



Depois de ler "Enquanto o Fim Não Vem", as expectativas eram muito altas, mas este romance da Mafalda Santos conseguiu surpreender-me, novamente!
A Mafalda Santos é sem dúvida uma das minhas autoras favoritas, escreve muitíssimo bem e possui uma habilidade extraordinária em criar narrativas intrigantes.
No livro, a combinação entre distopia e uma história de amor fez-me questionar os limites do amor e da realidade, num enredo que mistura de forma inteligente mistério, emoção e sobrevivência.
A história não é apenas sobre Gabriel e Sara; é também uma reflexão sobre até onde somos capazes de ir quando tudo à nossa volta se desmorona.
Neste contexto, a autora explora com mestria o desaparecimento de Sara e a busca desesperada de Gabriel por respostas, jogando com as fronteiras da realidade. A introdução do conceito de multiverso, embora toque em ficção científica, serve mais como pano de fundo para o drama humano. Não é o multiverso em si que domina, mas o impacto emocional que esta complexidade traz às personagens e à própria narrativa.Essa alternância entre mundos e os capítulos curtos criam um ritmo quase cinematográfico, que me manteve agarrada do início ao fim. A construção cuidadosa da tensão, capítulo a capítulo, contribuiu também para uma leitura rápida e compulsiva.
Já a conclusão deixou-me com a sensação de que há mais por descobrir, mais por dizer, e eu adoraria ler a continuação - talvez porque a minha experiência de leitura foi como se estivesse a assistir a uma série ou filme ; Ok, também há filmes em que no final ficamos assim, para nos fazer reflectir um pouco.
E foi isso que fiz.
Para terem uma ideia de uma das minhas reflexões deixo no ar a pergunta: a própria percepção da realidade é diferente para cada um de nós, certo?
Adorei e recomendo vivamente.

Reinos Bastardos conseguirá conquistar os amantes de fantasia e os que, geralmente, não se aventuram por esse género literário? A isto respondo já que sim.
Fantasia não é um género que figura frequentemente entre as minhas leituras. Houve uma época em que devorava livros deste género, mas os anos passaram e os gostos mudaram. Por isso, mundos mágicos e monstros são algo que não me aventuro hoje em dia. No entanto, o autor cedeu gentilmente o livro e como tenho a imaginação em altas esta leitura até veio em boa altura.
A personagem principal, Runa, é uma jovem humana órfã criada por Kar numa tribo de ogros nos Reinos Bastardos. Este ambiente inóspito e hostil, em que os humanos não passam de cativos, moldou a sua personalidade e tornou-a forte e rebelde. A relação entre Runa e Kar, marcada por um afeto quase paternal, e o laço crescente com Ediru, são aspectos emocionalmente envolventes.
As descrições do ambiente de Reinos Bastardos são pormenorizadas e, embora necessárias, contrariaram – e muito- a minha enorme vontade de ler o que iria suceder a seguir a Runa. Eu estava tão ansiosa para descobrir o destino de Runa e Ediru que as longas descrições pareciam um obstáculo entre mim e o próximo acontecimento. Quando tudo mudou, na história, fui contrariada – de novo!– desta vez, de forma ainda mais impactante.
E, o que mais me surpreendeu, foi o desenvolvimento dos personagens. Embora tenha gostado de uns e odiado outros, confesso que não estava nada preparada para duas das personagens mudarem de uma forma que realmente me desarmou. Então? Como assim? Porquê?
Apesar destas perguntas sem resposta, gostei muito desta história emocionante de fantasia de fácil e rápida leitura. Para isso contribui decisivamente a escrita do autor e a forma como mantém o leitor envolvido e em suspense até ao fim. No entanto, deixou-me como que um travo agridoce tanto quanto à mudança nos personagens e quanto ao facto de ter de aguentar a minha curiosidade até sair Reinos Humanos para saber o que aconteceu à Runa e a outros personagens.
Sendo esta história uma história que prende logo no início a atenção do leitor e que se lê rapidamente, esta reação já seria de esperar! Agora a minha questão é: quando é o lançamento do próximo volume?
E vocês, já tiveram a oportunidade de ler Reinos Bastardos? Qual foi a vossa impressão?

"Os anos da meia idade, em que já não és nova e ainda não és velha, são nebulosos. Já não avistas a margem de que partiste, e ainda não distingues com suficiente nitidez a margem para a qual te diriges".
Este é o início do livro escrito por Katja Oskamp. A narradora é a própria escritora (personagem), que, após uma crise pessoal e profissional, decide mudar radicalmente de vida e torna-se pedicura.
Oskamp compartilha histórias dos seus clientes e estes relatos, aparentemente mundanos, revelam profundidade e complexidade humana.
Numa escrita despida e poética ao mesmo tempo, a autora dá atenção a detalhes sobre o quotidiano dos personagens. Em cada capítulo, cada cliente tem uma história, o que traz diversidade às experiências relatadas e uma visão intimista da vida das pessoas.
No entanto, enquanto leitora, senti que há histórias ou personagens que não são explorados a fundo porque deixamos de seguir determinado personagem assim que começa outro capítulo e outro personagem (sorry, mas não aprecio a estrutura baseada em pequenas histórias que se assemelham a contos).
Em suma, "Marzahn, Mon Amour" é um livro original e reflexivo sobre a vida de pessoas comuns que poderá ser interessante para quem gosta de histórias intimistas e frustrante para quem gosta de mais desenvolvimento e ação.