quarta-feira, 16 de maio de 2018

O meu Frankenstein

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Este tema vem a propósito do último livro que acabei de ler. É um tema que dá para refletir e poderia abordar aqui vários assuntos, no entanto, resolvi particulizar um pouco quando fiz esta pergunta: Não teremos todos um Frankenstein nas nossas vidas? Um monstro que se vinga e nos persegue? Intuitivamente respondo que sim. Eu chamo-lhe realidade consubstanciado num constante Sentir. Pensar. Viver. É quase como o bater ritmado do coração, que funciona perfeitamente e que, ao mesmo tempo, passa despercebido. Sentir. Pensar. Viver. E um dia quem sabe nos assombre e consuma de medos quando tomamos consciência da dimensão que implica esse esforço diário. Mas  o meu FranKenstein é diferente, é algo que nasceu comigo. Ele alimenta-se de pensamentos. Tal como no livro, ele é gigante, por vezes feio, e considera-se uma criação aberrante da natureza. Tem vida própria, acreditem. Eu cá experimentei correr com ele, persegui-lo com pensamentos de beleza e até com produtos químicos da farmácia, mas o mais saudável é abrir um livro e começar a ler. 

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Livros para ler e ficar rico em palavras.

Hoje é sexta e aproxima-se o fim-de-semana. Tempo para uma pausa necessária. Altura para descontrair, planear uma saída ou fazer umas compras para o resto da semana.


Desta vez não vou escrever muito, porque já partilhei convosco a aventura vivida nas palavras d´ Flores, de Afonso Cruz


Espero que gostem da sugestão e que comentem. Podem usar e abusar das palavras. Elas enriqueçem-me a memória.


 


Bom fim-de-semana e boas leituras!


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quinta-feira, 10 de maio de 2018

O Tigre Branco, de Aravind Adiga

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Sinopseaqui.


Opinião: A narrativa é feita por Balram. Ele conta a história da sua vida («A autobiografia dum Indiano Mal Amanhado»). Neste tom irónico e crítico, Balram descreve o seu país, a Índia, e conta que antes de se chamar Balram era Munna. No entanto, Munna significa apenas rapaz, ou seja, quando nasceu os pais não lhe deram um nome. 



Mas afinal que espécie de lugar é aquele em que os pais se esquecem de dar o nome aos filhos?


 



É só na escola que o professor o "batiza" de Balram e eu achei isto táo triste que senti uma enorme compaixão pelo personagem, mas aviso já: não se iludam. 


«O Tigre Branco» contem sete cartas escritas por Balram ao primeiro-ministro Chinês, que visitará a Índia, onde conta a sua história e faz uma crítica social algo arrojada. 


 



A propósito senhor primeiro-ministro: já reparou que os quatro maiores poetas do mundo são todos muçulmanos? E que, apesar disto, todos os muçulmanos com que nos cruzamos são ou analfabetos, ou andam tapados dos pés à cabeça com burcas pretas, ou à procura de prédios para explodir? É um enigma, não lhe parece? Se algum dia conseguir perceber esta gente, então mande-me um e-mail.


 



Nesta sátira, temos: pobreza, ambição, ganância, corrupção, crime, cenas ["nojentas"], desigualdade social e injustiça q.b.. Porém, aquele sentimento de pena que Balram inspira, ao início, vai-se dissipando à medida que a história se desenrola. A própria narrativa começa por ser leve e divertida mas descreve uma realidade "quase medieval", que é o sistema de castas. Vindo do lado pobre, escuro e sujo, Balram quer subir na vida, mas a sua casta, Halwai, tem de vender doces (Cada casta tem um nome que se relaciona com uma profissão) e Balram não quer essa profissão de "pobre" e sim ter uma bela farda e ser motorista (No fundo, quer passar para o lado da luz e da riqueza).


Gostei deste livro porque acho que é uma história que dá para refletir sobre a realidade na Índia e conhecer um pouco mais desse país. 


Gostei ainda porque o livro é pequeno, lê-se rapidamente e não é nada maçudo.


Mas o que mais gostei foi da construção e caraterização psicológica do personagem Balram (Brutal!).


Espero ler mais deste autor.


