quarta-feira, 3 de julho de 2019

A Prova, de Stéphane Allix | Opinião

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ResumoMais do que querer provar que a vida continua depois da morte, o objectivo é explorar como se estabelece a comunicação ente os vivos e os mortos. Este livro mudou a vida do autor. Talvez também mude a sua.




Opinião: Este livro é sobre um tema que muitos procuram esquecer e poucos ousam refletir, não sei se por desconhecimento ou se por receio. Como leitora ávida de assuntos relacionados com a religião e de histórias sobre quem comunica com o além, ou não tivesse lido Alan Kardec e outros livros que abordam o tema da espiritualidade, embarquei, com alguma bagagem, numa experiência única. 



Lê-lo é como dar pequenos passos e percorrer um caminho de espanto perante as experiências de vida dos médiuns, os sentimentos, impressões e imagens que lhes são transmitidas, a eles, sem que, no caso, tenham sido feito leituras corporais ou fornecidas quaisquer pistas.


O autor, Stéphane Allix, deixou de ser repórter de guerra após a morte do irmão num acidente de carro. Cerca de 12 anos depois, coloca cinco objetos no caixão do pai e, um ano depois, interrogará seis médiuns de forma a que o pai comunique com ele e lhe diga quais são.



"Cada um dos seis médiuns descreveu-me a mesma pessoa, porque esta pessoa está viva (…). Estamos eternamente ligados".



Este teste ou experiência revela-se um verdadeiro jogo de pictonary, uma vez que os médiuns desconhecem completamente qual o objetivo, possuem pouca informação e, nas sessões, aparecem o avô, o irmão e um irmão do avô, que é desconhecido na família do autor.  


Já todos sentimos arrepios inexplicáveis, uma sensação que nos deixa desconfortáveis. Geralmente, o assunto da vida depois da morte poderá ter esse efeito. Mas já pensaram que não sabemos as respostas a todas as perguntas nem o que estamos a fazer neste planeta? Não gostariam de saber? As nossas crenças, ou a ausência delas, não impedem que cada um de nós desenvolva a capacidade para percecionar o que permanece inacessível aos nossos sentidos?  A esta última pergunta respondo com um sim. Vivemos presos ao que acreditamos e ao que nos foi transmitido.


Nesta leitura, gostei muito da médium Christelle, a qual conseguiu conjugar o seu dom com a sua profissão de auxiliar de enfermagem. Ela ouve os mortos e ajuda-os, indo ao encontro do que eles lhe pedem para fazer e ou transmitir. Fascinou-me conhecer a vida destes seis médiuns, desde o momento em que tomam consciência das suas capacidades, geralmente em crianças, até a altura em que abandonam as suas profissões (com exceção da Christelle) para se dedicarem inteiramente à sua missão.


Depois de ter lido vários livros sobre o tema sinto que cada vez mais não podemos ignorar algo que faz parte da nossa essência. No entanto, A Prova não fornece detalhes sobre o Além. Fala antes dos espíritos, daqueles que geralmente permanecem num determinado lugar junto dos vivos, enquanto almas que precisam de ajuda, de luz e de amor. E relata  bem a necessidade de compreender melhor a partida dos que nos são queridos.



"Desde a morte do meu irmão – seu filho -, o meu pai pensava nisso constantemente e oscilava entre esperança e resignação. Não dizia muito, mas, durante os momentos que falávamos, sentia o sofrimento, a dor e a tristeza que a dúvida que o habitava a cada segundo representava. Parecia prisioneiro, dilacerado entre sensações contrárias. E os livros cuja leitura eu lhe sugeria não demonstravam fazer vacilar de forma duradoura a que ele chamava, com uma triste coragem, a «muralha imensa da bruma»".



Este livro ajuda a libertarem-se das amarras do materialismo e da «muralha imensa da bruma», e a compreenderem a capacidade de comunicação dos mortos, bem como a importância da mediunidade no processo de luto. 


Quer sejam meros curiosos ou realmente interessados no tema, recomendo esta leitura para que não sejam enganados, nem apanhados desprevenidos. A sério. Este livro é fascinante.


