segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Dois anos de Livro Secreto - Uma Praça em Antuérpia, de Luize Valente

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A iniciativa do livro secreto faz, este mês, dois anos. Quando começou, em fevereiro de 2017, lembro-me de pensar que seria muito tempo. Agora, verifico que não dei conta do tempo a passar.


 


Tem sido uma jornada, com alguns precalços, e estou, por exemplo, a lembrar-me da vez em que me esqueci de enviar o livro, pelo correio, porque jurava a pés juntos que já o tinha feito. E tinha, só que não era o livro que deveria ter enviado.


 


As dinamizadoras da iniciativa estão de parabéns, primeiro a M.J, depois a Magda, que assumiu a responsabilidade pelo grupo e pela coordenação do envio das moradas. Nestes dois anos, se não estou em erro, apenas se extraviou um livro no correio, por culpa dos CTT. Nada que não se resolvesse através da compra de um livro para substituir o livro perdido, tendo todos contribuido com uma quantia absolutamente irrisória. 


 


Quanto ao livro secreto do mês de janeiro, "Uma Praça em Antuérpia", é sobre a história de duas irmãs gémeas portuguesas, a Olívia e a Clarice, durante a Segunda Guerra Mundial. Por coincidência, tanto antes como depois tenho lido livros sobre esta temática.


Olívia  e Clarice foram criadas pela avó materna, uma vez que o pai se recusou a olhar por elas, dado o desgosto com que ficou após a morte da mulher durante o parto. Mais tarde, Olívia casa-se e vai morar para Lisboa e Clarice vai ter com ela após a morte do pai.


Clarice apaixona-se por Thomas Zus, um judeu alemão; mais tarde casa-se com ele e vai morar em Antuérpia, na Bélgica. Porém, a vida das gémeas muda completamente quando a guerra começa.


Aristides Sousa Mendes é a única hipótese de salvação para milhares de judeus que fogem dos países que vão sendo invadidos pelos nazis e os que conseguem chegar a Bordéus, em França, poderão ter o visto para Portugal - um país que se conseguiu manter, mais ou menos, neutro durante este episódio negro da história da Europa. É o que esperam as duas irmãs.


 


Este livro tem um segredo que é revelado 60 anos depois. Lê-se muito rapidamente, porque a escrita é simples e acessível. A história em si não é o que esperava. Diria que é um livro que entretém, mas não é excelente. E diria isto, porque todos os acontecimentos me pareceram estar encadeados de uma forma demasiado rebuscada, destacando-se um personagem que teria de estar muito mal da cabeça para ter feito o que fez. Esse personagem dita o destino de 3 pessoas e não contente com isso mente a uma criança inocente?! Aqui acho que o puzzle não encaixa mesmo, porque a criança é tratada como filho, desde muito pequeno e durante vários anos, logo não iria lembrar-se de pormenores tão concretos como o sítio onde ía lanchar com os pais biológicos e o que cada um comia. 


 


Como é óbvio, o leitor transporta muito de si próprio para a leitura e eu confesso que li muitos livros sobre esta temática, pelo que é inevitável a crítica.


Ainda assim, volto a lembrar que o livro lê-se muito bem e rapidamente, pelo que estão à vontade para ler, comentar e ou refutar a minha opinião.




 

 

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Inspirada em Edgar Allan Poe, só que sem o corvo...

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Rua dos Arcos, em Tomar



Que essa palavra nos aparte, ave ou inimiga! eu gritei, levantando - "Volta para a tua tempestade e para a orla das trevas infernais! Não deixa pena alguma como lembrança dessa mentira que tua alma aqui falou! Deixa minha solidão inteira! - sai já desse busto sobre minha porta! Tira teu bico do meu coração, e tira tua sombra da minha porta!" 

E o Corvo disse: Nunca mais.


 


Edgar Allan Poe



 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

2 - Entre livros e fotografias em: as aventuras de uma amadora.

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Existe uma lenda sobre seres do sub-mundo e de mundos paralelos ao nosso. Nessa lenda, basta atravessar um tronco e procurar uma gruta por detrás de uma cascata. É uma espécie de portal e quem entra pode já não sair.


 


 


A história por detrás do livro, aparentemente, é esta. No entanto, não poderiam estar mais enganados, assim como não poderiam estar mais enganados os vossos olhos.


Eu entrei nesse mundo, gostei da história e queria fazer-lhe uma homenagem, só que esta fotografia é um orgulho e uma vergonha.


 


A cascata, que bela ideia!


[Edite, não podes exagerar quando tiras fotografias perto de cascatas]


 


O que diria o autor?