 


Classificação: 5/5.

domingo, 6 de maio de 2018

Blogs e Clubes de Leitura: duas vias para a literacia.

No dia 1 de maio, recebi um convite do Blogs Portugal para o desafio 7 dias com os media 2018 que consiste num desafio para que diferentes pessoas desenvolvam os seus projetos e iniciativas relacionados com os media.


Os bloggers podem participar (e quem quiser ainda pode fazê-lo), bastando fazer o registo na plataforma digital www.7diascomosmedia.pt com uma proposta ou uma ideia para um post.


Nós (eu, a Fátima, a Mariana, a Helena, a Roberta  e a Vanessa), na última reunião do Clube de Leitura Conversas Livrásticas, resolvemos aceitar este desafio, uma vez que seria muito interessante descobrir o que pensam a respeito do impacto que os blogs e os clubes de leitura têm para a literacia. 


Cada vez mais  se fala nos media, bem como na importância dos bloggers na partilha e promoção do conhecimento. Para comprovar  esta realidade precisavamos de algo que permitisse recolher a vossa opinião e, nessa senda, elaboramos um inquérito. 


 


A resposta é anónima, a vossa colaboração preciosíssima e o nosso prémio são as vossa respostas.


 


Vá lá, participem e deixem a vossa opinião!


 


 


 


 


sexta-feira, 4 de maio de 2018

Para ler e viajar.






Para este fim-de-semana recomendo que relaxem e que aproveitem para viajar para Guernsey, uma ilha perto de França (era bom, não era?). Então, convido todos os leitores a visitar um local que, aquando da minha visita [literária], me pareceu familiar. Talvez seja apenas um sentimento, uma vontade de conhecer as pessoas ou um desejo de participar nas conversa sobre os livros. Seja o que for, é envolvente e diferente.


Sabiam que na segunda Guerra Mundial as tropas alemães ocuparam Guernsey? E que estes exigiam que os habitantes lhe fornecessem toda a comida? E que é por causa de um jantar de porco que surgiu a Sociedade Literária da Tarte de Casca Batata?


Podem ficar a saber as respostas se lerem o livro, claro. Os leitores que têm paixão por livros vão de certeza ficar com a "pulga atrás da orelha". Olhem, eu fiquei. O título despertou-me a atenção. Mais. Fui à biblioteca e durante a leitura as pessoas pareceram-me reais. Depois, cheguei a desejar receber uma cartinha igual. Só uma! (bem posso sonhar). E resumindo a história, gostei tanto que já adquiri o livro.


Para vos aguçar mais a curiosidade, e a propósito da familía Brontë, deixo-vos um excerto de uma das cartas cujo sentido de humor considero delicioso:


 


"Cara Miss Ashton


Oh, meu Deus. A Juliet escreveu um livro sobre a Anne Brontë, irmã de Charlotte e da Emily. A Amelie Maugery diz que mo vai emprestar, porque ela sabe que tenho uma predilecção pelas irmãs Brontë - coitadinhas. Só de pensar que as cinco tinham pulmões tão fraquinhos e morreram tão novas! Que tristeza.


O pai delas era um homem muito egoísta, não acha? Não se preocupava nem um pouco com as filhas - sempre sentado no escritório, a gritar que lhe levassem o xaile. Nunca se levantou para se servir sozinho, pois não? Limitava-se a ficar ali no escritório, isolado, enquanto as filhas caiam para o lado que nem moscas.


E o irmão, o Branwell, também não era lá grande coisa. Sempre a beber e a vomitar nos tapetes. Elas tinham de andar a limpar o que ele sujava. Era um rico trabalho para as senhoras Autoras!


Acredito piamente que com dois homens daqueles em casa e sem grandes possibilidades de conhecerem outros homens, a Emily só podia inventar o Heathcliff! E que excelente trabalho ela fez. Os homens são mais interessantes nos livros do que na vida real (...)".


 


Este livro, que está no Plano Nacional de Leitura, é um livro que todos devem ler.


Eu já li e vocês?


 


Bom fim-de-semana e boas leituras.


 


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 *Livro lido sem opinião escrita (ainda) aqui no blog