segunda-feira, 3 de outubro de 2016
O tempo
Este tempo (in)certo
pode provocar (in)certezas.
É que não podemos perder tempo
ou ter tempo para surpresas.
É que não podemos
ganhar tempo ou perder .
É que não há tempo,
sem tempo para viver.
Algum tempo,
é viver um pouco.
Não aproveitar o tempo,
é ser louco.
Mas o meu
tempo é teu,
Como o teu,
É meu também...
Não, não é de mais ninguém.
domingo, 2 de outubro de 2016
Línguas-de-gato |Transparências inúteis # 5
Depois de mais uma semana estafante, sempre a dormir e sem nada para fazer, fico sempre em pulgas, passo a expressão, para movimentar uma patinha. É assim, com agrado, que miado à parte, consigo despertar da letargia de gato e aparecer com boa disposição e com as habituais línguas-de-gato da semana. É um pouco estranho o assunto que vou abordar hoje, mas foi o que despertou o sentido felino, aquele em que deteto coisas insólitas. Então, que tal falarde transparências? Podia falar de roupa, mas eu tenho pelo e apenas, no inverno, adoro uma boa mantinha. Portanto, a transparência não é na roupa. Será sobre uma casa do futuro, como na distopia, no livro Nós, de Zamiatine? Não é.Mas está mais perto. Trata-se da mais recente atração de Changsha, na China, a saber:uma casa de banho transparente. O meu interesse recaiu sobre isto, porque a casa de banho é pública, é em vidro e qualquer pessoa, que passe, consegue ver quem está a usar. Muito interessante. Estamos a caminho do futuro. Mas lembrem-se que, nas línguas-de-gato, há sempre outra história associada: igualmente sobre transparência e que, também, se poderá considerar que envolve um vidro (porque pode estalar ou partir). Dou uma pista: o PR vetou o diploma que previa que o Fisco tivesse acesso aos saldos bancários dos contribuintes com mais de 50 mil euros. O que não sabem, se eu disse tudo agora? O meu feitio felino diz que ainda não se aperceberam que a transparência fiscal não é só um “big brother”,não é, de todo, uma casa toda feita em vidro, como no livro de que vos falei. Não e não. É uma transparência fraquinha, como aquela da casa de banho, na China, porque poucos se atreverão a usar. É uma falsa questão, pois quem tem pilim, não deixa o dinheiro à mostra. Quanto à maioria nem tem que se preocupar ou, pelo menos, não tem que se esconder das transparências inúteis!
Até à próxima.
sábado, 1 de outubro de 2016
O piropo | A sério? # 3
Vários juristas vieram criticar a decisão do tribunal por deliberar que "comia-te toda" não é crime. Esta decisão,ou melhor, acórdão do tribunal da Relação de Coimbra é justificada por uma alteração à lei, que ocorreu em momento posterior.
Resumindo e baralhando, a expressão "Estás cada vez melhor! Comia-te toda! És toda boa! Pagavas o que me deves!" dirigida a uma mulher, na via pública, constitui "linguagem boçal e ordinária, susceptível de ferir a sensibilidade subjectiva da visada, não atinge, no seu todo, o patamar mínimo da dignidade ético-penal apto a fazer intervir o tipo de crime previsto no artigo 183.º do C.P."
Depois de ler isto tudo, como é óbvio, enquanto mulher não poderia ficar indiferente. Não há dúvida que certos valores se vão perdendo. Eu, para me animar, fui pesquisar mais um videozito e eis que surge: "És tão boa!" do Herman José. Nãooo tem nada de piropo, ou de dichote e já faz parte da nossa tradição (se calhar o tribunal deveria ter deliberado com fundamento na tradição, não é?).
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Uma boa gargalhada | A sério? # 2
Como já devem ter reparado, gosto de escrever e, com o tempo, espero que as palavras me encontrem com facilidade (sou fácil de localizar). Nas andanças da escrita (ou algaraviada), eu gosto de ouvir música (com ou sem palavras) assim como adoro uma boa gargalhada e ...bem, não me julguem, sou seria(mente) viciada...
A permanência de uma memória
Uma avó, em sinapse memorável, pressentiu a chegada doadeus à memória, em arrebatada permanência, mas com uma brevidade equiparada auma folha de caderno que insiste em não se desprender. O que fazer quando aspalavras não chegam?!
- Era uma …
- Era uma vez, é muito piroso, avó! A história vaiparecer que é para bebés e eu já sou muito crescido! – disse o Gonçalo.
- Está bem - respondeu a avó -, vou continuar sedeixares. Há um mundo misterioso que existe na cabeça das pessoas. Esse mundopode ser uma memória ou um lugar enorme, cheio de experiências extraordinárias.O que preferes?
- Eu prefiro uma história sobre carros – disse ele - ecom carrosséis, pipocas coloridas, e algodão doce com sabor a chocolate.
- A avó vai contar a história, mas primeiro quero quesaibas que a memória pode ser simples ou complicada. Se for simples, tens umcérebro feliz. Se for complicada, tens de lutar e, se conseguires, tens deprocurar as respostas. Sabes, a tua cabecinha tem vida própria, mas preciso queentendas o início.
- A sério, avó? A história é sobre a minha cabeça! Eusei que, no outro dia, não a quis lavar..
Em luminescência incerta, a avó achou que deveriaexplicar. Talvez, se ….
- A tua cabeça? Não. Vou fazer uma pergunta e depoiscomeço a história. O teu carro tem um motor?
- Claro, o motor faz o carro andar!
- Com a memória é igual, pois, tal como um carro velho,pode esquecer-se de trabalhar.
- E o óleo, avó?
- O óleo ajuda.
- E não existe um óleo desses para amemória, avó?
- Existe. Chama-se paciência e amor.
- Avó, tu já és velhinha, contas ahistória?
-Paciência amor, vou contar…Era uma…
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