
Olhei de volta para todas aquelas sombras. Estavam a sorrir, um sorriso branco que conseguia ver mesmo àquela distância. E de repente já não era eu ali. Era apenas uma sombra, tal como elas.

Olhei de volta para todas aquelas sombras. Estavam a sorrir, um sorriso branco que conseguia ver mesmo àquela distância. E de repente já não era eu ali. Era apenas uma sombra, tal como elas.

"O Regresso", de Kristin Hannah, é um romance que segue Michael e Jolene, um casal cuja relação está à beira do divórcio após doze anos de casamento. As suas vidas mudam drasticamente quando Jolene, piloto de helicóptero do exército, é enviada para uma missão militar no Iraque, deixando Michael responsável por cuidar de uma criança e de uma pré-adolescente em casa. Essa separação forçada e os perigos da guerra irão intensificar a distância emocional entre eles. Por um lado, Jolene enfrenta os horrores da guerra, e, por outro, Michael luta com as novas responsabilidades e a ansiedade constante. Mas é a volta de Jolene que marca o início de uma nova batalha: a de superar os traumas da guerra e reconstruir a sua família.
Kristin Hannah explora temas como trauma, resiliência, amor e perdão, e, apesar dos temas pesados, a escrita de Hannah é cativante e fluida, com descrições vívidas e uma narrativa que prende a atenção do leitor do início ao fim.
Em resumo, "O Regresso" é uma leitura que não só entretém, mas também enriquece, oferecendo uma visão tocante e inspiradora sobre os desafios e a beleza da vida e do amor, e que mais uma vez confirma o poder de Kristin Hannah em contar histórias emocionantes.

A frase "tantos livros, tão pouco tempo" sintetiza um sentimento comum entre os amantes da leitura: a constatação de que, apesar da infinidade de obras literárias disponíveis, o tempo para as explorar é limitado. Esta expressão reflete o desejo de descobrir novos mundos, aprender novas coisas e conhecer diferentes perspectivas através da literatura - mas também a frustração de que a vida é curta demais para ler tudo o que se deseja. Esse dilema é especialmente sentido durante eventos literários, como a Feira do Livro de Lisboa, um dos maiores e mais esperados eventos culturais da capital portuguesa.
Realizada anualmente no Parque Eduardo VII, a feira é um verdadeiro paraíso, onde encontramos uma vasta coleção de livros de todos os géneros e para todas as idades. A Feira do Livro de Lisboa não é apenas um local para a compra de livros; é um ponto de encontro para leitores, autores, editores, livreiros e todo o pessoal das redes sociais. Durante o evento, é comum encontrar escritores, participar de sessões de autógrafos, assistir a palestras e debates sobre os mais variados temas literários. Há também atividades para crianças, o que torna a feira um evento familiar que promove a leitura entre todas as gerações.
Visitar a Feira do Livro de Lisboa uma vez por ano é, para mim, um hábito do qual não abdico. A atmosfera vibrante da feira, com as suas barracas coloridas e o aroma de livros novos misturado com o verde do parque e o perfume dos jacarandás, cria um ambiente inspirador e acolhedor muito propício a um passeio.
E a cada edição, a feira traz novas editoras, lançamentos exclusivos e uma programação cultural diversificada. É, também, uma oportunidade para descobrir novos autores, reencontrar velhos favoritos e, claro, refletir sobre o dilema dos "tantos livros, tão pouco tempo".
Em suma, a frase "tantos livros, tão pouco tempo" reflete bem a sensação que tenho em relação à Feira do Livro de Lisboa, especialmente porque só consigo visitá-la uma vez por ano. A cada edição, sinto que há uma infinidade de livros à espera para serem descobertos, mas o tempo limitado da minha visita deixa a vontade de explorar muito mais.
E vocês, sentem o mesmo ao visitar a Feira do Livro de Lisboa apenas uma vez por ano?

"Caruncho", de Layla Martínez, é uma obra breve que deixa uma impressão profunda, pela sua representação crua e visceral da vida das suas protagonistas femininas. Narrado através das vozes de uma avó e da sua neta, o romance tece uma história de ressentimento e vingança, numa casa rural espanhola repleta de memórias dolorosas e presenças espectrais.
A casa onde a história se passa é mais do que um simples cenário – é um reflexo dos traumas e opressões vividos pelas mulheres que a habitam. As paredes parecem absorver e refletir as décadas de violência e sofrimento, criando um ambiente quase tangível de desespero e dor.
Morreram ambos de puro asco de puro desprezo de puro sangue ruim.
Martínez tem um talento notável para capturar e transmitir as emoções das suas protagonistas. A raiva e o ódio que permeiam a vida dessas mulheres são descritos de forma tão vívida que o leitor quase pode senti-los. A escrita é direta e poderosa, o que confere à narrativa uma intensidade incomum. Cada página aumenta a sensação de tensão e desespero, revelando como essas mulheres, apesar de suas diferenças e conflitos, precisam umas das outras para sobreviver.
O romance também é uma denúncia das injustiças sociais e da opressão de género. As experiências das protagonistas mostram de maneira crua e realista os efeitos devastadores do patriarcado e das estruturas sociais opressivas. A luta diária das mulheres por dignidade e sobrevivência num ambiente hostil e opressor é retratada com uma honestidade brutal que não deixará o leitor indiferente.
Além disso, "Caruncho" combina habilmente elementos de terror com um realismo implacável. As sombras e murmúrios que povoam a casa contribuem para uma atmosfera de constante inquietação, tornando a leitura ainda mais intensa.
Este monte de tijolos e sujidade faz sempre a mesma coisa, lança-se sobre qualquer pessoa que atravesse a porta e retorce-lhe as entranhas até a deixar sem fôlego.
"Caruncho" é um romance carregado de emoções e uma crítica social incisiva, em que se celebra a força e a resiliência das mulheres, o que torna este livro numa leitura indispensável para quem busca uma história impactante e memorável, e para quem procura refletir sobre as profundezas mais sombrias do ser humano e as persistentes injustiças sociais.
*Oferta da editora

A recente conversa entre Maria Francisca Gama e Elga Fontes sobre a influência do TikTok na promoção da leitura destacou um fenómeno atual: o aumento do interesse dos jovens pela leitura graças a esta plataforma.
Durante o debate, ambas as interlocutoras realçaram os aspetos positivos desta tendência, como a revitalização do hábito de ler entre os jovens e a criação de uma comunidade literária inovadora e criativa.
Entretanto, também foram mencionadas algumas críticas pertinentes. Por exemplo, o algoritmo do TikTok, ao sugerir os mesmos livros para todos, pode limitar a diversidade das leituras, resultando numa experiência literária homogénea.
Foi, ainda, debatida a questão dos triggers warning, questionando-se se esta prática não estaria a proteger em excesso os leitores, limitando, assim, o seu crescimento pessoal ao evitar temas desafiadores.
Em suma, a conversa foi enriquecedora e muito relevante, abordando tanto os benefícios quanto as preocupações emergentes deste fenómeno contemporâneo.