segunda-feira, 14 de julho de 2025

Entre livros, monstros e tarefas

Este fim-de-semana foi cheio — e, ainda assim, trouxe-me pequenas pausas onde couberam palavras e pensamentos.


No sábado, o clube de leitura voltou a juntar-se, desta vez com um tema que nos levou à infância: livros infantojuvenis, com crianças como protagonistas, perguntas grandes em corpos pequenos e mundos que ainda acreditam no impossível.


Houve espaço para partilhas bonitas, e para a apresentação do livro Os monstros que vivem na minha cabeça, da Celina Lopes. Tive a oportunidade de assistir à leitura do livro ao vivo, feita pela autora Celina Lopes e pela ilustradora Daniela Lomba, e foi um momento mágico. Ver a emoção com que ambas partilharam esta história tornou a experiência ainda mais especial. 


Claro que o fim de semana não ficou por aqui. No domingo, a parte doméstica não tirou folga: organizei o tempo entre limpezas e roupa, enquanto as refeições ficaram a cargo do marido. Mas, entre um gesto e outro, consegui ainda sentar-me com o meu livro e avançar umas páginas.


Às vezes, os melhores momentos não são os mais extraordinários. São os que nos mostram que, entre o ruído dos dias, ainda sabemos escutar uma história, partilhar um livro, sentir que pertencemos.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Fotografar é uma forma de pensar em imagens

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Fotografar é também uma forma de pensar em imagens, um diálogo silencioso entre o que somos, o que mostramos e o que ainda tentamos desvendar em nós mesmos. A Carla Oliveira Sousa captou mais do que a minha imagem: captou o desassossego da busca, a crítica interna, a imperfeição que carrego e que, pouco a pouco, tento acolher.

A Alma Perdida, de Olga Tokarczuk e Joanna Concejo

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Li o post da Inês do Mar de Maio e pensei logo que era o meu género de livro! 

 

Nesta breve e delicada narrativa, somos confrontados com uma verdade incómoda: a vida acelerada pode levar-nos a perder a nossa própria alma. O protagonista corre tanto que se esquece de quem é, até que um dia… para. E é na pausa que começa o reencontro com aquilo que o define. 

Da autora vencedora do Prémio Nobel da Literatura, A Alma Perdida é um tesouro visual com ilustrações lindíssimas. Não é, todavia, apenas uma história, é um espelho que nos devolve a pergunta: o que temos sacrificado em nome da pressa?

Gostei muito, só é pena que acabe rápido.

Vale a pena ler, reflectir, e contemplar as ilustrações. 

terça-feira, 8 de julho de 2025

O Sono dos Culpados, de Fábio Ventura

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No isolado Hotel Royal Enigma, uma equipa de filmagens fica presa após um fenómeno estranho e inquietante: um som ensurdecedor, semelhante a gritos, que deixa todos inconscientes. Ao acordar, descobrem que estão isolados, sem comunicações e rodeados por corpos adormecidos que não despertam.


Valentim, Jonas, Antoinette, Serena, Ângelo, Dante e Tadeu enfrentam não só o mistério do som e do isolamento, mas também os seus próprios segredos e culpas — ameaças invisíveis que pesam como sombras.


A escrita é direta e envolvente, com uma tensão constante que prende o leitor do início ao fim. Apesar de achar algumas passagens repetitivas, creio que essa persistência reforça o ambiente opressivo e a inquietação interna das personagens.


O final (de que não se está à espera) é inquietante e permanece connosco, muito depois da última página.


Em suma, é um thriller psicológico intenso e envolvente que explora o mistérios dos fantasmas da culpa e da consciência.


Gostei muito desta leitura. 


Já leste? Como foi a tua experiência com este livro?

domingo, 6 de julho de 2025

Tudo pela minha mãe, de Celina Lopes

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Pedro tem oito anos e foge de casa com um relógio e um saco de biscoitos. Não sabe bem do que foge (talvez da dor, do medo, da doença, da morte). Pelo caminho, encontra personagens que parecem saídas de uma fábula e, através delas, fragmentos de respostas. Cada encontro é uma janela para o mundo e para o coração de um menino que só quer voltar a sentir‑se inteiro.


Senti todas as emoções com ele. A confusão, o silêncio, o peso no peito. Lembrei‑me de quando tinha nove anos e perdi a minha avó paterna, das perguntas que não sabia fazer, das respostas que ninguém me podia dar. 


A narrativa é simples, como os pensamentos de uma criança, e está cheia de lengalengas infantis que fazem todo o sentido dentro do universo do Pedro.O final não é o que imaginamos, é mais calmo, mais verdadeiro, mais íntimo. Toca-nos com uma serenidade emocional que nos aquece e dá esperança.


A jornada de Pedro tem também algo de místico — chega ao fim‑do‑mundo “sem dar conta das horas”, como se atravessasse um espaço onde o tempo e a dor se dissolvem. Há algo de fábula e de cura nessa travessia.


Não dei 5 estrelas porque, apesar da emoção, senti que a história poderia ter sido mais contida em extensão.Há momentos em que perde impacto. Ainda assim, é um livro que toca fundo e fica connosco.


Este é um livro sobre o luto que não se sabe dizer, aquele que vive no silêncio de uma criança que ainda não aprendeu a perder.


Gostei. Fez-me emocionar e voltar à infância.


Já te emocionaste com um livro como se fosse contigo?