quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway | Livro secreto # 4

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"O Velho e o Mar" foi escrito em 1951, em Cuba, mereceu o Prémio Nobel da Literatura no ano de 1954, e eis senão quando este livrinho chegou ao meu correio (não, não recebi de nenhuma editora e, sim, recebi do grupo do livro secreto. O meu eterno agradecimento).


Em "Paris é uma Festa" fiquei com a ideia de que seria um livro de memórias do próprio escritor e n´" O Velho e o Mar" julguei que se trataria de uma metáfora utilizada para descrever as dificuldades da vida bem como a resiliência imprescindível para as vivenciar e ultrapassar. Mas depois conto melhor o que se passou.


 


O personagem principal é um velho pescador cubano, chamado Santiago, que ficou sem conseguir pescar um peixe durante 3 meses. Santiago tem a ajuda e apoio do jovem Manolin. Já em mar alto, lembra-se constantemente do jovem, pois já é velho e sente que já não tem a força de antes. Quando finalmente apanha um peixe enorme, trava uma luta, com o peixe, durante 3 dias e 3 noites, acabando cercado por tubarões. Com dores e feridas nas mãos, com fome e sede, sente que vai morrer ali, mas aguenta todos os "golpes" para levar o grande peixe consigo.


Durante esse tempo, o velho Santiago dialoga consigo mesmo, com o mar, com as aves, com o peixe, e sente a falta do seu jovem amigo Manolim, o qual lhe devota um grande respeito e lhe alivia o sofrimento imposto pela idade.


 


É, portanto, num estilo simples que é narrada esta história, cheia de termos ligados à pesca e à vida em alto mar. A narrativa é sobre o velho e sobre a vida no mar e é, a meu ver, muito convicente, direi antes um retrato fiel de alguém com quem Hemingway constumava pescar o peixe Marlim azul, alguém que se chamava Gregório Fuentes e que morreu 40 anos depois do escritor.


Portanto, nada mais lógico do que associar a história à própria vida difícil dos pescadores, bem como de todos os que precisam de coragem para enfrentar e superar as dificuldades. 


 


Mas há quem entenda as palavras de outra forma, associando: Hemingway ao velho pescador, o peixe ao seu talento literário e os tubarões aos críticos do seu trabalho; ou, ainda, à fé e à religião.


O que é certo é que o próprio Hemingway negou a existência de qualquer simbolismo quando afirmou que: "O mar é o mar. O velho é um velho. Os tubarões são tubarões, nem melhores nem piores".


 


Em "Paris é uma Festa" descreveu a obra como uma fição e em  "O Velho e o Mar" refere que não há simbolismo nenhum? Acham que voltou a baralhar os leitores?


A minha interpretação é a de que não. Para o escritor não há simbolismo para a Vida, ela é, e sempre foi, exatamente assim, tal como na história.  



As aves têm uma vida mais dura que a nossa, à excepção das de rapina e das muito fortes. Porque há passaros tão delicados e finos como essas andorinhas quando o oceano pode ser tão cruel? É gentil e muito belo. Mas sabe ser tão cruel e sê-lo tão de súbito que tais pássaros que voam e mergulham à caça, com as suas vozinhas tristes, são demasiado delicados para o amor.



 


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O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway


Editado em 1952


Editora Livros do Brasil


 


 

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Vamos comprar um poeta, de Afonso Cruz

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Opinião: Penso que este livro poderá ser qualificado (e não quantificado) como um conto cujos elementos distópicos servem de crítica a uma sociedade que dá mais importância às questões económicas ou financeiras.


As próprias pessoas são números (nós somos números) e tudo pode ser quantificado incluindo o próprio amor.


 


A narrativa é feita na primeira pessoa e pelos olhos de uma menina, que vive com o pai, a mãe e o irmão, vamos conhecendo certos aspetos dessa sociedade sui generis em que são utilizadas expressões económicas como "contenção orçamental", "desvio colossal" , entre outras. A expressão que mais me intrigou foi "Por Mamon", e após pesquisa verifiquei que é um termo da Bíblia que é usado para descrever a riqueza material e a cobiça. Portanto, numa sociedade consumista e materialista, ao invés de se apelar a Deus, é óbvio que se tem de invocar "Mamon", divindade relacionada com o dinheiro.


