sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Questão atroz

 



Quando, na força das palavras não ditas, surge a insatisfação inútil?


 Eis a desdita tristeza que se apressa numa lágrima fútil.


Já nada ocupa o seu ser, a não ser uma espécie de doença,

cinzenta, em forma de questão. Quan-do,

nestas sílabas silencia a atenção

que dedica à lembrança das noites com voz ciciada em macia tentação.

Vira o mundo e desmaia

a expressão (do rosto), mas esforça

a mente na procura de um resquício da noite inconfidente

e agora atravessa demente

a desabitada areia da praia,

onde as ondas engomaram e enrolaram a escravidão.

O mar, traiçoeiro, havia chegado perto da areia e baralhado em água a emoção.

Havia chegado, ainda, o vento desleal e, bem veloz, O momento atroz.

Acorda  para o tempo verbal das palavras e contempla

as suas pegadas cinzentas demarcadas,

entretanto,arrastadas

pelo Mar, pela Vida epela insidiosa Pergunta:

QUANDO?

 

Sintonia do imaginário



 


 


A bloggess pediu que a ajudassem a colorir este desenho e que lhe enviassem o resultado. É relaxante. Gastei duas horas e nem dei pelo tempo passar. Bem sei que não está perfeito, mas é um trabalho moroso e de muita paciência. Além do mais, não usei qualquer critério na escolha das cores.Acho que expressei uma explosão de criatividade imaginária. Já quanto à qualidade, temo ter arruinado, um pouco, o desenho da Jenny. Ups. Sorry, Jenny.


 



 


 

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Isto


Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!


Fernando Pessoa, em "Mensagem".

domingo, 16 de outubro de 2016

Línguas-de-gato | Mixórdia de palhaçadas # 7

Hoje, foi dia de aniversário. A minha dona levou os filhos para uma festa. Houve brincadeiras, uma Pinhata, música e doces. Eu fiqueiem casa e esperei que regressassem. Depois, quando vieram, tentei pôr a pata auma goma divertida e escorregadia, em forma de minhoca. Daí a um bocado, ouvi o jornalista a falar na televisão. Não sei se percebi bem, pois ainda estava entretido com a minhoca, que era difícil de apanhar. Ao que parece já não se devem usar palhaços nas festas? Acho que há um certo mal-estar generalizado,nos Estados Unidos da América, na Austrália, no Canadá, ou até no Brasil. E dizem que é uma moda que está a gerar polémica! Percebi que as pessoas decidem disfarçar-se de palhaços assassinos, sair à rua, durante a noite, e que depois vão a correr atrás das pessoas que passam. Também há relatos de serem utilizadas facas para assustarem crianças! Acho que não entendi bem. O raio da minhoca distraiu-me um bocado e, quando consegui pô-la na boca, tive de cuspir porque sabia muito mal. O meu paladar felino não se habitou a este tipo de mixórdias. Ah, lembrei-me agora. Estava outra senhora a dizer que “onde é que anda o nosso país, onde é que anda a nossa cultura, onde é que anda os nossos ouvidos, onde é que anda a nossa visão, onde é que anda tudo” eque não quer ouvir “mixórdias musicais”. Bom. Estou um pouco baralhado, se calhar devido ao açúcar da minhoca. Acho que isto refere-se a outro tipo de palhaçadas.Aliás, os palhaços assassinos são perigosos e os países em causa já estão em alerta, até porque se aproxima o Halloween; já em relação às outras palhaçadas, que se tornaram num vírus e que necessitam da vacina contra a gripe D, acho que se tornou no maior disparate musical que ouvi na minha vida. O que é que eu aprendi hoje? Não se metam com palhaços assassinos e, sobretudo, não dêem crédito, não filmem, não passem na televisão, pessoas que, não estando disfarçadas, é como se estivessem. Que mixórdia de palhaçadas!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O Prémio Nobel é uma mensagem | A sério? #5



Uns, aplaudem. Outros, nem por isso. O Prémio Nobel da Literatura, atribuído a Bob Dylan, surtiu um efeito Woouuuu de surpresa geral. Também fiquei estupefacta e, apesar de já conhecer Bob Dylan, não me pareceu bem. Quanto às letras poéticas, isso, por si só, não justifica a atribuição de um prémio a alguém que escreveu, quase todas as letras, nos anos 60 e 70. Sei que, nessa época, existiram as revoluções sociais e culturais com os hippies, mais drogas, mais revolução sexual e mais os protestos dos jovens contra os governos. Mas esses foram anos em que eu ainda não tinha nascido. Não vivenciei de perto e parecem uma realidade distante (?). No entanto, na minha cabeça, surge uma pergunta: será que atribuir o Prémio Nobel, a um americano, é uma mensagem política? Suponho que sim.

Tradução | Knockin on Heaven´s Door (1973)

 

Mãe,tira esse distintivo do meu peito
Eu não o posso mais usar
Está ficando escuro, escuro demais para ver
Sinto-me como se estivesse a bater na porta do céu

Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu

Mãe, põe as minhas armas no chão
Eu não as posso mais disparar
Esta fria nuvem negra está descendo
Sinto-me como se estivesse a bater na porta do céu

Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Bate, bate, bate na porta do céu
Sinto-me como se estivesse a bater