quarta-feira, 8 de março de 2023

Será a ignorância uma bênção?

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Sinopse:


Flores para Algernon narra a história de um homem com dificuldades mentais que por via experimental procura adquirir o mesmo quociente de inteligência que Algernon, um sobredotado rato de laboratório.


Através de entradas de diário, Charlie documenta o modo como uma operação melhorou a sua inteligência e, por consequência, a sua vida. E, à medida que os procedimentos decorrem, a sua inteligência expande-se até ultrapassar a dos médicos que projectaram a sua metamorfose.


A experiência parece representar um enorme avanço científico, até que Algernon entra numa deterioração súbita e profunda. Poderá o mesmo acontecer a Charlie?


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Opinião:  


Ler este livro é um verdadeiro desafio e eu adoro desafios. Com a mente aberta e alguma persistência consegue-se descobrir o que o autor pretendeu transmitir com esta história de fição científica, que foi, pasme-se, publicada em 1966, existindo, também, uma ou duas adaptações ao cinema.

Charlie tem dificuldades mentais e, por isso, no início do livro os seus relatórios estão cheios de erros ortográficos - um horror, dizem os que não conseguiram ler. Claro que são erros propositados, e que fazem sentido atendendo a que o personagem tem deficiências que não lhe permitem escrever normalmente.

À medida que o tempo passa, após ter sido submetido a cirurgia experimental, Charlie vai adquirindo o mesmo quociente de inteligência que Algernon, um sobredotado rato de laboratório, e apercebe-se de como as pessoas são falsas e como os seus amigos afinal não são verdadeiros. 

Esta história já é um clássico e dá bastante que pensar. Sem dúvida que a evolução da ciência é necessária para curar determinadas doenças, mas, para mim, o principal é que se respeitem todos os seres vivos. Charlie serviu de cobaia e o que lhe aconteceu neste livro demonstra ou é uma prova que a  ignorância é uma bênção. 


Dia Internacional da Mulher

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terça-feira, 7 de março de 2023

Há listas de leitura que valem a pena, esta é uma delas!

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Sinopse:


Mukesh leva uma vida pacata num subúrbio de Londres e tenta manter as rotinas estabelecidas pela sua mulher, Naina, que faleceu recentemente. Vai às compras todas as quartas-feiras, frequenta o templo hindu e tenta convencer as três filhas de que é perfeitamente capaz de organizar a sua vida sozinho.
Aleisha é uma adolescente que trabalha na biblioteca local durante o verão e que, curiosamente, não gosta de ler. Até que encontra um papel amachucado dentro de um exemplar de Mataram a Cotovia com uma lista de livros dos quais nunca ouvira falar. Intrigada, e um pouco entediada com o seu trabalho, decide começar a ler os livros aí sugeridos.Quando Mukesh vai à biblioteca para devolver um dos livros de Naina e pedir outras sugestões de leitura, numa tentativa de criar laços com a neta, Aleisha recomenda-lhe os títulos da lista.


É assim que, livro a livro, vão descobrindo a magia da leitura e encontrando novos significados para as suas vidas.E é através destas leituras partilhadas que Aleisha e Mukesh encontram a força necessária para lidar com os desgostos e problemas do dia a dia e reencontram a alegria de viver.




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Opinião: 


Esta sinopse é longa, mas leva-nos a conhecer esta história maravilhosa sobre a amizade,  improvável, entre um idoso e uma jovem. 
Para ser sincera este é um dos livros que não consegui largar até terminar. Para ser mais sincera, ainda, adorei os personagens e fiquei comovida com certos acontecimentos.

A experiência de ler este livro seria ainda mais incrivel se tivesse lido todos livros da lista. Eu li alguns, o que me ajudou a perceber o que os personagens aprenderam com as leituras e o ponto de vista diferente de cada um dos personagens, assim como as lições que dái retiram e se interligam com as suas próprias vivências.
Eu recomendo vivamente este romance, que é sobre amizade, família e uma verdadeira ode ao amor pelos livros.






Há uma linha que separa... o bem e o mal

 


 


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Sinopse:


« Sei que, mais cedo ou mais tarde, todos saberão quem sou. Que estarão à minha procura, que falarão sobre mim, que viverão na tentativa inútil de se assemelhar à minha imagem. Teremos apenas de aguardar. Vocês e eu. »


Mariana é uma jovem mulher solitária. Tem um emprego do qual não gosta, passa os dias e as noites sozinha a ler um livro misterioso. Sente um profundo desprezo pela Humanidade, mas não consegue evitar ajudar quem precisa, mesmo que a ajuda venha na forma de um frasquinho de veneno indetetável.
Através das pessoas com quem se vai cruzando, todas vítimas de alguém, Mariana vai eliminando o mal do mundo e, ao fazê-lo, junta uma legião que jura segui-la para sempre, como a uma profeta.


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Opinião:  


Este foi o último livro que li no ano passado -assim dito parece que foi há imenso tempo- e tenho mesmo de escrever sobre ele, ou não fosse a autora uma conterrânea, aqui, perto de Leiria.
Li esta história rapidamente e com uma sensação de que tudo estava errado com esta personagem. Uma vez que a linha que separa o bem e o mal nem sempre é clara, creio que a sua definição surge claramente deturpada com o objetivo de nos fazer pensar. A mim belisca em muito o meu sentido de justiça.
Mas, talvez, a justiça de alguns siga inconscientemente a lei de Talião e isso foi uma das coisas que mais me incomodou nesta leitura; a outra, não revelo para não dar spoilers.
Eu gostei bastante, especialmente por ser um livro "fora da caixa" e com final inesperado.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Reflexão

 


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O "nevoeiro" não me deixou ver o caminho e continuei a avançar, lentamente, num silêncio que adensou o sentimento e a memória de outros tempos - segui em frente, contudo, com a esperança de [o "sol"] regressar. Passaram dias, meses, um ano e mais uns meses, e a vida continuou.

 

Escrever exige prática, trabalho árduo, provações e erros repetidos. Procurar as palavras relevantes é como uma caça ao tesouro, por vezes brilha, mas não é de ouro, e nesse caso procura-se noutro lugar.

 

O caminho traçado parecia fácil - ler mais, e ler tudo-mas não podia estar mais enganada.

 

A paixão pela leitura encaminhou-me noutra direção, para muito longe dessa procura incessante por palavras e de tesouros escondidos, e, a certa altura, percebi que chegou a hora de parar de correr, parar de tentar fazer tudo e de não fazer nada.

 

O vazio perturbou-me. 

 

Estou convencida, o silêncio não vale mais do que mil palavras.