quinta-feira, 18 de maio de 2017

A praia das pétalas de rosa, de Dorothy Koomsom

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Já li dois livros desta autora e, como gostei da sua escrita, resolvi arriscar a ler mais este. Adorei a capa. Acho-a muito alegre e colorida. Porém, já não considero o seu conteúdo leve. Este romance é um pouco triste e denso e as personagens são psicologicamente complexas. Aviso que a minha opinião é um pouco suspeita, dado que odiei (bastante) o Scott, marido de Tamia, e embirrei com as atitudes dela (Tamia).
Para quem não conhece, esta escritora costuma escrever histórias com mulheres negras, sofridas, e que lutam e enfrentam a vida, no entanto, não estava preparada para uma mulher que que se limita a relevar as falhas do marido.

Quanto às personagens, achei-as muito bem construídas e a estrutura da história bem conseguida.

 

Sinopse: Todas as histórias de amor sofrem reviravoltas.Depois de quinze anos de um grande amor e um casamento perfeito, Scott, marido de Tamia, é acusado de algo impensável.
De repente, tudo aquilo em que Tamia acreditava - amizade, família, amor e intimidade - parece não ter qualquer valor. Ela não sabe em quem confiar, nem sonha o que o futuro lhe reserva.
Então, uma estranha chega à cidade, para lançar pétalas de rosas ao mar, em memória de alguém muito querido e há muito perdido. Esta mulher transporta consigo verdades chocantes que transformarão as vidas de todos, incluindo Tamia que será obrigada a fazer a mais dolorosa das escolhas…
O que estaria disposta a fazer para salvar a sua família?

 

terça-feira, 16 de maio de 2017

Línguas-de-gato | Estou bugada! # 31

O Senhor Gato anda muito estranho, cada vez mais. É difícil fazer as vontades todas e nem sempre tenho paciência para tanta mimalhice. Como ele anda bugado (que isto de vírus ou viroses está em alta) e, não quer ouvir nem miar, eu assumo, hoje, o comando deste computador, o que, bem vistas as coisas, me permite divagar um pouco, colocando por palavras o que me circula no pensamento por vezes congestionado. Mas, por falar em bug, a vítima do bug informático pode ser comparada a uma pessoa que fica sem nada para dizer ou que ninguém compreende. Transmitir corretamente uma informação ou pensamento é ser claro e conciso ou é escrever muito e abordar uma série de assuntos?


A 13 de maio, pensei que isto iria ser desvendado (no meu pensamento), pois seria aspergida pela luz e energia positiva emanada da oração conjunta do Papa e dos fiéis aí presentes. Não podia estar mais enganada.Tenho sempre perguntas à espera de resposta. Sempre.


Por caridade, conseguem responder, com sim ou não, aos meus dilemas?


 


1- O blog precisa de ser reformulado na apresentação, no conteúdo, na apreciações de livros, etc);


2- O Senhor gato já teve melhores dias, escreve sobre outra coisa;


3 -As apreciações dos livros deveriam ser mais completas ou mais longas;


4- Post dia sim dia não, de forma a escrever mais;


5 -Mais conteúdos originais;


6- Pensamentos sobre livros é outra coisa;


7- Escreves mal;


8 - Os vídeos de humor não têm piada nenhuma;


9- Vai trabalhar que isso passa.


 


 


Chegados aqui penso, que percebem o que quero dizer ou, pelo menos, já passaram por fases em que sentiram que o blogue está a desaparecer aos poucos. Falta de tempo. Má organização. Até podem dizer tudo que eu aguento.Difícil é manter-me por aqui, mas como sou teimosa... ainda não desisti. Estou bugada e não sabia! Não há por aí um Salvador, uma Maria, uma Fátima? Depois do fim-de-semana dos 3 F´s sinto-me tentada a pedir mais este Favor: respondam e sejam sinceros...


 

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Reflexão sobre o pensamento acelerado

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Pensamentos são como histórias que fogem entre os dedos. O difícil é ordenar e disciplinar tudo o que pensamos e sentimos. Mas o problema maior é o de saber gerir o tempo com alguma lucidez.


Augusto Cury fala-nos em "Síndrome do pensamento acelerado", da ansiedade e da falta de tempo para nos ouvirmos a nós próprios. Devemos reter bem esta informação e, porém, duvidar sempre, pois questionar só perturba as emoções de quem é "um escravo programado".


 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Mors Tua, Vita Mea, de Vanessa Santos

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Começo por fazer uma referência à capa, pois acho-a muito bonita, e transmite, perfeitamente, a ideia de que o livro é sobre uma história com armas e, evidentemente, sobre um crime. 



