segunda-feira, 15 de setembro de 2025

A palavra que morde

Escrevi porque me estava a desfazer por dentro. Não em poesia, mas em cortes cegos.Cada parágrafo era um soco, cada frase uma acusação. Chamaram-me agressiva. Não sabiam que aquilo era o que restava quando se arranca a pele e se escreve com os nervos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Coisas ruins, de João Zamith


Este livro surpreendeu-me.

A morte do patriarca Henrique Viaforte abala a família, mas rapidamente percebemos que o enredo vai muito além do drama familiar. O autor constrói uma narrativa onde o sobrenatural português se cruza com uma forte crítica social: a forma como os ricos acumulam poder e fortuna, à custa da obediência e subserviência dos mais pobres.

A escrita é intensa e profundamente enraizada na nossa cultura, com referências a tradições e crenças que lhe dão autenticidade.

Não o senti como um livro de horror, mas como uma reflexão sobre o peso da fé, do misticismo e da desigualdade social. A leitura foi ainda mais rica porque já tinha lido Memórias de um Exorcista do padre Gabriel Amorth - a quem o autor faz uma breve referência nesta história. 

O final foi intenso e coerente, fechando a narrativa de forma a dar sentido a todo o percurso. 

É sem dúvida uma estreia sólida, que está ao nível de qualquer autor estrangeiro, e que desperta a curiosidade sobre o que mais este autor tem para nos contar.

Gostei muito e recomendo a quem aprecia histórias que combinam mistério, sobrenatural, tradição popular e reflexão social.

 E tu, já leste Coisas Ruins

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Entrada 2— O Aspirador que é uma autêntica fada do lar

Gato: “IA, como desativar o aspirador robô que me persegue?”
IA: “Carrega no botão OFF.”
Gato: “Obrigada, génio. Agora explica-me como se não tenho polegares.”

Uma árvore no céu de Brooklyn, de Betty Smith



Uma Árvore no Céu de Brooklyn
, de Betty Smith, é um daqueles romances que nos tocam pela simplicidade e, ao mesmo tempo, pela profundidade. Transporta-nos para o início do século XX, no bairro de Williamsburg, em Brooklyn, onde a vida é marcada pela pobreza, mas também pela persistência e pela esperança.

Acompanhamos Francie Nolan, uma jovem sensível, sonhadora e atenta ao que a rodeia. É através dos livros e da imaginação que encontra refúgio para escapar às dificuldades do quotidiano, alimentando a sua vontade de aprender e de sonhar com um futuro melhor. Francie não é apenas uma personagem, é quase um espelho de todas as crianças que crescem em ambientes duros, mas que, ainda assim, conseguem ver beleza e possibilidade no mundo.

Ao seu lado, estão figuras que enriquecem a narrativa e lhe dão profundidade emocional: Katie, a mãe prática e determinada, que carrega nos ombros o peso da sobrevivência da família; Johnny, o pai encantador e sonhador, mas fragilizado pelas suas próprias limitações; e Neeley, o irmão, que partilha com Francie tanto os desafios como os pequenos momentos de ternura. Juntos, constroem um retrato vivo de como a família, apesar de todas as adversidades, é um pilar essencial de força e esperança.

O que torna este romance inesquecível é a forma como nos mostra que, mesmo nos cenários mais difíceis, existe sempre espaço para acreditar, para sonhar e para criar um caminho diferente. O desfecho, longe de ser um ponto final, abre uma janela para o futuro de Francie e deixa-nos com a vontade de continuar a acompanhá-la, de saber para onde a levarão os seus sonhos e a sua resiliência.

Gostei imenso desta leitura e recomendo vivamente. Tal como a árvore que cresce entre o cimento, também Francie nos prova que é possível resistir e acreditar.

E vocês, já leram? Que impressões vos deixou a história de Francie Nolan?

 

 

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Summer moods # 6- Brisa



Ir ler para um banco de jardim? Claro, parece saído de Pinterest: sol a bater na perfeição, passarinhos a ensaiar ópera e aquela brisa digna de anúncio de televisão.
A realidade? Sentei-me num bloco de cimento gelado, com o vento a tentar colar o cabelo à cara como se isso fosse ajudar o meu mood de leitura.E a cereja no topo do bolo? O banco exibia orgulhosamente uma palavra obscena, pintada a spray em letras gordas, como quem diz: “Bem-vindo à experiência literária hardcore.”
Conclusão: Ler no jardim? Só se for versão extrema — vento, cimento e palavrões incluídos.
E vocês, arriscavam-se a ler assim ou ficam pelo sofá seguro de casa?