segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Livros e dieta, mas que ideia!

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Na vida há momentos, bons e maus, e silêncios significativos. E a propósito disto e da dieta de livros (aqui) entendo que podemos escolher os livros de acordo com o nosso estado de espírito, embora surjam alguns por acaso (oferta ou empréstimo).  Acabei mesmo agora de ler um livro secreto que me fez chorar. Sabendo que a vida é muito curta e que o nosso corpo é muito frágil, aconteceu devorar, por acaso, um livro com uma história triste quando me sentia triste. Acho que estraguei a minha dieta e já vos explico porquê.


 


O peso da leitura fez com que o meu corpo pesasse com quilos de emoções. Perdi algum líquido pelos cantos dos olhos, mas o espírito disse-me que continuasse a leitura para expurgar a massa gorda da vida. Tudo ao contrário. Ali fiquei prisioneira, e a vida continua igual assim como o índice de gordura visceral. Ai, estou gorda que nem um chícharo demolhado e pronto a ser cozinhado!


 


Apesar de parecer que toda esta história poderia ser evitada se escolhesse outro livro, desenganem-se. Às vezes é preciso escarafunchar a ferida para que esta cicatrize melhor. Às vezes a solidão permite viajar ao nosso interior e retirar o que é verdadeiramente importante. Às vezes os livros ajudam de formas estranhas e engordamos um pouco nas palavras cheias e nos pensamentos anafados de ideias novas.


 


Já não sei viver de outra forma e, em silêncio, oiço apenas o restolhar das folhas que vou virando, uma após outra. O silêncio. A vida. A tristeza e a solidão. Estão ali ao lado, mas digitalizo mentalmente para que a memória não seja denegrida.


 


A minha dieta é uma opção e deve ser seguida com moderação. Apenas recomendo que leiam o que sentem e sintam o que leem.


É essa a melhor experiência.


 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Cada livro secreto é um presente.

 


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Demorei um pouco mais a colocar as minhas leituras em dia no blogue e por isso só agora consegui fazer um balanço do ano de 2017 em relação ao Livro Secreto do blogue da MJ . Tem sido uma iniciativa fantástica e em que todos os meses tenho a sensação que vou receber um presente.


 


Em fevereiro de 2017, iniciou-se a 2.ª edição desta inciativa, estamos quase a fazer um ano desta troca de livros, e verifico que o tempo tem passado muito rápido! 


 


O meu livro Em teu ventre, de José Luís Peixoto, não tem tido muita adesão. Acredito que gostos são gostos e que, além disso, não é fácil ler sempre com a mesma disposição, especialmente quando a temática é forte ou algo aborrecida. Mas não tem mal nenhum. A troca de livros é, precisamente, para conhecer livros que de outra forma não iriamos ler. Soa um pouco a cliché mas é bem verdade!


 


Já li 8 livros: O Diário Oculto de Nora Rute, O vendedor de passadosPalestinaO velho e o marEmigrantesObrigada pelas recordaçõesA outra metade de mim e Os Olhos de Ana Marta. Gostei de ler todos e não desisti de leitura de nenhum. Estou surpreendida comigo própria e satisfeita com os resultados positivos.No entanto, os meus preferidos foram O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway, e Emigrantes, de Ferreira de Castro. 


 


Boas leituras a todos. 


 


 

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Sapos do ano 2017

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É já no próximo dia 25 de novembro que termina o concurso Sapos do ano 2017 idealizado pela Magda. Se querem saber mais têm de passar por lá, seguir as indicações e votar no vosso blogue favorito.

O pianista de Hotel, de Rodrigo Guedes de Carvalho

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Sinopse: aqui.


Opinião: Quando chegou ao meu conhecimento que um leitor considerou este livro indigno e escandaloso, nada mais havia a fazer contra a minha enorme curiosidade.Tendo como ponto de partida este ponto de vista, procurei ler mais e mais, sempre à procura do tal pecadilho escondido que poderia ter suscitado tamanha mossa na honra e moral deste leitor desprevenido.


