segunda-feira, 7 de outubro de 2024

Do outro lado, de Mafalda Santos

20241007_134318.jpg


Depois de ler "Enquanto o Fim Não Vem", as expectativas eram muito altas, mas este romance da Mafalda Santos conseguiu surpreender-me, novamente!
A Mafalda Santos é sem dúvida uma das minhas autoras favoritas, escreve muitíssimo bem e possui uma habilidade extraordinária em criar narrativas intrigantes.
No livro, a combinação entre distopia e uma história de amor fez-me questionar os limites do amor e da realidade, num enredo que mistura de forma inteligente mistério, emoção e sobrevivência.
A história não é apenas sobre Gabriel e Sara; é também uma reflexão sobre até onde somos capazes de ir quando tudo à nossa volta se desmorona.
Neste contexto, a autora explora com mestria o desaparecimento de Sara e a busca desesperada de Gabriel por respostas, jogando com as fronteiras da realidade. A introdução do conceito de multiverso, embora toque em ficção científica, serve mais como pano de fundo para o drama humano. Não é o multiverso em si que domina, mas o impacto emocional que esta complexidade traz às personagens e à própria narrativa.Essa alternância entre mundos e os capítulos curtos criam um ritmo quase cinematográfico, que me manteve agarrada do início ao fim. A construção cuidadosa da tensão, capítulo a capítulo, contribuiu também para uma leitura rápida e compulsiva.
Já a conclusão deixou-me com a sensação de que há mais por descobrir, mais por dizer, e eu adoraria ler a continuação - talvez porque a minha experiência de leitura foi como se estivesse a assistir a uma série ou filme ; Ok, também há filmes em que no final ficamos assim, para nos fazer reflectir um pouco.
E foi isso que fiz.
Para terem uma ideia de uma das minhas reflexões deixo no ar a pergunta: a própria percepção da realidade é diferente para cada um de nós, certo?
Adorei e recomendo vivamente.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Reinos Bastardos, de Luís Corte Real

20240821_135711.jpg


Reinos Bastardos conseguirá conquistar os amantes de fantasia e os que, geralmente, não se aventuram por esse género literário? A isto respondo já que sim.


Fantasia não é um género que figura frequentemente entre as minhas leituras. Houve uma época em que devorava livros deste género, mas os anos passaram e os gostos mudaram. Por isso, mundos mágicos e monstros são algo que não me aventuro hoje em dia. No entanto, o autor cedeu gentilmente o livro e como tenho a imaginação em altas esta leitura até veio em boa altura.


A personagem principal, Runa, é uma jovem humana órfã criada por Kar numa tribo de ogros nos Reinos Bastardos. Este ambiente inóspito e hostil, em que os humanos não passam de cativos, moldou a sua personalidade e tornou-a forte e rebelde. A relação entre Runa e Kar, marcada por um afeto quase paternal, e o laço crescente com Ediru, são aspectos emocionalmente envolventes.


As descrições do ambiente de Reinos Bastardos são pormenorizadas e, embora necessárias, contrariaram – e muito- a minha enorme vontade de ler o que iria suceder a seguir a Runa. Eu estava tão ansiosa para descobrir o destino de Runa e Ediru que as longas descrições pareciam um obstáculo entre mim e o próximo acontecimento. Quando tudo mudou, na história, fui contrariada – de novo!– desta vez, de forma ainda mais impactante.


E, o que mais me surpreendeu, foi o desenvolvimento dos personagens. Embora tenha gostado de uns e odiado outros, confesso que não estava nada preparada para duas das personagens mudarem de uma forma que realmente me desarmou. Então? Como assim? Porquê?


Apesar destas perguntas sem resposta, gostei muito desta história emocionante de fantasia de fácil e rápida leitura. Para isso contribui decisivamente a escrita do autor e a forma como mantém o leitor envolvido e em suspense até ao fim. No entanto, deixou-me como que um travo agridoce tanto quanto à mudança nos personagens e quanto ao facto de ter de aguentar a minha curiosidade até sair Reinos Humanos para saber o que aconteceu à Runa e a outros personagens.


Sendo esta história uma história que prende logo no início a atenção do leitor e que se lê rapidamente, esta reação já seria de esperar! Agora a minha questão é: quando é o lançamento do próximo volume?


E vocês, já tiveram a oportunidade de ler Reinos Bastardos? Qual foi a vossa impressão?


 


 

quinta-feira, 8 de agosto de 2024

Marzahn, Mon Amour, de Katja Oskamp

20240714_125046.jpg



"Os anos da meia idade, em que já não és nova e ainda não és velha, são nebulosos. Já não avistas a margem de que partiste, e ainda não distingues com suficiente nitidez a margem para a qual te diriges".


Este é o início do livro escrito por Katja Oskamp. A narradora é a própria escritora (personagem), que, após uma crise pessoal e profissional, decide mudar radicalmente de vida e torna-se pedicura.


 Oskamp compartilha histórias dos seus clientes e estes relatos, aparentemente mundanos, revelam profundidade e complexidade humana.


 Numa escrita despida e poética ao mesmo tempo, a autora dá atenção a detalhes sobre o quotidiano dos personagens. Em cada capítulo, cada cliente tem uma história, o que traz diversidade às experiências relatadas e uma visão intimista da vida das pessoas.


 No entanto, enquanto leitora, senti que há histórias ou personagens que não são explorados a fundo porque deixamos de seguir determinado personagem assim que começa outro capítulo e outro personagem (sorry, mas não aprecio a estrutura baseada em pequenas histórias que se assemelham a contos).


Em suma, "Marzahn, Mon Amour" é um livro original e reflexivo sobre a vida de pessoas comuns que poderá ser interessante para quem gosta de histórias intimistas e frustrante para quem gosta de mais desenvolvimento e ação.


 



 

 

sexta-feira, 12 de julho de 2024

Quando o Vaticano Caiu, de Pedro Catalão Moura

20240711_165804.jpg






Ultimamente, tenho lido várias histórias ambientadas na Segunda Guerra Mundial, mas esta, em particular, destacou-se por ser diferente do habitual. De facto não é um thriller nem um romance histórico, mas, sim, uma história alternativa, entre ficção e factos verídicos, e o seu enquadamento num género literário, como thriller, na minha opinião, poderá originar falsas expetativas, por isso aconselho a que não o façam e que mantenham a mente em aberto quando iniciarem a leitura.


