terça-feira, 28 de março de 2023

Na conversa da espuma,

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Sei que a vida


que desejo


é ser feliz,


em tempo de acordar.


 


Às vezes a melhor descida


é ensejo


de acertar


o que fiz


no lento caminhar.


 


A entoação dispersa


pelo ar pé-de-vento


entra pelo mar adentro


em elegia à espuma perversa.


 


Bebo tudo num trago


que trouxe


o alento


amargo e doce.


 


As palavras vazias  


envoltas na onda perversa


 significam muito mais,


porque têm o sal dos ais


deixando-se ir na conversa


da espuma, há dias.


 


 

segunda-feira, 27 de março de 2023

A culpa é do título

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Sinopse: Ottessa Moshfegh, uma das mais importantes novas vozes literárias, narra neste romance os esforços de uma jovem mulher para se esquivar aos males do mundo.


Para tal, embarca numa hibernação prolongada, com a ajuda de uma das piores psiquiatras da história da literatura e com as enormes doses de medicamentos por ela prescritos.




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Opinião:  



Outra estreia, quer relativamente à autora quer pelo facto de ter comprado o livro só pelo título. Vou então culpar o título porque induz uma ideia que não corresponde à verdade.


Na minha cabeça, um ano de relaxamento passaria por ler todos os livros que ainda não li! Ou seja, quando comecei a ler que se tratava de uma experiência de hibernação por um ano à custa de vários medicamentos percebi que não se enquadrava no meu ideal livrólico de relaxamento (embora perceba a ideia de que apagar os sentimentos possa ajudar a ultrapassar o sofrimento com a morte de alguém próximo).


A história passa-se desde o ano 2000 até  2001 e a narradora é jovem. Ela tem um apartamento que, por morte dos pais, recebeu como herança assim como dinheiro na conta bancária. Quando é despedida por dormir no serviço resolve que o melhor é dormir durante um ano! Para o conseguir consulta uma psiquiatra que é uma absoluta nulidade, dado que acredita em todos os sintomas que ela lhe vai relatando.A psiquiatra até está bem retratada e acho que poderá ser entendida como uma crítica aos profissionais de saúde que não estão verdadeiramente a ajudar os pacientes ao limitarem-se a prescrever medicamentos.


Nesta história, além da crítica aos profissionais de saúde, passou também a ideia de que as pessoas ricas podem ser deprimidas à vontade porque têm mais hipóteses não fazer nada (o que não deixa de ser verdade).


Não obstante, o facto de não se poder comprar felicidade não significa que não se possa comprar tempo, uma vez que ter tempo para cuidar de si próprio/a é um luxo que é negado à maioria das pessoas que não têm dinheiro e que têm de ir para o trabalho todos os dias, mesmo deprimidas. 


Otessa, provavelmente, pretendia com esta história demonstrar como alguém pode andar sonâmbulo pela vida. Infelizmente, não gostei da pouca evolução da história, nem do tratamento dado à amiga, que também tinha problemas mais do que suficientes.


 No final, fiquei super feliz por ir ler o que me apetecer em absoluto relaxamento.


sexta-feira, 24 de março de 2023

"Prima-ver-ar o teu olhar"

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A Luz invade o teu 


olhar.


Corre suave


o som


do despertar,


da vida,


que continua


aceleradamente.


A cor repousa 


no Instante


em que observas,


transformando os dias


em tempo de amor.


Mas mesmo sem ver


ela volta


para te aquecer,


iluminando os teus dias


em tempos de Primavera.


 

O Clube de Leitura Livros e C.ª

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quinta-feira, 23 de março de 2023

A velhice devia habitar apenas a alma (digo eu)

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Sinopse: Em plena Baixa do Porto há uma rua icónica com uma fiada de prédios, onde os modos tripeiros convivem com a música dos artistas, a sinfonia das obras, a vozearia dos bares e os bandos de turistas curiosos. É numa dessas casas que vive a octogenária Piedade desde que se lembra e onde tem amigas de longa data. Mas o terror instala-se quando - ofuscados pelo potencial deste Porto Antigo - os proprietários e investidores não olham a meios para se livrarem dos velhos inquilinos, que vão resistindo às suas ameaças como podem, mas começam a sentir na pele as represálias.

Neste cenário tenso e desumano desenrola-se a história de Três Mulheres no Beiral, que é também a de uma família reunida por força das circunstâncias, mas dividida por sentimentos e interesses: Piedade, que trata a casa como gente; José Maria, o filho incapaz de se impor e tomar decisões; Madalena, a neta que regressa com a filha ao lugar onde foi criada para reviver episódios marcantes do seu passado; e Eduardo, o neto egocêntrico e conflituoso que sonha ser rico desde criança e a quem a venda da casa só pode agradar.

Com personagens extremamente bem desenhadas num confronto familiar que trará ao de cima segredos que se pensavam esquecidos e enterrados, Susana Piedade mantém a expectativa até ao final neste romance notável e de rara humanidade que foi finalista do Prémio LeYa em 2021.




 



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Opinião:  



Este livro foi a minha estreia com esta autora e a escrita deixou-me rendida. Mas...
A história é bastante plausivel, realista e dura, e um tanto a puxar a melancolia, ou não fosse o tema de fundo a velhice, a solidão, sentimentos e segredos de família.
A personagem principal, Piedade, é uma senhora idosa com a qual criei empatia imediata. Ela vive numa casa na Baixa do Porto e o terror instala-se quando os potenciais investidores fazem ameaças para se livrarem dos inquilinos. A meu ver quando há negócios é sempre assim e o pior é quando a família também quer tirar aproveitamento da situação.
Gostaria muito de ter adorado esta história, mas, e agora passo a explicar, fiquei um tanto deprimida, porque a velhice bem que poderia apenas habitar na alma e porque era bem melhor sermos velhos só por dentro e não por fora. 


Este livro fez-me pensar e sentir e há momentos na vida em que prefiro a ficção à realidade. Este foi um deles.Pronto, tenho dito. Em minha defesa argumento que enquanto leitora transporto muito de mim para as leituras e por isso nem sempre tenho a mesma opinião.