Todas as Famílias Felizes começa com o desaparecimento de Clara Paixão, uma menina de 12 anos no Porto. A investigação, conduzida pelos inspetores Jaime Ferreira e Beatriz Peixoto, cruza-se com o olhar do jornalista Ademar Leal, que acaba por se envolver de forma intensa no caso.
Mas..
rapidamente percebi que este livro não se resume a um mistério por resolver.
O que mais me prendeu foi a forma como a história vai muito além do enredo policial e se concentra nos segredos, nas fragilidades e nas zonas cinzentas das pessoas. Nada é simples, nada é totalmente seguro, e isso cria uma inquietação constante.
Para mim, antes de o catalogar como policial, considero-o sobretudo um thriller: a investigação está presente, mas o verdadeiro impacto reside no lado psicológico e na tensão emocional que atravessa toda a narrativa.
A alternância de planos narrativos mantém a tensão sempre elevada, o que tornou a leitura completamente viciante. Daquelas em que dizemos “só mais um capítulo” vezes sem conta.
O final deixou-me sem palavras. É forte, inesperado e perturbador, com aquela sensação agridoce.
Li de forma quase compulsiva, senti-me desconfortável (o que, para mim, é sempre um ótimo sinal) e cheguei ao fim a pensar: ok, isto foi mesmo muito bem feito.
E, como adorei, fiquei com uma vontade enorme de continuar a ler o autor!
Recomendo vivamente.
E tu, gostas mais de thrillers cheios de ação ou daqueles que nos mexem com a cabeça e nos fazem desconfiar de tudo e de todos?