 


A história é bem pequena e tudo começa quando a criança sugere que se compre um poeta (Um poeta e não artista, pois este suja mais!). O poeta ou vate é marreca e é o mais barato que existe na loja. A família leva-o para casa e, para não gastar mais dinheiro, instala-o debaixo das escadas (tal como o Harry Potter). É claro que o poeta não é esquisito e não estranha o acolhimento. Ao princípio ninguém o entende mas quando começam a perceber surgirão algumas mudanças na família.


Gostei muito desta história. Acho que há aqui uma espécie de dualismo entre o materialismo (representada por aquela família) e a parte espiritual (representada pelo poeta, pelo artista ou, em suma, pela cultura). Assim, podemos, de forma divertida, entrar em modo de pensamento crítico e associar à nossa sociedade atual a ideia de que devemos dar importância à cultura. 



A cultura não se gasta.Quanto mais se usa, mais se tem.



 



Um poeta é como quem sai do banho e passa a mão pelo espelho embaciado para descobrir o seu próprio rosto.



 


Sinopse: Numa sociedade imaginada, o materialismo controla todos os aspetos das vidas dos seus habitantes. Todas as pessoas têm números em vez de nomes, todos os alimentos são medidos com total exatidão e até os afetos são contabilizados ao grama. E, nesta sociedade, as famílias têm artistas em vez de animais de estimação.
A protagonista desta história escolheu ter um poeta e um poeta não sai caro nem suja muito – como acontece com os pintores ou os escultores – mas pode transformar muita coisa. A vida desta menina nunca mais será igual...
Uma história sobre a importância da Poesia, da Criatividade e da Cultura nas nossas vidas, celebrando a beleza das ideias e das ações desinteressadas.


 


 


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Vamos comprar um poeta, de Afonso Cruz


Editado em 2016 pela Caminho


ISBN- 078- 972-21-2799-8

terça-feira, 27 de junho de 2017

Línguas-de-gato | O amor está no ar #34

Olá. Estou de volta. Tenho feito muito desporto. Sofá, sala, cozinha e vice-versa. É um desafio e tanto, especialmente com tanto calor. Abanar a cauda não dá resultado. Já comprovei isso. Então, procuro sítios bem fresquinhos para me deitar todo esparramadinho. Que bem que sabe! (Que pena não poder despir o meu fato de pelo).


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Já a Pipoca, essa anda na sua vida apaixonada e irrita-me até aos pelos finais do bigode com tanta pergunta sobre o Amado gato da vizinha. Se pudesse, dava-lhe um banho de água fria. Não, não estou ser um mau gato, uma vez que era  só para refrescar (só que não). Mas se o pensei melhor o fiz. Miau.Humpf. Primeiro tinha de fazer a experiência. Abri a torneira e, com alguma dificuldade, as patinhas pequenas e felpudinhas deram um toque de gato genial e o banho que tomei deixou-me cheio de ideias frescas (pudera!).


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A Pipoca surpreendeu-me e saltou logo para a banheira. Disse-me que andava a observar as humanas com biquinis reduzidos. E disse ainda que as humanas na água da piscina são muito bonitas. Coitada, deduzir que molhar-se ia deixá-la com ar de boazona para o seu Amado. Pru Pru Pru (sim, sou eu a dar risadas).


A Dona chegou a tempo de a salvar e ficou admirada com o seu estado de magreza. 


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 Depois conto mais, pois estou a ser perseguido por uma gata enraivecida. 


