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sexta-feira, 27 de junho de 2025

Mesmo sem lógica, devemos ser nós próprios

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O corpo avança,
mesmo cansado.
Há pedras nos ombros,
pesadas,
invisíveis,
que nos puxam para o chão
quando sonhamos mais alto.


Mas ainda assim,
há um instante 
leve, quase silêncio 
em que a luz entra.
Pelo olhar,
pela pele,
por dentro.


É aí que tudo repousa:
os dias ganham cor,
o tempo abranda,
e há amor.


Mesmo sem ver,
a luz regressa.
Insiste.
Aquece.
Desafia a lógica da dor.


E é nas raízes,
firmes na terra daquilo que somos,
que se prepara o florescer.


Porque é preciso resistir
antes de florir.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

O Yin-Yang literário

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Schopenhauer, filósofo alemão do século XIX, disse que é “importante, em relação ao nosso hábito de leitura, a arte de não ler. (...) Para ler o que é bom uma condição é não ler o que é ruim, pois a vida é curta e o tempo e energia são limitados". 


Uma frase vinda de um filósofo dá sempre que pensar, especialmente quando se refere à leitura, mas não vou tecer aqui grandes considerações acerca dela. Tudo o que escrevo são apenas palavras que fluem naturalmente e de acordo com a minha experiência, e lá por um filósofo ter pensado num assunto não quer dizer que o vá reproduzir ou que pense exatamente o mesmo. Apenas começo por salientar o aspeto do tempo. Quando fecho um livro, porque este é pior do que estava à espera, permanece realmente uma sensação de tempo perdido. Tempo que poderia ter sido gasto melhor ou a ler outro livro. Geralmente acontece quando não tenho disposição nenhuma para bagatelas e clichés.


Acho que as minhas escolhas são como a lua, têm fases, e, ultimamente, dou por mim a refletir mais sobre elas. O que me levou a comprar? O que deveria ter lido acerca daquele livro? Porque é que tive interesse nele? Porque é que o livro não é para mim? Mas, enquanto leitora, sou demasiado curiosa, quero ler tudo e conhecer vários autores. E depois há uma variedade livros com capas apelativas, com propaganda feita especialmente para me fazer pensar que preciso, quando na verdade não é bem assim.


O que move, verdadeiramente, as minhas escolhas, são as tais fases, algumas de humor, outras sazonais. Há livros que gosto de ler no verão, na praia. E há livros que gosto de ler no inverno, com uma mantinha e uma chávena de chá ou café. Já quanto aos livros que são penosos, em que cada página é uma tortura e em que queremos que chegue rapidamente ao fim, o que faço? Porque é que não desisto de ler livros "maus"?!  Pessoalmente, se o livro não me prende passo ao seguinte e volto a pegar nele mais tarde. Nunca desisto à primeira. Talvez à segunda. Talvez o livro se torne extraordinário quando já vai a meio. Talvez esteja perante um livro com uma mensagem sobre a qual vale a pena refletir. Talvez o autor tenha investido muito trabalho e mereça uma oportunidade. Talvez a minha curiosidade seja demasiado forte e precise de aprender a controlá-la. 


A dificuldade que encontro na escolha dos livros é quase como a dificuldade de não me ver a mim própria - nem no espelho vislumbro a resposta às minhas dúvidas. 


Em prol das melhores leituras, deveria de existir uma meditação guiada, só para podermos encontrar os melhores livros do mundo. No entanto, a realidade tem sido madastra e, enquanto estou em formação, na qualidade de leitora, a minha transformação continua distante do ideal Yin-Jang literário. 


 


Mais pensamentos literários para ler aqui:


Livros a mais não existe


Qual o teu género literário


Livros que intimidam


A minha dieta literária


Livros e dieta, mas que ideia


 


 


 


 

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Inspirada em Edgar Allan Poe, só que sem o corvo...

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Rua dos Arcos, em Tomar



Que essa palavra nos aparte, ave ou inimiga! eu gritei, levantando - "Volta para a tua tempestade e para a orla das trevas infernais! Não deixa pena alguma como lembrança dessa mentira que tua alma aqui falou! Deixa minha solidão inteira! - sai já desse busto sobre minha porta! Tira teu bico do meu coração, e tira tua sombra da minha porta!" 

E o Corvo disse: Nunca mais.


 


Edgar Allan Poe



 

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Livros e dieta, mas que ideia!

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Na vida há momentos, bons e maus, e silêncios significativos. E a propósito disto e da dieta de livros (aqui) entendo que podemos escolher os livros de acordo com o nosso estado de espírito, embora surjam alguns por acaso (oferta ou empréstimo).  Acabei mesmo agora de ler um livro secreto que me fez chorar. Sabendo que a vida é muito curta e que o nosso corpo é muito frágil, aconteceu devorar, por acaso, um livro com uma história triste quando me sentia triste. Acho que estraguei a minha dieta e já vos explico porquê.


 


O peso da leitura fez com que o meu corpo pesasse com quilos de emoções. Perdi algum líquido pelos cantos dos olhos, mas o espírito disse-me que continuasse a leitura para expurgar a massa gorda da vida. Tudo ao contrário. Ali fiquei prisioneira, e a vida continua igual assim como o índice de gordura visceral. Ai, estou gorda que nem um chícharo demolhado e pronto a ser cozinhado!


 


Apesar de parecer que toda esta história poderia ser evitada se escolhesse outro livro, desenganem-se. Às vezes é preciso escarafunchar a ferida para que esta cicatrize melhor. Às vezes a solidão permite viajar ao nosso interior e retirar o que é verdadeiramente importante. Às vezes os livros ajudam de formas estranhas e engordamos um pouco nas palavras cheias e nos pensamentos anafados de ideias novas.


 


Já não sei viver de outra forma e, em silêncio, oiço apenas o restolhar das folhas que vou virando, uma após outra. O silêncio. A vida. A tristeza e a solidão. Estão ali ao lado, mas digitalizo mentalmente para que a memória não seja denegrida.


 


A minha dieta é uma opção e deve ser seguida com moderação. Apenas recomendo que leiam o que sentem e sintam o que leem.


É essa a melhor experiência.