Tudo começa com a chegada de uma carta misteriosa ao Papa, alertando-o sobre o plano de Hitler de invadir o Vaticano. Este alerta põe em movimento uma série de eventos que obrigam Pio XII a tomar decisões difíceis para proteger a Igreja. A proposta de Roosevelt para receber a cúria no seu país, em contraste com as alternativas oferecidas por Franco e Salazar, coloca o Papa diante de um dilema moral e político significativo. Optar pelos Estados Unidos implicaria escolher um lado no conflito mundial, enquanto a repressão do regime de Franco torna a Espanha uma opção indesejável. Assim, Portugal, com o santuário de Fátima, surge como o destino mais viável, carregado de simbolismo religioso.


Papa Pio XII, que surge nesta história como o "Papa sem Medo", é o personagem principal que tem de fazer uma escolha difícil em prol do seu compromisso com a Igreja e seus fiéis. A par deste personagem surgem outros, os cardeais com hierarquias definidas, cuja dinâmica de intrigas e conluios políticos quase me fizeram esquecer a violência e a ameaça externa dos nazistas.


Achei mesmo muito interessante conhecer este Papa e as manobras internas na Igreja, uma vez que, talvez por terem uma grande dose de criatividade do autor, ao ficionar as suas personalidade, adicionam uma camada complexa e humana à história.


Aliás, existem vários personagens cardeais que têm ambições nada caridosas, mas a forma como estão descritos e forma como se comportam transmitem irritação, algum divertimento e até, pasme-se, pena do Papa.   






A obra, inspirada em eventos verídicos, combina, assim, factos históricos com uma ficção habilmente executada, conseguindo criar uma leitura cativante e gerar interesse em saber mais sobre factos que são, provavelmente, desconhecidos pelos leitores. 


 "Quando o Vaticano Caiu" é sem dúvida alguma uma brilhante e bem-construída história alternativa que promete prender a atenção e que oferece a todos os leitores uma nova perspetiva sobre os desafios enfrentados pela Igreja durante a guerra.













 



quinta-feira, 11 de julho de 2024

O Papel de Parede Amarelo, de Charlotte Perkins Gilman

20240711_182514.png






"O Papel de Parede Amarelo" é um conto clássico da literatura escrita por Charlotte Perkins Gilman, publicado em 1892. A história é conhecida por sua exploração profunda e perturbadora da saúde mental feminina e das restrições sociais enfrentadas pelas mulheres na época vitoriana.


A narrativa é centrada em uma mulher que está passando por um tratamento para uma condição de saúde mental, prescrita por seu marido médico. Ela é proibida de realizar qualquer atividade intelectual ou física, e é confinada a um quarto com papel de parede amarelo. Conforme os dias passam, ela começa a ver figuras estranhas e formas no papel de parede, levando a uma deterioração crescente de sua própria sanidade.


Gilman utiliza o papel de parede como uma metáfora poderosa para a opressão que as mulheres enfrentam na sociedade, assim como uma exploração das consequências do tratamento paternalista e desumano das doenças mentais na época.


A escrita de Gilman é perspicaz e intensamente introspectiva, mergulhando na psique da protagonista de uma maneira que é ao mesmo tempo fascinante e angustiante. A história oferece uma crítica social aguda e uma análise penetrante das pressões sociais sobre as mulheres, além de uma exploração profunda das fronteiras entre a sanidade e a loucura.


Em resumo, "O Papel de Parede Amarelo" é uma obra-prima da literatura gótica e um conto fundamental sobre a experiência feminina e a saúde mental, que continua relevante e poderoso até os dias atuais.










 




O animal selvagem, de Joël Dicker













 











20240707_201304.png




















Durante as férias, li "O Animal Selvagem" e desde a primeira página a narrativa envolvente de Joël Dicker prendeu minha atenção, tornando-o o livro perfeito, para se ler aos poucos, numa altura em que precisava de descanso.


A história inicia-se com um plano engenhoso de assalto a uma joalharia em Genebra, mas vai-se desenrolando numa teia intricada de segredos e obsessões.


Sophie Braun, que vive nas margens do Lago Léman, vê a sua vida aparentemente perfeita desmoronar-se. O seu marido guarda segredos sombrios, o seu vizinho policial desenvolve uma obsessão inquietante por ela, e um presente misterioso coloca sua segurança em risco.


O que mais me cativou foi a forma como Dicker delineou os personagens e o desenvolvimento detalhado das suas personalidades e histórias. Além disso, os saltos temporais, uma característica de seu estilo, estão mais fluídos e intuitivos, o que enriqueceu a experiência de leitura.


Embora o desfecho tenha ficado um pouco aquém das expectativas, a escrita cativante de Dicker e o equilíbrio perfeito entre suspense e entretenimento fizeram deste livro uma excelente escolha.


"O Animal Selvagem" proporciona uma leitura emocionante e envolvente e por isso recomendo vivamente esta obra a todos os leitores que procuram um thriller irresistível, viciante e repleto de reviravoltas que ao mesmo tempo oferece diversão e muito suspense.









 


 




segunda-feira, 24 de junho de 2024

O quinto pescador, José Rodrigues

20240623_190718.jpg


"O Quinto Pescador" é o sexto livro do autor e tem recebido muita atenção nas redes sociais. Como não vejo vídeos nem leio críticas ou opiniões antes de ler, embarquei nesta leitura sem bagagem nenhuma que pudesse influenciar o meu pensamento ou as emoções. Porque quando leio que choraram muito com determinada história, geralmente, não tenho a mesma reação.  E porque dão spoilers e isso aborrece-me.Portanto, nada sabia, nada conhecia, nem sequer o autor, e o que escrevo são as impressões pessoais que surgiram durante a sua leitura.


Quanto ao cenário escolhido pelo autor, uma aldeia costeira, tranquila e acolhedora, é o cenário perfeito para esta jornada de cura e para novas amizades e reconexões emocionais. Afinal, há sempre uma Esperança, mesmo nos sítios mais improváveis.