Francamente...

quinta-feira, 22 de junho de 2017

A Livraria dos Finais Felizes, de Katarina Bivald

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Sara, a protagonista, é uma bibliófila, adora ler e trabalhou numa livraria na Suécia. Assim, quando a livraria fechou as portas, resolve visitar a Amy em Broken Wheel, uma pequena cidade norte-americana do Iowa. Amy e Sara tornaram-se amigas, à distância, através das cartas que foram trocando. Ambas adoram ler e trocar as suas experiências literárias. Porém, quando Sara chega a Broken Whell, Amy tinha acabado de sucumbir a uma doença grave e não a chega a conhecer. Mas Sara não desiste e resolve abrir uma livraria com os livros de Amy, despertando, aos poucos, nos moradores, o gosto pela leitura.


 


Este livro foi-me recomendado pela Magda e estava à minha espera (e eu à espera dele) e, quando lhe peguei, não consegui parar. Aliás, a frase "Há sempre uma pessoa para livro"confirma-se em cheio. Se, por um lado, as referências literárias multiplicam-se ao longo do livro de uma forma natural (e gigantesca, conforme lista de autores que a Roberta Frontini apontou e indica aqui), por outro lado, o leitor sente-se como se estivesse em Broken Whell, como se conhecesse os moradores e os livros de Amy.


 


A Livraria dos Finais Felizes é um daqueles livros em que temos uma protagonista jovem, normal, simples, e sempre "com o nariz enfiado nos livros", mas cuja simplicidade irá "revolucionar" a vida dos outros. E quando ela julga estar a ajudar os moradores e a retribuir a sua hospitalidade, percebemos que está, no fundo, a ajudar-se a si própria (ainda que ela não se aperceba disso). O mais interessante é que irá ter de passar por situações reais, o que a levará a compreender que aquelas pessoas, aqueles moradores de uma cidade pequena desinteressante, são muito importantes. Os livros "são melhores do que a realidade (...). Mais grandiosos, mais divertidos, mais bonitos, mais trágicos, mais românticos",  porém, em Broken Whell, Sara sentir-se-á em casa. E quem não estaria ao sentir-se rodeada de amigos "reais" e de uma livraria repleta dos fiéis livros?!


 


Numa última análise, considero que "A Livraria dos Finais Felizes" é uma ode aos que "respiram livros"  e que não passam sem eles, mas na qual a escritora utiliza, com habilidade, uma mensagem estratégia que leva a que os livrólicos concluam o seguinte: é preciso ler e é imprescindível viver... 


 



Os livros tinham constituído uma defesa, sim, mas não era só isso. Tinham protegido Sara do mundo à sua volta, mas também o tinham transformado num difuso pano de fundo para as verdadeiras aventuras existentes na sua vida.


 


Livros de capa mole e de capa dura tinham um cheiro diferente, mas também existiam disparidades entre as edições de bolso inglesas e suecas (...) Curiosamente, os manuais para o público adulto cheiravam ao mesmo que os livros escolares: o aroma familiar das salas de aula, ar viciado e desassossego.



 


Sinopse:Há sempre uma pessoa para cada livro e um livro para cada pessoa."A Livraria dos finais felizes é uma história comovente sobre o poder Se a vida fosse um romance, o da Sara certamente não seria um livro de aventuras. Em vinte e oito anos nunca saiu da Suécia e nenhum encontro do destino desarrumou a sua existência. Tímida e insegura, só se sente à vontade na companhia de um bom livro e os seus melhores amigos são as personagens criadas pela imaginação dos escritores, que a fazem viver sonhos, viagens e paixões. Mas tudo muda no dia em que recebe uma carta de uma pequena cidade perdida no meio do Iowa e com um nome estranho: Broken Wheel. A remetente é uma tal Amy, uma americana de 65 anos que lhe envia um livro. E assim começa entre as duas uma correspondência afetuosa e sincera. Depois de uma intensa troca de cartas e livros, Sara consegue juntar o dinheiro para atravessar o oceano e encontrar a sua queria amiga. No entanto, Amy não está à sua espera, o seu final, infelizmente, veio mais cedo do que o esperado. E enquanto os excêntricos habitantes, de quem Amy tanto lhe tinha falado, tomam conta da assustadora turista (a primeira na história de Broken Wheel), Sara decide retribuir a bondade iniciando-os no prazer da leitura. Porque rapidamente percebe que Broken Wheel precisa de um pouco de aventura, uma dose de auto-ajuda e, talvez, um pouco de romance. Em suma, esta é uma cidade que precisa de uma livraria. E Sara, que sempre preferiu os livros às pessoas, naquela aldeia de poucas gentes, mas de grande coração, encontrará amizade, amor e emoções para viver: e finalmente será a verdadeira protagonista da sua vida.