 


Na narrativa simples, clara e direta, nada há a apontar, exceto os diálogos de vernáculo ou palavrão. Depois, se tomarmos como exemplo a frase "Não passa de hoje vais dizer onde mora esse filho da puta", talvez isso fira a sensibilidade de algum leitor eclético habituado a outro género de literatura. Então e se lermos a frase "Os médicos não percebem um caralho de medicina", será que poderá ter causado tamanha comoção? Talvez. Creio eu. Talvez devido a um certo engulho. Parece-me mau assim à partida, porém, a frase está descontextualizada, até porque é proferida por um médico numa situação de stress. Caramba, estava num dia mau e todos temos os nossos dias. Faz sentido falar assim, não faz? Para o pessoal do Norte, então nem se fala (que me desculpem, apenas estou a tentar apresentar uma linha de argumentação).


 


Quanto ao romance em si, encontrei situações sobre a vida, sobre os problemas da solidão e da perda. Depois há ainda umas cenas de sexo, a homossexualidade, a violência e os problemas do foro médico-hospitalar (isto para simplificar). Nada que não se passe na vida real.



Os personagens são: Maria Luísa (empregada de mesa), Saúl Samuel (homossexual e amigo de Maria Luísa), Luís Gustavo (enfermeiro que gostaria de ter sido médico), Pedro Gouveia (médico desencantado com a profissão), Maria Manuela (mãe de Maria Luísa) e Maria Amélia (psiquiatra e lésbica). Todos eles tinham sonhos que não se concretizaram. No fundo, lendo esta história, percebemos o desencanto na vida, os sonhos desfeitos e a solidão. A música dá-lhes algum sentido à existência.


 


O que gostei menos foi o desencontro constante de Maria Luísa e Luís Gustavo e da mãe de Maria Luísa, que nem depois de morta deixa de "assombrar" a filha.


Já a alusão constante à música, como uma espécie de linha invisível da história, poderia, na minha opinião, ter "alinhavado" um final merecido para alguns personagens, pelo que, ao contrário do leitor desprevenido, fiquei à espera de algo mais.


 


Posto isto, considero que é uma história que cativa e que merece ser lida por qualquer leitor de mente aberta.


Que tipo de leitores são vocês? Alguém já leu? (estou curiosa).


 


Classificação: 4/5


 


 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A outra metade de mim, de Affinity Konar | Livro secreto # 7

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Sinopse:aqui.


 


Opinião: Vou começar este post de uma forma pouco habitual, ou seja, por falar na capa: simples, bonita e em tons de vermelho sangue, uma alusão à pintura de papoilas que é referida na própria história. 


"A outra metade de mim" é  o título em português. Mischling, no original, provavelmente seria um título com um maior impacto se o mesmo pudesse ser traduzido para a nossa língua, uma vez que a palavra "Mischling" era o termo usado para caraterizar aqueles que possuíam sangue ariano e judeu. 


 


A escritora americana, Affinity Konar, tem 40 anos e não possui familiares que lhe tivessem relatado a experiência durante o Holocausto, mas ao que tudo indica ela inspirou-se em testemunhos reais relatados nos livros.


 


A história é contada por duas crianças: Pearl e Stasha. Pearl, sonhadora,  e Stasha, adora música,  são gémeas idênticas. Quando são enviadas para Auschwitz vão parar às mãos do "Anjo da Morte",  o médico Josef Mengele. Ele realiza experiências no seu "Zoo". São experiências estranhas, sem objetivos e com total desprezo pelo ser humano. As crianças são meros objetos. 


 


Como podemos ler na sinopse: "É um livro que desafia todas as expectativas, atravessando um dos momentos mais negros da história da humanidade para nos mostrar o caminho para a beleza, a ética e a esperança". 


 


Este livro é uma surpresa. Além de a história ser contada por duas crianças inocentes que ainda não compreendem o que lhes está a acontecer, a utilização de palavras poéticas faz com que a escrita quase que se distancie da cruel realidade.


No final, entendemos a mensagem de perdão e de esperança na sobrevivência da raça humana.  



O meu perdão foi uma repetição constante, o reconhecimento de que continuava viva, a prova de que as experiências deles, os seus números, as suas amostras, tudo isso falhou – eu continuei a viver, um tributo aos seus erros de cálculo, pois subestimaram o que uma rapariga consegue suportar. O meu perdão deixou claro o seu fracasso em aniquilar-me.



 


 


Classificação: 4/5


 


Para quem quiser conhecer mais sobre a escritora e sobre a obra: 


https://www.youtube.com/watch?time_continue=451&v=TAiryXRYNUw