Francisco é o personagem principal que procura o isolamento nessa aldeia mas, Pedro e Rafa, surgem como faróis no seu caminho, num momento em que a luta interna de Francisco é intensa, dolorosa e de difícil aceitação.  



Parece que tudo sabe a pouco e a nada e a tanto me faz.



Já nas conversas silenciosas de Francisco com a estátua na falésia, altura em que a alma do protagonista se desnuda, há uma espécie de introspeção. São conversas sem resposta, é certo, mas nesse momento Francisco toma consciência dos seus pensamentos mais escuros e também dos mais felizes. 


A destacar, ainda, ao longo desta história, as várias fotos a preto e branco de Sara Augusto, com o mar, as árvores e as flores, que, a meu ver, são mais que imagens, são haikus visuais que capturam a solidão e a melancolia do protagonista. 


Apesar de não ser, atualmente, o meu género de livro, as personagens têm uma simplicidade e uma autenticidade que espelham uma vivência de vida tal como a conhecemos, umas vezes dura e difícil, outras com perspectivas de melhores dias.


Esta é uma leitura com uma mensagem importante para os leitores que precisam de voltar a olhar para a vida com um sorriso. Afinal, há mesmo Esperança nos sítios mais improváveis!


 

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Gatos na Noite, Fábio Ventura

20240617_221019.png





Após a leitura de "Corações de Papel", iniciei "Gatos na Noite" com uma grande curiosidade, ansiosa por desvendar o destino dos seus personagens. Embuída por um espírito de investigação, fui completamente surpreendida pela profundidade e complexidade que esta obra apresenta. Na verdade, desde as primeiras páginas, senti-me um tanto desorientada diante do vasto número de personagens introduzidos. A trama centra-se nos quatro irmãos – Jeremias, Tomé, Gabriel e Cibele– que têm personalidades distintas e complexas, contribuindo para um mosaico de histórias individuais e coletivas, em paralelo com personagens como Mateus, Júlia, Basílio e tantos outros que vão surgindo ao longo da história. 

O livro possui uma atmosfera que remete fortemente ao estilo de Stephen King, com um cenário impregnado de suspense e mistério, o que me deixou com um nó no estômago e um sentimento de inquietação constante. Essa influência é evidente na forma como o autor constrói o ambiente da Casa da Lua, um local repleto de segredos sombrios e eventos perturbadores.


Olhei de volta para todas aquelas sombras. Estavam a sorrir, um sorriso branco que conseguia ver mesmo àquela distância. E de repente já não era eu ali. Era apenas uma sombra, tal como elas.

 


Ao longo da narrativa, personagens de "Corações de Papel", como Gaspar, Lucas e a Cece, reaparecem, enriquecendo a trama e conectando histórias passadas e presentes, adicionando profundidade com essa ligação.

Nesta história são explorados temas complexos relacionados com a psicologia humana, inspirados nas teorias de Carl Jung sobre o consciente e o inconsciente. E apesar de se estranhar o inicio e as sombras, o autor conseguiu, e bem, amarrar todas as pontas soltas no final, proporcionando uma conclusão surpreendente. Para isso contribui decisivamente a escrita do autor e a forma como mantém o leitor envolvido e intrigado até a última página.

 

Num thriller que ousa lidar com temas psicológicos profundos e o lado obscuro do ser humano, a experiência intrigante à medida que os segredos da família Xavier vêm à tona, revela segredos obscuros que nem o próprio Jung previu. 


 

 



 

terça-feira, 11 de junho de 2024

O Regresso, Kristin Hannah

 


Captura de ecrã 2024-06-11 151906.png


"O Regresso", de Kristin Hannah, é um romance que segue Michael e Jolene, um casal cuja relação está à beira do divórcio após doze anos de casamento. As suas vidas mudam drasticamente quando Jolene, piloto de helicóptero do exército, é enviada para uma missão militar no Iraque, deixando Michael responsável por cuidar de uma criança e de uma pré-adolescente em casa. Essa separação forçada e os perigos da guerra irão intensificar a distância emocional entre eles. Por um lado, Jolene enfrenta os horrores da guerra, e, por outro, Michael luta com as novas responsabilidades e a ansiedade constante. Mas é a volta de Jolene que marca o início de uma nova batalha: a de superar os traumas da guerra e reconstruir a sua família.


Kristin Hannah explora temas como trauma, resiliência, amor e perdão, e, apesar dos temas pesados, a escrita de Hannah é cativante e fluida, com descrições vívidas e uma narrativa que prende a atenção do leitor do início ao fim.


Em resumo, "O Regresso" é uma leitura que não só entretém, mas também enriquece, oferecendo uma visão tocante e inspiradora sobre os desafios e a beleza da vida e do amor, e que mais uma vez confirma o poder de Kristin Hannah em contar histórias emocionantes.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Tantos livros, tão pouco tempo

20240530_152730.jpg


A frase "tantos livros, tão pouco tempo" sintetiza um sentimento comum entre os amantes da leitura: a constatação de que, apesar da infinidade de obras literárias disponíveis, o tempo para as explorar é limitado. Esta expressão reflete o desejo de descobrir novos mundos, aprender novas coisas e conhecer diferentes perspectivas através da literatura - mas também a frustração de que a vida é curta demais para ler tudo o que se deseja. Esse dilema é especialmente sentido durante eventos literários, como a Feira do Livro de Lisboa, um dos maiores e mais esperados eventos culturais da capital portuguesa.


Realizada anualmente no Parque Eduardo VII, a feira é um verdadeiro paraíso, onde encontramos uma vasta coleção de livros de todos os géneros e para todas as idades. A Feira do Livro de Lisboa não é apenas um local para a compra de livros; é um ponto de encontro para leitores, autores, editores, livreiros e todo o pessoal das redes sociais. Durante o evento, é comum encontrar escritores, participar de sessões de autógrafos, assistir a palestras e debates sobre os mais variados temas literários. Há também atividades para crianças, o que torna a feira um evento familiar que promove a leitura entre todas as gerações.  


Visitar a Feira do Livro de Lisboa uma vez por ano é, para mim, um hábito do qual não abdico. A atmosfera vibrante da feira, com as suas barracas coloridas e o aroma de livros novos misturado com o verde do parque e o perfume dos jacarandás, cria um ambiente inspirador e acolhedor muito propício a um passeio. 


