
sexta-feira, 11 de julho de 2025
A Alma Perdida, de Olga Tokarczuk e Joanna Concejo
terça-feira, 8 de julho de 2025
O Sono dos Culpados, de Fábio Ventura

No isolado Hotel Royal Enigma, uma equipa de filmagens fica presa após um fenómeno estranho e inquietante: um som ensurdecedor, semelhante a gritos, que deixa todos inconscientes. Ao acordar, descobrem que estão isolados, sem comunicações e rodeados por corpos adormecidos que não despertam.
Valentim, Jonas, Antoinette, Serena, Ângelo, Dante e Tadeu enfrentam não só o mistério do som e do isolamento, mas também os seus próprios segredos e culpas — ameaças invisíveis que pesam como sombras.
A escrita é direta e envolvente, com uma tensão constante que prende o leitor do início ao fim. Apesar de achar algumas passagens repetitivas, creio que essa persistência reforça o ambiente opressivo e a inquietação interna das personagens.
O final (de que não se está à espera) é inquietante e permanece connosco, muito depois da última página.
Em suma, é um thriller psicológico intenso e envolvente que explora o mistérios dos fantasmas da culpa e da consciência.
Gostei muito desta leitura.
Já leste? Como foi a tua experiência com este livro?
domingo, 6 de julho de 2025
Tudo pela minha mãe, de Celina Lopes

Pedro tem oito anos e foge de casa com um relógio e um saco de biscoitos. Não sabe bem do que foge (talvez da dor, do medo, da doença, da morte). Pelo caminho, encontra personagens que parecem saídas de uma fábula e, através delas, fragmentos de respostas. Cada encontro é uma janela para o mundo e para o coração de um menino que só quer voltar a sentir‑se inteiro.
Senti todas as emoções com ele. A confusão, o silêncio, o peso no peito. Lembrei‑me de quando tinha nove anos e perdi a minha avó paterna, das perguntas que não sabia fazer, das respostas que ninguém me podia dar.
A narrativa é simples, como os pensamentos de uma criança, e está cheia de lengalengas infantis que fazem todo o sentido dentro do universo do Pedro.O final não é o que imaginamos, é mais calmo, mais verdadeiro, mais íntimo. Toca-nos com uma serenidade emocional que nos aquece e dá esperança.
A jornada de Pedro tem também algo de místico — chega ao fim‑do‑mundo “sem dar conta das horas”, como se atravessasse um espaço onde o tempo e a dor se dissolvem. Há algo de fábula e de cura nessa travessia.
Não dei 5 estrelas porque, apesar da emoção, senti que a história poderia ter sido mais contida em extensão.Há momentos em que perde impacto. Ainda assim, é um livro que toca fundo e fica connosco.
Este é um livro sobre o luto que não se sabe dizer, aquele que vive no silêncio de uma criança que ainda não aprendeu a perder.
Gostei. Fez-me emocionar e voltar à infância.
Já te emocionaste com um livro como se fosse contigo?
sexta-feira, 4 de julho de 2025
Desligar para ler
Gosto de ler porque me faz desligar. Da pressa. Das vozes. Dos pedidos constantes de atenção.É quando me perco num livro que encontro um silêncio bom, um espaço meu — onde o tempo se estica e a mente respira.Mas, ultimamente, até esse refúgio parece menos imune.As redes sociais não param. Pedem, puxam, exigem. Mais presença, mais conteúdo, mais rapidez.Nem sempre mais qualidade.E isso pesa.
Até o que é leve começa a cansar. Até o prazer da leitura sofre pequenas interrupções invisíveis, ruídos constantes que nos distraem do essencial. Ler devia continuar a ser isso: um desligar inteiro, um estar por completo. Talvez o desafio esteja em reaprender a proteger esse espaço.E não permitir que a urgência lá fora nos roube a paz cá dentro.
quinta-feira, 3 de julho de 2025
Primeiro Semestre 2025:
