti-redes sociais se dissipavam. Onde as palavras fluíam com mais facilidade. Onde, a cada post, eu sabia que havia alguém do outro lado, no mesmo bairro digital, a ler-me. A trocar uma palavra, a deixar um comentário, a fazer-me sentir um bocadinho menos sozinha nesta imensidão que é a Internet.
Mas, como tudo na vida, chega a altura de fechar a porta e sair. E enquanto o SAPO Blogs se despede e nos dá a ordem de despejo, porque não foi dada outra opção senão sair, isto não é só sobre blogs a fechar. É o início de uma mudança muito maior. A inteligência artificial está a tomar conta de tudo. Hoje acabam-se os blogs, amanhã acabam-se os jornais e, depois, começam a substituir-se pessoas por máquinas (o que, convenhamos, já é realidade em alguns países).
Sim, a IA chegou para ficar. E custa admitir que, pouco a pouco, estamos a ser empurrados para o lado. À medida que as "máquinas" ganham terreno, perdemos espaço para criar de forma genuína. O que antes era feito à mão, com alma, erros e emoção, está a ser trocado pela eficiência, pela rapidez e pela perfeição ...mas sem espírito e sem sentimentos.
E é isso que mais me custa. Ter sentimentos. Essa imperfeição. Depois disso, é ter de sair de um espaço onde as palavras eram minhas. Onde guardei os meus melhores momentos. Onde encontrei refúgio nas histórias que escrevi e onde sabia que alguém, por mais longe que estivesse, as lia com carinho. Hoje, parece-me quase irreal dizer que O Gato Preto não terá mais visitas.
O mundo vai seguir, os blogs vão desaparecendo e a inteligência artificial vai continuar a evoluir.
E nós?
Nós vamos assistir ao fim de uma Era.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
O neto do homem mais sábio, de Tomás Guerrero
Li O Neto do Homem Mais Sábio da para um desafio literário e fui agradavelmente surpreendida.
Uma novela gráfica sensível e inteligente que, a partir da célebre frase de Saramago sobre o avô, nos guia pela sua vida e obra.
«O homem mais sábio que conheci em toda a minha vida não sabia ler nem escrever.»
Uma bonita homenagem à literatura portuguesa, e que me deixou com vontade de ler tudo de Saramago
sábado, 17 de janeiro de 2026
O caminho até casa, de Kristin Hannah
Sempre fui uma admiradora da escrita de Kristin Hannah, e O Caminho Até Casa (reedição) confirmou novamente o quanto ela consegue tocar-nos profundamente.
A história acompanha a vida de Jude, Lexi, Mia e Zach – quatro personagens cujas vidas são marcadas por escolhas, silêncios e feridas que, muitas vezes, só o tempo é capaz de sarar.
O início do livro é sereno, quase tímido, mas rapidamente a narrativa nos envolve, aperta o coração e não nos deixa ir.
Há dor, sem dúvida. Mas também há uma empatia genuína, uma humanidade que nos faz refletir sobre os limites do perdão e o poder da redenção.
A escrita de Hannah é capaz de criar personagens imperfeitos, mas tão reais que nos sentimos parte da sua história.
A Jude, por exemplo, é uma figura complexa: os seus erros podem irritar, mas a dor que carrega é impossível de ignorar. Já a Lexi, forte e vulnerável na mesma medida, é uma personagem que nos ensina sobre resiliência, enquanto os gémeos Zach e Mia, unidos por um laço indestrutível, são o reflexo da necessidade de pertencimento.
A presença do marido de Jude e da tia de Lexi traz um equilíbrio necessário à trama, suavizando o turbilhão emocional e oferecendo uma esperança, por vezes inesperada.
É uma história que, embora profundamente comovente, também nos ensina que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, o caminho até casa, seja ele físico ou emocional, é sempre possível.
Preparem os lenços para este livro comovente, intenso, humano e inesquecível.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Todas as Famílias Felizes, de Miguel D' Alte
Todas as Famílias Felizes começa com o desaparecimento de Clara Paixão, uma menina de 12 anos no Porto. A investigação, conduzida pelos inspetores Jaime Ferreira e Beatriz Peixoto, cruza-se com o olhar do jornalista Ademar Leal, que acaba por se envolver de forma intensa no caso.
Mas..
rapidamente percebi que este livro não se resume a um mistério por resolver.
O que mais me prendeu foi a forma como a história vai muito além do enredo policial e se concentra nos segredos, nas fragilidades e nas zonas cinzentas das pessoas. Nada é simples, nada é totalmente seguro, e isso cria uma inquietação constante.
Para mim, antes de o catalogar como policial, considero-o sobretudo um thriller: a investigação está presente, mas o verdadeiro impacto reside no lado psicológico e na tensão emocional que atravessa toda a narrativa.
A alternância de planos narrativos mantém a tensão sempre elevada, o que tornou a leitura completamente viciante. Daquelas em que dizemos “só mais um capítulo” vezes sem conta.
O final deixou-me sem palavras. É forte, inesperado e perturbador, com aquela sensação agridoce.
Li de forma quase compulsiva, senti-me desconfortável (o que, para mim, é sempre um ótimo sinal) e cheguei ao fim a pensar: ok, isto foi mesmo muito bem feito.
E, como adorei, fiquei com uma vontade enorme de continuar a ler o autor!
Recomendo vivamente.
E tu, gostas mais de thrillers cheios de ação ou daqueles que nos mexem com a cabeça e nos fazem desconfiar de tudo e de todos?