E a cada edição, a feira traz novas editoras, lançamentos exclusivos e uma programação cultural diversificada. É, também, uma oportunidade para descobrir novos autores, reencontrar velhos favoritos e, claro, refletir sobre o dilema dos "tantos livros, tão pouco tempo".


Em suma, a frase "tantos livros, tão pouco tempo" reflete bem a sensação que tenho em relação à Feira do Livro de Lisboa, especialmente porque só consigo visitá-la uma vez por ano. A cada edição, sinto que há uma infinidade de livros à espera para serem descobertos, mas o tempo limitado da minha visita deixa a vontade de explorar muito mais. 


E vocês, sentem o mesmo ao visitar a Feira do Livro de Lisboa apenas uma vez por ano? 

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Caruncho, Layla Martínez

20240603_131306.jpg


"Caruncho", de Layla Martínez, é uma obra breve que deixa uma impressão profunda, pela sua representação crua e visceral da vida das suas protagonistas femininas. Narrado através das vozes de uma avó e da sua neta, o romance tece uma história de ressentimento e vingança, numa casa rural espanhola repleta de memórias dolorosas e presenças espectrais.


A casa onde a história se passa é mais do que um simples cenário – é um reflexo dos traumas e opressões vividos pelas mulheres que a habitam. As paredes parecem absorver e refletir as décadas de violência e sofrimento, criando um ambiente quase tangível de desespero e dor.



Morreram ambos de puro asco de puro desprezo de puro sangue ruim.


 



Martínez tem um talento notável para capturar e transmitir as emoções das suas protagonistas. A raiva e o ódio que permeiam a vida dessas mulheres são descritos de forma tão vívida que o leitor quase pode senti-los. A escrita é direta e poderosa, o que confere à narrativa uma intensidade incomum. Cada página aumenta a sensação de tensão e desespero, revelando como essas mulheres, apesar de suas diferenças e conflitos, precisam umas das outras para sobreviver.


O romance também é uma denúncia das injustiças sociais e da opressão de género. As experiências das protagonistas mostram de maneira crua e realista os efeitos devastadores do patriarcado e das estruturas sociais opressivas. A luta diária das mulheres por dignidade e sobrevivência num ambiente hostil e opressor é retratada com uma honestidade brutal que não deixará o leitor indiferente.


Além disso, "Caruncho" combina habilmente elementos de terror com um realismo implacável. As sombras e murmúrios que povoam a casa contribuem para uma atmosfera de constante inquietação, tornando a leitura ainda mais intensa.



Este monte de tijolos e sujidade faz sempre a mesma coisa, lança-se sobre qualquer pessoa que atravesse a porta e retorce-lhe as entranhas até a deixar sem fôlego.


 



 "Caruncho" é um romance carregado de emoções e uma crítica social incisiva, em que se celebra a força e a resiliência das mulheres, o que torna este livro numa leitura indispensável para quem busca uma história impactante e memorável, e para quem procura refletir sobre as profundezas mais sombrias do ser humano e as persistentes injustiças sociais.


 


*Oferta da editora 

terça-feira, 4 de junho de 2024

O TikTok na promoção da leitura

20240603_170742.jpg


A recente conversa entre Maria Francisca Gama e Elga Fontes sobre a influência do TikTok na promoção da leitura destacou um fenómeno atual: o aumento do interesse dos jovens pela leitura graças a esta plataforma.


Durante o debate, ambas as interlocutoras realçaram os aspetos positivos desta tendência, como a revitalização do hábito de ler entre os jovens e a criação de uma comunidade literária inovadora e criativa.


Entretanto, também foram mencionadas algumas críticas pertinentes. Por exemplo, o algoritmo do TikTok, ao sugerir os mesmos livros para todos, pode limitar a diversidade das leituras, resultando numa experiência literária homogénea.


Foi, ainda, debatida a questão dos triggers warning, questionando-se se esta prática não estaria a proteger em excesso os leitores, limitando, assim, o seu crescimento pessoal ao evitar temas desafiadores.


Em suma, a conversa foi enriquecedora e muito relevante, abordando tanto os benefícios quanto as preocupações emergentes deste fenómeno contemporâneo.


 

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Vislumbres de Ti, Alexandre Oliveira

 


20240523_170925.jpg


"Vislumbres de Ti", o primeiro romance de Alexandre Oliveira, transporta o leitor para um mundo de fantasia onde o mago Nasir se prepara para se casar com Helga. Nasir é o personagem central desta narrativa, que alterna entre o presente e o passado de forma inesperada.
Quanto à capa do livro, embora transmita uma aura mais técnica, infelizmente, não faz jus à narrativa, ou a um romance de fantasia, e poderia ser melhorada de forma a refletir o conteúdo da obra.
Um dos pontos altos do livro é a maneira como o autor explora as emoções de Nasir, como exemplificado nesta frase: "O desejo de mudar as circunstâncias era tão acre que o queimava por dentro e o feria por fora que os seus olhos humedeceram novamente apesar da calma no quarto."
Achei bastante intrigante nesta narrativa o Espelho de Alma, dado que acrescenta uma camada de mistério à trama. Este objeto mágico tem um papel significativo na história e na jornada emocional de Nasir.
Já os contornos deste universo fictício são, para mim, algo nebulosos, o que dificultou a imersão completa na história. Uma descrição mais detalhada do cenário, dos personagens e das hierarquias mágicas teria ajudado a criar uma ambientação mais clara e envolvente para o Urik e a Helga, assim como os restantes personagens (fiquei a saber pouco sobre eles, no entanto, já não penso o mesmo relativamente à mãe irritante de Nasir, Alana,).
Concluindo, o autor aborda temas emocionais como luto, amor e auto descoberta, criando um mundo onde a fantasia é ofuscada pelo mundo complexo das emoções. Cabe por isso ao leitor realizar uma análise dos estilhaços da alma, reconstruindo cuidadosamente as peças para compreender plenamente a profundidade emocional presente na obra.

quinta-feira, 23 de maio de 2024

Amor Estragado, Ana Bárbara Pedrosa

foto.jpg


A história começa com a apresentação de Manel, um homem com um vício que não só constrange e intimida, mas também mata. A narrativa retrata Manel como um personagem ultrajante, preso ao álcool e às suas frustrações, que acabam por levar à morte de sua esposa, Ema. 


