segunda-feira, 13 de março de 2023

Ainda bem que não gostamos dos mesmos bolos!

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Sinopse:


Os irmãos Byron e Benedetta não se veem há oito anos, mas a súbita morte da mãe obriga-os sentarem-se finalmente à mesma mesa. Eleanor deixou-lhes um bolo no congelador com a críptica instrução de que o deverão partilhar «na altura certa».
Para além do bolo, uma homenagem às origens caribenhas da família, há ainda uma longa gravação áudio que abre com uma revelação impensável: Byron e Benedetta têm uma irmã.
Este, porém, é apenas o primeiro dos muitos segredos que a mãe quer agora, depois de morta, revelar, na esperança de emendar alguns erros do passado.



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Opinião:  


Este é o livro de estreia desta autora e, apesar de ter gostado da escrita simples e fluída, não fiquei fã dos personagens que vão sendo introduzidos, rapidamente, ao longo da história, em capítulos demasiado curtos, entre o passado e presente.


O bolo negro é um bolo feito com rum e frutos secos e a receita passa de geração em geração. Uma ligação familiar que dá sabor ao enredo.

Nesta história familiar,  que decorre entre as Caraíbas, passando pelo Reino Unido e pelos EUA, existem segredos e um mistério relacionado com um crime, mas, na minha opinião, surgem demasiados personagens, muitos recomeços e desencontros que são pouco credíveis. Uma miscelânea, que não confere qualquer densidade à história em si, uma vez que não há um aprofundamento.


Fazendo, aqui, uma analogia, é como se houvesse necessidade de juntar mais um ingrediente, depois mais outro, e mais outro, "batendo bem", e surgisse uma história sobre vários temas (racismo, amizade, liberdade e multiculturalismo).

Vou mais longe, ainda, e atrevo-me a dizer que este "bolo" saiu algo queimado - mas se calhar é culpa minha, porque, enquanto leitora, interpretei a receita à minha maneira.


Ainda bem que não gostamos todos dos mesmos bolos, digo livros!


 


sexta-feira, 10 de março de 2023

Poe visitado e revisitado

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A página mais visitada deste blog é a história d´O gato preto, de Edgar Allan Poe. O post  em causa não tem novos comentários, não tem uma foto bonita; o conto é bastante mórbido, um horror, e a crueldade sobre pessoas e animais é uma amostra negra do lado mau do ser humano. 


Há quem considere este conto como autobiográfico, digno de estudo pela psicologia, dado que tal como o personagem, o autor tinha um lado obscuro, uma mente perturbada e era um boémio, até que, certo dia, após uma bebedeira, foi encontrado inconsciente numa rua e veio a falecer no hospital, em 1849.


A vida não foi fácil para Poe, o mestre do suspense, terror e da ficção científica, mas as histórias que deixou mostram um génio literário muito à frente do seu tempo. 


Será que intemporalidade do conto é uma explicação para as contínuas visitas dos leitores?


Ou será que o gato preto em vez de azar dá sorte?


Eu não aconselho a que continuem a revisitar só porque fico com muita pena do pobre do gato, mas já que insistem aqui vai: https://olivropensamento.blogs.sapo.pt/o-gato-preto-de-edgar-allan-poe-48496


 


 

quarta-feira, 8 de março de 2023

Será a ignorância uma bênção?

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Sinopse:


Flores para Algernon narra a história de um homem com dificuldades mentais que por via experimental procura adquirir o mesmo quociente de inteligência que Algernon, um sobredotado rato de laboratório.


Através de entradas de diário, Charlie documenta o modo como uma operação melhorou a sua inteligência e, por consequência, a sua vida. E, à medida que os procedimentos decorrem, a sua inteligência expande-se até ultrapassar a dos médicos que projectaram a sua metamorfose.


A experiência parece representar um enorme avanço científico, até que Algernon entra numa deterioração súbita e profunda. Poderá o mesmo acontecer a Charlie?


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Opinião:  


Ler este livro é um verdadeiro desafio e eu adoro desafios. Com a mente aberta e alguma persistência consegue-se descobrir o que o autor pretendeu transmitir com esta história de fição científica, que foi, pasme-se, publicada em 1966, existindo, também, uma ou duas adaptações ao cinema.

Charlie tem dificuldades mentais e, por isso, no início do livro os seus relatórios estão cheios de erros ortográficos - um horror, dizem os que não conseguiram ler. Claro que são erros propositados, e que fazem sentido atendendo a que o personagem tem deficiências que não lhe permitem escrever normalmente.

À medida que o tempo passa, após ter sido submetido a cirurgia experimental, Charlie vai adquirindo o mesmo quociente de inteligência que Algernon, um sobredotado rato de laboratório, e apercebe-se de como as pessoas são falsas e como os seus amigos afinal não são verdadeiros. 

Esta história já é um clássico e dá bastante que pensar. Sem dúvida que a evolução da ciência é necessária para curar determinadas doenças, mas, para mim, o principal é que se respeitem todos os seres vivos. Charlie serviu de cobaia e o que lhe aconteceu neste livro demonstra ou é uma prova que a  ignorância é uma bênção. 


Dia Internacional da Mulher

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