
Portugal Vermelho apresenta uma realidade alternativa ousada, onde Portugal mergulha numa ditadura comunista com o apoio da União Soviética.
Diverti-me bastante a ler, não só por reencontrar aquelas frases tão à maneira do Pedro Catalão Moura — diretas e irónicas, por vezes algo exageradas- mas também pela forma como personagens reais foram transformadas em figuras ficcionadas com grande eficácia. Ver nomes como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Otelo Saraiva de Carvalho e Spínola integrados numa narrativa alternativa, ao lado de personagens como a Celeste dos Cravos ou o Sebastião (de quem gostei particularmente), trouxe-me um misto de surpresa e curiosidade sobre o seu desenvolvimento.
O livro cruza habilmente factos históricos com ficção, e inclui ainda o envolvimento da KGB e da CIA, elevando a intriga para uma escala internacional. Há um jogo de bastidores intenso, feito de conspiração e manipulação, que nos leva a refletir sobre como tantas decisões são tomadas longe dos nossos olhos — enquanto seguimos a vida, sem suspeitar do que realmente se move à nossa volta.
Comparado com Quando o Vaticano Caiu, senti que este livro é mais ousado, mais complexo e, de certa forma, mais afinado na construção política e emocional do enredo. Há aqui uma reflexão séria a fazer sobre poder, lealdade e os mecanismos invisíveis que moldam o mundo.
Gostei muito desta leitura - surpreendente, inteligente e provocadora. E vocês, já leram? O que acharam?
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