[ Maldição? Levas com cem anos de azar? Provavelmente, mas já vos conto tudo]


 


Bom, voltando atrás no tempo, lembro-me como se fosse hoje de como fiquei feliz de me ter lembrado da cascata que existe dentro da cidade de Leiria. Aqui tão perto,  num saltinho, peguei na minha máquina e no livro, lá fui super empolgada.


 


Clique para aqui, clique para acolá,


vira o livro mais para o lado, mais para o centro,


e eis que chega o momento em que se consumou a dita negligência consciente, porque sabia, estava a prever e ainda assim conformei-me com o resultado.


 


[Edite, termos jurídicos quando o autor é licenciado em direito, que vergonha]


 


Senti-me mal.


 


Com o coração a palpitar


 


quando oiço um


 


PUF...


 


 e o  livro desiquilibrou-se e caiu na água.


 


Mas senhor autor não se apresse a pedir indemnização civil pelos danos causados à sua obra porque, conforme pode constatar, apenas se molhou a primeira página e o livro está bastante seguro.


 


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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Os melhores de 2018

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Pensei neste post para o mês de janeiro, no entanto, já iniciamos o mês de fevereiro e fico parva como o tempo voa rápido e sem pestanejar! O facto de ser um post tardio só vem dar razão ao velho ditado "mais vale tarde do que nunca". Pessoalmente, considero que é uma retrospetiva necessária para que fique um registo no blog e não num Bullet Journal ou numa agenda qualquer.


 


Por essa ordem de ideias deveria falar de todos os livros que li em 2018, mas não, não o vou fazer, porque, a meu ver, seria um post extenso e maçador. Porém, quero deixar apenas uma nota relativamente aos que não vou mencionar e que dei 4 estrelas. Enquanto leitora estou cada vez mais exigente e quero sempre mais. Quero um final diferente. Quero que o livro não seja um calhamaço. Quero ainda que a história me surpreenda e ensine coisas novas. No fundo, aos livros de 4 estrelas, faltou-lhes um bocadinho «assim»  tão pequeno que se calhar a culpa é minha e não dos livros. 


 


Voltando ao assunto inicial, tenho de admitir que li muitos bons livros no ano de 2018. Foi um ano de constante viagem, no tempo, que voou, nas palavras e na companhia de diferentes escritores. Emergi tanto na leitura que ela absorveu-me por completo e roubou-me as palavras que deveria dedicar ao blog. São uns invejosos, os livros!!!


 


Posto isto, a razão por detrás desta escolha, para melhores do ano 2018, prende-se com a necessidade de optar por aqueles que me tocaram, pelos que me deixaram a pensar e, sobretudo, pelos que considero que valem mesmo a pena ser lidos.


 


ASSIM:


- Com "O Tigre Branco" conheci a Índia corrupta e o contraste entre os muito ricos e muito pobres. Não há um meio termo. As cartas então são deliciosas, numa ironia crua e realista;


- Na "Sociedade Literária da Tarte da Casca de Batata", os personagens, tal como eu, adoram ler e falar de livros. Em Dawsey, uma ilha em França,  reina a destruição e a fome, após a Segunda Grande Guerra. E novamente as cartas foram o deleite neste leitura;


- "A História de Uma serva", é uma distopia e aborda um tema delicado das barrigas de aluguer. A raça humana poderá estar em perigo e este livro demonstra-o bem. Uma lição ou uma mensagem? Não sabemos, mas está muito próximo da realidade;


- Já com "O Homem Chamado Ove", o velhote, intratável, irascível e insuportável, podemos aprender a tolerar ou a odiar a velhice. Cabe a cada um decidir. O que é correto pensar acerca deste livro é que a solidão dos idosos é cada vez mais preocupante;


- O "Frankestein" é um livro de leitura obrigatória. O monstro que é criado pelo homem tem sentimentos, mas o desprezo e a solidão transformam a sua natureza boa em algo diabólico. Acho que o papel de Deus na mão do homem tem de ter limites;


- "À Espera no Centeio" é sobre o jovem Holden, na adolescência, com a sua rebeldia. Uma fase pela qual todos passamos, com as suas dores, incertezas e injustiças. 


- "O meu ano mágico", não é para qualquer um, pelo menos no que à disponibilidade diz respeito, em particular, no nosso país. Não fosse a morte de alguém próximo da escritora,  queria muito ler um livro todos os dias durante 365 dias. Acho que seria o sonho de qualquer livrólico.


