sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O Tatuador de Auschwitz, de Heather Morris

20210122_093529.jpg


O tatuador de Auschwitz é baseado numa história verídica e decorre entre 1942 e 1945. Lale Solokov tem de tatuar os prisioneiros que chegam ao campo de concentração que são marcados para sobreviver e apaixona-se por Gita quando faz a tatuagem no seu braço.


Este romance é de certa forma comovente e, ao mesmo tempo, arrepiante pelas várias descrições aos horrores cometidos contra seres humanos.


Por mais livros que se escrevam sobre esta fase negra da história, fico sempre com a sensação de incredulidade e de espanto perante a capacidade de sobrevivência do ser humano.


Gostei de ler este testemunho em forma de romance.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

A Balada do Medo, de Norberto Morais

IMG_20210119_142755_481.jpgTerminei de ler este livro há alguns dias. É o segundo livro que leio deste autor e acho que agora possa afirmar com convicção de que estamos perante um grande autor e um grande contador de histórias. Foi uma aventura e tanto, uma vez que Cornélio Santos Dias de Pentecostes, caixeiro-viajante, no dia em que regressa a casa, cinco meses e meio depois de ter partido pela última vez, é confrontado com o anúncio da sua morte. Tem apenas dez dias de vida se não entregar 10 mil cádos por dia ao misterioso homem de fato negro. Durante uma semana e meia, o caixeiro-viajante de Santa Cruz dos Mártires mergulhará numa espiral de desespero, percorrendo os caminhos mais sinuosos de si e do seu passado à procura de motivos e da salvação. Será que ele vai conseguir iludir a morte?
Um livro que recomendo vivamente.

quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Olive Kitteridge, de Elizabeth Strout

IMG_2911.JPG


Sinopse: aqui


Opinião: Este é o segundo livro que leio da mesma autora de “Meu nome é Lucy Barton”e, tendo em conta que venceu o Pulitzer de ficção em 2009 e que foi adaptado a uma minissérie da HBO, encontrei razões fortíssimas para sentir logo curiosidade.


A prosa, que tão bem caracteriza Elizabeth Strout, é por vezes poética e por vezes crua, porém, neste livro, ela optou por escrever não uma mas 13 histórias, independentes, estruturalmente aproximadas ao género de contos, cuja única ligação é Olive Kitteridge, uma professora de matemática reformada. Portanto, o título do livro refere-se à personagem principal (Olive), embora, na minha humilde opinião,  Henry, o marido de Olive, farmacêutico simpático, merecesse ter um papel de maior destaque. 


Na pequena vila de Crosby, no litoral do Maine, todos se conhecem e os dramas surgem como  histórias isoladas, as quais fazem parte das vivências da comunidade. Este é um dos motivos para,  inicialmente, pensar que se trata de um romance que aparenta ser um conjunto de contos sobre pequenos dramas dos habitantes de uma pequena vila e, sobretudo, sobre a antipática Olive. Contudo, sabemos bem que as aparências enganam, cabendo ao leitor tirar as suas próprias conclusões, conforme explicarei de seguida.


Para mim, a subtileza neste livro está, portanto, na forma como a autora transfere para o leitor um certo ónus ao nível da leitura, dependendo muito de quem lê e da forma como o faz, ou da escolha entre ler o livro todo de seguida ou ir saboreando a leitura, ou até ao nível das simpatias e antipatias para com os personagens. Eu, por exemplo, terei sempre o Henry na memória enquanto Olive é apenas uma lembrança espartilhada pelas histórias de outros personagens.


Este livro é uma espécie de desafio lançado ao leitor, pois ele terá de tentar descobrir os detalhes e as mudanças desta personagem (Olive) que, quer se goste ou não, prima pela singularidade da imperfeição inerente ao ser humano. 


E vocês, já leram?


 


Classificação: 4/5*


 


 


Oferecido pela editora para opinião

terça-feira, 13 de outubro de 2020

O Anjo de Munique, de Fabiano Massimi

anjo.JPG


Sinopse:aqui.


Opinião: A morte da sobrinha de Hitler, Angela Raubal, é até hoje um mistério. Os rumores diziam que foi a grande paixão da vida de Hitler, que este controlava a sua vida e que possuía um fanatismo ao ponto de lhe proibir qualquer tipo de amizade ou independência própria. Será que isto possui algum fundo de verdade?


