sábado, 21 de junho de 2025

O Amor Mora Aqui, de Jojo Moyes

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Em O Amor Mora Aqui, Jojo Moyes apresenta-nos Lila, uma mulher que vive no meio do caos emocional e logístico da “geração sanduíche”: entre cuidar das filhas, de um pai adotivo idoso e lidar com um ex-marido, ela ainda tenta manter a sua carreira criativa de escritora à tona. A história desenrola-se com humor, ternura e algumas reviravoltas inesperadas, que mostram como o passado pode bater-nos à porta quando menos esperamos – literalmente, com o reaparecimento do pai biológico de Lila após 35 anos de ausência.

Os personagens são o ponto alto do livro – todos têm profundidade, falhas e humanidade. Gostei particularmente da forma como Jojo Moyes constrói relações realistas, tensas, mas cheias de afeto. Soube, através da apresentação do livro com a autora, que muitos deles foram inspirados em pessoas reais, o que se nota na autenticidade com que enfrentam dilemas modernos. Como diz uma das personagens:

“Talvez seja isso que significa amar alguém: estar disposto a tentar, mesmo quando é mais fácil fugir.”

Uma frase que resume bem o tom do livro – sobre empatia, reconciliação e o esforço de manter quem amamos por perto.

O final é esperançoso, caloroso e reconfortante – daqueles que nos fazem sorrir e acreditar que, apesar de tudo, é possível recomeçar. 

Uma leitura que, acredito, tocará muitos leitores por reconhecerem um pouco de si nestas vidas tão reais.

 

E tu, já leste O Amor Mora Aqui? Que personagem ou momento mais te ficou na memória?

terça-feira, 17 de junho de 2025

Pessoas Normais, de Sally Rooney

 


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 Pessoas Normais, acompanha Connell e Marianne, dois jovens irlandeses cujas vidas se entrelaçam da adolescência até à universidade. É uma história sobre intimidade, comunicação (ou a falta dela) e o impacto silencioso que temos uns nos outros. A escrita é contida, mas emocionalmente crua – Rooney capta com precisão os dilemas e inseguranças que marcam a transição para a vida adulta.


Gostei da leitura, sobretudo pela forma como a autora aborda temas importantes como saúde mental, classe social e a perceção que temos de nós próprios através dos olhos dos outros. Ainda assim, sinto que teria aproveitado mais este livro se o tivesse lido numa fase mais jovem – é claramente um romance que fala à juventude, às incertezas e ao sentir-se “deslocado” no mundo. A frase “A vida é longa, Marianne. Tu podes fazer o que quiseres” resume bem o espírito inquieto e esperançoso da história.

Não é um romance com grandes reviravoltas ou um final arrebatador, mas sim um retrato íntimo e realista do que significa crescer e amar.

 

E tu, já leste Pessoas Normais? Identificaste-te com algum dos personagens? Que impacto teve em ti?

terça-feira, 3 de junho de 2025

Portugal Vermelho, de Pedro Catalão Moura

 


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Portugal Vermelho apresenta uma realidade alternativa ousada, onde Portugal mergulha numa ditadura comunista com o apoio da União Soviética. 

Diverti-me bastante a ler, não só por reencontrar aquelas frases tão à maneira do Pedro Catalão Moura — diretas e irónicas, por vezes algo exageradas- mas também pela forma como personagens reais foram transformadas em figuras ficcionadas com grande eficácia. Ver nomes como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Otelo Saraiva de Carvalho e Spínola integrados numa narrativa alternativa, ao lado de personagens como a Celeste dos Cravos ou o Sebastião (de quem gostei particularmente), trouxe-me um misto de surpresa e curiosidade sobre o seu desenvolvimento.

O livro cruza habilmente factos históricos com ficção, e inclui ainda o envolvimento da KGB e da CIA, elevando a intriga para uma escala internacional. Há um jogo de bastidores intenso, feito de conspiração e manipulação, que nos leva a refletir sobre como tantas decisões são tomadas longe dos nossos olhos — enquanto seguimos a vida, sem suspeitar do que realmente se move à nossa volta.

