segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Palavras sem música

Se música sem palavras é uma cena do passado, o que está dar é palavras sem música! Isto porque alguém teve a ideia de retirar a música de alguns vídeos e de colocar no youtube.  Jenny Lawson viu e resolveu ironizar com a figurinha que todos podemos fazer se não houver uma música de fundo. Já falei aqui dela e do seu livro "Furiosamente Feliz", mas ela  continua a surpreender com uma imaginação fora do comum, além de um sentido de humor inigualável. 

Música para quê? Vejam.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

No computador

As horas lentas passam ao lado do meu computador
Teclo, furiosamente, à espera de uma novidade
Novas horas, desalento, à espera da verdade
Em ansiedade sacrifico o coração e sinto dor.
Não sem antes pensar na vida com criatividade.
Saltos, pulos, danças, rodopios, fico tonta, não tenhoidade.
O tempo arrasta-se pela casa e pela cidade.
Automóveis, autocarros, bicicletas, em velocidade.
A força das palavras à espera de uma oportunidade.

Vamos conversar?


Será difícil explorar o som da voz do outro? Todos vivem embrenhados nas próprias conversas,  em especial ao telemóvel, porém, desde pequena que me lembro de observar tudo. Ultimamente ainda mais. Não considero que isso seja mau. O estatuto de observador tem esta vantagem mas se pensarmos que isso implica não participar em nada, então concluímos que este raciocínio não é tão linear quanto isso. De facto, quer nas conversas quer em qualquer outra situação, há dois lados, dois pólos: um negativo e outro positivo. Nas pessoas também e há pessoas que só têm um de cada: os pessimistas e os otimistas. Rótulo necessário a quem vive em sociedade? Aparentemente, sim. Quem já não ouviu: ai e tal és pessimistas e isso que dizes é do teu pessimismo? Certo, então eu gostaria de saber sobre o que é que se pode conversar, afinal. É que eu não concordo que há ideias mais negativas ou mais positivas. São ideias, palavras que exprimem o pensamento. Depois podemos optar por uma ou por outra ou entrar em consenso. 

Quem estiver a ler isto, certamente já se deparou com situações similares. Um rótulo cala tudo; o pensamento, a vontade de aprender e a vontade de conversar. Tenho para mim, que é mais fácil mudar para Marte do que conversar com os pés assentes na terra. É por isso que procuro o mistério e a escrita, sempre posso divagar à vontade!

No outro dia, dei por mim a alertar uma pessoa para uma possível complicação (deveria perder esta mania de que posso salvar o mundo!). Precipitei-me, mas as palavras em si não transmitiram a informação de forma correta. Estaremos a perder a capacidade de comunicar da forma certa? Pois, eu acho que sim. Dou por mim, metida em verdadeiras confusões.  

A propósito de Marte (estou mesmo a mudar de assunto), não sei se ouviram a notícia de que um foguetão não tripulado da SpaceX explodiu durante o lançamento, no Centro Espacial Kennedy, no Cabo Canaveral. Explodiu, ainda, a carga, nada mais nada menos do que um satélite que pertencia aos israelistas. Hum... coincidência ou não, maybe...
Se quiserem fundamentar a vossa opinião cliquem aqui.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Evidência

É por demais evidente
A evidência do prazer
das compras, do ócio ou do lazer.
Ou do exibicionismo na internet.
É por demais evidente
Quem vive contente
A evidência do prazer
De evidenciar e comentar.
Dizer mal ou dizer bem.
Ser ingénuo a esse ponto
é um prazer.
Nós somos o prato e a
Sobremesa de quem gere milhões
e que vive com prazer
à custa de quem conta os tostões.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Em teu ventre, de José Luís Peixoto #22


Tudo se passa entre maio e outubro de 1917, em Fátima. É neste período de tempo que o autor narra os acontecimentos relacionados com as aparições de Fátima, tendo por protagonista Lúcia, enquanto intermediária entreo profano e o sagrado. Com 10 anos, ela é apenas uma menina que gosta de brincar com os seus dois primos, Jacinta e Francisco. Maria, a mãe de Lúcia, é severa com a filha, mas preocupa-se com ela, como qualquer mãe. A dimensão humana está, por isso, presente, através da mãe de Lúcia e, ainda, da mãe do autor (achei curiosa a forma como se dirige ao filho e fiquei com a sensação que estaria noutro plano). Quanto à dimensão divina, só aparecem palavras quase bíblicas, presumo que vindas de Deus. Não são referidas as palavras de Nossa Senhora quando aparece às três crianças (os pastorinhos), o que, a meu, ver foi propositado. Se por um lado o autor não quis dar uma opinião direta sobre os factos, por outro introduz algumas farpas quanto à veracidade, designadamente quando Maria surpreende Lúcia a brincar, com o lenço na cabeça, a fazer o papel de Nossa Senhora perante outras crianças e quando a Lúcia conversa com objetos ou com as folhas da azinheira, entre outros pequenos detalhes.

Citação:”As palavras são imperfeitas quando tentam dizer aquilo que é maior do que elas. São imperfeitas também quando tentam dizer aquilo que parece ínfimo, dependendo da proporção. Nesse caso, as palavras são dedos que tentam apanhar uma migalha, fazem a forma de beliscá-la, mas deixam-na lá, como se fossem inúteis”.

Pensamento: Nesta altura, as pessoas eram, na esmagadora maioria, analfabetas; um povo pobre e cujos filhos estão na guerra. Será que este povo desesperado foi vítima de uma alucinação coletiva?