Este livro surpreendeu-me.
A morte do patriarca Henrique Viaforte abala a família, mas rapidamente percebemos que o enredo vai muito além do drama familiar. O autor constrói uma narrativa onde o sobrenatural português se cruza com uma forte crítica social: a forma como os ricos acumulam poder e fortuna, à custa da obediência e subserviência dos mais pobres.
A escrita é intensa e profundamente enraizada na nossa cultura, com referências a tradições e crenças que lhe dão autenticidade.
Não o senti como um livro de horror, mas como uma reflexão sobre o peso da fé, do misticismo e da desigualdade social. A leitura foi ainda mais rica porque já tinha lido Memórias de um Exorcista do padre Gabriel Amorth - a quem o autor faz uma breve referência nesta história.
O final foi intenso e coerente, fechando a narrativa de forma a dar sentido a todo o percurso.
É sem dúvida uma estreia sólida, que está ao nível de qualquer autor estrangeiro, e que desperta a curiosidade sobre o que mais este autor tem para nos contar.
Gostei muito e recomendo a quem aprecia histórias que combinam mistério, sobrenatural, tradição popular e reflexão social.
E tu, já leste Coisas Ruins?
2 comentários:
Fiquei com muita curiosidade!!
Boa semana também para ti!
Beijinhos
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