quarta-feira, 13 de agosto de 2025

As útlimas férias, de Louise Candlish

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Gostei muito deste thriller psicológico e recomendo vivamente. As Últimas Férias, de Louise Candlish, transporta-nos para Pine Ridge, uma comunidade costeira de sonho onde duas famílias amigas esperam viver dias tranquilos junto ao mar. No entanto, a aparente harmonia é rapidamente abalada quando um grupo de moradores locais decide que os proprietários de segundas habitações devem “pagar” pela sua presença. Pequenos atos de vandalismo dão lugar a acontecimentos cada vez mais perigosos, culminando num homicídio que deixará a localidade marcada para sempre.

 

A autora constrói personagens densas, realistas e multifacetadas, revelando lentamente as suas virtudes, fragilidades e segredos. É impossível não sentir empatia por uns e frustração por outros, o que torna a leitura ainda mais envolvente. A narrativa alterna momentos de calma com viragens inesperadas, o que mantem o leitor preso até à última página.

 

Para além do suspense, Louise Candlish insere uma crítica social relevante, explorando desigualdades, conflitos entre residentes e visitantes e outros temas bastante atuais. O final é impactante e satisfatório, mas o que mais se destaca é a reflexão moral que deixa — um convite a pensar sobre as consequências das nossas ações, os limites éticos e a fragilidade das relações humanas.

 

As Últimas Férias é muito mais do que um simples thriller de verão: é uma leitura viciante que combina intriga, tensões sociais e limites éticos.

 

 Já leste este livro? O que achaste?

 

 

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Summer moods #1 — Férias

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Começo o desafio Summer Moods com o tema mais óbvio… e talvez o mais enganador : Férias. Porque, na verdade, férias nem sempre significam uma viagem marcada no calendário, uma mala feita à pressa ou um destino longínquo. Às vezes, férias são só uma pausa. Um momento só nosso. E, para mim, isso acontece sempre que me sento a ler.


Na foto que partilho hoje, aparece o livro As Últimas Férias, de Louise Candlish.


Curioso, porque no meu caso não há "últimas". Há sempre mais uma página, mais uma história entre as mãos. Mas ao preparar este post, lembrei-me de uma imagem antiga: uma mala de viagem com muitos livros. Tirei a foto antes de partir e, na altura, achei que estava a exagerar —era só para compor a imagem. Mas levei meia dúzia. E li dois.Hoje percebo que não estava a fingir. Estava só a preparar-me para as minhas verdadeiras férias: as literárias.


Há quem precise de bilhetes de avião, mapas e malas cheias. Eu preciso de um bom livro. 


E tu, o que é que te faz sentir verdadeiramente de férias?🌴


 


 

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Afinal já via ASMR, só não lhe chamava assim

Li pela primeira vez a sigla ASMR num comentário da Vera à publicação em que contei quanto os unboxing me dão nervos. Não associei logo o que era e inventei: Associação Secreta de Mulheres que Recebem Encomendas. Como não fazia grande sentido, num unboxing, reformulei para: Abertura Surpreendente de Misteriosas Remessas! Ah, também não é isso!


Mais tarde pesquisei e fiquei a saber que significa Resposta Sensorial Autónoma do Meridiano, (ASMR) um fenómeno em que certos sons ou estímulos provocam uma sensação agradável e relaxante no corpo. Fiquei na mesma, só que agora com mais palavras e mais vontade de investigar.


Mas depois de saber o significado lembrei-me dos vídeos de limpeza extrema. Uma casa em estado de sítio, uma esfregona a chiar, água a escorrer... tudo em modo acelerado. Ficava ali colada ao ecrã, fascinada. Paz em forma de vinagre e bicarbonato, ou com lixívia, talvez.


Foi aí que percebi: afinal já via ASMR. Só não lhe chamava assim.
O som da escova no cabelo, a gata a ronronar, um café a ser servido. Relaxam. Mas com limites. Sussurros? Não. Unhas? Muito menos. E que ninguém me venha dizer que o barulho da boca a mastigar é agradável.


A verdade é que nem vejo os vídeos todos. Como toda a gente, salto para o fim. Está provado, pelo menos no meu caso, que as pessoas só estão realmente atentas nos primeiros segundos e no final. É o que vejo através do gráfico de visualizações do Instagram que mais parece um eletrocardiograma: começa em alta, morre lentamente, e ressuscita com força nos últimos segundos. É bonito de ver. Uma espécie de vida e morte digital.