 


Classificação: 5/5*


Livro oferecido pelo clube do autor para opinião,


 

domingo, 30 de junho de 2019

Desafios de leitura | Update

Fui desafiada pela Isabel Caldeira do blogue "Manta de Histórias" para um desafio de leitura referente ao ano de 2019.


Lembram-se do desafio Book Bingo Leituras ao Sol? Sim, esse mesmo. Neste momento, não vejo que possa existir qualquer incompatibilidade entre os desafios, pelo que resolvi aceitar e fazer a experiência.


Muitos dos livros que já li este ano encaixam-se perfeitamente e, por isso, embora já tenham passado 6 meses, não parece que esteja muito atrasada. Aliás, de 32 livros no total, li 22.


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Livros lidos :



1-Um clássico- Admiável Mundo Novo, de Aldoux Huxley- 5*


2-Livro com um título longo - O miúdo que pregava pregro numa tábua, de Manuel Alegre-1*


3-Um calhamaço (+ de 600 págs) - Servidão Humana , de Somerset Maugham-5*


4-Livro com um número no título - 39+1, de Sílvia Soler-1*


5-Autor português nunca lido- Estar Vivo Aleija, de Ricardo Araújo Pereira-3*


6-Qualquer livro à tua escolha - A prova, de Stéphane Allix-5*


7-Livro escrito por dois autores - 28 livros para te encontrar, de Ali Berg e Michelle Kalus-3*


8-Livro com o nome de uma cidade no título - Uma praça em Antuérpia, de Luize Valente-4*


9-Livro que escolhestes pela capa- A Persuasão Feminina, de Meg Holitzer-5*


10-Um Ya - A química dos nossos corações, de Crystal Sutherland-3*


11-Livro há muitos anos na estante- A sombra do vento, de Carlos Ruiz Záfon-4*


12-Um romance - A imperatriz da lua brilhante, de Weine Dei Randel-4*


13-Um livro sobre a 2.ª guerra mundial-O Tempo entre Costuras - Maria Dueñas-4*


14-Um policial - A última ceia, de Nuno Nepomuceno-4*


15-Um livro cuja ação tem lugar em Portugal - Mau-Mau, de Filipe Nunes Vicente-2*


16-Um livro com capa vermelha - A grande solidão, de Kristin Hannah-5*


17-Protagonista é um homem - A história do Sr. Sommer, de Patrick Suskind-4*


18-Livro infantil- Lobos nas paredes, de Neil Gaiman-2*


19-Livro que tenha a palavra livro no título - Escondida entre os livros, de Setephanie Butland-4*


20-Livro escrito por uma mulher - Retrato de família - Jojo Moyes-3,5*


21-Livro publicado em 2018 - Assimetria, de Lisa Halliday-4*


22-Uma novidade- As flores perdidas de Alice Hart, de Holly Ringland-5*



 

 

quinta-feira, 27 de junho de 2019

A Prova, de Stéphane Allix | Novidade

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SINOPSE: Quando o meu pai morreu, coloquei quatro objetos no seu caixão. Não falei do assunto a ninguém. Depois interroguei médiuns que dizem comunicar com os mortos. Irão eles descobrir de que objetos se trata? 

 


Cerca de um ano depois, o autor contactou vários médiuns a quem propôs que participassem numa experiência. Stéphane Allix queria saber se o pai lhe falava dos objetos escondidos. O resultado deste teste é extraordinário. Seja cético ou crente, ninguém ficará indiferente ao testemunho deste jornalista. 

 

Várias investigações científicas permitem afirmar que a existência depois da morte é hoje mais do que uma hipótese sólida. Este livro pretende contribuir para o debate, trazendo resultados indiscutíveis. Apesar de se centrar no relato de experiências com médiuns, Allix faz um alerta importante a todos os que enfrentam uma perda: é preciso deixar os mortos seguir o seu caminho. O sofrimento atenua-se quando fazemos o luto, que consiste em aprender a viver com a ausência. 

 

Mais do que querer provar que a vida continua depois da morte, o objetivo é explorar como se estabelece a comunicação entre os vivos e os mortos. Stéphane Allix é claro: este livro mudou a sua vida. Talvez mude a sua também.

