quarta-feira, 16 de julho de 2025

Sandwich, de Catherine Newman

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Um romance sobre estar no meio, entre filhos adultos e pais envelhecidos, entre o corpo em mutação e as exigências que nunca cessam. E também entre o amor, a frustração e o silêncio.

Rocky, a protagonista, passa uma semana de férias em Cape Cod com a família, mas o descanso parece impossível. Há conversas atravessadas, memórias que pesam, raiva silenciosa e amor que resiste. A escrita de Newman recorre a flashbacks para revelar outras camadas da protagonista, nem sempre simpática, muitas vezes exausta, tantas vezes centrada em si.

A menopausa é tratada com uma honestidade crua, quase desconcertante, o corpo esgotado por tudo o que lhe foi exigido: menstruar, engravidar, abortar, parir, amamentar, cuidar. E ainda estar inteira.

Confesso que tinha expetativas altas — pelo tema, claro, mas também por ter adorado O Amor Mora Aqui.  Por isso, esperava algo igualmente envolvente, terno e transformador. Sandwich seguiu um caminho diferente: mais cru, mais íntimo, mais desconfortável. Não me tocou da mesma forma, mas deixou marcas.

Gostei particularmente da barafunda que existe em todas as famílias que tentam passar férias juntas. As relações são tensas, reais, mas sem cortes dramáticos. Há irritação, sim, mas também espaço para continuar a ser família.

A escrita é íntima, irónica e por vezes amarga, mas capta com sensibilidade esse lugar ambíguo que tantas mulheres ocupam: entre o que já deram e o que ainda lhes é pedido.

Sandwich não é um livro que vai agradar a toda a gente. Por vezes, é mesmo desconfortável, sobretudo quando percebemos o quanto Rocky desgasta quem a rodeia… e o leitor. Mas há ali algo verdadeiro: um espelho imperfeito, que devolve fragmentos reconhecíveis para quem está nesta fase da vida.

Catherine Newman escreve com rara precisão sobre o desgaste físico e emocional de ser mulher entre gerações (entre pais que enfraquecem, filhos que exigem, e um corpo que muda sem aviso)..

A capa conquistou-me de imediato, e o tema prometia muito — mas não me envolveu como esperava.

Já leste Sandwich? O que achaste? Estou com vontade de falar sobre este livro.

terça-feira, 15 de julho de 2025

A Misteriosa Padaria na Rue de Paris, de Evie Woods

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Há livros que nos surpreendem pela forma como misturam o real e o improvável. A Misteriosa Padaria na Rue de Paris, de Evie Woods, foi exatamente assim. Edie Lane, vinda da Irlanda, aceita um trabalho numa pequena padaria francesa onde se diz que os bolos têm um efeito especial — desbloqueiam memórias, despertam emoções, mudam vidas. E, sem dar por isso, Edie mergulha num enredo cheio de segredos, onde o passado se mistura com o presente em cada gesto, cada receita, cada silêncio.


Gostei da leveza da escrita, da proximidade das personagens e do toque mágico que atravessa a história sem exageros. A protagonista tem o nome Edith — tão próximo do meu, Edite — o que me fez sentir uma ligação ainda mais pessoal. Foi uma leitura rápida, mas que deixou marca.


Ideal para esta altura do ano, em que sabe bem entrar numa história doce, reconfortante e cheia de descoberta.
Já te deixaste levar por um livro assim?

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Entre livros, monstros e tarefas

Este fim-de-semana foi cheio — e, ainda assim, trouxe-me pequenas pausas onde couberam palavras e pensamentos.


No sábado, o clube de leitura voltou a juntar-se, desta vez com um tema que nos levou à infância: livros infantojuvenis, com crianças como protagonistas, perguntas grandes em corpos pequenos e mundos que ainda acreditam no impossível.


Houve espaço para partilhas bonitas, e para a apresentação do livro Os monstros que vivem na minha cabeça, da Celina Lopes. Tive a oportunidade de assistir à leitura do livro ao vivo, feita pela autora Celina Lopes e pela ilustradora Daniela Lomba, e foi um momento mágico. Ver a emoção com que ambas partilharam esta história tornou a experiência ainda mais especial. 


Claro que o fim de semana não ficou por aqui. No domingo, a parte doméstica não tirou folga: organizei o tempo entre limpezas e roupa, enquanto as refeições ficaram a cargo do marido. Mas, entre um gesto e outro, consegui ainda sentar-me com o meu livro e avançar umas páginas.


Às vezes, os melhores momentos não são os mais extraordinários. São os que nos mostram que, entre o ruído dos dias, ainda sabemos escutar uma história, partilhar um livro, sentir que pertencemos.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Fotografar é uma forma de pensar em imagens

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Fotografar é também uma forma de pensar em imagens, um diálogo silencioso entre o que somos, o que mostramos e o que ainda tentamos desvendar em nós mesmos. A Carla Oliveira Sousa captou mais do que a minha imagem: captou o desassossego da busca, a crítica interna, a imperfeição que carrego e que, pouco a pouco, tento acolher.

A Alma Perdida, de Olga Tokarczuk e Joanna Concejo

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Li o post da Inês do Mar de Maio e pensei logo que era o meu género de livro! 

 

Nesta breve e delicada narrativa, somos confrontados com uma verdade incómoda: a vida acelerada pode levar-nos a perder a nossa própria alma. O protagonista corre tanto que se esquece de quem é, até que um dia… para. E é na pausa que começa o reencontro com aquilo que o define. 

Da autora vencedora do Prémio Nobel da Literatura, A Alma Perdida é um tesouro visual com ilustrações lindíssimas. Não é, todavia, apenas uma história, é um espelho que nos devolve a pergunta: o que temos sacrificado em nome da pressa?

Gostei muito, só é pena que acabe rápido.

Vale a pena ler, reflectir, e contemplar as ilustrações.