Zé, o outro irmão, é uma personagem apática que, focado em seus próprios problemas, desvia o olhar para não se envolver com a violência doméstica que sabe que existe. Ele representa aqueles que quase negam a realidade perturbadora ao seu redor.


Este romance vicia, mesmo quando a tragédia inicia a narrativa, pois estamos à espera de entender o contexto e o que vem depois. 


Amor Estragado é um romance poderoso e perturbador sobre a falibilidade humana e a difícil jornada de lidar com a culpa e a perda, escrito de maneira a desarmar e prender o leitor do início ao fim.


Em duas palavras, apenas, é comovente e chocante.

E vocês, já leram ?

 

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Enquanto o fim não vem, Mafalda Santos

Captura de ecrã 2024-05-20 094952.png


Nesta história, a narrativa é intrigante e multifacetada pois vai além de uma simples investigação criminal.
O enredo desenrola-se à volta do inspetor Lobo, em que se tenta desvendar o mistério do assassinato de Laura, e de  Afonso Cordeiro, um escritor em crise.
A força deste livro reside na sua capacidade de subverter expectativas. A narrativa não se contenta em seguir uma linha reta; em vez disso, ela desvia-se constantemente, introduzindo novas revelações.
Mafalda Santos utiliza muitas reviravoltas e a verdade fica sempre quase, quase, acessível, mas enquanto o fim não vem não se descortina qual será. É um recurso muito interessante pois mantém o leitor envolvido e ansioso para chegar ao final.
Este livro não é apenas um mistério a ser resolvido, mas um quebra-cabeça emocional e psicológico que convida o leitor a questionar as motivações e a verdadeira natureza dos personagens.
A estrutura bem pensada e a narrativa fora da caixa proporcionam uma leitura fascinante e completamente imprevisível, fazendo com que o livro seja difícil de largar.
Numa palavra, Adorei!

sexta-feira, 17 de maio de 2024

As mulheres, Kristin Hannah

2024-05-17 092833.png


Este foi o meu livro favorito do mês de abril. Gosto imenso da escrita de Kristin Hannah e da forma como conta cada uma de suas histórias. 
Em "As Mulheres" de Kristin Hannah oferece uma perspetiva única e necessária sobre a Guerra do Vietname, destacando o papel muitas vezes negligenciado das mulheres na frente de batalha e as suas consequências.
Ao contrário das narrativas convencionais que se concentram principalmente nos soldados do sexo masculino, este livro mergulha profundamente na vida de Frankie McGrath, uma enfermeira de 20 anos que se junta ao Corpo de Enfermagem do Exército dos EUA.
Hannah não só nos leva através das experiências de Frankie durante a guerra, mas também nos mostra como ela lida com o desafio de voltar para casa depois de testemunhar o horror e a destruição do conflito.
A autora soube retratar bem a transformação de Frankie de uma jovem idealista numa profissional de enfermagem experiente, e finalmente numa veterana que terá de enfrentar o trauma do combate e as dificuldades de se reintegrar à sociedade.
Com uma escrita envolvente e uma personagem central memorável, este livro vai muito além de ser apenas um romance histórico; é uma poderosa reflexão sobre a força feminina, a camaradagem e a luta pela sobrevivência no meio do caos da guerra.

Adorei e recomendo a todos.

 Já leram?

segunda-feira, 13 de maio de 2024

O Rumor, Lesley Kara

2024-05-13.png


O Rumor" de Lesley Kara é um thriller psicológico que mergulha nas profundezas da pequena comunidade de Flinstead, onde um segredo enterrado há décadas ressurge.
Quando uma mãe solteira, Joanna, compartilha um boato inofensivo sobre uma nova vizinha, ela não imagina as consequências devastadoras que suas palavras terão.
O livro aborda temas como o poder das "fofocas", a natureza da verdade e a fragilidade das relações humanas.
Kara construiu uma atmosfera de suspense, mantendo o leitor preso enquanto se desenrola os segredos sombrios por trás da pacata cidade.
Embora possa não surpreender com reviravoltas inesperadas, "O Rumor" compensa com sua escrita habilidosa e personagens complexos, tornando-o uma leitura envolvente e emocionante para os fãs do género thriller.


quinta-feira, 9 de maio de 2024

O Clube de Leitura Antiguerra, Annie Lyons

12-04-2024.png


O Clube de Leitura Antiguerra" é uma emocionante saga ambientada durante a Segunda Guerra Mundial, no qual se destaca a importância da comunidade e da literatura em tempos difíceis. A história gira em torno de Gertie, uma viúva dona de uma livraria, que se vê envolvida na ajuda a crianças judias refugiadas. A relação entre Gertie e uma dessas crianças, Hedy, é construída através do amor pelos livros, culminando na formação de um clube de leitura que proporciona conforto e esperança durante os ataques aéreos alemães.
A narrativa ressalta a capacidade dos livros em unir pessoas e oferecer alívio mesmo nas circunstâncias mais adversas.
É, em suma, um livro maravilhoso que nos aquece o coração e sentir Esperança.


E vocês, já leram? 


MAS se quiserem ouvir uma conversa, sem spoilers, sobre este livro sobre livros, a sua história, o poder dos livros e o papel muito importante dos clubes de leitura, já me podem ouvir AQUI.