 

 


Podes ler tudo aqui

 

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Festival "A Porta", a força da imaginação e dos sonhos

A porta na Rua Direita não é uma porta qualquer ou poderia ser já que existem muitas, algumas degradadas como a da casa onde viveu Eça de Queirós.


A tudo assistem, desgastadas, as pedras negras da estreita rua mais conhecida da cidade de Leiria, em direção à porta do "Espaço Eça", da porta centenária da chapelaria "Liz" e até da porta do hostel "Atlas", num edifício antigo renovado.


Mas a porta não é uma porta qualquer, embora os visitantes sigam encautos e encantados pelo visual colorido. 


Esta Porta, não abre nem fecha, dá antes vida e alegria àquela rua empedrada e ladeada por edifícios desgatados pelo tempo; e a tudo empresta a cor vívida dos sonhos, refulgindo de sons e fervilhando de atividades e Workshops para os mais pequenos.


Já as pinturas e artesanato saltam à vista de todos, pois saem das mãos de quem tem rosto cansado e se alimenta de esperança.


Para mim, não é uma porta qualquer, é caminho que se percorre reavivando a força dos sonhos para que não sejamos passado em ruína.


 


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segunda-feira, 24 de junho de 2019

Coração tão branco, de Javier Marías | Opinião

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SINOPSE: Aqui


OPINIÃO: Este livro tem tudo para nos conquistar de imediato, exceto a forma como está escrito. Para mim, foi difícil acompanhar o desenvolvimento desta história, muito por culpa da escrita do autor, com parágrafos gigantescos, com frases longas e, por vezes, com ideias contraditórias.


Mas já lá vamos.


A história começa de uma forma que nos choca, pois a jovem Teresa, que acaba de regressar da lua de mel, mata-se com um tiro no coração durante um almoço de família. Na verdade, foi este segredo que agarrou e fez com que não desistisse logo nas primeiras 30 páginas, tal como já havia acontecido com outro livro do mesmo autor, "Os Enamoramentos".


Depois da cena inicial, aparece Juan, sobrinho de Teresa, também jovem, casado, e tradutor de profissão. Enquanto Luísa, a sua esposa, está doente na cama de hotel, Juan observa pela janela uma mulher que o confunde com outro homem. Ao mesmo tempo que descreve o que se passa numa rua, em Havana, verifica como está Luísa e vai partilhando os seus pensamentos, receios e pressentimentos em relação ao seu próprio casamento.  



Tal como uma doença por vezes altera o nosso estado ao ponto de nos obrigar a interromper tudo e a ficar de cama durante dias a fio e a ver o mundo apenas a partir da almofada, o meu casamento veio interromper os meus hábitos e as minhas convições e também, o que é mais decisivo, também a minha forma de ver o mundo.


 



Juan sente-se perseguido pelos próprios pensamentos. Enquanto tradutor está habituado a observar e a refletir sobre o que ouve, especialmente se for na língua que entenda. Mas Juan, a meu ver, pensa demasiado.


 



O que se dá é idêntico ao que não se dá, o que desejamos ou deixamos passar, idêntico ao que tomamos e agarramos , o que vivenciamos, idêntico ao que não experimentamos e, não obstante levamos a vida e damos a vida a escolher, rejeitar e seleccionar, a traçar uma linha que separa as coisas que são idênticas e faça a nossa história uma história única que possamos recordar e se possa contar.


 



Esta e outras frases demasiado longas foram, na minha opinião, o verdadeiro entrave para que este livro não proporcionasse uma leitura mais aprazível. No entanto, gostei especialmente da utilização da citação da obra de Shakespeare [ "As minhas mãos são da tua cor; mas envergonho-me de trazer em mim um coração tão branco"]  no título, bem como desta constituir um elo de ligação entre o início e o fim da história.


 


Um livro para se gostar (ou odiar), mas que merece ser lido atendendo ao estilo original narrativo a que chamarei de "pensamentos em modo saramago".


 


Assim sendo, deixo-vos esta frase:



Não há nada que não se possa contar, até o que não queremos saber e não perguntamos e, não obstante, nos dizem e nós ouvimos.


 



CLASSIFICAÇÃO: 4/5


(lê aqui as primeiras páginas)