Na badana deste livro podemos ler : "Vanessa Santos é natural de uma das freguesias mais antigas da cidade de Leiria, Cortes. Ao longo dos anos, foi descobrindo o gosto pela leitura, tendo concluído, que o seu gosto e género literário pende, essencialmente, para o thriller, terror, ficção científica e, principalmente, histórias de crime e mistério, sendo por isso, leitora de nomes como Agatha Christie e Stephen King". Transcrevo esta informação, porque acho que é importante para percebermos que o thriller policial, aqui presente, no qual a escritora se estreia, e que "bebeu"de um género literário muito apreciado nos dias que correm, embora seja o preferido dos países nórdicos.


Como pano de fundo temos a cidade de Leiria, o que me despertou logo o interesse. Já a personagem principal, Sara, uma jovem com tendência para o desastre (algo similar às histórias da irmã Chic´ana, em especial no que à distração diz respeito), prometia divertir-me, porém, a meio do livro achei que faltava algo.


Em pouco tempo, à semelhança de Sara (ver sinopse), senti-me tonta (e não só). Não é o primeiro livro que leio da Chiado Editora que tem o mérito de abrir as portas a novos escritores, no entanto, isso não serve de desculpa para que não zelem pela imagem da própria editora, evitando gralhas ou erros.


Prosseguindo com a opinião sobre a escrita da Vanessa, considero que a história poderia ter sido mais trabalhada, pois nalgumas partes há quebras de ritmo e de narração. Além disso, a parte em que se Sara se apaixonou por Claúdio é um bocadinho cliché, faltando aqui, nas palavras de Lubjomir, chefe do "Pesadelo na Cozinha", um pouco de piripíri "fura cueca" ().  


  





Sinopse: Sou a Sara, e estou agoniada, desesperada, com suores frios, o mundo ganhou profundidade, está calor, não, é frio, estou tonta. Tirem-me daqui, por favor.


É assim que se inicia o relato de Sara, a rapariga mais comum da cidade de Leiria. É-lhe transmitido pelo seu chefe um segredo de família que lhes trará dificuldades e mudanças.


Em pouco tempo, Sara verá a sua vida dar uma volta de 180º, viverá momentos de pânico, medo e de pura paixão.


Trata-se de um relato divertido, que descreve o desenrolar da trama de uma forma leve, dando a conhecer o ponto de vista de uma jovem na casa dos vinte anos e no auge da sua imaginação, descrevendo as cenas que vive com à-vontade e humor.




quarta-feira, 10 de maio de 2017

O Vendedor de Passados, de José Eduardo Agualusa | Livro secreto # 2 |

 


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 Achei a escrita brilhante, algo poética, e muito original, mas isso não aconteceu logo, nem foi "amor" à primeira vista. Aprendi a gostar quando "digeri" a história e, a certa altura, percebi a estrutura da narrativa. Portanto, no início, estranhei e não conseguia perceber bem quem, onde e porquê, nem a razão de estranhar tanto as palavras. Na leitura, andei como se estivesse perdida à procura da rua certa e a navegar na incerteza (Será bom? Será mau?). No entanto, mantive a mente aberta e embarquei no desconhecido (ainda não tinha lido nada deste autor).


Félix Ventura, um albino angolano, vende passados, e a osga, que assume o papel de narradora participante, narra e percebe tudo o que se passa. Mas embora se perceba logo quem é Félix, o mesmo não acontece com a osga. Só lá mais para o meio do livro é captei que o narrador era uma osga e que esta tinha sido, numa reencarnação anterior, um humano chamado Eulálio.Enfim, mais vale tarde do que nunca, lá diz o ditado popular.


O Félix constrói histórias e árvores genealógicas fantásticas para figuras importantes da sociedade cujo passado é duvidoso mas que saem como se fossem descendentes de "sangue azul".  Podemos "ver" aqui uma crítica à sociedade angolana e aos valores presentes na mesma e, na minha opinião, essa capacidade crítica é camuflada pela forma de escrever do autor. Tanto assim é que só depois de a história avançar, se percebe o alcance de certas frases (e quem concordar que ponha a mão no ar ou escreva um comentário).



Também eu crio enredos, invento personagens, mas em vez de os deixar presos dentro de um livro dou-lhes vida e atiro-as para a realidade.



 


Sinopse: Félix Ventura. Assegure aos seus filhos um passado melhor. É a partir deste cartão-de-visita que se desenrolam os capítulos de "O Vendedor de Passados", novo romance de José Eduardo Agualusa. A mentira e a verdade, o(s) homem(s) e o(s) seu(s) duplo(s), a memória e a memória da memória, a ficção e a realidade. Angola ("é importante ironizar com a sociedade angolana, que é uma sociedade que se construiu e se continua a construir assente em muitas ficções" - o autor ao Público, 19/06/04). Tudo poderia acontecer. Tudo poderia ter acontecido. «A determinada altura a osga recorda a mãe num momento da sua vida passada: "Nos livros está tudo o que existe, muitas vezes em cores mais autênticas, e sem a dor verídica de tudo o que realmente existe. Entre a vida e os livros, meu filho, escolhe os livros" (p.122). José Eduardo Agualusa provavelmente escolhe a vida.