No fundo, o ASMR é como aquele género de vídeos que dizemos que não gostamos… mas depois vemos.


Nem que seja só o início.
Ou o fim.


 

Summer moods, um convite à leitura...

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Todos os anos, por esta altura, gosto de lançar um pequeno desafio de verão: algo leve, criativo e que celebre os livros e os dias longos que convidam à leitura. Este ano não é diferente… mas decidi fazer algo um bocadinho diferente.


Resolvi escrever menos no Instagram (espero eu!) e partilhar mais por aqui, no blogue. Sinto que este espaço pede um ritmo mais calmo, mais pensado, mais meu. E, claro, mais ligado aos livros, de forma profunda e descontraída ao mesmo tempo.


O Instagram mudou e está cada vez mais próximo do TikTok, por isso decidi deixar os vídeos por lá e guardar as palavras para aqui. Neste cantinho sinto o mesmo que sentia no Instagram há uns anos: uma foto, uma reflexão… tudo mais leve. Aqui, no blogue, vou partilhar uma foto por tema e, quem sabe, algumas reflexões.


☀️ Qual é o desafio?
O desafio que lancei a mim própria  (e a quem quiser acompanhar-me) chama-se Summer Moods e parte de uma ideia simples: 12 temas, 12 moods, todos ligados ao verão.


☀️ Mas afinal, o que são “moods”?
Neste desafio, cada tema representa um mood, ou seja, uma vibe, um estado de espírito, uma associação sensorial ou emocional que nos liga ao verão… e à leitura.


Por exemplo, o tema Férias pode inspirar:
• Um título que contenha a palavra “férias” ou evoque essa sensação de pausa;
• Uma leitura que faça sentir em descanso, longe da rotina;
• Estar mesmo de férias, com tempo para ler o que quiser, sem pressas!


📌 Os 12 temas são:
Férias, Mar, Sol, Gelado, Noite quente, Areia, Piscina, Chapéu de palha, Brisa, Pôr do sol, Barulho de verão e Cores vibrantes.


E tu, vais acompanhar-me neste desafio? Qual é o teu mood literário de verão?🌴


 


 

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Confissão impopular: não gosto de ver unboxings

Sim, leste bem. Não gosto de ver unboxings. Aqueles vídeos longos, filmados com todo o cuidado e entusiasmo, em que alguém vai abrindo uma caixa como se fosse um baú do tesouro, deixam-me… ansiosa. E não daquela ansiedade boa, de “o que virá aí?”, mas da outra — a do desconforto crescente, do querer que aquilo acabe depressa, da impaciência pura.


Já tentaste ver um unboxing inteiro? Com atenção?
Suspense eterno.
Fita-cola infinita.
O envelope a escorregar da mesa porque a pessoa só está a usar uma mão.
Aqueles minutos em silêncio, só com o som do plástico ou do cartão a ceder lentamente...
E o inevitável:
“Ai, será que é o que eu estou a pensar?”
E eu só a pensar:
“Anda lá com isso, por amor da santa.”


A verdade é esta: unboxings não me relaxam, não me entretêm e, definitivamente, não me inspiram a comprar nada. Só me fazem querer fechar o vídeo ou avançar diretamente para os últimos segundos, para ver o que afinal estava dentro da caixa.


Talvez isto pareça estranho, sobretudo num universo como o do bookstagram, onde o conteúdo visual e os momentos de partilha são tão valorizados. E onde abrir uma encomenda parece quase um ritual — uma cerimónia de boas-vindas ao livro novo, à colaboração da editora, à compra sonhada.


Mas não consigo. O ritmo lento, os gestos minuciosos, a expectativa verbalizada em cada suspiro... tudo isso me tira do sério. Talvez seja a minha impaciência a falar mais alto. Ou talvez seja apenas mais um lembrete de que nem toda a gente tem de gostar das mesmas coisas — mesmo dentro de comunidades com interesses tão semelhantes.


Se és do time “unboxings são terapêuticos”, continua. Vive esse momento. Aproveita-o. Mas se, como eu, sentes um ligeiro colapso nervoso ao som do rasgar (lento, muito lento) de um envelope... estamos juntas.


Nem tudo no bookstagram tem de ser igual. Nem todos os formatos são para toda a gente. E está tudo bem não gostar do que “toda a gente” parece gostar. Há espaço para sermos diferentes. Até nas confissões impopulares.


E tu? És fã de unboxings ou também ficas a torcer para que passem depressa? Conta-me tudo nos comentários!