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A Livraria dos Finais Felizes, de Katarina Bivald


Editado em abril de 2016 pela Suma de Letras



ISBN: 978-989-665-070-4


 


 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Felicidade Roubada, de Augusto Cury

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Este é o segundo livro que li do Dr. Augusto Cury, pois adoro psicologia, especialmente quando explicada de uma forma leve e acessível, como é o caso. Além disso, tem um ingrediente especial, que aprecio muito, uma vez que a história é baseada em factos reais.


 


Se já não se recordam, lembro que se trata de de mais um livro do psiquiatra, psicoterapeuta e escritor Augusto Cury, em que se aborda, de forma romanceada, o tema do esgotamento e dos ataques de pânico e ansiedade.


 


O personagem principal é um neurocirurgião famoso e com uma brilhante carreira que se chama Dr. Alan de Alcântara. Ele é, ainda, muito exigente, profissional e diz tudo o que pensa. Porém, apesar de conhecer muito bem o cérebro, desconhece que que o seu também tem limites. Ele é acima de tudo um Workaholic e vive exclusivamente dedicado ao seu trabalho, negligenciado a filha e a mulher.


O Dr. Marco Polo aparece como psiquiatra do Dr.Alan, o que não esperava mesmo nada. Se quiserem podem ler a opinião sobre A Saga de Um Pensador (aqui), o qual continua a ser o meu preferido. 


 


O que gostei menos no livro Felicidade Roubada e não constatei no outro? Eu respondo, foram os diálogos, quase como os do Tomás de Noronha nos livros de José Rodrigues dos Santos, e a escrita no português do Brasil. Os livros do Dr. Augusto Cury tiveram um volume de vendas enorme no Brasil, mas, para mim, torna-se estranho frases como:



-Você cobra demasiado de si?-perguntou o psiquiatra.


-Muito. Todos os dias. Olho para o meu passado bem-sucedido e comparo-o com aquilo em que tornei. Isso fez brotar em mim um sentimento de vergonha e de raiva.


-Na verdade, provavelmente sempre cobrou de si próprio. E quem cobra demasiado de si próprio sabota a sua saúde emocional, aumenta os níveis de exigência para ser feliz- afirmou o doutor Marco Polo.



  


Sinopse:E se de repente você perdesse a capacidade de fazer aquilo que dá sentido à sua vida? E se fosse paralisado pelos seus medos? Alan de Alcântara é um neurocirurgião bem-sucedido, que dedica grande parte do seu tempo à medicina. Cético e pragmático, não reconhece qualquer sinal de fraqueza em si e tem dificuldade em lidar com pessoas lentas.A sua vida profissional suga toda a sua energia, e, apesar de amar a sua inteligente filha Lucila e a sua adorável esposa Cláudia, mal convive com elas. Pensa que o amor é algo incondicional e não precisa de ser cuidado... Durante uma cirurgia, no entanto, Alan é acometido por uma crise de pânico e não é capaz de terminar o procedimento, deixando a responsabilidade para o seu auxiliar. Alan convence-se de que está a sofrer um ataque cardíaco, e não admite o diagnóstico: transtorno psíquico. O seu mal-estar jamais poderia ter origem emocional, pensa; isso é para fracos. Alan verá as suas certezas desmoronarem-se perante a doença – que irá significar, em última instância, uma oportunidade rara de se reconstruir como ser  humano. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Boneca de luxo, de Truman Capote

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Boneca de Luxo é o título traduzido do romance de Truman Capote, o qual foi escrito em finais de 1950 e publicado em 1958. A história começa pelo fim e o narrador, que não revela o seu nome, começa a contar, quinze anos depois, o ano que passou na companhia de Holly Golightly. E foi no ano de 1943 que algo captou a atenção do narrador: a caixa de correio da vizinha e o cartão sugestivo na mesma "Em Viagem".


