
Sejamos como a primavera que renasce cada dia mais bela… Exatamente porque nunca são as mesmas flores.
Clarice Lispector

Sejamos como a primavera que renasce cada dia mais bela… Exatamente porque nunca são as mesmas flores.
Clarice Lispector
Uma coisa que aprecio, além de livros, são as fotografias diferentes e naturais. Vejo muitas fotografias todos os dias no Instagram e penso sempre em fazer algo semelhante ou, pelo menos, em experimentar. Mas, embora tenha várias ideias do que quero fazer, nada me preparou para a dificuldade em tirar fotos, sem me sentir observada. Diria mesmo que já vi vários paparazzis, mas só que sem a máquina fotográfica. Das duas uma: ou algo está errado ou então o que faço é mesmo muito estranho para quem não está habituado.
Fotografar com um telemóvel é vulgar. Fotografar com uma máquina já sobressai. E se experimentarem com um livro, então, é simplemente esquisito. Não sei se isto se passa apenas pela minha cabeça, mas, aparentemente, lá vou conseguindo lidar com os olhares dos curiosos. É melhor não pensar demasiado.
No domingo passado, por volta das 16h:00m, estavam cerca de 10 graus e o sol já se tinha escondido, então resolvi que o melhor local para fotografar o livro do Nuno Nemopuceno seria num Parque de Merendas, um sítio um pouco isolado. A Uma última ceia estaria assim em comunhão com a Natureza.
Foto 1

Pois é, deveria estar deserto, mas não estava, porque àquela hora ainda estavam duas mesas com pessoas a fazer um piquenique. Pessoas sem livros, sou só eu a achar isso estranho?
Por acaso até saiu bem e poderia ter terminado as sessões fotográficas, porém, ontem, à hora de almoço, resolvi experimentar entrar numa Igreja e afrontar todos os clérigos com uma fotografia ainda melhor. Seria A Última Ceia numa espécie de vingança disfarçada e uma forma de protesto contra os podres da Igreja.O máximo que me poderia acontecer era levar um ralhete do padre, pensava eu. Entrei e estavam duas senhoras no altar a rezar alto. Uma Igreja enorme e estavam duas senhoras, sem livros, a rezar sozinhas. Pessoas estranhas, ou sou só eu a achar isso estranho?
Foto 2

Olhem, tive de me contentar com a porta, mas respirei de alivio, porque me livrei de uma situação daquelas complicadas de explicar, e continuei a minha aventura estranha com pessoas ainda mais estranhas.
Foto 3

Mais uma foto que ficou bem e ainda assim, numa tentativa de enfrentar os medos, fui andando para outros locais.
Durante o resto do passeio tudo corria bem e eis senão quando encontrei uma senhora ao telemóvel. Falava tão alto que ouvi toda a conversa sobre a sua gravidez. Pessoas muito estranhas.
Foto 4

Virei logo na primeira Rua e depressa esqueci o sucedido, porque a hora de almoço estava a terminar e o trabalho náo espera por ninguém.
Foto 5

Espero que tenham gostado e, se acharam alguma coisa estranha, por favor comentem.
P.S.1. O Nuno Nepomuceno é só o escritor mais simpático que conheci até hoje, pelo que espero que este post não seja de molde a ferir susceptibilidades. Se for o caso, apresento as minhas sinceras desculpas.
P.S.2.Muitos parabéns pelo seu sucesso e espero que o novo livro já venha a caminho!

Os apreciadores da beleza, da cor e da estética, adoram rodear-se de obras de pintores famosos em cada canto da casa. No seu mundo, o da arte, é importante o conhecimento de todos os traços, pormenores, pinceladas e técnicas do artista. Ademais, os apreciadores e ou compradores, geralmente, têm um sentido apurado e, por vezes, encontram obras em sítios inesperadamente fáceis. Apreciar a Arte é uma arte, passo o pleonasmo, e, sabendo que a beleza tem um preço, há quem esteja disposto a pagar qualquer preço por uma obra ainda que a mesma tenha sido furtada de um Museu ou até de uma Igreja.
Sabendo que existe esse mundo paralelo do crime, o autor inspirou-se em alguns factos verídicos, como o roubo da Mona Lisa, no Louvre, em 1911, e a história d' A Última Ceia começa com o roubo da cópia da A Última Ceia [ que corresponde à pintura original sobre a parede realizada por Leonardo da Vinci, entre 1494 a 1498, no refeitório do Convento de Santa Maria Delle Grazie, em Milão, Itália].
O ladrão deixa uma mensagem "Obrigado pela pobre segurança. Vemo-nos dentro de um ano" e, ainda, um poema muito enigmático.
Mas refletindo um pouco sobre o final desta história, interrogo-mo se Leonardo da Vinci não terá razão:
Existem três tipos de pessoas: aquelas que veem, aquelas que veem quando lhes é mostrado e aquelas que não veem.
Creio que me enquadro no primeiro e segundo tipo de pessoas, porque quando acabo de ler um livro que me intriga volto sempre atrás à procura daquilo que me passou despercebido numa primeira leitura. E foi isso que aconteceu com A Última Ceia, uma vez que fiquei a pensar na divisão da história em: Livro 1 (esboço), Livro 2 (cor) e Livro 3 (Acabamento). Isso intrigou-me porque são as etapas necessárias numa pintura. Porém, só após a leitura é que dei conta de que a maior parte da história se encontra no Livro 2 (cor). Cor, em sentido figurado, significa disfarce, pretexto, e tenho para mim que foi propositadamente que o autor tratou aí a maior parte da ação e evolução da história, a qual serviu para delinear uma personagem que surpreenderá, e muito, no final. Acho que esteve bem disfarçada!
De outra forma, se calhar numa interpretação mais verosímil, entendo que o Leonardo Da Vinci se estava a referir à existência de pinturas por baixo dos quadros e que só sabemos atualmente através do recurso a técnicas avançadas. Ou então, se pensarmos que só vemos o que nos é mostrado, estava a chamar à atenção para a existência de objetos bem visíveis nas suas pinturas, como o do nó na toalha da mesa n´A última Ceia, existindo teorias sobre o seu verdadeiro significado.
Considero que este livro proporciona bons momentos e pergunto:
Do que estão à espera para o ler?
CLASSIFICAÇÃO:
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O fim de semana passou a correr. Li muito pouco. Ler pouco, para mim, é mau - é não preencher o pensamento. Ler pouco deixa-me sempre uma sensação esquisita de aperto no peito e, às vezes, ainda um vazio. Não deveria ser assim, oiço-vos dizer daí.
[Não, Edite, tens de mudar isso, e podes sempre escrever]
Ora, isso leva-me a achar que o tempo devia estar acessível em séries, como as da televisão, e nós compravamos mais um ou dois episódios de forma a conseguirmos ter mais tempo para fazer ver tudo o que gostamos.
Era uma boa ideia, não era?
[Era sim, mas tens de ir trabalhar para ganhar dinheiro]
Agora, fico com um dilema para resolver:
1- Acredito nas minhas ideias e leio para esquecer tudo;
2 - Acordo para a vida e escrevo o que me vem à mente;
3- Lá vou eu triunfante...

Sonhei, confuso, e o sono foi disperso,
Mas, quando despertei da confusão,
Vi que esta vida aqui e este universo
Não são mais claros do que os sonhos são (...)