terça-feira, 17 de junho de 2025

Pessoas Normais, de Sally Rooney

 


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 Pessoas Normais, acompanha Connell e Marianne, dois jovens irlandeses cujas vidas se entrelaçam da adolescência até à universidade. É uma história sobre intimidade, comunicação (ou a falta dela) e o impacto silencioso que temos uns nos outros. A escrita é contida, mas emocionalmente crua – Rooney capta com precisão os dilemas e inseguranças que marcam a transição para a vida adulta.


Gostei da leitura, sobretudo pela forma como a autora aborda temas importantes como saúde mental, classe social e a perceção que temos de nós próprios através dos olhos dos outros. Ainda assim, sinto que teria aproveitado mais este livro se o tivesse lido numa fase mais jovem – é claramente um romance que fala à juventude, às incertezas e ao sentir-se “deslocado” no mundo. A frase “A vida é longa, Marianne. Tu podes fazer o que quiseres” resume bem o espírito inquieto e esperançoso da história.

Não é um romance com grandes reviravoltas ou um final arrebatador, mas sim um retrato íntimo e realista do que significa crescer e amar.

 

E tu, já leste Pessoas Normais? Identificaste-te com algum dos personagens? Que impacto teve em ti?

terça-feira, 3 de junho de 2025

Portugal Vermelho, de Pedro Catalão Moura

 


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Portugal Vermelho apresenta uma realidade alternativa ousada, onde Portugal mergulha numa ditadura comunista com o apoio da União Soviética. 

Diverti-me bastante a ler, não só por reencontrar aquelas frases tão à maneira do Pedro Catalão Moura — diretas e irónicas, por vezes algo exageradas- mas também pela forma como personagens reais foram transformadas em figuras ficcionadas com grande eficácia. Ver nomes como Mário Soares, Álvaro Cunhal, Otelo Saraiva de Carvalho e Spínola integrados numa narrativa alternativa, ao lado de personagens como a Celeste dos Cravos ou o Sebastião (de quem gostei particularmente), trouxe-me um misto de surpresa e curiosidade sobre o seu desenvolvimento.

O livro cruza habilmente factos históricos com ficção, e inclui ainda o envolvimento da KGB e da CIA, elevando a intriga para uma escala internacional. Há um jogo de bastidores intenso, feito de conspiração e manipulação, que nos leva a refletir sobre como tantas decisões são tomadas longe dos nossos olhos — enquanto seguimos a vida, sem suspeitar do que realmente se move à nossa volta.

Comparado com Quando o Vaticano Caiu, senti que este livro é mais ousado, mais complexo e, de certa forma, mais afinado na construção política e emocional do enredo. Há aqui uma reflexão séria a fazer sobre poder, lealdade e os mecanismos invisíveis que moldam o mundo.

 

Gostei muito desta leitura - surpreendente, inteligente e provocadora. E vocês, já leram? O que acharam?

 

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Filha da Louca, de Maria Francisca Gama

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Esta é, sem dúvida, a opinião mais difícil que dou. Porque é também a mais pessoal. 

Este romance acompanha Matilde, uma jovem que tenta compreender a mãe — alguém que o mundo rotulou de “louca” — enquanto lida com a ausência do pai e, mais tarde, com a solidão que se instala após a perda dos dois. Ao descobrir um segredo escondido no passado da mãe, vê-se obrigada a confrontar aquilo em que sempre acreditou sobre a sua família.

Falo desta leitura não como crítica, mas como leitora marcada por uma história que, de certa forma, se cruzou um pouco com a minha. A minha infância foi profundamente moldada por uma relação difícil com a minha mãe. Por muito que goste dela, houve um momento em que chegou a revolta — esse ponto em que o amor não desaparece, mas se transforma em perguntas e silêncios. Por isso, talvez esperasse desta leitura um confronto mais direto, mais visceral.

Tinha expectativas altas, até porque gosto muito da escrita da autora mas senti que a Matilde, enquanto personagem, ficou num registo demasiado contido. Como leitora, esperei por uma evolução que nunca chegou — um grito, uma fuga, uma libertação — e talvez por isso tenha terminado o livro com uma sensação de distância, de algo por resolver.

Apesar disso, não deixo de valorizar a sensibilidade com que são tratadas questões como a saúde mental, a maternidade e o peso invisível das relações familiares. 

É um livro feito de silêncios e sombras — porque muito do que marca estas personagens não é dito em voz alta, vive-se nos gestos contidos, nos pensamentos reprimidos, no que se evita enfrentar.Mas, para mim, talvez por tocar em feridas antigas, ficou mesmo a faltar qualquer coisa.