Holly, a vizinha, é jovem, bonita, loura e ambiciosa, gosta de grandes festas e de estar rodeada de homens influentes. 


Basicamente o tema central, neste pequeno livro, é o da amizade e da liberdade. Holly é livre. Holly busca a sua felicidade, a fama e o sucesso, de forma a ter sempre quem a sustente.Os amigos facilmente se apaixonam e "Fred", como é chamado por Holly uma vez que lhe lembra o irmão, é o escritor/narrador e vizinho de Holly.


Esta é uma das obras mais elogiadas de Truman Capot, mas, apesar de ter gostado da escrita e da leitura rápida, não me encheu as medidas. Ainda assim vou dar outra oportunidade com "Sangue Frio" (perceberam o trocadilho?).



A nossa casa é onde nos sentimos em casa. E eu ainda estou à procura. 


 



Sinopse:Holly Golighly é mais do que uma boneca de luxo. Deslumbrante, espirituosa e ternamente vulnerável, inquietando as vidas dos que com ela se cruzam, é retratada por Truman Capote em Breakfast at Tiffany’s (Boneca de Luxo), um romance tocante e singelo sobre a amizade, que constitui uma autêntica história de sedução.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A incrível e triste história de uma sombra

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A insurgente sombra grita, em desespero mudo, profundamente abalada pelos sonhos que trespassaram os seus olhos inexistentes. Deixa para trás a luz envolta em seda de papel. Mirra a vontade, aparentemente, nublada na conversa suscitada pela mulher, em pranto, mirrada na inércia dos seus sapatos pretos de verniz.


A insurgente sombra grita em desespero surdo e sai cá para fora a negra banalidade, o dualismo em duas versões:a dos sapatos pretos dos outros e a de quem escolhe a sombra pesadelo de viver-ignorar.


A insurgente sombra chora comovida.não entende a lógica.nem a vida.


 


 

domingo, 11 de junho de 2017

1.º aniversário | a música e os livros # 2

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12 meses e 1 dia depois... o blogue continua, o que vale por dizer  que a vida e o mundo não param de girar. Mas, como ainda estou em modo de comemoração, pensei fazer, esta semana, algo diferente. Estão curiosos? 


Estejam atentos durante a semana, pois está tudo agendado para não faltar nada durante oito dias. Toca a dançar com os vosso livros, okay?


Espero que gostem e que vos faça sorrir, pensar e ler. 


 

sábado, 10 de junho de 2017

1.º Aniversário | um bolo especial # 1

 


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Hoje é dia de aniversário ! Um ano depois, este blogue ainda está a dar os primeiros passos. Fico muito feliz por partilhar este momento e, para comemorar o evento, resolvi comprar um delicioso bolo na pastelaria Sabores d´Avenida (não sei se viram o programa da SIC em que ganhou o prémio da melhor pastelaria de Portugal).


 


Foi a primeira vez que entrei nesta pastelaria e foi difícil escolher um bolo. Tinha tudo um aspeto deliciosooo!!! O bolinho da foto saltou-me à vista, pois queria algo em tons de vermelho de forma a dar aqui um "cheirinho" ao dia de Portugal. 


 


Quando fui para pagar, a dona da pastelaria achou estranho eu comprar só um bolinho e lá tive de lhe explicar o porquê. Quando perguntou sobre o quer era o blogue respondi que era sobre livros e sobre tudo um pouco (aí fiquei com vontade de enfiar um saco na cabeça). Constrangida, paguei e fugi dali para fora antes que a senhora pensasse que eu queria o bolo de graça. Ai, no que eu me fui meter. Depois as formigas cá de casa não descansaram enquanto não provaram o bolo e o que me disseram foi algo como:


- Mãe, isto é muito bom e parece bolo à rico!  (Mas porque raio não comprei mais?! )


 


Mas adiante, gostaria de vos agradecer a paciência com que me aturaram ao longo deste ano e espero que continuem a acompanhar-me nesta aventura de livros e pensamentos.


