Sara Duarte Brandão constrói a narrativa com uma escrita poética e fragmentada. Cada capítulo funciona como um pequeno ensaio de sentimentos e reflexões, onde o passado e o presente se entrelaçam, permitindo ao leitor percorrer os meandros da memória, da culpa e da liberdade ansiada.
O livro é, sobretudo, sobre o conflito entre ser e dever ser. Maria Teresa enfrenta os santos da casa, símbolos de tradição e moral, mas também confronta o seu próprio medo de desagradar, de falhar, de se perder entre expectativas alheias. É nesta tensão que a obra encontra a sua beleza: na observação sensível do mundo interior da protagonista e na delicadeza com que cada pensamento é exposto.
A leitura é introspectiva, sim, mas também libertadora. Revela que a verdadeira coragem é questionar os limites impostos, que a liberdade começa com o reconhecimento das próprias angústias e desejos, e que a poesia não precisa de adornos para tocar profundamente quem lê.
Resumo em síntese:
- Um romance poético e introspectivo.
- Sobre liberdade, tradição e identidade.
- Cada página é uma reflexão que permanece no peito.
Gostei muito e recomendo!