 


13.05.2024.png


 

sexta-feira, 26 de abril de 2024

A Sociedade Muito Secreta de Feiticeiras Invulgares, Sangu Mandanna

26-04-2024.png


Mika Moon aprendeu desde cedo a esconder a sua magia, tentando passar despercebida e manter-se afastada das outras feiticeiras.
Nesta história conseguimos perceber bem o conflito interno da protagonista que tem o desejo de se proteger a si mesma e as suas habilidades mágicas, mas, ao mesmo tempo, sente a responsabilidade de ajudar os outros.
Na Casa de Nenhures,  Mika irá encontrar três jovens feiticeiras e um enorme desafio pela frente. Ajudar não será uma tarefa fácil!. O bibliotecário, Jamie, vê Mika como uma ameaça e surge uma dinâmica interessante entre conflito interpessoal e um potencial romance. 
Com uma combinação de magia, mistério e dilemas, "A  Sociedade Muito Secreta de Feiticeiras Invulgares" é uma história fofinha, na qual podemos contar com mistério, traumas do passado, aceitação, dilemas, coragem, e tudo e tudo! No entanto, como o livro é direcionado ao público jovem adulto, a minha intuição diz que nem todos os leitores poderão ter a mesma reação, mas, numa análise final, terão de concordar que se trata de uma história leve e descontraída que promete e cumpre inteiramente o seu objetivo que se traduz na magia de nos desconectar da realidade.

E vocês, já leram? O que acharam?

quarta-feira, 24 de abril de 2024

Olá, Linda, Ann Napolitano

24-06-2024.png


"Olá, Linda" é uma obra simplesmente arrebatadora, que mergulha na profundidade das relações humanas, da família e do amor.
A autora soube explorar as mais diversas formas de amor e isso é evidente, especialmente ao retratar a jornada de William Waters, um personagem marcado pela tragédia e pela falta de afeto em sua infância.
A escrita brilhante desta história comovente eleva a narrativa a outro nível.
Ao conhecer Julia Padavano e sua família vibrante e acolhedora, William encontra não apenas amor, mas também um lar, onde cada momento é repleto de caos amoroso e apoio incondicional.No entanto, a escuridão do passado de William surge, colocando em risco não apenas os planos de futuro cuidadosamente elaborados por Julia, mas também a forte ligação entre as irmãs Padavano. O resultado é uma desavença familiar catastrófica que altera irreversivelmente as suas vidas.Mesmo diante dos desafios, a história ressalta a inabalável lealdade que une estes personagens, o que nos leva a reflexectir sobre a capacidade do amor de curar e unir, não apesar das imperfeições, mas por causa delas.
"Olá, Linda" é mais do que um romance; é uma jornada emocionante que nos faz repensar a importância de aceitar e amar incondicionalmente; é uma história que aborda temas profundos como família, ambição, irmandade, saúde mental e expectativas.

Adorei esta família em que os laços fortes  lembram as irmãs March de "Mulherzinhas"❤️

terça-feira, 23 de abril de 2024

Os esquecidos de domingo, Valérie Perrin

23-04-2024.png


Este foi o primeiro livro que a autora escreveu, mas só agora foi editado em Portugal (após o sucesso de "A Breve Vida das Flores" e de “Três”).
Em "Os Esquecidos de Domingo", Valérie Perrin veio demonstrar novamente a sua habilidade em explorar temas sensíveis e fortes, como a solidão, a amizade e a perda.
Justine, com 22 anos, é a jovem protagonista deste romance, que trabalha no lar de idosos “As hortências” na sua pequena aldeia. A história desenrola-se em paralelo com a vida de Hélène, uma centenária residente no lar, cujo sonho sempre foi aprender a ler.
À medida que se compartilham conversas e memórias, segredos do passado começam a surgir, levando Justine a questionar o destino dos seus pais e a reavaliar seu próprio caminho.
Apesar de ter adorado o livro “A Breve Vida das Flores”, encontrei aqui um desafio na estrutura da narrativa, que oscila entre diferentes períodos temporais e pontos de vista das personagens. Para mim, acabou por dificultar um pouco a imersão na história. 
Apesar disso, a sensibilidade de Perrin ao lidar com os temas sensíveis é inegável, e tirando a parte da estrutura, que até é do agrado de muitos, é um livro pequeno em que os esquecidos de Domingo no lar são lembrados, e que deixa uma mensagem importante quanto à importância dos idosos e as suas histórias de vida assim como à transmissão das mesmas às gerações vindouras.
Aliás, eu fiquei mesmo com vontade de andar por aí com um caderno azul a recolher histórias!

E vocês, já leram?

Dos três livros da autora, qual é que gostaram mais?

domingo, 14 de abril de 2024

A Guardiã dos Livros Escondidos, Madeline Martin

14-04-2024.png


O livro "A Guardiã dos Livros Escondidos" é uma história comovente que aborda os horrores da ocupação nazista em Varsóvia durante a Segunda Guerra Mundial.
A protagonista, Zofia, encontra conforto nos livros e na amizade com Janina, mas quando a guerra chega, ela percebe que também os livros precisam ser salvos. Junto com Janina, Zofia funda um clube de leitura clandestino, desafiando as proibições nazistas e preservando a cultura e a comunidade através da literatura.
A narrativa é fluída, impactante e comovente, e dei por mim por diversas vezes com uma lágrima no canto do olho.Por vezes revoltante, por vezes emocionante, o certo é que gostei imenso desta história pelo especial destaque aos movimentos de resistência dos judeus polacos contra a ocupação nazista, sendo que um dos mais conhecidos foi o Levante do Gueto de Varsóvia, em abril de 1943. Este levante é um símbolo de resistência e coragem durante o Holocausto e este livro deu-me a conhecer esse momento histórico, não descurando  os livros e a importância cultural em tempos tão sombrios.
 Gostei muito e recomendo.

terça-feira, 9 de abril de 2024

O comboio das Crianças, Viola Ardone

09-04-2024.png


Ao embarcar na leitura de "O Comboio das Crianças", esperava uma narrativa que mergulhasse fundo nos horrores da Segunda Guerra Mundial e nas experiências das crianças que a viveram. No entanto, fiquei decepcionada pela falta de dinamismo e pela ausência de um retrato mais profundo do contexto histórico. 
A história, embora ambientada no pós-guerra, pareceu-me demasiado parada, faltando-lhe o ímpeto que esperava encontrar. 
Além disso, a falta de referências diretas à guerra foi uma surpresa desanimadora. 
Enquanto esperava uma imersão nos eventos históricos, encontrei uma história mais centrada nas experiências individuais das crianças, o que não correspondeu às minhas expectativas.
Rconheço que outros leitores podem apreciar a abordagem mais intimista e focada nos personagens deste romance, mas não funcionou comigo. 

domingo, 7 de abril de 2024

O elevador, Filipa Fonseca Silva

07-04-2024.png


O livro "O Elevador" de Filipa Fonseca Silva é um romance que se desenrola numa única noite, quando um casal fica preso num elevador. Durante esse tempo, são confrontados com as questões e dilemas da sua relação.
A narrativa aborda temas como amor, comunicação e compromisso, proporcionando uma reflexão sobre o estado dos relacionamentos modernos.
A escrita é envolvente e as personagens bem desenvolvidas, permitindo ao leitor mergulhar na história e nas emoções dos dois protagonistas principais, a Sara e o Alex.