Que venham mais aventuras e leituras!!!


 


Beijinhos.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Vida após Vida, de Kate Atkinson

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Há uns anos atrás, li o livro "Estranhas Emoções" desta autora e lembro-me de que gostei bastante. Resolvi arriscar e trouxe-o da Feira do Livro de Lisboa já o ano passado (admito que ainda tenho bastantes dessa colheita). A sinopse foi a culpada (claro), pois cativou-me logo, quer pelo tema, quer pela ideia de podermos vir a ter vários recomeços alternativos na mesma vida. 


Quando surge o Hitller na história, achei que estava a tornar, digamos, surreal (Pensei: Okay, eu gosto de coisas diferentes e não é isso que me fará desistir). Já os numerosos avanços, recuos e recomeços, são interessantes porque podem levar-nos a perspetivar as numerosas alternativas na vida de Úrsula (embora ela própria não saiba definir se são um déjà vu ou fruto da sua imaginação). É, sem dúvida, uma oportunidade de descobrir uma história completamente fora do normal e, tendo isso em perspetiva, no meu pensamento, a história até é credível se nos lembrarmos de que existem muitos "Se" na vida de uma pessoa. Geralmente, é o que pensamos quando poderiamos ter feito desta ou daquela maneira e se o fizessemos se poderiamos estar melhor (ou não).


A estrutura da história é original e, às vezes, estranha. Assim, quando aparece o Hitler, fiquei a pensar qual seria a mensagem que a escritora quereria fazer passar. Acham que é a ideia de que não podemos mudar o passado, mas que podemos mudar o futuro? Será? Contudo, sabemos que a nossa história é cíclica e ficamos com uma certeza:o Homem vai repetir sempre os mesmos erros.



O pequeno coração. Um coração indefeso a bater desesperadamente.Subitamente travado, como uma ave caída do céu. Um único tiro. Caiu a escuridão.


 


Sinopse:Em 1910, durante uma tempestade de neve em Inglaterra, um bebé nasce e morre sem que tenha tempo de respirar. Em 1910, durante uma tempestade de neve em Inglaterra, o mesmo bebé nasce e vive para poder contar a aventura. E se existissem segundas oportunidades? E terceiras? E se tivéssemos um número infinito de possibilidades para viver? «Vida após Vida, de Kate Atkinson, é um romance de absoluta beleza, e a sua estrutura é das mais originais e subtis que li em muitos anos. Um romance brilhante, afável e audacioso, cujo futuro, suspeito, inclui palavras como acessível e clássico. (...)» Ali Smith, The Observer «Best Books of 2013»

O meu nome é Lucy Barton, de Elisabeth Strout # 34

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Autora: Elisabeth Strout


Ano:2016

N.º de Páginas: 173

Editora: Alfaguara

 

SinopseLucy Barton está numa cama de hospital, a recuperar lentamente de uma cirurgia que deveria ter sido simples. As visitas do marido e das filhas são escassas e pouco aproveitadas por Lucy. A monotonia dos dias de hospital é quebrada pela inesperada visita da mãe, que fica cinco dias sentada à sua cabeceira. Mãe e filha já não se falavam há anos, tantos quantos os que Lucy passou sem visitar a casa onde cresceu e os que a mãe passou sem a visitar em Nova Iorque, nem sequer para conhecer as netas. Reunidas, as duas trocam novidades e cochichos sobre os vizinhos de infância de Lucy, mas por baixo da superfícies plácida da conversa de circunstância pulsam a tensão e a carência que marcaram a vida de Lucy: a infância de pobreza e privação no Illinois, a vontade de ser escritora e a desconfortável sensação de não pertencer a lado nenhum, a fuga para Nova Iorque e a desintegração silenciosa do casamento, apesar da presença luminosa das filhas. Com um passado que ainda a atormenta e o presente em risco iminente de implosão, Lucy Barton tem de focar para ver mais longe e para voltar a pôr-se de pé. Mais do que uma história de mãe e filha, este é um romance sobre as distâncias por vezes insuperáveis entre pessoas que deveriam estar próximas, sobre o peso dos não-ditos no seio das relações mais íntimas e sobre a solidão que todos sentimos alguma vez na vida. A entrelaçar esta narrativa está a voz da própria Lucy: tão observadora, sábia e profundamente humana como a da escritora que lhe dá forma.