 

Já leram Filha da Louca? O que acharam? 

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Do outro lado, de Mafalda Santos

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Depois de ler "Enquanto o Fim Não Vem", as expectativas eram muito altas, mas este romance da Mafalda Santos conseguiu surpreender-me, novamente!
A Mafalda Santos é sem dúvida uma das minhas autoras favoritas, escreve muitíssimo bem e possui uma habilidade extraordinária em criar narrativas intrigantes.
No livro, a combinação entre distopia e uma história de amor fez-me questionar os limites do amor e da realidade, num enredo que mistura de forma inteligente mistério, emoção e sobrevivência.
A história não é apenas sobre Gabriel e Sara; é também uma reflexão sobre até onde somos capazes de ir quando tudo à nossa volta se desmorona.
Neste contexto, a autora explora com mestria o desaparecimento de Sara e a busca desesperada de Gabriel por respostas, jogando com as fronteiras da realidade. A introdução do conceito de multiverso, embora toque em ficção científica, serve mais como pano de fundo para o drama humano. Não é o multiverso em si que domina, mas o impacto emocional que esta complexidade traz às personagens e à própria narrativa.Essa alternância entre mundos e os capítulos curtos criam um ritmo quase cinematográfico, que me manteve agarrada do início ao fim. A construção cuidadosa da tensão, capítulo a capítulo, contribuiu também para uma leitura rápida e compulsiva.
Já a conclusão deixou-me com a sensação de que há mais por descobrir, mais por dizer, e eu adoraria ler a continuação - talvez porque a minha experiência de leitura foi como se estivesse a assistir a uma série ou filme ; Ok, também há filmes em que no final ficamos assim, para nos fazer reflectir um pouco.
E foi isso que fiz.
Para terem uma ideia de uma das minhas reflexões deixo no ar a pergunta: a própria percepção da realidade é diferente para cada um de nós, certo?
Adorei e recomendo vivamente.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Reinos Bastardos, de Luís Corte Real

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Reinos Bastardos conseguirá conquistar os amantes de fantasia e os que, geralmente, não se aventuram por esse género literário? A isto respondo já que sim.


Fantasia não é um género que figura frequentemente entre as minhas leituras. Houve uma época em que devorava livros deste género, mas os anos passaram e os gostos mudaram. Por isso, mundos mágicos e monstros são algo que não me aventuro hoje em dia. No entanto, o autor cedeu gentilmente o livro e como tenho a imaginação em altas esta leitura até veio em boa altura.


A personagem principal, Runa, é uma jovem humana órfã criada por Kar numa tribo de ogros nos Reinos Bastardos. Este ambiente inóspito e hostil, em que os humanos não passam de cativos, moldou a sua personalidade e tornou-a forte e rebelde. A relação entre Runa e Kar, marcada por um afeto quase paternal, e o laço crescente com Ediru, são aspectos emocionalmente envolventes.


As descrições do ambiente de Reinos Bastardos são pormenorizadas e, embora necessárias, contrariaram – e muito- a minha enorme vontade de ler o que iria suceder a seguir a Runa. Eu estava tão ansiosa para descobrir o destino de Runa e Ediru que as longas descrições pareciam um obstáculo entre mim e o próximo acontecimento. Quando tudo mudou, na história, fui contrariada – de novo!– desta vez, de forma ainda mais impactante.


E, o que mais me surpreendeu, foi o desenvolvimento dos personagens. Embora tenha gostado de uns e odiado outros, confesso que não estava nada preparada para duas das personagens mudarem de uma forma que realmente me desarmou. Então? Como assim? Porquê?


Apesar destas perguntas sem resposta, gostei muito desta história emocionante de fantasia de fácil e rápida leitura. Para isso contribui decisivamente a escrita do autor e a forma como mantém o leitor envolvido e em suspense até ao fim. No entanto, deixou-me como que um travo agridoce tanto quanto à mudança nos personagens e quanto ao facto de ter de aguentar a minha curiosidade até sair Reinos Humanos para saber o que aconteceu à Runa e a outros personagens.


Sendo esta história uma história que prende logo no início a atenção do leitor e que se lê rapidamente, esta reação já seria de esperar! Agora a minha questão é: quando é o lançamento do próximo volume?


E vocês, já tiveram a oportunidade de ler Reinos Bastardos? Qual foi a vossa impressão?