sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Questão atroz

 



Quando, na força das palavras não ditas, surge a insatisfação inútil?


 Eis a desdita tristeza que se apressa numa lágrima fútil.


Já nada ocupa o seu ser, a não ser uma espécie de doença,

cinzenta, em forma de questão. Quan-do,

nestas sílabas silencia a atenção

que dedica à lembrança das noites com voz ciciada em macia tentação.

Vira o mundo e desmaia

a expressão (do rosto), mas esforça

a mente na procura de um resquício da noite inconfidente

e agora atravessa demente

a desabitada areia da praia,

onde as ondas engomaram e enrolaram a escravidão.

O mar, traiçoeiro, havia chegado perto da areia e baralhado em água a emoção.

Havia chegado, ainda, o vento desleal e, bem veloz, O momento atroz.

Acorda  para o tempo verbal das palavras e contempla

as suas pegadas cinzentas demarcadas,

entretanto,arrastadas

pelo Mar, pela Vida epela insidiosa Pergunta:

QUANDO?

 

1 comentário:

Manu disse...

Que lindo poema!
Adorei!