domingo, 4 de fevereiro de 2018

Reinventar-se.

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Reescrevo, aqui, aquilo que considero, aparentemente, indecifrável, e pinto a força interior num escudo de forma a impedir que  se sirvam de míseras psicologias beligerantes de submissão à vontade. A pele estranha em mim desenvolveu uma casca grossa de absurda honestidade e não acredita que possa algum dia vir a ser tatuada com letras estranhas de hipocrisia. Sem saber, sabendo, repito sempre o mesmo processo - mais um recomeço. Para tal amenizo o ego ou o consciente e liberto o momento. O cérebro, frágil, desobedeçe e regista tudo em segundo plano e nos pensamentos e nos sonhos não viajo à toa.Reescrevo um novo começo, mas com a consciência de que posso olhar o sol sem filtros. Sou justa e espero o mesmo dos outros.


 


 Imagem: daqui.


 


 


 


 

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

O Perfume da Savana, de Ludgero Santos

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[Agradeço o enorme privilégio que o autor me concedeu através da generosa oferta do livro]


 


 


Desde miúda que oiço falar de histórias sobre África e lembro-me perfeitamente das conversas do meu pai e do meu tio quando recordam o tempo da guerra colonial e de quando estiveram em Angola e Moçambique. De tanto os ouvir, acho que se agarrou à minha alma o espanto por essa terra de contrastes. E este livro recordou-me um pouco essas histórias e sobretudo esse mundo de mistérios, crenças, cores, cheiros e sons da fauna, que têm tanto de terrível como de maravilhoso.


 


Em "O Perfume da Savana", o autor conta-nos uma história de um grande amor, "um amor incomensurável só comparado à vastidão que o rodeia", numa época em que África era ainda uma colónia portuguesa e em que a falta de chuva afetava (e afeta) a terra, as pessoas e os animais.


 


Para Daniel, não foi o feitiçeiro nem a chuva e sim o destino que lhe trouxe um perfume irresistível na mulher perfeita: Isabel. Ela é casada e tem uma filha, mas só com Daniel descobre o amor, algo que ainda não tinha conhecido antes. 


 


Acompanhei esta história de amor com algum receio, não só pela trama, mas também pelo facto de a ação se desenrolar na savana cheia de vida. À noite ouvem-se os leões, o casquinar das hienas, e de dia veêm-se os leões, os jacarés e as pacaças [que desconhecia].


 


Adorei a envolvência da natureza e da fauna, bem como de todos personagens, incluindo o Dibó, a Clarinha e a Zeza. Ademais, a escrita é cheia de pormenores e proporciona uma "viagem" a um tempo em que "não há televisão, fax, computador, vídeo, DVD, telemóvel, nada". Já se imaginaram no meio da selva sem nenhum tipo de tecnologia? 


 


Eis mais uma história de África que me fica na memória!


 


Classificação: 4/5

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Os últimos dias dos nossos pais, de Joël Dicker

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Opinião:Ultimamente, ando sem inspiração e isso reflete-se aqui no blogue. Na realidade, gostaria que os post´s que escrevo fossem diferentes e, de tanto tentar que assim seja, acabo por falhar miseravelmente.


A indecisão é um bicho que come as palavras. Ler deveria bastar-me e as letras não deveriam fugir. Ao contrário, vivo isolada e prisioneira de ideias sem filtros. Vivo e leio. Acordo e sonho. E é este o dualismo que me prende as mãos e que não me deixa  teclar livremente as ideias! Raios.


 


Depois deste desabafo, nada melhor do que falar de um escritor talentoso. A minha disposição melhora consideravelmente sempre que indico a leitura d´" A verdade sobre o caso Harry Quebert", pois é o meu livro preferido de Joël Dicker. Gostei tanto do escritor que resolvi que tinha de ler mais e avancei com "O Livro dos Baltimore" e depois para  "Os Últimos Dias dos Nossos Pais".


