terça-feira, 5 de agosto de 2025

Confissão impopular: não gosto de ver unboxings

Sim, leste bem. Não gosto de ver unboxings. Aqueles vídeos longos, filmados com todo o cuidado e entusiasmo, em que alguém vai abrindo uma caixa como se fosse um baú do tesouro, deixam-me… ansiosa. E não daquela ansiedade boa, de “o que virá aí?”, mas da outra — a do desconforto crescente, do querer que aquilo acabe depressa, da impaciência pura.


Já tentaste ver um unboxing inteiro? Com atenção?
Suspense eterno.
Fita-cola infinita.
O envelope a escorregar da mesa porque a pessoa só está a usar uma mão.
Aqueles minutos em silêncio, só com o som do plástico ou do cartão a ceder lentamente...
E o inevitável:
“Ai, será que é o que eu estou a pensar?”
E eu só a pensar:
“Anda lá com isso, por amor da santa.”


A verdade é esta: unboxings não me relaxam, não me entretêm e, definitivamente, não me inspiram a comprar nada. Só me fazem querer fechar o vídeo ou avançar diretamente para os últimos segundos, para ver o que afinal estava dentro da caixa.


Talvez isto pareça estranho, sobretudo num universo como o do bookstagram, onde o conteúdo visual e os momentos de partilha são tão valorizados. E onde abrir uma encomenda parece quase um ritual — uma cerimónia de boas-vindas ao livro novo, à colaboração da editora, à compra sonhada.


Mas não consigo. O ritmo lento, os gestos minuciosos, a expectativa verbalizada em cada suspiro... tudo isso me tira do sério. Talvez seja a minha impaciência a falar mais alto. Ou talvez seja apenas mais um lembrete de que nem toda a gente tem de gostar das mesmas coisas — mesmo dentro de comunidades com interesses tão semelhantes.


Se és do time “unboxings são terapêuticos”, continua. Vive esse momento. Aproveita-o. Mas se, como eu, sentes um ligeiro colapso nervoso ao som do rasgar (lento, muito lento) de um envelope... estamos juntas.


Nem tudo no bookstagram tem de ser igual. Nem todos os formatos são para toda a gente. E está tudo bem não gostar do que “toda a gente” parece gostar. Há espaço para sermos diferentes. Até nas confissões impopulares.


E tu? És fã de unboxings ou também ficas a torcer para que passem depressa? Conta-me tudo nos comentários!

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Louca por livros? Como evitar compras literárias por impulso (ou não)

 


Penso que tenho tudo controlado. Juro. Já não me perco nas feiras de antiguidades (não porque ganhei juízo, mas porque os livros antigos têm letra de formiga e espaçamento tão apertado que até os meus olhos se revoltam). Agora, faço compras mais “inteligentes” — cof cof — na Tradestories: livros quase novos, preços simpáticos e zero culpa. Até parece que estou a poupar!


Mas às vezes lembro-me da Rebecca Bloomwood, a protagonista de "Louca por compras ", que li há muito tempo, e penso… será que sou assim tão diferente? Ela comprava porque estava triste, porque estava feliz, porque estava viva. Eu? Bem… também. 


A verdade é que já acumulei livros por impulso, que acabaram a apanhar pó na estante - lindos, mas ignorados. Hoje tento fazer melhores escolhas: menos drama, mais leituras reais. Se o livro entra em casa, é para ser lido (ou pelo menos é esse o plano… mais ou menos… vá, talvez no próximo ano).


E tu? Também tens uma Rebecca interior que adora o cheirinho a livro novo… ou és daquelas que só compra o que vai ler?

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Um casal perfeito, de Ruth Ware

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Um Casal Perfeito, de Ruth Ware, chegou numa altura em que só queria sair do barulho dos dias e mergulhar numa história que me fizesse esquecer o mundo. E conseguiu. 


A premissa, à partida, não é nova: um reality show, um grupo de concorrentes numa ilha isolada, um prémio para o último casal sobrevivente. Mas o que podia ser apenas mais um thriller com sabor a déjà vu, torna-se, nas mãos de Ruth Ware, num jogo psicológico envolvente, onde cada detalhe conta e nada é o que parece.


