terça-feira, 28 de agosto de 2018

A morte de Ivan Ilitch, de Lev Tolstoi

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Sinopse: Aclamada como uma das maiores obras-primas sobre a temática da morte, esta é a história de Ivan Iliitch, um juiz respeitado que, apercebendo-se da morte próxima, se interroga sobre as suas escolhas, percurso de vida e a mentira em que vive.


 


Opinião: Este livro foi publicado em 1886 e é sobre a morte (e vida) de Ivan Ilitch, um juiz obcecado com o seu trabalho e com a posse de bens materiais [mais concretamente, com uma decoração opulenta da casa]. Parece redutor dizer isto, mas Tolstói soube, através desta história exemplar, demonstrar o que é uma vida de aparências. Nem tudo o que parece é, não é verdade?



E como não tudo é o que parece, o funeral de Ivan Ilitch é o reflexo disso mesmo, uma vez que há quem vá ao funeral e pense apenas no momento em que irá terminar para poder jogar às cartas.


Poderá parecer-vos ainda mais estranho o que vou referir de seguida, mas esta situação fez-me lembrar uma realidade bem próxima. Não sei se já presenciaram, mas nas aldeias há quem vá um funeral só porque fica bem ou porque é melhor ir ver se os familiares do morto estão todos presentes e vestidos de negro da cabeça aos pés ou se os mesmos choram o suficiente. Outros, ficam na rua a conversar e a contar episódios do passado como se estivessem num café.


É triste verificar a falta de consciência e da importância de certos valores na sociedade em pleno século XXI, mas esta é a realidade em muitas localidades deste país pequeno tal como as pessoas que nele vivem (algumas pessoas, claro!).


 


Retomando a história de Ivan Ilitch, ele obtém o sucesso profissional, mas sabemos o que isso acarreta. Os workaholics vivem para o trabalho, mas sofrem com a solidão, certo? Ou nunca pensaram na atualidade desta história? Eu acho que o ser humano continua igual ou até pior.


 


"O médico dizia que os sofrimentos físicos de Ivan Ilitch eram terríveis, e falava verdade; mas os seus sofrimentos morais eram ainda mais horríveis do que as suas dores físicas, e eram eles que sobretudo o torturavam."


 


Este livro é pequeno, mas ao mesmo tempo contem uma grande história e uma grande lição de vida, uma vez que devemos ter sempre presente que a vida deve ser vivida ao máximo e que a ambição e a vaidade não nos levam a lado nenhum.


 


Um livro que recomento e que todos devem ler e reler.


 


 CLASSIFICAÇÃO:


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P.S. Se não concordarem com algo que tenha dito neste texto, podem comentar à vontade, pois a partilha de opiniões é muito importante para mim.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Os livros do final da tua vida, de Will Schwalble

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Sinopse: Forçados por uma trágica circunstância, Will Schwalbe e a mãe ficam longas horas em salas de espera de hospitais. Para passar o tempo, decidem falar dos livros que estão a ler. Através das suas leituras, percebemos o quanto os livros são reconfortantes, surpreendentes e maravilhosos.


 


Opinião: Adoro falar sobre livros, sobre leituras e trocar impressões sobre tudo o que aprendemos com eles (e ainda sobre a vida). Acho que andei demasiado tempo a adiar a leitura deste livro por considerar que se tratava de um tema pesado, porém, não poderia estar mais enganada dado que Mary Anne é uma pessoa única e corajosa.


Will Swalble é editor de livros e partilha com a mãe a paixão pela leitura. A partir do momento em que a mãe, Mary Anne tem de fazer tratamentos no hospital, uma vez que o cancro no pâncreas se generalizou, eles formam um clube de leitura muito especial e trocam livros que vão lendo.


 


 “Ler não é o oposto de fazer, é o oposto de morrer”.


 


Mary Ann começava sempre um livro pelo fim, espreitando o seu final, porque para ela o que interessa é aproveitar o pouco tempo que lhe resta. Já o filho, que nem sempre concorda com as interpretações e gostos da mãe, tenta acompanhar e perceber melhor os seus pontos de vista. É ainda uma forma de a acompanhar nesta fase difícil e de conseguir falar de temas sensíveis como a morte, sempre através das leituras que fazem.


Este livro é sobretudo uma homenagem à memória da mãe, a essa mulher solidária, bondosa e sempre preocupada com os outros (e nem a doença a faz desistir de angariar fundos para a construção de uma biblioteca no Afeganistão).


 


Uma ode à vida vivida com sabedoria, à leitura, aos livros e aos laços que se criam pela troca de ideias e pensamentos.


 


 “Os livros são as ferramentas mais poderosas do arsenal humano, que ler todo o tipo e livros seja em formato for- eletrónico, impresso ou audiolivro- é a melhor forma de entretenimento, bem como a maneira de tomarmos parte da conversa da humanidade”.


 


 


 


 


CLASSIFICAÇÃO:


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segunda-feira, 23 de julho de 2018

Uma conclusão óbvia (ou talvez não) #4

Existe um livro com o título de Histórias de Ler e Comer (que nunca ouvi falar e que encontrei por acaso numa pesquisa no google) que poderá servir de mote (o título, claro) para o post de hoje.


  


À partida ler é uma atividade solitária, certo? No meu caso nem sempre, mas também. É que eu gosto mesmo de estar acompanhada de um petisco (sobretudo batatas fritas, shame on me), tais como pipocas, uma peça de fruta, um café ou um chá, dependo essa escolha da altura do ano.


 


Portanto, estava eu a dizer, que o tema são as histórias enquanto estamos a ler e a comer, e aposto que a vossa mãe, marido ou filho já vos chamou a atenção quando estão a ler durante o almoço ou ao jantar. 