 




Opinião : Este livro foi-me oferecido pela Marta como prenda de aniversário. Fiquei em pulgas e muito feliz. Quem é que não gosta de receber um livro? A justificação para esta oferta foi a de que se tratava de uma história da relação entre uma mãe e a filha, o que, quando se tem uma filha adolescente, é relativamente conturbada. Mas quando comecei a ler, verifiquei que a relação de Lucy com a mãe é algo diferente. Não trata da adolescência, mas da filha já adulta e da mãe que não vê desde o seu casamento. No entanto, ela volta a estar com ela ali no hospital, muitos anos depois . É uma conversa entre as duas mas ambas escondem os sentimentos e os pensamentos. Ainda assim, a Lucy fica contente só de poder conversar com a mãe, mesmo sobre pessoas que não voltou a ver. E, nestas conversas, achei muito divertido os nomes que elas colocam nas enfermeiras, tais como a Tosta (magrinha e de seco trato), a Dor de Dentes (sempre desolada) e a Criança Séria (uma índia que ambas gostaram).


Lucy ora conversa com a mãe, ora pensa no seu casamento, nas filhas, e depois volta às memórias do passado, do tempo em que tinha 5 anos e ficava trancada na carrinha, para os pais irem trabalhar e os irmãos estudar. Nesta parte, não sei se compreendi bem ou se a Lucy terá imaginado, há um grande trauma e um segredo que ela não ousa revelar. 


Este livro prende. É preciso ler com calma, pois a escrita é simples mas os avanços e recuos na história podem prejudicar a compreensão das memórias de Lucy, umas reais, outras não sabemos se imaginárias, mas que são reveladores de um sofrimento que admite ter sido necessário para se tornar no que é.


 



Mas quando vejo outras pessoas andarem com autoconfiança pela rua, como se estivessem completamente livres de terror, percebo que não sei como são os outros. Uma grande parte da vida parece especulação (pág. 17).



 


 

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Adoro desafios e Mistérios # 6

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 Aproxima-se o dia 10 de junho altura em que o blogue O Livro Pensamento comemora um ano. Para mim é um dia muito especial e não posso deixar de expressar um certo sentimento de que cumpri o destino (espero). Sem dúvida que me desafiei ao máximo, embora sem certezas. A incerteza esmagou e doeu bastante (nem sequer sabia se aguentaria muito tempo o frenesim cibernético), mas custou mais a depressão e a falta de tempo. Aos poucos e poucos, fomentando os pensamentos positivos e divertidos, busquei vídeos e palavras inspiradoras. Já a tristeza, essa teimou em forrar a alma de angústia. É mesmo teimosa!!! Então surgiram palavras confusas e de delicada compreensão em brainstorm. O efeito positivo que a leitura me transmitiu, ao ler o que os outros escrevem, venceu a tristeza através do preenchimento de um vazio de incompreensão. Apesar de ainda não saber o futuro, acredito que vou sempre fazer mais e melhores leituras. A terapia dos livros, para cada momento em particular, permite muitas horas de alegria, de viagem e de mudança. Sei agora que conhecer os mistérios que cercam um escritor, as suas palavras, os seus estilos de escrita e os seus pensamentos, é algo difícil mas não impossível.


