terça-feira, 7 de março de 2023

Há uma linha que separa... o bem e o mal

 


 


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Sinopse:


« Sei que, mais cedo ou mais tarde, todos saberão quem sou. Que estarão à minha procura, que falarão sobre mim, que viverão na tentativa inútil de se assemelhar à minha imagem. Teremos apenas de aguardar. Vocês e eu. »


Mariana é uma jovem mulher solitária. Tem um emprego do qual não gosta, passa os dias e as noites sozinha a ler um livro misterioso. Sente um profundo desprezo pela Humanidade, mas não consegue evitar ajudar quem precisa, mesmo que a ajuda venha na forma de um frasquinho de veneno indetetável.
Através das pessoas com quem se vai cruzando, todas vítimas de alguém, Mariana vai eliminando o mal do mundo e, ao fazê-lo, junta uma legião que jura segui-la para sempre, como a uma profeta.


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Opinião:  


Este foi o último livro que li no ano passado -assim dito parece que foi há imenso tempo- e tenho mesmo de escrever sobre ele, ou não fosse a autora uma conterrânea, aqui, perto de Leiria.
Li esta história rapidamente e com uma sensação de que tudo estava errado com esta personagem. Uma vez que a linha que separa o bem e o mal nem sempre é clara, creio que a sua definição surge claramente deturpada com o objetivo de nos fazer pensar. A mim belisca em muito o meu sentido de justiça.
Mas, talvez, a justiça de alguns siga inconscientemente a lei de Talião e isso foi uma das coisas que mais me incomodou nesta leitura; a outra, não revelo para não dar spoilers.
Eu gostei bastante, especialmente por ser um livro "fora da caixa" e com final inesperado.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Reflexão

 


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O "nevoeiro" não me deixou ver o caminho e continuei a avançar, lentamente, num silêncio que adensou o sentimento e a memória de outros tempos - segui em frente, contudo, com a esperança de [o "sol"] regressar. Passaram dias, meses, um ano e mais uns meses, e a vida continuou.

 

Escrever exige prática, trabalho árduo, provações e erros repetidos. Procurar as palavras relevantes é como uma caça ao tesouro, por vezes brilha, mas não é de ouro, e nesse caso procura-se noutro lugar.

 

O caminho traçado parecia fácil - ler mais, e ler tudo-mas não podia estar mais enganada.

 

A paixão pela leitura encaminhou-me noutra direção, para muito longe dessa procura incessante por palavras e de tesouros escondidos, e, a certa altura, percebi que chegou a hora de parar de correr, parar de tentar fazer tudo e de não fazer nada.

 

O vazio perturbou-me. 

 

Estou convencida, o silêncio não vale mais do que mil palavras.

 

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Frases que picam?!

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"E olhava a cadela como se não houvesse mais ninguém na sala mais importante do que ela. O bicho dava saltos, empinava-se em ânsias, faria lembrar, coitadinha, a Amy March, de Mulherzinhas, se por acaso a Louise May Alcott a tivesse descrito enquanto cadela, em vez de adolescente burguesa e mimada".


 

terça-feira, 6 de abril de 2021

A Espera de Fernanda, de Maria Cláudia Rodrigues




Sinopse: aqui.


Opinião: Em entrevista dada pela jornalista Claúdia Rodrigues é referido que esta adora ler desde sempre e que escreveu este livro porque se comoveu "com a capacidade de as mães de levar tudo à frente por causa de um filho".

Em "A Espera de Fernanda", a mãe vive à espera de justiça para o seu filho e nunca desiste de procurar a verdade, pois o seu filho saiu de casa para o trabalho, e apareceu, dias depois, morto num pinhal, em circunstâncias no mínimo suspeitas, embora consideradas pela polícia como suicídio.

Como não conhecia esta história, nem Fernanda nem Joaquim, os pais do jovem de 24 anos, de nome Fernando da Cruz, fui ao longo do livro, ansiando e  esperando por um desfecho, por um desenlace que trouxesse alguma paz a esta mãe incansável, a qual nunca acreditou na versão da polícia e encetou várias diligências ao seu alcance para que analisassem o caso como homicídio. No entanto, a corrupção acabou sempre por decepar as expetativas destes pais que procuraram sempre descobrir a verdade, com base em provas irrefutáveis. Perante isto, o leitor não conseguirá ficar indiferente. Eu não fiquei, pois, ao longo desta leitura, senti a dor de Fernanda, a sua coragem e força de vontade em não desistir em momento algum, mesmo perante as adversidades que vão acontecendo. Uma verdadeira lutadora. Uma pessoa simples. Uma pessoa bondosa que criou o seu filho de forma honesta para que este seguisse só os bons princípios. Pessoas de bem, é a definição que me vem à cabeça.

Na minha opinião, esta história prende a atenção desde o início, porque é baseada em factos reais e documentos genuínos, e porque o preenchimento de espaços vazios na narrativa, recorrendo à fição, nem sequer se chegam a notar.

A escrita é fluída, o que torna a leitura simples e rápida, e descreve uma realidade que nos revolta pela inércia propositada da polícia e do sistema judicial, sendo de todo impossível ficar indiferente a esta história verídica e não reagir a esta leitura com sentimentos de revolta e de sentido de Justiça.

Gostei bastante da história e, ainda, da capa, simples e bonita, escolhida para este livro.


 


Classificação: 4/5*


 


Livro oferecido pela editora para opinião

sábado, 13 de março de 2021

Sábados à tarde com livros e sem chá nem bolinho

 


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Estou a escrever isto para o meu Eu futuro para lhe lembrar que tudo o que tomava por garantido acabou de mudar. Não faz muito tempo que me preocupava com a quantidade de livros não lidos e, por ironia do destino, quando encerraram as livrarias e a venda de livros em supermercados, passei à fase de que afinal o "armazenamento" de livros na estante fazia todo o sentido em alturas como estas. Como se alguma vez na vida imaginasse que iria ser como o pão para a boca e um bem escasso!


Aquilo que me vem à cabeça poderá soar a exagero, mas lembra-te de que quem gosta de livros as ideias surgem donde menos se espera e as comparações estranhas não superam os tempos distópicos que vivemos, em 2020-2021, em que os encontros do Clube de Leitura Livros & Cª têm de ser online através da plataforma Zoom. É um facto que dá para colocar a conversa em dia e falar dos livros que lemos no mês anterior. Mas recordo-te que há diferenças assinaláveis que, aos poucos, se tornam cada vez mais notórias. Estou a referir-me à presença do outro, ao olhar, à expressão e à forma como a pessoa sorri ou até os gestos. Depois há, ainda, a descontração, a companhia de um chá, de um café, e de um bolo. Nada disto tem sido possível e tentamos manter o contato à distância, esperando que em breve seja possível, pelo menos, estar fisicamente (pois acredito que tão depressa não há chazinho nem bolinho para ninguém).


Há pouco tempo li, algures na vastidão da internet, que a fadiga pandémica se começa a sentir. Talvez seja isso, ou talvez esteja a ficar saturada dos ecrãs, mas não me tirem os livros, nem as conversas que nos aquecem a alma; não me tirem, ainda, a foto com a pilha de livros, pois eu tenho esta pancada e gosto de ver muitos livros alinhados e ordenados - é que quando é para conversar é a sério e, no clube, as leituras são como as conversas e as cerejas, acabamos a falar pelos cotovelos e a mostrar todos os livros que lemos.


Ao meu Eu futuro digo que sábados à tarde é com livros, chá, bolo e companhia. E isso é liberdade!