domingo, 24 de agosto de 2025

Menos scroll, mais vida

As redes sociais desgastam. É como um poço sem fundo: começo a fazer scroll e, quando dou por mim… já passou uma hora inteira. E a verdade é que o tempo não volta atrás. O tempo é o bem mais precioso que tenho, e não quero gastá-lo todo a olhar para um ecrã.


Então, decidi experimentar algo diferente: coloquei limite de tempo e desliguei-me um pouco. E nesse espaço que abri, coube tanta coisa boa. Escrevi mais para o blog, saí para passear, vi uma série que queria há imenso tempo, almocei com uma amiga e ainda tive energia para um aniversário.


Tudo isto porque larguei, mesmo que por pouco tempo, o hábito de estar sempre agarrada ao telemóvel.


Resultado? Mais tempo para mim, mais presença nas pequenas coisas, e uma sensação de leveza que já me faz sentir muito melhor.


E tu, já pensaste quanto tempo gastas do teu dia no scroll infinito?

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

A última resistência: abrir um livro




Em 2019 escrevi sobre a minha crise com o Facebook aqui e a forma como as redes sociais se tornavam um vício, semelhante ao das batatas fritas: satisfazem no momento, mas só nos prejudicam. Nesse tempo já apelava à importância de preservar os hábitos de leitura.


Hoje, ao reler esse texto, percebo como continua atual. O problema já não é o Facebook, é o instagram, o tiktok e o scroll infinito das redes sociais. Pais e filhos, lado a lado, presos ao mesmo ecrã, a deslizar sem parar. E depois, com surpresa, muitos admiram-se quando se fala no fim do Plano Nacional de Leitura. Mas como manter vivo um programa que promove os livros, se ninguém lê? Se os livros são substituídos por vídeos de 30 segundos, por frases rápidas que não pedem reflexão?


Não é apenas a questão do “tempo a mais nas redes”. É um verdadeiro mudança de paradigma. A informação tem de ser instantânea, sem esforço, sem demora. Enquanto isso, a tecnologia avança, cria atalhos, promete pensar por nós. Mas será que ainda sabemos pensar sem ela?


Ler nunca foi apenas um passatempo. É um ato de resistência. É a forma mais simples e poderosa de aprender a refletir, de exercitar o pensamento crítico, de não deixar que outros escolham por nós.


A situação lembra a distopia literária Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, onde os livros eram queimados e a sociedade perdia a capacidade de pensar criticamente — e é exatamente esse cenário que enfrentamos se a tecnologia vencer e não houver livros para nos devolver essa capacidade de reflexão.


Por isso, hoje como em 2019, deixo o mesmo apelo: Por favor, leiam. Ensinem os vossos filhos a abrir um livro… antes que a última resistência se perca, que só saibam deslizar o dedo e, qualquer dia, perguntem como se liga um livro.


Estou a exagerar? Talvez. Mas espero que daqui a [outros] seis anos o que me parece agora uma distopia não se confirme como realidade - e como dura lição. 


 

Summer moods #5 - Barulho de Verão

1000099407.jpg


O verão tem sempre aquele som inconfundível: gargalhadas, música, passos apressados, movimento constante. Às vezes é uma energia boa, que nos contagia… mas noutras só dá vontade de desligar tudo e procurar o silêncio perfeito para mergulhar num livro. Cá em casa, porém, o barulho é outro. O Niku, o meu gato, insiste em ser protagonista cada vez que tento fotografar a leitura do dia.E o mais curioso? No livro que estou a ler, também há um gato chamado Ranhoso… e o meu Niku parece decidido a competir pela atenção! 


Quem mais tem um “assistente felino” sempre pronto a intrometer-se nas fotos?




 

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Quando a realidade insiste em repetir capítulos negros

Gosto de livros. Gosto da forma como me permitem sair da realidade, mergulhar noutras vidas, experimentar emoções que não são minhas e descobrir mundos que só existem no papel. Ler é, muitas vezes, o meu refúgio. Uma pausa no barulho diário. Uma espécie de abrigo.


Mas nem sempre consigo manter-me lá dentro. Há momentos em que “acordo” desse refúgio e volto a olhar para o que me rodeia. E, sinceramente, nem sempre gosto do que vejo. A realidade não tem a leveza da ficção. Traz problemas que não se resolvem no virar da página e capítulos que parecem repetir-se vezes demais.


Penso, sobretudo, nas notícias. Ultimamente, os incêndios parecem uma saga interminável. Todos os anos regressam, como se alguém lançasse sempre mais um volume de uma coleção que nunca quisemos ler. O enredo é o mesmo: destruição, medo, impotência. Desculpem a comparação, mas quase dá a sensação de que os “editores” desta realidade não sabem escrever outra coisa.


E aqui estou eu, dividida entre dois mundos: o das histórias que me confortam e o da vida que insiste em repetir capítulos negros que já lemos vezes demais. 


Às vezes dava tudo para desligar por uns minutos, fechar os olhos e fingir que o mundo podia esperar. Seria tão mais fácil… se o mundo alguma vez tivesse a cortesia de obedecer. Talvez seja por isso que os livros me fazem tanta falta: não para fugir, mas para me armarem de paciência e resiliência suficientes para continuar a assistir sem poder fazer nada.


 


 

terça-feira, 19 de agosto de 2025

A Mulher do Camarote 10, de Ruth Ware

Screenshot_20250817_121231_Gallery.jpg


Um cruzeiro de luxo, uma jornalista em busca da reportagem da sua vida e um grito na noite que muda tudo. É com esta premissa que Ruth Ware nos prende do início ao fim em A Mulher do Camarote 10, um thriller psicológico que combina suspense, mistério e tensão claustrofóbica.


A narrativa é intensa e sufocante, construída de forma a manter o leitor em dúvida constante: terá Lo Blacklock realmente testemunhado um crime ou tudo não passou da sua imaginação, influenciada por trauma, medicação e ansiedade? É este jogo de perceções que transforma a leitura numa experiência psicológica profunda, mais do que um simples “quem fez o quê”.


Embora a história seja viciante, senti falta de uma ligação mais próxima com as personagens. Lo, apesar de central e complexa, e os restantes passageiros, enigmáticos, mantêm uma certa distância emocional. Ainda assim, esta aura de mistério contribui para o suspense, tornando cada página imprevisível e carregada de tensão.


O final consegue surpreender mesmo para quem adivinhou parte do desenlace, revelando que, num navio cheio de segredos, nada é o que parece. Ruth Ware prova, mais uma vez, a sua habilidade em criar thrillers inteligentes, psicológicos e envolventes, capazes de manter o leitor colado até à última página.


Gostei bastante desta história, embora ache que " Um casal perfeito" continua a ser o meu favorito da autora.


E tu? Já leste? O que achaste?