Felizmente o espírito aventureiro e misterioso dos livros de Agatha Christie fizeram com que saísse da minha zona de conforto e da rotina do dia-a-dia.Conheci bloggers. Discuti livros com o grupo da Roberta em Conversas Livráticas. Comentei o Pesadelo com a Magda. Arrisquei Livros Secretos com a Maria João.  E conheci escritores, como Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz, Ondjaki, Nuno Camarneiro, Gonçalo M. Tavares e Augusto Cury.


domingo, 4 de junho de 2017

Apresentação do livro «O Homem mais inteligente da História» com Augusto Cury

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A saga de um pensador, de Augusto Cury

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Opinião: Do início ao fim, embarcamos numa viagem de descoberta ao mundo interior sem esquecer a existência do Outro. Portanto, tendo presente que quer a psicologia quer a filosofia são "instrumentos" que ajudam a ultrapassar certos problemas de saúde mental, descobrimos que o mais importante é saber aprender a gerir as emoções. Curiosamente, já tinha ouvido falar de inteligência emocional, mas, para mim, a gestão de emoções é mais intuitiva e fácil de entender. Ouso ainda afirmar que este é o primeiro romance psíquico que li, porque estamos perante uma história romanceada que nos leva a refletir sobre o funcionamento da mente e a construção do pensamento.


Assim, durante a leitura, devemos manter a mente aberta às ideias que, aos poucos, nos vão sendo transmitidas através da história de Marco Polo, um jovem estudante de medicina, e de "Falcão", um filósofo sem-abrigo. Os seus caminhos cruzam-se quando Marco Polo resolve descobrir a história dos corpos anónimos na sala de anatomia e as conversas entre os dois levantam uma série de questões profundas.


Um livro fascinante cuja premissa é fazer-nos refletir um pouco sobre o que nos torna verdadeiramente ricos...A capacidade de encontrar essa riqueza parte de cada um, mas está esquecida. Vivemos para o trabalho e num mundo consumista, materialista, de hipocrisia, e sem tempo para nada. Vivemos à espera de uma fagulha de felicidade que rapidamente se apaga. Vivemos de "migalhas de felicidade".


O princípio da corresponsabilidade inevitável, fez-me recordar o filme "Favores em cadeia", pois cada ser humano influencia outro e outro e outro...



A maior aventura de um ser humano é viajar, e a maior viagem que alguém pode empreender é para dentro de si mesmo. E o modo mais emocionante de a realizar é lendo um livro, mas é pouco útil para quem não souber ler nas entrelinhas e descobrir o que as palavras não disseram: no fundo, o leitor é o autor da sua história...


 


As sociedades modernas vivem tempos insanos. A serenidade é um artigo de luxo. 



Sinopse: Neste romance, o Dr. Cury narra a história de Marco Polo, um jovem apaixonado pela vida, que se torna um grande pensador. Em pleno século XXI, este jovem protagoniza uma aventura tão assinalável como a do veneziano Marco Polo do século XIII. 


A história comeca no ambiente dramático da sala de Anatomia. Cheios de expectativa e tensão, os caloiros da Faculdade de Medicina ficam chocados ao encontrar o triste espectáculo de corpos sem identificação estendidos no mármore branco. Marco Polo, audacioso, quer desde logo saber a identidade deles, as histórias que teriam para contar... É ao tentar descobrir algo mais sobre esses seres anónimos que Marco Polo conhece Falcão, um filósofo sem-abrigo, um «indigente inteligente», que viveu com eles e o leva a conhecer o mundo de sonhos frustrados, futuros desfeitos e esperanças vãs de quem perdeu tudo. O jovem sonhador e o velho pensador vão, passo a passo, combatendo o preconceito contra as doenças mentais. Criticam a poderosa indústria de antidepressivos e tranquilizantes e levam-nos a encontrar um tesouro escondido nos escombros de todas as pessoas que sofrem.
Marco Polo é um estudante de Medicina, um espírito livre cheio de sonhos e expectativas. Ao entrar para a faculdade, é confrontado com uma dura realidade: a da insensibilidade e frieza dos seus professores, que não percebem que cada paciente é, mais do que um conjunto de sintomas, um ser humano com uma história complexa e única de perdas e desilusões.