Lyla é uma personagem com quem é fácil criar empatia. Está num momento frágil da vida, profissional e emocionalmente, e essa vulnerabilidade torna-a real. O namorado, Nico, quer uma carreira no mundo do espetáculo — e é assim que acabam por entrar num programa que promete diversão, desafios e talvez um novo rumo. Mas, quando a ilha se revela mais hostil do que paradisíaca, e quando os desafios passam do físico ao psicológico, percebemos que há muito mais em jogo do que um prémio em dinheiro. Há decisões morais, jogos de poder e sobrevivência a sério.


O que mais me impressionou foi a forma como a autora nos conduz pela tensão crescente sem nunca cair na tentação do exagero. Tudo é plausível, até quando o medo se instala. A escrita é fluída, o ritmo é certeiro e o ambiente — entre sol, chuva e suspeita — cria uma sensação de claustrofobia que nos cola à história. 


Na minha opinião, Ruth Ware presta aqui uma subtil homenagem a Agatha Christie, especialmente na forma como manipula suspeitas e nos obriga a desconfiar de todos. Mas com uma linguagem moderna, com temas atuais, e com um olhar atento àquilo que consumimos como entretenimento.


E o final? O final é daqueles que nos faz repensar toda a leitura. O interesse não reside apenas na resolução do mistério, mas na motivação subjacente, que levanta questões morais e psicológicas muito interessantes. 


Foi uma leitura viciante, inesperada e inteligente. 


Recomendo vivamente.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

O que deveria ser "Não percebi"

Acordei às 6h30. Como sempre. Mesmo estando de férias. Bebi café ainda de olhos semicerrados, agarrei no telemóvel como se fosse uma extensão da mão, emails, notícias, notificações que diziam que o mundo continuava, como se isso fosse um consolo. Nada mudou. Ou talvez tenha mudado tudo, mas de forma tão subtil que já nem noto.


A rotina era um disfarce. Mas nesse dia, já não serviu. Abri o computador. Ia escrever algo leve, talvez uma crónica para limpar a cabeça. Mas os dedos recusaram.


Escrevi o título: “O que deveria ser.”  


Fiquei a olhar para ele durante uns minutos. Do outro lado do ecrã, o cursor a piscar...um pulso mecânico a lembrar que estou viva. Ou que deveria estar. E então escrevi, não com intenção, mas com urgência. Não pensei no que ia dizer, só sabia que não queria mais fingir que tudo estava mais ou menos.


Falei daquilo que se engole todos os dias para manter o corpo funcional: as concessões, as versões de mim que não escolhi, os gestos repetidos até perderem sentido. Falei da sensação de estar sempre a meio de um lugar nenhum. Falei do absurdo de sorrir às pessoas enquanto dentro há escombros. Falei do medo de nunca encontrar nada que não me desgaste. Falei do silêncio; não o pacífico, o outro, o que se acumula nas vísceras. Falei de mim sem escapatória.


O texto transformou-se num conto. Uma mulher com uma vida exemplar escrevia um manifesto secreto.


No final do conto, ela enviava esse texto como candidatura para um emprego público.


Chamaram-na a entrevista.


Aprovaram-na com distinção.


Ela sentou-se na cadeira nova, abriu o computador do emprego e nunca mais escreveu.


FIM.


***


Publiquei-o num blogue antigo, esquecido. Sem nome, sem partilhas.


Uma hora depois, um comentário: “Não percebi.”


Respondi: Era essa a ideia. Que não se perceba. Tal como ninguém percebe como é que alguém sobrevive a trabalhar anos num sítio onde a criatividade vai morrer.


Fechei o computador. Bebi outro café. Não senti alívio. Mas naquela manhã, pela primeira vez em muito tempo, tudo pareceu verdadeiro.


 


 

terça-feira, 29 de julho de 2025

Que género literário é o teu? Um quiz moderno para descobrir

Há uns anos, uma amiga pediu-me recomendações de leitura — e essa pergunta ficou na minha cabeça durante uns dias: como escolher o livro certo para cada pessoa ou momento da vida? O que nos encanta num verão pode não fazer sentido noutra fase. Tudo depende do que estamos a viver, do que procuramos, daquilo que sentimos necessidade de explorar. Às vezes queremos mergulhar num romance arrebatador; noutras, preferimos um policial cheio de suspense ou uma leitura leve para saborear ao sol.


