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domingo, 22 de junho de 2025

Renascer, de Andreia Ferreira

 


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Renascer mergulha no universo emocional de Luz, uma mulher que se perdeu de si mesma enquanto tentava manter tudo à sua volta a funcionar. Entre o emprego, as tarefas domésticas, a distância emocional do marido e os comportamentos cada vez mais estranhos do filho, Luz sente-se sozinha dentro da própria casa. A descoberta de uma nova gravidez traz à superfície medos profundos e a sensação crescente de que algo está errado — com a sua vida, com a sua mente, talvez até com a sua realidade.

Os personagens são vívidos e inquietantes, em especial Luz, cuja voz narrativa é honesta, crua e, por vezes, perturbadora. 

A autora explora com sensibilidade temas como a saúde mental, o burnout materno e a invisibilidade feminina dentro do casamento. Chico, o marido ausente mas “perfeito” aos olhos dos outros, e Diogo, o filho com um comportamento cada vez mais sombrio, intensificam o clima de tensão psicológica. A leitura é envolvente e desconcertante, com momentos em que sentimos a angústia de Luz como se fosse nossa.

Sem revelar demasiado, o final de Renascer traz uma viragem inesperada que desafia o leitor a repensar tudo o que foi lido até ali. 

Um livro que me surpreendeu pela profundidade e pela coragem com que trata temas pouco falados, e que convida à reflexão sobre o que é, afinal, "renascer".

 

E tu, já leste Renascer? Sentiste empatia por Luz ou o livro levou-te a olhar de outra forma para o quotidiano feminino?

terça-feira, 3 de junho de 2025

Portugal Vermelho, de Pedro Catalão Moura

 


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Portugal Vermelho apresenta uma realidade alternativa ousada, onde Portugal mergulha numa ditadura comunista com o apoio da União Soviética. 

Diverti-me bastante a ler, não só por reencontrar aquelas frases tão à maneira do Pedro Catalão Moura — diretas e irónicas, por vezes algo exageradas- mas também pela forma como personagens reais foram transformadas em figuras ficcionadas com grande eficácia. Ver nomes como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Otelo Saraiva de Carvalho e Spínola integrados numa narrativa alternativa, ao lado de personagens como a Celeste dos Cravos ou o Sebastião (de quem gostei particularmente), trouxe-me um misto de surpresa e curiosidade sobre o seu desenvolvimento.

O livro cruza habilmente factos históricos com ficção, e inclui ainda o envolvimento da KGB e da CIA, elevando a intriga para uma escala internacional. Há um jogo de bastidores intenso, feito de conspiração e manipulação, que nos leva a refletir sobre como tantas decisões são tomadas longe dos nossos olhos — enquanto seguimos a vida, sem suspeitar do que realmente se move à nossa volta.

Comparado com Quando o Vaticano Caiu, senti que este livro é mais ousado, mais complexo e, de certa forma, mais afinado na construção política e emocional do enredo. Há aqui uma reflexão séria a fazer sobre poder, lealdade e os mecanismos invisíveis que moldam o mundo.

 

Gostei muito desta leitura - surpreendente, inteligente e provocadora. E vocês, já leram? O que acharam?