Assim, se esquecermos algumas irritações que eventualmente possam surgir, como aconteceu comigo relativamente à Sara, é um livro pequeno que se lê muito bem.


Gostei muito.


Agora só falta ver o filme.

quarta-feira, 27 de março de 2024

Não me esqueças, Alin Garin

27-03-2024.png


"Não Me Esqueças" é uma novela gráfica envolvente que cativa os leitores desde a primeira página até o seu emocionante desfecho. Escrito por um autor talentoso, este livro é uma jornada repleta de emoções, em que os personagens estão em etapas diferentes da vida.
A história acompanha a vida de Alice, uma jovem que enfrenta desafios e dilemas universais enquanto tenta encontrar o seu lugar no mundo e aborada temas como a solidão, a demência e a autodescoberta. A "solidão" pode ser vista como um elemento que afeta não apenas a avó, mas também outros personagens, como a neta e a filha/mãe. A "demência" da avó de Alice também desempenha um papel significativo na história, explorando os desafios emocionais e práticos associados ao cuidado de um ente querido que sofre dessa condição.  "Autodescoberta" serve para descrever Alice e a sua jornada emocional e de crescimento, bem como os elementos de identidade, amor, perda e redenção que permeiam a história.
Estes temas adicionam complexidade e profundidade à história em que se esperaria um final diferente.

Quem já leu? Gostaram?

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Corações de Papel, Fábio Ventura

29-02-2024.png


A premissa da história inicia-se com seis escritores que são escolhidos para ingressarem num programa residencial onde lhes é prometido sossego absoluto e todas as comodidades para assim escreverem um novo livro.
A criação de Ash Falls ( programa residencial para escritores) rapidamente se revela um desafio cheio de reviravoltas e jogos de sobrevivência.
Achei esta história viciante e emocionante desde a primeira página, com um enredo bem construído e personagens complexos, especialmente por serem escritores e pela possibilidade de ficarmos a saber os seus segredos.
Já os múltiplos plot twists mantêm a história intrigante até ao final. Foi por isso e porque gosto de um bom mistério e de suspense que não consegui parar de ler até terminar, mas, quando julguei que tudo estava nos seus devidos lugares, fui novamente surpreendida com o final.
Este thriller psicológico vale mesmo a pena ler.
Recomendo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

A Cicatriz, Maria Francisca Gama

26-02-2024.png


"A Cicatriz" narra a história de um casal que, durante uma viagem ao Rio de Janeiro, toma uma decisão aparentemente insignificante que desencadeia uma série de eventos devastadores.
Com base na sinopse sabemos à partida que o livro explora um tema profundo e emocional, mas nada nos prepara para a crueza dos acontecimentos e a sensação de um nó no estômago, palpáveis ao longo de toda a história.
O uso de um tom confessional na narrativa na primeira pessoa, absolutamente arrasadora, foi, para mim, assustadoramente real. E por esse motivo no final da leitura tive de reflectir durante algum tempo e reconfigurar as emoções sentidas durante a leitura.
Isto porque não considerei apenas como uma história, mas como uma experiência que, infelizmente, sabemos que e uma realidade no Brasil.
Parabenizo a autora pela intensidade da narrativa e agradeço pela extraordinária reflexão sobre a fragilidade da felicidade e em como uma pequena decisão pode mudar tudo.
Eu realmente gostei do livro e acho que também vão gostar. 


É real? Não é?!


Contem-me a vossa experiência pois gostaria imenso de saber se sentiram o mesmo.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

O Grande Armazém dos Sonhos, Miye Lee

21-02-2024.png


A escolha deste livro deve-se muito a ter "ingressado" no mundo dos K-dramas assim como na música coreana. Esse interesse levou-me a experimentar também a culinária do país, pelo que só faltava agora mergulhar nas páginas de um livro de uma autora sul-coreana para completar a minha imersão na cultura coreana.
Penso eu. Óbvio que gostaria imenso de visitar o país, mas isso é outra história. 
As expetativas que tinha do livro "O Grande Armazém dos Sonhos" eram muito elevadas.
Encontrei uma história encantadora de uma cidade misteriosa dentro do subconsciente humano, onde sonhos são vendidos para todos os gostos e os pagamentos são efectuados consoante as emoções dos clientes que os adquirem.
A autora apresenta um armazém extraordinário, onde cada andar é especializado em diferentes tipos de sonhos, desde pequenos prazeres da vida até aqueles que se destinam a ultrapassar traumas.
Penny é uma nova funcionária do armazém de DallerGurt, onde irá conhecer personagens inesquecíveis e descobrir o poder transformador dos sonhos.
Gostei bastante desta narrativa inspiradora e reconfortante, pois leva-nos a um mundo onírico misterioso em que os sonhos podem influenciar as vidas dos personagens e, por vezes, terem um Déjà-vu.É uma leitura aprazível, ideal para fazer uma pausa da realidade, e a história simples e bonita fez-me sonhar e reflectir.
Quem já leu? 

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Pele de Homem, Hubert e Zanzim

17-02-2024.png


Nós, as mulheres da nossa família, temos um grande segredo. Possuímos uma pele de homem. Chamamos-lhe Lorenzo. Uma vez vestida, ninguém duvidará de que és um rapaz.”


A obra "Pele de Homem", recentemente publicada pela editora A Seita, é uma obra que procura explorar questões de identidade de género e sexualidade, situada na Itália renascentista.
Na história, Bianca é uma jovem noiva destinada a um casamento arranjado, que descobre um segredo ancestral de sua família: a habilidade de transformar-se em homem através de uma "pele de homem".
A abordagem do autor, Hubert, parece tentar desafiar os estereótipos de género, mas na minha opinião contem clichés e simplificações.
No geral, "Pele de Homem" pode desapontar aqueles que esperam uma exploração mais profunda e significativa das questões de género e sexualidade.
Gostei das ilustrações e da premissa intrigante, no entanto, a execução da história e principalmente o seu final não me encheram as medidas.