Fabiano Massimi, editor e escritor, tem uma teoria, agarra na história, investiga, e dá uma resposta neste livro, misturando a realidade e a ficção de uma forma totalmente verosímil.


Tudo se inicia em Munique, em setembro de 1931, a poucas semanas das eleições que trarão poder aos nazis. Sigrifried Saue, comissário da polícia, é chamado à moradia do número 16 da Prinzregentenplatz, onde supostamente Geli, de 22 anos, se suicidou. Ao lado do seu corpo um revólver pertencente ao seu tio Adolf Hitler. Pequenos pormenores como este, bem como a posição do corpo e o quarto imaculado, levam a que Saue sinta que algo não bate certo naquele cenário. E essa sensação agudiza-se mais ainda quando, passadas escassas horas, mandam encerrar a investigação, o corpo é cremado e o relatório médico desaparece.  Será que alguém tenta impedir que se descubra quem matou Geli?


A procura de respostas levam o leitor a partilhar suspeitas e a participar na investigação perigosa protagonizada por Saue e o seu colega Mutti. Sente-se a adrenalina e, sobretudo, um enorme desejo de descobrir o verdadeiro culpado quando a tese de homicídio começa a ganhar força.


O cenário da morte de Geli e de outros personagens, as cartas assinadas com a letra H, as testemunhas manipuladas, as provas que desaparecem e as ameaças de morte, conferem a esta história todos os ingredientes necessários para uma leitura compulsiva, emocionante e intrigante.


Um thriller é sempre um thriller, mas uns são mais do que outros e, neste caso, a investigação e a imaginação do autor superou a História. Uma estreia que aconselho sem sombra de dúvida. 


 


Classificação: 5/5


 


Oferta da editora para opinião

sexta-feira, 31 de julho de 2020

O enigma do quarto 622, de Joël Dicker

joel.jpg


SINOPSE: aqui.


OPINIÃO: Este é um dos escritores que acompanhei desde o início e que me conquistou logo pela dose certa de mistério e de crime à mistura. É que são só as minhas estórias preferidas e acredito que, com o tempo, ele irá destronar a própria Agatha Christie. Tenho fé.


«O enigma do quarto 622» é o quinto livro de Joël Dicker e, tal como nos anteriores romances, o autor agarra-nos desde a primeira página. Bem sei que são 610 páginas, mas acreditem que não se sentem a passar (ou a folhear) até porque queremos descobrir quem foi o assassino e o que se passou no quarto 622 do luxuoso hotel nos Alpes suíços (Palace de Verbier). E é o próprio escritor, Joël Dicker, que, quinze anos depois, para fugir a um desgosto amoroso e para fazer o luto do seu estimado editor, irá então iniciar a investigação, tendo por companhia, e principal colaboradora, uma cliente do hotel, hospedada no quarto ao lado do seu, chamada Scarlett Leonas.


Nesta estória, nada é o que parece e as inúmeras personagens, incluindo o próprio autor, levaram-me a questionar tudo e a ficar sempre de pé atrás, e só quase no final é que desconfiei quem poderia ser o suspeito número um. E quase acertei! 


Já o autor, enquanto personagem, não achei que tivesse, aqui, um especial impacto, dado andar quase sempre a «reboque» da Scarlet. Aliás, como fã, sou suspeita, pois gostaria que tivesse desenvolvido essa parte de outra forma.


Achei ainda curioso que, enquanto personagem, recordasse de Bernard de Fallois, o seu editor, e que se lembrasse  do nome do seu livro preferido [E tudo o Vento Levou],  mas creio que se percebe que a  intenção é tão só de lhe prestar uma homenagem, dado que:«Era uma inspiração para a vida, uma estrela na Noite».


N´O enigma do quarto 622, o leitor é apanhado de surpresa, porque «O mais importante (...), não é como a (...) história acaba, mas o modo como enchemos as páginas até lá. Porque a vida, como um romance, deve ser uma aventura. E as aventuras são as férias da vida».


Um livro fantástico que recomendo vivamente. 


 


CLASSIFICAÇÃO: 5/5*


 


Oferta da editora para opinião