Esta atitude, além de ser encarada como falta educação, poderá não ser a melhor, numa altura em que temos de focar a nossa atenção no alimento. Pois. Não vou comentar. 


 


O entretenimento que o livro nos proporciona é importante, porém, a conclusão que se retira -depois de uma pesquisa aturada e fundamentada na necessidade de escrever algo para o blog - é a de que os livros ficam com uma história para contar.


  


É muito fácil imaginar o que diriam os meus livros:


 


1- O d´Os Cinco -«Esta areia resulta daquela ida à praia quando tinhas 8 anos e uma folha ficou dobrada quando saiste para ir ao banho»;


2- Os de Agatha Christie- «Lembras-te que a investigação te deu nervos e que comeste um pêssego que manchou a folha em que ainda não sabias quem era culpado?»;


3-O d´ Amor em Tempos de Cólera-«Já te deves ter esquecido da dedicatória, que deverias considera-me o teu mais precioso tesouro, mas aos 15 anos resolveste deixar-me uma nódoa de chocolate».


 


Poderia continuar a contar todas as marcas que foram sendo deixadas nos meus livros, pois a mesmas são uma forma de arqueologia que me recorda esses momentos, as aventuras, as férias e os divertimentos.


 


Se gostarem dos livros direitinhos e bonitinhos na estante, esqueçam o que disse, mas não deixem de refletir sobre o seguinte:


 


"Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece como o corpo que não come" (Victor Hugo).


 


Então, não é óbvia a conclusão de hoje?


 


Não? Pois, para mim, é óbvio que vou continuar a ler e a comer (ahahah).


 



 


 

segunda-feira, 16 de julho de 2018

O alienista, de Machado de Assis

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Opinião: Este livro foi mencionado pela Maria do Rosário no Clube de Leitura Conversas Livrásticas. O tema, se a memória não me falha, era saúde mental. Achei o máximo a descrição da história e fiquei muito curiosa quando a certa altura ouvi que os loucos estavam todos no manicómio. A este propósito, lembro-me da minha professora de filosofia quando lançava a pergunta: Quem são os loucos? Serão todos os outros, aqueles que vivem no manicómio, ou os que ficam de fora?


 


Entretanto, numa ida à biblioteca, trouxe este livrinho que me fez recordar essas aulas de filosofia e uma constante necessidade de questionar o mundo em redor. Por vezes esqueço-me de o fazer. Outras, ouso  refletir bem sobre o que estou a ver ou a ler. Acho que é preciso usar os olhos da alma e não os nossos sentidos, uma vez que estes não conseguem apreender essa dimensão reflexiva.



Resumindo um pouco a história, o Dr. Simão Bacamarte, médico psiquiatra ou alienista, depois de andar pela Europa vai para a cidade de Itaguí, no Brasil, onde acaba por se casar com uma viúva, que não era bonita, mas que lhe poderia vir a dar os filhos que desejava. Algum tempo depois, constroi um manicómio ou asilo na cidade. Chamou-lhe Casa Verde. A obsessão pelo trabalho é tão grande que aos seus olhos todos evidenciam sinais perante os quais o médico resolve internar um a um. Todos os  que se vão cruzando o caminho são objeto de um teste para comprovar a sua teoria (completamente aleatória).


 


"A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a suspeitar que é um continente". 


 


Este conto é uma forma muito "lúdica" de abordar um tema sensível: a forma como os médicos analisam os distúrbios psicológicos através das atitudes e comportamentos das pessoas.


 


"Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:
- Suponho o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e insânia".


 


 


Por outro lado, é utilizada uma dose de ironia na crítica a pessoas oportunistas, com o botânico Crispim Soares, bem como aos próprios políticos, com o barbeiro Porfírio. Numa sociedade de loucos, os poucos que se governam são os que têm interesses próprios (e nem esses serão poupados).


 


O primeiro contato que tive com o escritor foi com o livro D. Casmurro, uma leitura que partilhei convosco aqui. Tive uma boa impressão do autor e firmei a convição de que os seus livros não devem ser lidos "aos bocadinhos".Acho que desta feita aprendi bem a lição, pois li O alienista de uma assentada.


 


Um livro para ler e pensar. Uma alegoria ao ser humano e, sobretudo, ao que ele acredita ser a realidade.


 


CLASSIFICAÇÃO:


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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Dez coisas para fazer este Verão

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Esta tag foi criada pela Fátima  e o desafio consiste em  fazer uma lista de 10 coisas que pertendemos fazer este Verão.  Eu ainda não sei onde é que ele anda e se vocês souberem avisem, ok?


Portanto, começo por agradecer à Fátima pela nomeação e espero que tudo o que se encontra nesta lista se concretize.


 


Regras:



  1. Agradecer a quem o nomeou, fazendo uma ligação para o blogue em questão;

  2. Fazer uma lista de dez coisas que gostaria de fazer - e que sejam exequíveis - este Verão;

  3. Nomear cinco bloggers para fazer o mesmo.


 


Então, as dez coisas que quero fazer este Verão são:


1- Ir à praia de manhã;


2 - Ler na praia e sempre que tiver uma oportunidade;


3- Visitar vários sítios interessantes (que gostaria que o meus filhos conhecessem);


4- Comer gelados;


5 -Almoçar fora todos os dias;


6-Tirar fotografias ao pôr do sol;


7-Fazer caminhadas junto do mar;


8-Organizar os livros por autor e por ordem alfabética (já mudei de casa há dois anos e ainda não consegui organizar tudo);


9- Conseguir juntar num jantar duas ou três amigas dos tempos da faculdade (esta é difícil);


10- Ver filmes.


 


E eu nomeio:


Daniela, a Magda, a Célia, a Roberta e a Vanessa.