Comparado com Quando o Vaticano Caiu, senti que este livro é mais ousado, mais complexo e, de certa forma, mais afinado na construção política e emocional do enredo. Há aqui uma reflexão séria a fazer sobre poder, lealdade e os mecanismos invisíveis que moldam o mundo.

 

Gostei muito desta leitura - surpreendente, inteligente e provocadora. E vocês, já leram? O que acharam?

 

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Filha da Louca, de Maria Francisca Gama

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Esta é, sem dúvida, a opinião mais difícil que dou. Porque é também a mais pessoal. 

Este romance acompanha Matilde, uma jovem que tenta compreender a mãe — alguém que o mundo rotulou de “louca” — enquanto lida com a ausência do pai e, mais tarde, com a solidão que se instala após a perda dos dois. Ao descobrir um segredo escondido no passado da mãe, vê-se obrigada a confrontar aquilo em que sempre acreditou sobre a sua família.

Falo desta leitura não como crítica, mas como leitora marcada por uma história que, de certa forma, se cruzou um pouco com a minha. A minha infância foi profundamente moldada por uma relação difícil com a minha mãe. Por muito que goste dela, houve um momento em que chegou a revolta — esse ponto em que o amor não desaparece, mas se transforma em perguntas e silêncios. Por isso, talvez esperasse desta leitura um confronto mais direto, mais visceral.

Tinha expectativas altas, até porque gosto muito da escrita da autora mas senti que a Matilde, enquanto personagem, ficou num registo demasiado contido. Como leitora, esperei por uma evolução que nunca chegou — um grito, uma fuga, uma libertação — e talvez por isso tenha terminado o livro com uma sensação de distância, de algo por resolver.

Apesar disso, não deixo de valorizar a sensibilidade com que são tratadas questões como a saúde mental, a maternidade e o peso invisível das relações familiares. 

É um livro feito de silêncios e sombras — porque muito do que marca estas personagens não é dito em voz alta, vive-se nos gestos contidos, nos pensamentos reprimidos, no que se evita enfrentar.Mas, para mim, talvez por tocar em feridas antigas, ficou mesmo a faltar qualquer coisa.

 

Já leram Filha da Louca? O que acharam? 

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Do outro lado, de Mafalda Santos

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Depois de ler "Enquanto o Fim Não Vem", as expectativas eram muito altas, mas este romance da Mafalda Santos conseguiu surpreender-me, novamente!
A Mafalda Santos é sem dúvida uma das minhas autoras favoritas, escreve muitíssimo bem e possui uma habilidade extraordinária em criar narrativas intrigantes.
No livro, a combinação entre distopia e uma história de amor fez-me questionar os limites do amor e da realidade, num enredo que mistura de forma inteligente mistério, emoção e sobrevivência.
A história não é apenas sobre Gabriel e Sara; é também uma reflexão sobre até onde somos capazes de ir quando tudo à nossa volta se desmorona.
Neste contexto, a autora explora com mestria o desaparecimento de Sara e a busca desesperada de Gabriel por respostas, jogando com as fronteiras da realidade. A introdução do conceito de multiverso, embora toque em ficção científica, serve mais como pano de fundo para o drama humano. Não é o multiverso em si que domina, mas o impacto emocional que esta complexidade traz às personagens e à própria narrativa.Essa alternância entre mundos e os capítulos curtos criam um ritmo quase cinematográfico, que me manteve agarrada do início ao fim. A construção cuidadosa da tensão, capítulo a capítulo, contribuiu também para uma leitura rápida e compulsiva.
Já a conclusão deixou-me com a sensação de que há mais por descobrir, mais por dizer, e eu adoraria ler a continuação - talvez porque a minha experiência de leitura foi como se estivesse a assistir a uma série ou filme ; Ok, também há filmes em que no final ficamos assim, para nos fazer reflectir um pouco.
E foi isso que fiz.
Para terem uma ideia de uma das minhas reflexões deixo no ar a pergunta: a própria percepção da realidade é diferente para cada um de nós, certo?
Adorei e recomendo vivamente.