segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Pensamentos Malignos, de Nora Roberts


Pensamentos Malignos
 de Nora Roberts é um daqueles romances em que o dom se torna maldição, e onde os segredos do passado tecem sombras que ainda assombram o presente.

Quando Thea Fox retorna a Redbud Hollow, acredita estar reconstruindo a vida: uma carreira criativa como designer de videojogos, um chalé acolhedor, a avó querida, e o reencontro com Tyler, a paixão de adolescência. Tudo parece alinhar-se. Mas o dom que herdou da avó — a capacidade de entrar nas mentes, ouvir pensamentos e até vislumbrar o futuro — transforma-se numa prisão.

De um lado, o trauma do assassinato dos pais, vivido ainda em criança. Do outro, a esperança de recomeçar e encontrar o amor. Nora Roberts mistura suspense psicológico, toques sobrenaturais, romance e laços familiares com ternura e intensidade.

O dom de Thea poderá ser entendida como uma metáfora: aquilo que poderia ser poder, torna-se fardo. Saber demais. Ouvir demais. Ver demais. E, ainda assim, é o que lhe dá força e identidade.

Redbud Hollow é quase um personagem, com cheiro a casa de infância, memórias que confortam e ferem ao mesmo tempo. É fácil sentir intimidade com Thea através da avó, dos irmãos, dos espaços familiares que carregam histórias.

Contudo, nem tudo corre na perfeição. O ritmo é lento em certos momentos, com descrições longas da rotina que, embora ajudem a construir a personagem, podem abrandar o suspense. O vilão, embora inquietante, nem sempre consegue transmitir a ameaça constante esperada num thriller.

Ainda assim, é um romance que prende pela mistura de géneros e pelo retrato de personagens vulneráveis mas resilientes. Para quem procura uma leitura que une mistério, romance e drama humano, Pensamentos Malignos é a leitura ideal. Já quem espera um thriller puro e acelerado pode sentir-se menos envolvido.

Recomendo a fãs de Nora Roberts que apreciam o seu equilíbrio entre emoção e mistério, e a leitores que gostam de histórias onde o "sobrenatural" é pano de fundo para dilemas humanos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Ele é meu, de Dorothy Koomson

 


Neste livro, acompanhamos Robyn “Avril” Managa, que aos doze anos testemunhou o pai controlador e abusivo matar a mãe. Enquanto ele recebeu uma nova identidade através do programa de Proteção de Testemunhas, Robyn foi deixada num lar de acolhimento, crescendo com o trauma e a sede de vingança. Já adulta, decide ajustar contas com o passado, eliminando todos os que tiveram ligação ao caso do pai e deixando junto de cada vítima um bilhete enigmático: “Ele é meu”. Só no final consegui perceber o verdadeiro significado desta mensagem — e confesso que fiquei surpreendida.

Na investigação surge a Dra. Kez Lanyon, profiler e terapeuta, determinada a compreender a mente perturbada de Robyn e a travá-la antes que mais vidas se percam. Tal como uma boa personagem de thriller psicológico, também ela guarda os seus próprios segredos.

O livro está dividido em catorze partes, o que lhe dá um bom ritmo, e tem várias reviravoltas inesperadas. Senti a intensidade psicológica a crescer ao longo da leitura, com momentos que me prenderam completamente.

Por outro lado, talvez por conhecer a autora apenas através dos seus romances e não ter lido o thriller anterior, houve passagens que me pareceram um pouco forçadas e por vezes tive a sensação de déjà vu, como se já tivesse lido algo semelhante. Ainda assim, a experiência foi muito positiva e gostei da forma como a autora se aventurou neste género.

Em suma: Recomendo a quem gosta de thrillers densos e perturbadores. Apesar de algumas passagens me parecerem já vistas, a leitura foi muito envolvente.

Já leste algo da autora neste género? Conta-me nos comentários!

Classificação: 4*/5*

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Entrada 3 — Dieta Sem Humor

Humano: “IA, dieta sem glúten ajuda?”
Eu: “IA, como convenço o humano a dar-me atum todos os dias?”
IA: “Não é saudável.”
Eu: “Pois. Também não é saudável comer salada e sorrir.”

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Terra Ferida, de Clare Leslie Hall


Ao ler Terra Ferida, senti-me completamente envolvida pela história de Beth e Frank. À primeira vista, parece um casamento perfeito, mas rapidamente percebi que segredos do passado estão prestes a abalar tudo. Quando Jimmy dispara contra o cão que invade a quinta — o mesmo que pertencia a Gabriel Wolfe, o primeiro amor de Beth — percebi que a vida de todos mudaria para sempre.

O regresso de Gabriel, acompanhado pelo filho Leo, trouxe à tona memórias e dores que pensei que Beth já tivesse superado. Foi impossível não sentir o peso das antigas paixões, ciúmes e escolhas que moldaram o presente da protagonista. Cada capítulo fez-me refletir sobre como os segredos e decisões do passado nos acompanham e influenciam quem nos tornamos.

Adorei a forma como Clare Leslie Hall equilibra emoção, tensão e introspeção. Senti cada personagem de forma real e intensa, e a narrativa fez-me questionar escolhas e arrependimentos que, muitas vezes, nos definem.

Recomendo este livro a quem gosta de romances que exploram profundamente as emoções humanas, os segredos do passado e as consequências das nossas decisões.

E tu, se estivesses no lugar de Beth, que caminho escolherias?

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

A palavra que morde

Escrevi porque me estava a desfazer por dentro. Não em poesia, mas em cortes cegos.Cada parágrafo era um soco, cada frase uma acusação. Chamaram-me agressiva. Não sabiam que aquilo era o que restava quando se arranca a pele e se escreve com os nervos.

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Coisas ruins, de João Zamith


Este livro surpreendeu-me.

A morte do patriarca Henrique Viaforte abala a família, mas rapidamente percebemos que o enredo vai muito além do drama familiar. O autor constrói uma narrativa onde o sobrenatural português se cruza com uma forte crítica social: a forma como os ricos acumulam poder e fortuna, à custa da obediência e subserviência dos mais pobres.

A escrita é intensa e profundamente enraizada na nossa cultura, com referências a tradições e crenças que lhe dão autenticidade.

Não o senti como um livro de horror, mas como uma reflexão sobre o peso da fé, do misticismo e da desigualdade social. A leitura foi ainda mais rica porque já tinha lido Memórias de um Exorcista do padre Gabriel Amorth - a quem o autor faz uma breve referência nesta história. 

O final foi intenso e coerente, fechando a narrativa de forma a dar sentido a todo o percurso. 

É sem dúvida uma estreia sólida, que está ao nível de qualquer autor estrangeiro, e que desperta a curiosidade sobre o que mais este autor tem para nos contar.

Gostei muito e recomendo a quem aprecia histórias que combinam mistério, sobrenatural, tradição popular e reflexão social.

 E tu, já leste Coisas Ruins