- "O rouxinol" causa graves alergias oculares acompanhadas de choro intenso. Deveria, por isso, vir acompanhado de "bolinha"  no canto superior do livro, em forma de aviso para os leitores mais sensíveis. O que torna interessante esta história, além da capacidade de escrita da autora, é o papel das mulheres, especialmente as que colaboraram com a Resistência Francesa durante a Segunda Grande Guerra;


- "A quinta dos animais" é uma fábula com animais que dá que pensar e que representa a sociedade, bem como os políticos na  sua constante sede de poder obtido a qualquer custo. O povo é que sofre;


- "Verónica decide morrer", ironicamente, consta da lista dos 1001 livros para ler antes de morrer. A depressão e o suicídio são um problema muito atual, entre jovens e não só;


- "Ensina-me a voar sobre os telhados" é sobre voar ou sobre um sonho impossível (ou sobre a loucura, a meu ver). Quer seja a levitar no Japão ou com os pés assentes em Lisboa,  a descoberta de um sentido para a vida é algo que faz parte do ser humano;


- "O fogo será a tua casa" possui o encanto da escrita que eu mais aprecio e que, com pena minha, é difícil de aprender porque é um dom com que se nasce. Já os personagens, diferentes e caricatos, comportam-se como se seguissem um guião pré-determinado que os leva a contar a sua vida no covil dos fundamentalistas islâmicos. [Por vezes, ia jurar que estava enganada no local onde se encontravam os personagens, que tudo se passava num bar e que começaria com a anedota da freira, do jornalista turco e do americano]; 


-"Help me!", bem que poderia ser o meu pedido, depois deste longo post. Neste livro, a autora irá colocar na prática os ensinamentos dos livros de autoajuda, o que a coloca em situações embaraçosas, hilariantes e complicadas. Não me imagino a saltar de paraquedas só porque sim, pelo que o perigoso não são as ideias mas a forma como as colocamos em ação.


 


 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O tempo entre costuras, de María Dueñas

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Quando era pequena adorava coser a roupa para as minhas bonecas e tinha a secreta aspiração de vir a tornar-me estilista. Eram tempos em que tudo parecia possível de alcançar, mas, a realidade era outra. Nunca aprendi costura a sério, nem tinha jeitinho nenhum para isso. Cheguei a pedir a uma tia, que fazia costura para fora, para  me ensinar. Ela procurava pequenos pedaços de tecido para eu aprender a coser à máquina, mas não sei porquê aquela porcaria encravava sempre. Embora contrariada, por ser vencida pela agulha apressada da máquina, tive de desistir. Mas com uma agulha na mão lá conseguia fazer vários pontos e até ponto de cruz, o que me entretinha durante horas!


 


Já Sira Quiroga aprende desde cedo (e bem) o que são prespontos, a alinhavar e tudo o que se relaciona com a costura. A sua mãe trabalha no atelier da D. Manuela e é modista. Embora sejam pobres existe uma ligação especial entre mãe e filha.


Sira apercebe-se da riqueza existente nas casa das clientes onde vai fazer as entregas e, ao sentir-se deslumbrada por uma vida boémia e desafogada, irá envolver-se com a pessoa errada. É nesta parte da história que fiquei dececionada com Sira. Julguei que era mais esperta e perspicaz. Julguei que ninguém a conseguiria enganar ou que pelo menos ouvisse a mãe.


 



Repreedeu-me com as censuras mais contudentes que conseguiu trazer à boca. Chamou aos céus, suplicando  a intervenção de todos os santos, e tentou convencer-me com dezenas de argumentos a fazer marcha atrás nos meus propósitos. Quando verificou que nada daquilo servia, sentou-se na cadeira de baloiço ao lado da do meu avô, tapou a cara e pôs-se a chorar.



 


O livro «O tempo entre costuras», de 620 páginas, tem um pouco de história (da guerra civil espanhola e da Segunda Guerra Mundial), locais interessantes, espionagem, personagens bem construídos e momentos de mistério, como este:


 



Um homem. Sozinho. Um homem sozinho cujo rosto não consegui distinguir entre as sombras. Um homem qualquer que nunca me teria chamado a atenção se não tivesse vestida uma gabardina clara com a gola levantada, idêntica à do indivíduo que me seguia havia mais de uma semana. Um homem de gabardina de gola levantada que, a julgar pela direção do seu olhar, mais do que no enredo cinematográfico, estava interessado em mim.



 


 Este livro tem ainda mulheres fortes. As várias personagens femininas são diferentes e interessantes. Gostei da Dolores, da Candelaria, da Jamila, da Rosalinda Fox, da Beatriz Oliveira, de todas elas, porque resistem às adversidades à sua maneira. 


 


CLASSIFICAÇÃO:


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O que é que não gostei, perguntam vocês, para dar 4 estrelas? Eu não gostei do final.


O que foi aquilo?!