Já leram? O que acharam?

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

Canibal, Masaaki Ninomiya (Vol.I)

 


14-02-2024.png



Este mangá foi uma recomendação do Hugo geek.over.booked quando estive no encontro de Inverno da saraentrepalavras e é praticamente a minha estreia no género. E não dei 5 ⭐️ por ser novata (confesso que tive alguma dificuldade em ler os quadradinhos pela ordem certa).
A história suscita o interesse desde o início e desenrola-se de forma inesperada uma vez que à partida sabemos que o canibalismo é o tema principal e não contamos com uma investigação. Eu não contava.
Daigo Agawa é polícia em Kuge, uma aldeia remota, para onde vai viver com a esposa e a filha pequena.
O tema central de que falei, a morte de uma idosa aldeã e o desaparecimento do anterior colega da polícia são os ingredientes que introduzem mistério q.b. nesta história.
Este é o volume I e agora preciso do próximo porque li rapidamente e não sei nem o que irá acontecer a seguir nem qual é o papel da família Goto.
Gostei muito, que venha já o próximo.


Ainda não saiu pois não?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

O livro dos homens sem luz, João Tordo

12-02-2024.png


"O Livro dos Homens Sem Luz" é uma coleção de quatro contos interligados, cada um sobre a vida de personagens que enfrentam a escuridão e o desespero.
No primeiro conto, "Diários de Londres", conhecemos David, um homem que perdeu a sua família num incêndio e é contratado para seguir pessoas e registar as suas vidas num diário.
Em "Soterrados" um casal é soterrado durante o ataque alemão em Londres enquanto lidam com os seus próprios traumas.
O terceiro conto, "Insónia", mergulha na mente de um estudante atormentado pela insónia e pelo seu vizinho.
Por fim, em "Brighton", descobrimos o desfecho da história do casal soterrado.
Os contos estão entrelaçados e os temas abordasod como a solidão, o medo e a transformação foram inspirados em escritores como Kafka, Paul Auster, Edgar Allan Poe e Melville.
Este não foi o primeiro livro que li de João Tordo, comecei por ler os mais recentes e este nada tem a ver com a sua actual escrita. E, embora não aprecie livros de contos, até gostei por ser diferente.



quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

O lugar das árvores tristes, Lénia Rufino

08-02-2024.png


Isabel vive numa pequena aldeia no Alentejo onde todos se conhecem e todos sabem da vida uns dos outros. O seu passatempo favorito consiste em passear pelo cemitério e tentar saber algo mais sobre as histórias das pessoas que já partiram. Porém, quando se depara com a campa de Eulália e faz perguntas a sua atenção desperta uma vez que é uma mulher que todos parecem não querer falar.
Esta é a premissa da história e o que me cativou desde o início foi a existência de um segredo familiar. A curiosidade e a estrutura da narrativa assim como a escrita da autora contribuiram para  que esta leitura fosse fácil e fluída. Gostei imenso disso.
Por outro lado, gostei, ainda,  da forma como a autora aborda questões relacionadas com a própria natureza humana, onde o lado mau e os podres da sociedade vêem ao de cima. Ou quase, porque a impunidade é o que sabemos hoje em dia.
Em relação às personagens foram bem desenvolvidas mas a riqueza desta história reside, na minha opinião, nas suas emoções, na injustiça que vivem e num mistério no passado.
Quanto ao final, tive a oportunidade de conhecer a autora recentemente e claro que quis saber se o final em aberto daria origem a um novo livro. Mas não.
Também fiquei a saber um detalhe que me passou despercebido e é claro que só contarei por mensagem se tiverem lido o livro primeiro.
No geral, é um livro tocante e inspirador  que se lê num ápice e que recomendo.
Já leram?

sábado, 27 de janeiro de 2024

Impostora, R. F. Kuang

27-01-2024.png


"Impostora" de RF Kang, ou yellow face, em inglês, é sobre o universo das editoras, expondo, ainda, as complexidades do comportamento dos autores diante da opinião pública, além de explorar temas como apropriação cultural, bullying e racismo.
A história gira em torno de Juniper Song que rouba o manuscrito de Athena Liu após a sua misteriosa morte e publica a obra como sendo sua.
A autora RF Kang soube explorar muito bem os dilemas éticos e as consequências, o que me fez reflectir sobre as escolhas dos personagens e sobre como este mundo editorial é complexo.
Ainda estou a digerir esta história, mas gostei da personagem principal e dos seus dilemas, apreciei os temas abordados e a narrativa intrigante em que não descortinamos o que vai acontecer a seguir. 
E agora quero saber: quem já leu? Gostaram?

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

A livraria dos gatos pretos, Piergiorgio Pulixi

 19-01-2024.png


A livraria dos gatos pretos foi o nome dado pelo dono, professor de matemática, por causa de Miss Marple e Poirot, o nome dos dois gatos pretos que resolveram instalar-se nesta livraria peculiar.
O livro começa de uma forma terrível com um assassinato que me deixou logo presa à história.
Achei a atmosfera intrigante e peculiar a investigação dos detetives amadores assim como o enigma em torno do assassino.
Esta história tem todos os ingredientes para proporcionar ótimos momentos a qualquer leitor.
Eu, como sou exigente, acho que algumas expectativas não se concretizaram . Esperava, isso sim, uma grande surpresa! Esquecendo essa parte do plot twist gigante, que não dispenso, na verdade é uma história interessante e intrigante.
Quem gosta de livros apreciará o charme singular da livraria e a curiosa equipe de detetives amadores.


Eu gostei e recomendo a experiência.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Previsões livrólicas para 2024

Em 2024 estou a terminar de ler A Prenda, de Cecília Ahern. Será que este ano me reserva uma surpresa, ou tornei-me numa slow reader?
Dúvida pertinente para a humanidade dos livrólicos.  


20231229_151314.jpg