sábado, 17 de janeiro de 2026

O caminho até casa, de Kristin Hannah


Sempre fui uma admiradora da escrita de Kristin Hannah, e O Caminho Até Casa (reedição) confirmou novamente o quanto ela consegue tocar-nos profundamente.

A história acompanha a vida de Jude, Lexi, Mia e Zach – quatro personagens cujas vidas são marcadas por escolhas, silêncios e feridas que, muitas vezes, só o tempo é capaz de sarar. 

O início do livro é sereno, quase tímido, mas rapidamente a narrativa nos envolve, aperta o coração e não nos deixa ir.

Há dor, sem dúvida. Mas também há uma empatia genuína, uma humanidade que nos faz refletir sobre os limites do perdão e o poder da redenção. 

A escrita de Hannah é capaz de criar personagens imperfeitos, mas tão reais que nos sentimos parte da sua história. 

A Jude, por exemplo, é uma figura complexa: os seus erros podem irritar, mas a dor que carrega é impossível de ignorar. Já a Lexi, forte e vulnerável na mesma medida, é uma personagem que nos ensina sobre resiliência, enquanto os gémeos Zach e Mia, unidos por um laço indestrutível, são o reflexo da necessidade de pertencimento.

A presença do marido de Jude e da tia de Lexi traz um equilíbrio necessário à trama, suavizando o turbilhão emocional e oferecendo uma esperança, por vezes inesperada. 

É uma história que, embora profundamente comovente, também nos ensina que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, o caminho até casa,  seja ele físico ou emocional, é sempre possível.

Preparem os lenços para este livro comovente, intenso, humano e inesquecível.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Todas as Famílias Felizes, de Miguel D' Alte


Todas as Famílias Felizes
começa com o desaparecimento de Clara Paixão, uma menina de 12 anos no Porto. A investigação, conduzida pelos inspetores Jaime Ferreira e Beatriz Peixoto, cruza-se com o olhar do jornalista Ademar Leal, que acaba por se envolver de forma intensa no caso. 

Mas..

rapidamente percebi que este livro não se resume a um mistério por resolver.

O que mais me prendeu foi a forma como a história vai muito além do enredo policial e se concentra nos segredos, nas fragilidades e nas zonas cinzentas das pessoas. Nada é simples, nada é totalmente seguro, e isso cria uma inquietação constante.

Para mim, antes de o catalogar como policial, considero-o sobretudo um thriller: a investigação está presente, mas o verdadeiro impacto reside no lado psicológico e na tensão emocional que atravessa toda a narrativa.

A alternância de planos narrativos mantém a tensão sempre elevada, o que tornou a leitura completamente viciante. Daquelas em que dizemos “só mais um capítulo” vezes sem conta.

O final deixou-me sem palavras. É forte, inesperado e perturbador, com aquela sensação agridoce.

Li de forma quase compulsiva, senti-me desconfortável (o que, para mim, é sempre um ótimo sinal) e cheguei ao fim a pensar: ok, isto foi mesmo muito bem feito. 

E, como adorei, fiquei com uma vontade enorme de continuar a ler o autor!

Recomendo vivamente.

E tu, gostas mais de thrillers cheios de ação ou daqueles que nos mexem com a cabeça e nos fazem desconfiar de tudo e de todos?


sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Os crimes de Verão de 1985, de Miguel D'Alte

 

Terminei Os Crimes do Verão de 1985, e Uauu, que leitura viciante! 

A história passa-se na pequena Ilha do Poço Negro, em 1985, quando duas crianças desaparecem juntamente com a sua cuidadora, Beatriz, numa noite de tempestade. O caso é encerrado oficialmente nesse mesmo ano, mas décadas mais tarde, em 2012, novas pistas obrigam o jornalista Ademar Leal a retomar a investigação, trazendo à tona mistérios antigos e segredos que ainda pairam sobre a ilha.

O livro lida com temas como violência, segredos familiares, entre outros, e a narrativa consegue manter o suspense, com ritmo constante e novas revelações que nos prendem do início ao fim. 

Confesso que normalmente não gosto de narrativas com saltos entre períodos temporais, mas aqui está muito bem conseguido; o passado e o presente complementam-se de forma perfeita.

A escrita é envolvente, os capítulos curtos tornam a leitura viciante, e o ambiente da ilha está descrito de forma magistral. Um thriller português que não dá descanso e que recomendo a todos os fãs do género. 

Já leram este livro? O que acharam? 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Uma Questão de Atração, de David Nicholls


Comecei este livro cheia de boa vontade. Mesmo.Parecia ser daquelas leituras com ar de “isto vai ser bom”. 

Spoiler: não foi mau… mas também não me agarrou como eu queria. 

Brian acredita que ser inteligente chega. Que o conhecimento compensa tudo o resto. Que, se uma pessoa for suficientemente brilhante, o amor acaba por aparecer por mérito académico.

Na universidade, entre "borgas" e aulas, ele vai percebendo que a atração não funciona assim. Alice, claro, é o problema central: confiante, distante, linda e completamente fora do seu alcance emocional. 

Fiquei desapontada, confirmando-se a minha teoria de há livros que só fazem sentido se forem lidos na altura certa da vida. Ainda assim, trouxe-me uma certa nostalgia.

Muitas das músicas mencionadas no livro são dos anos 80 e 90, e talvez por isso queira ver o filme Starter for 10 (título original do livro). Só que não ajuda o facto de não estar disponível na Netflix, nem lado nenhum, já agora 

E vocês, já leram o livro ou viram o filme?

sábado, 3 de janeiro de 2026

O Crime mais maravilhoso do ano, de Ally Carter


Este livro responde à pergunta que ninguém fez mas todos precisávamos de ver respondida: E se juntássemos Natal, um crime, uma mansão isolada pela neve e dois escritores que se detestam?

Resultado: funciona. E funciona bem.

Temos Maggie Chase, autora de cozy mysteries, organizada, controlada e com uma ligeira alergia a pessoas difíceis.

E temos Ethan Wyatt, escritor de thrillers cheios de ação, ego grande, charme excessivo e uma necessidade inexplicável de a irritar a cada frase.

Ambos são convidados para passar o Natal numa mansão inglesa pertencente à lendária Eleanor Ashley, aka Duquesa da Morte. Só que Eleanor decide fazer aquilo que toda a gente educada evita no Natal: desaparecer num quarto trancado por dentro.

A partir daqui temos neve a bloquear saídas, suspeitos por todo o lado, pistas espalhadas com mais estilo do que lógica policial e diálogos cheios de sarcasmo.

O livro é divertido. Lê-se depressa, ri-me algumas vezes e avancei mais pelo prazer da interação entre as personagens do que pela urgência de descobrir o culpado.

É perfeito para quem: gosta de cozy crime, aprecia rivalidade com química e quer mistério sem muito stress.

Gostei muito!