 


"Os últimos dias dos nossos pais" é sobre uma história de agentes secretos. Paul-Émile, Pal, é um jovem que decide partir para Londres a fim de ingressar na Resistência. Aí, torna-se membro das Forças Especiais, numa espécie de agente secreto e é impedido de ver o pai, a quem é tão dedicado.


 


Um romance que se passa na Segunda Guerra Mundial e que prima por ser diferente, pois destaca os sentimentos das personagens e as relações de amizade (e amor)  entre eles. Apelando ao que faz de nós seres humanos, o autor revela de forma exímia os defeitos e as qualidades numa época em que o mais pequeno erro pode custar a vida de alguém que é muito próximo.


Classificação: 4/5

domingo, 14 de janeiro de 2018

Cortem-me os pulsos já, porque o tempo não dá para tudo!

A frase "cortem-me os pulsos já" foi proferida, ontem, pela Sandra, no Encontro do Clube dos Clássicos Vivos, aqui em Leiria, mas achei que vem muito a propósito da "Ilustre Casa de Ramires", de Eça de Queiros, mais concretamente, ao pouco tempo que dediquei à leitura deste clássico. Não li mais do que 50 páginas (parece que é a parte chata) e, como se isso não bastasse, apenas fiquei 10 minutos no encontro. Claro que sei que o tempo não estica nem dá para tudo, mas fiquei com imensa pena de não poder ficar e presenciar toda a discussão gerada em torno do livro. 


Para grandes males grandes remédios e a LIVE da Cristina (muito agradecida), do canal Books&Beers, permitiu que assistisse ao resto do encontro, o qual foi bem animado e interessante. Valeu mesmo a pena. 


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Obrigada a todas:


http://amulherqueamalivros.blogs.sapo.pt/


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Books&beers


a outra mafalda book´s

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Lei & Corrupção, de Mike Papantonio.

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Sinopse:aqui.


Opinião:  Quando soube que a Magda me ia enviar este livro, pelo correio, fiquei em polvorosa. As leis fazem parte do meu trabalho, do meu dia-a-dia e as expetativas eram mais do que muitas. 


 


Então, começando pelo Mike Papantonio, o autor é advogado num dos maiores escritórios de advocacia da América (o Levin Papantónio) e resolveu escrever este livro inspirando-se em factos verídicos. É desse conhecimento que surge a história do advogado Nicholas Deketomis. O primeiro caso é o de Annica, uma jovem de de 19 anos que sofreu um acidente vascular cerebral após tomar uma pílula contracetiva. Inicia-se um medir de forças entre uma grande farmacêutica e um advogado que quer defender a vida de inocentes. Evitar novas vítimas é a sua prioridade máxima, porém terá de lidar com forças poderosas que não olham a meios, os chamados "danos colaterais", para atingir os seus fins lucrativos.



Os julgamentos de crimes (contra a vida, o ambiente e saúde pública) e os meandros do próprio sistema judicial americano são assuntos que me prendem a atenção. Já vi vários filmes (tratando-se do tema ambiente veio-me logo à cabeça o filme «Erin Brokovitch»), já li vários livros com julgamentos (ainda não vos disse que o meu preferido é o «Sete Minutos», de Irving Wallace?) e vou continuar a ver e a ler, mais e mais.

 

No início, referi que as expetativas eram altas. E eram. Porém, ter um termo de comparação também não ajuda - e eleva a fasquia. Esperava ação, muita ação, e debates, arrebatadores, entre a acusação e a defesa. Não esperava, de todo, ficar a saber a facilidade com que, no sistema judicial americano, se iliba alguém da morte de uma pessoa através do descrédito "moral" da testemunha chave, sem direito a novo julgamento.

Lei & Corrupção possui uma escrita simples, algo "cinematográfica", que se lê rapidamente. Eu esperava mais dos personagens e da história, o que não quer dizer que não venham a ler e a gostar (como a Magda ).

 

Classificação: 3/5