Inspirada por essa conversa, lembrei-me dos testes que fazíamos nas revistas da adolescência — aqueles quiz divertidos que “revelavam” a nossa personalidade ou a nossa compatibilidade com alguém. Eram brincadeiras inocentes, mas cheias de charme e boas memórias. Mais recentemente, encontrei um teste literário online, mais atual e alinhado com as tendências de leitura de 2025. Decidi adaptá-lo e criar uma versão descontraída para quem quiser descobrir qual o género literário que mais combina consigo.


Se gostas de livros e de te conhecer melhor, este teste é para ti. Pega num papel, aponta as tuas respostas e soma os pontos no final!


TESTE: Que género literário é o teu?


1. O teu programa preferido durante uma viagem é:


a) Visitar museus e conhecer um pouco da história local.
b) Realizar atividades radicais. Sempre em busca de adrenalina!
c) Observar os costumes dos moradores locais.
d) Descobrir as lendas e mistérios por detrás de cada lugar visitado.
e) Conhecer pessoas e fazer amizades.


2. Acabaste de ganhar uma viagem para qualquer destino. Para onde ias?


a) Ficaria na dúvida. Gostava de ir a vários sítios.
b) Qualquer destino na Europa. Quero conhecer mais da história europeia.
c) Vaticano – sonho estar num local importante para o Catolicismo.
d) Itália, terra de Dante, poetas e amores eternos.
e) Uma cidade brasileira – adorava conhecer a cultura e os costumes locais.


3. Se pudesses viajar no tempo, para quando irias?


a) Ficava no presente. Gosto da modernidade.
b) Avançava para o futuro – adoro novidades tecnológicas!
c) Século XII, para participar numa Cruzada e desvendar novos mundos.
d) Ao início da humanidade, para descobrir como tudo começou.
e) Século XV – queria dançar nos bailes da nobreza nos castelos.


4. O que não pode faltar numa viagem?


a) "O Principezinho" – uma leitura que consola sempre.
b) Um romance de verão – nada como um amor breve.
c) Histórias engraçadas para contar depois.
d) Visitas a locais históricos e culturais.
e) Aventura e muita adrenalina!


5. Que traço é essencial no companheiro de viagem?


a) Espírito de aventura.
b) Bom humor.
c) Curiosidade.
d) Companheirismo.
e) Mente aberta e sem preconceitos.


6. Qual destes títulos te chama mais à atenção?


a) O Livro dos Prazeres.
b) Os Homens Não São Máquinas.
c) De Cabeça para Baixo.
d) Jerusalém.
e) Histórias de Detetive.




Soma os teus pontos!


Tabela de pontos:



  1. a = 3 | b = 2 | c = 0 | d = 4 | e = 1

  2. a = 2 | b = 3 | c = 4 | d = 1 | e = 0

  3. a = 0 | b = 2 | c = 3 | d = 4 | e = 1

  4. a = 4 | b = 1 | c = 0 | d = 3 | e = 2

  5. a = 2 | b = 0 | c = 3 | d = 1 | e = 4

  6. a = 1 | b = 3 | c = 0 | d = 4 | e = 2




RESULTADOS:


🟡0 a 4 pontos – Contos e Crónicas
Gostas de ficção, mas com os pés bem assentes na realidade. Observador(a), atento(a) aos detalhes, és como um cronista da vida — gostas de partilhar o teu olhar sobre o mundo, com um toque de crítica e ironia.


🟠 5 a 9 pontos – Romances e Poesias
És uma alma sensível e apaixonada. A emoção está sempre presente nas tuas leituras. Valorizas histórias humanas, relações profundas e palavras que toquem o coração.


🔵 10 a 14 pontos – Suspense e Policiais
Tens sede de aventura! A tua curiosidade leva-te por enredos cheios de mistério, enigmas e reviravoltas. Adoras um bom quebra-cabeças e raramente resistes a descobrir “quem foi o culpado”.


🟤 15 a 19 pontos – Históricos e Biográficos
Viajar no tempo? Contigo, é possível! Fascinam-te os grandes feitos do passado e as histórias reais de quem moldou o mundo. Através dos livros históricos ou biografias, revives eras longínquas com emoção.


🟣 20 a 24 pontos – Religiosos ou Esotéricos
Tens um espírito curioso e contemplativo. As grandes questões da vida não te assustam — pelo contrário, motivam-te. Procuras sentido, conhecimento e conexão através de leituras mais introspectivas.




E então? Identificaste-te com o teu resultado? Que género literário te saiu? Partilha nos comentários.