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sexta-feira, 30 de maio de 2025

Filha da Louca, de Maria Francisca Gama

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Esta é, sem dúvida, a opinião mais difícil que dou. Porque é também a mais pessoal. 

Este romance acompanha Matilde, uma jovem que tenta compreender a mãe — alguém que o mundo rotulou de “louca” — enquanto lida com a ausência do pai e, mais tarde, com a solidão que se instala após a perda dos dois. Ao descobrir um segredo escondido no passado da mãe, vê-se obrigada a confrontar aquilo em que sempre acreditou sobre a sua família.

Falo desta leitura não como crítica, mas como leitora marcada por uma história que, de certa forma, se cruzou um pouco com a minha. A minha infância foi profundamente moldada por uma relação difícil com a minha mãe. Por muito que goste dela, houve um momento em que chegou a revolta — esse ponto em que o amor não desaparece, mas se transforma em perguntas e silêncios. Por isso, talvez esperasse desta leitura um confronto mais direto, mais visceral.

Tinha expectativas altas, até porque gosto muito da escrita da autora mas senti que a Matilde, enquanto personagem, ficou num registo demasiado contido. Como leitora, esperei por uma evolução que nunca chegou — um grito, uma fuga, uma libertação — e talvez por isso tenha terminado o livro com uma sensação de distância, de algo por resolver.

Apesar disso, não deixo de valorizar a sensibilidade com que são tratadas questões como a saúde mental, a maternidade e o peso invisível das relações familiares. 

É um livro feito de silêncios e sombras — porque muito do que marca estas personagens não é dito em voz alta, vive-se nos gestos contidos, nos pensamentos reprimidos, no que se evita enfrentar.Mas, para mim, talvez por tocar em feridas antigas, ficou mesmo a faltar qualquer coisa.

 

Já leram Filha da Louca? O que acharam? 

terça-feira, 4 de junho de 2024

O TikTok na promoção da leitura

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A recente conversa entre Maria Francisca Gama e Elga Fontes sobre a influência do TikTok na promoção da leitura destacou um fenómeno atual: o aumento do interesse dos jovens pela leitura graças a esta plataforma.


Durante o debate, ambas as interlocutoras realçaram os aspetos positivos desta tendência, como a revitalização do hábito de ler entre os jovens e a criação de uma comunidade literária inovadora e criativa.


Entretanto, também foram mencionadas algumas críticas pertinentes. Por exemplo, o algoritmo do TikTok, ao sugerir os mesmos livros para todos, pode limitar a diversidade das leituras, resultando numa experiência literária homogénea.


Foi, ainda, debatida a questão dos triggers warning, questionando-se se esta prática não estaria a proteger em excesso os leitores, limitando, assim, o seu crescimento pessoal ao evitar temas desafiadores.


Em suma, a conversa foi enriquecedora e muito relevante, abordando tanto os benefícios quanto as preocupações emergentes deste fenómeno contemporâneo.


 

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

A Cicatriz, Maria Francisca Gama

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"A Cicatriz" narra a história de um casal que, durante uma viagem ao Rio de Janeiro, toma uma decisão aparentemente insignificante que desencadeia uma série de eventos devastadores.
Com base na sinopse sabemos à partida que o livro explora um tema profundo e emocional, mas nada nos prepara para a crueza dos acontecimentos e a sensação de um nó no estômago, palpáveis ao longo de toda a história.
O uso de um tom confessional na narrativa na primeira pessoa, absolutamente arrasadora, foi, para mim, assustadoramente real. E por esse motivo no final da leitura tive de reflectir durante algum tempo e reconfigurar as emoções sentidas durante a leitura.
Isto porque não considerei apenas como uma história, mas como uma experiência que, infelizmente, sabemos que e uma realidade no Brasil.
Parabenizo a autora pela intensidade da narrativa e agradeço pela extraordinária reflexão sobre a fragilidade da felicidade e em como uma pequena decisão pode mudar tudo.
Eu realmente gostei do livro e acho que também vão gostar. 


É real? Não é?!


Contem-me a vossa experiência pois gostaria imenso de saber se sentiram o mesmo.

terça-feira, 7 de março de 2023

Há uma linha que separa... o bem e o mal

 


 


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Sinopse:


« Sei que, mais cedo ou mais tarde, todos saberão quem sou. Que estarão à minha procura, que falarão sobre mim, que viverão na tentativa inútil de se assemelhar à minha imagem. Teremos apenas de aguardar. Vocês e eu. »


Mariana é uma jovem mulher solitária. Tem um emprego do qual não gosta, passa os dias e as noites sozinha a ler um livro misterioso. Sente um profundo desprezo pela Humanidade, mas não consegue evitar ajudar quem precisa, mesmo que a ajuda venha na forma de um frasquinho de veneno indetetável.
Através das pessoas com quem se vai cruzando, todas vítimas de alguém, Mariana vai eliminando o mal do mundo e, ao fazê-lo, junta uma legião que jura segui-la para sempre, como a uma profeta.


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Opinião:  


Este foi o último livro que li no ano passado -assim dito parece que foi há imenso tempo- e tenho mesmo de escrever sobre ele, ou não fosse a autora uma conterrânea, aqui, perto de Leiria.
Li esta história rapidamente e com uma sensação de que tudo estava errado com esta personagem. Uma vez que a linha que separa o bem e o mal nem sempre é clara, creio que a sua definição surge claramente deturpada com o objetivo de nos fazer pensar. A mim belisca em muito o meu sentido de justiça.
Mas, talvez, a justiça de alguns siga inconscientemente a lei de Talião e isso foi uma das coisas que mais me incomodou nesta leitura; a outra, não revelo para não dar spoilers.
Eu gostei bastante, especialmente por ser um livro "fora da caixa" e com final inesperado.