quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Quem Tem Medo dos Santos da Casa, de Sara Duarte Brandão

Ao abrir Quem Tem Medo dos Santos da Casa, somos convidados a entrar num espaço carregado de tradições, rituais e silenciosa opressão. A protagonista, Maria Teresa, cresce numa vila piscatória, onde a religião, a moral e as expectativas familiares definem não só os gestos, mas os pensamentos, os desejos e as memórias.

Sara Duarte Brandão constrói a narrativa com uma escrita poética e fragmentada. Cada capítulo funciona como um pequeno ensaio de sentimentos e reflexões, onde o passado e o presente se entrelaçam, permitindo ao leitor percorrer os meandros da memória, da culpa e da liberdade ansiada.

O livro é, sobretudo, sobre o conflito entre ser e dever ser. Maria Teresa enfrenta os santos da casa, símbolos de tradição e moral, mas também confronta o seu próprio medo de desagradar, de falhar, de se perder entre expectativas alheias. É nesta tensão que a obra encontra a sua beleza: na observação sensível do mundo interior da protagonista e na delicadeza com que cada pensamento é exposto.

A leitura é introspectiva, sim, mas também libertadora. Revela que a verdadeira coragem é questionar os limites impostos, que a liberdade começa com o reconhecimento das próprias angústias e desejos, e que a poesia não precisa de adornos para tocar profundamente quem lê.

Resumo em síntese:

  • Um romance poético e introspectivo.
  • Sobre liberdade, tradição e identidade.
  • Cada página é uma reflexão que permanece no peito.

Gostei muito e recomendo! 

 

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Entre Palavras

Ontem, dia 5 de outubro, Leiria foi novamente o ponto de encontro de quem ama livros. A quinta edição do evento, terceira com o nome Entre Palavras, reuniu leitores, autores e criadores de conteúdo num dia inteiro dedicado à partilha, à descoberta e à celebração da literatura. 

A manhã começou nos bastidores da tradução, com dois tradutores convidados. Um universo silencioso, mas essencial, que nos permite ler histórias em diferentes línguas. Foi inspirador perceber o cuidado e a dedicação de quem dá voz a culturas e histórias que atravessam fronteiras. 

À tarde, refletiu-se sobre ética e responsabilidade na criação de conteúdos literários. O debate mostrou como cada voz pode influenciar a forma como lemos e partilhamos livros. 

Entre conversas e surpresas, trouxe comigo livros, marcadores, stickers e um caderno que tornam cada leitura ainda mais especial. 

Não foi possível captar todos os momento, mas fica aqui um pequeno registo da essência de um dia memorável, de um dia de pura inspiração literária.

segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Pensamentos Malignos, de Nora Roberts


Pensamentos Malignos
 de Nora Roberts é um daqueles romances em que o dom se torna maldição, e onde os segredos do passado tecem sombras que ainda assombram o presente.

Quando Thea Fox retorna a Redbud Hollow, acredita estar reconstruindo a vida: uma carreira criativa como designer de videojogos, um chalé acolhedor, a avó querida, e o reencontro com Tyler, a paixão de adolescência. Tudo parece alinhar-se. Mas o dom que herdou da avó — a capacidade de entrar nas mentes, ouvir pensamentos e até vislumbrar o futuro — transforma-se numa prisão.

De um lado, o trauma do assassinato dos pais, vivido ainda em criança. Do outro, a esperança de recomeçar e encontrar o amor. Nora Roberts mistura suspense psicológico, toques sobrenaturais, romance e laços familiares com ternura e intensidade.

O dom de Thea poderá ser entendida como uma metáfora: aquilo que poderia ser poder, torna-se fardo. Saber demais. Ouvir demais. Ver demais. E, ainda assim, é o que lhe dá força e identidade.

Redbud Hollow é quase um personagem, com cheiro a casa de infância, memórias que confortam e ferem ao mesmo tempo. É fácil sentir intimidade com Thea através da avó, dos irmãos, dos espaços familiares que carregam histórias.

Contudo, nem tudo corre na perfeição. O ritmo é lento em certos momentos, com descrições longas da rotina que, embora ajudem a construir a personagem, podem abrandar o suspense. O vilão, embora inquietante, nem sempre consegue transmitir a ameaça constante esperada num thriller.

Ainda assim, é um romance que prende pela mistura de géneros e pelo retrato de personagens vulneráveis mas resilientes. Para quem procura uma leitura que une mistério, romance e drama humano, Pensamentos Malignos é a leitura ideal. Já quem espera um thriller puro e acelerado pode sentir-se menos envolvido.

Recomendo a fãs de Nora Roberts que apreciam o seu equilíbrio entre emoção e mistério, e a leitores que gostam de histórias onde o "sobrenatural" é pano de fundo para dilemas humanos.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

Ele é meu, de Dorothy Koomson

 


Neste livro, acompanhamos Robyn “Avril” Managa, que aos doze anos testemunhou o pai controlador e abusivo matar a mãe. Enquanto ele recebeu uma nova identidade através do programa de Proteção de Testemunhas, Robyn foi deixada num lar de acolhimento, crescendo com o trauma e a sede de vingança. Já adulta, decide ajustar contas com o passado, eliminando todos os que tiveram ligação ao caso do pai e deixando junto de cada vítima um bilhete enigmático: “Ele é meu”. Só no final consegui perceber o verdadeiro significado desta mensagem — e confesso que fiquei surpreendida.

Na investigação surge a Dra. Kez Lanyon, profiler e terapeuta, determinada a compreender a mente perturbada de Robyn e a travá-la antes que mais vidas se percam. Tal como uma boa personagem de thriller psicológico, também ela guarda os seus próprios segredos.

O livro está dividido em catorze partes, o que lhe dá um bom ritmo, e tem várias reviravoltas inesperadas. Senti a intensidade psicológica a crescer ao longo da leitura, com momentos que me prenderam completamente.

Por outro lado, talvez por conhecer a autora apenas através dos seus romances e não ter lido o thriller anterior, houve passagens que me pareceram um pouco forçadas e por vezes tive a sensação de déjà vu, como se já tivesse lido algo semelhante. Ainda assim, a experiência foi muito positiva e gostei da forma como a autora se aventurou neste género.

Em suma: Recomendo a quem gosta de thrillers densos e perturbadores. Apesar de algumas passagens me parecerem já vistas, a leitura foi muito envolvente.

Já leste algo da autora neste género? Conta-me nos comentários!

Classificação: 4*/5*

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Entrada 3 — Dieta Sem Humor

Humano: “IA, dieta sem glúten ajuda?”
Eu: “IA, como convenço o humano a dar-me atum todos os dias?”
IA: “Não é saudável.”
Eu: “Pois. Também não é saudável comer salada e sorrir.”