sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

O Assassino do Aqueduto, de Anabela Natário

assassino.jpg


Este é um daqueles livros que ou se gosta ou se detesta, e digo isto porque fiquei com essa percepção depois de ter lido as críticas no goodreads. Mas adiante.


 


Quando requisitei este livro, na biblioteca, não sabia quem era a jornalista Anabela Natário, mas já tinha ouvido falar da história de Diogo Alves, do assassino do Aqueduto das Águas Livres, e da sua cabeça decepada guardada em formol para futuros estudos. Pareceu-me interessante e trouxe-o convencida de que o assunto eram as mortes ocorridas no Aqueduto. Mas Diogo Alves além de assassino era ainda ladrão e aterrorizou Lisboa da primeira metade do século XIX . Ao seu lado, tinha um bando de ladrões que vivam de assaltos, roubos, bebida e mulheres, e a sua amante, a Parreirinha (Gertrudes Maria), que era uma mulher que o apoiava em tudo. 


 


Voltando ao que referi anteriormente, uma das críticas apontadas à escritora no goodreads prende-se com o estilo de escrita da autora, porém, tenho de discordar dessa opinião, uma vez que algumas das expressões são as usadas naquela época. Talvez por já ter lido vários clássicos não estranhei a escrita e a leitura fluiu muito naturalmente.


 


O romance tem mistério e intriga q.b. e a jornalista fez um óptimo trabalho de pesquisa, consultando os jornais da época e os processos judiciais. 


Acho que é um romance histórico fora do habitual e o facto de ser baseado em factos verídicos é a minha cereja no topo do bolo. Eu adorei.


 

 

Classificação: 5/5

 

 

Os Bichos, de Miguel Torga | Livro Secreto # 10

IMG_20171218_105125_866 (1).jpg


 


Começando pelo início, pelo prefácio, Miguel Torga dirige-se ao leitor:



 


São horas de te receber no portaló da minha pequena Arca de Noé. Tens sido de uma constância tão espontânea e tão pura a visitá-la, que é preciso que me liberte do medo de parecer ufano da obra, e venha delicadamente cumprimentar-te uma vez ao menos. Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grato e correcto (...).


 


És, pois, dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia. Isso não é comigo, porque nenhuma árvore explica os seus frutos, embora goste que lhos comam.


 



Com estas palavras, Miguel Torga dá a conhecer a Arca de Noé, na qual o leitor irá embarcar. A leitura, essa é da total responsabilidade do leitor que é tão dono do livro como o autor. Vocês concordam?


 


Publicado em 1940, cada um dos catorze contos tem ou um animal ou um humano. Durante a leitura isso deixou-me bastante surpreendida, pois achei que as caraterísticas dos animais estavam bem próximas dos humanos. Já a história da mulher, a Madalena, é tão crua e realista!


 


O conto que mais gostei, tudo por culpa d´ A rapariga do autocarro, foi o do galo Tenório que: "Era um galo, e não cuidasse lá o senhor borra-botas do lado que, por ser novo, lhe havia de andar ao beija-mão toda a vida". Ai, o Tenório, fica na minha memória como sendo uma expressão para mais tarde lançar a alguém desprevenido (ahahah).


 


E vamos às curiosidades. Miguel Torga nasceu em Trás-os-Montes em 12 de Agosto de 1907 com o nome Adolfo Correia da Rocha e, em 1934, adoptou o pseudónimo Miguel Torga. Sabiam que “Torga” é uma urze, uma raiz que sobrevive e contribui para a sobrevivência das gentes nas serras transmontanas? E sabiam que Miguel Torga foi nomeado para o Prémio Nobel da Literatura?


 


Os “Bichos” é um livro secreto e tem feito uma viagem pelas casas e pelos correios deste país, mas espero que tenham gostado desta apresentação e espero ainda não ter revelado muito do seu conteúdo.


 


Classificação: 4/5.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Às Terças com Morrie, de Mitch Albom | Livro secreto # 9

250x.jpg


No início do livro, sabemos que está eminente a morte do professor, Morrie Schwartz, que sofre de Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A.).  Morrie é uma pessoa extraordinária e bem disposta. Sabe que tem uma doença incurável, mas isso não o assusta. À medida que vai perdendo os movimentos, ele sabe que quando a doença atingir os pulmões será o fim. Ainda assim, Morrie continua a ver só as coisas positivas e importantes da vida.


 


O seu antigo aluno, 20 anos depois, Mitch Albom, jornalista desportivo, visita-o todas as terças-feiras, durante 14 semanas, e acompanha o evoluir da doença. Em cada visita Mitch regista as sábias mensagens de Morrie sobre a vida e a morte.



Estou na minha última viagem, e as pessoas querem que lhes diga o que hão-de pôr na mala.


 



"Às Terças com Morrie" fez-me chorar e questionar a minha própria sanidade mental, especialmente ao nível da oscilação de humor. Ao que parece este livro deveria vir acompanhado de um alerta, pois causa severas emoções. As minhas lágrimas, no entanto, lavaram-me a alma e, nas palavras simples de um professor de sociologia, revejo a lição de que é importante saber valorizar as coisas simples da vida.


 


Uma vez que é a vida que nos ensina, recomendo a leitura a quem goste da reflexão sobre assuntos sérios abordados de uma forma leve e com a pitada de humor de Morrie.


 


Classificação: 4/5


 


Quem tiver curiosidade também pode ver o filme :https://www.youtube.com/watch?time_continue=76&v=8j6k_I7nlKw


 

Os Olhos de Ana Marta, de Alice Vieira | Livro Secreto #8

image0-100.jpg


Sinopse: aqui.


 


Opinião: Lembro-me bem de ter lido "Rosa, minha irmã Rosa", "Chocolate à Chuva", "A Espada do Rei Afonso" e "Águas de Verão". Alice Vieira escreveu estas e outras histórias infanto-juvenis que faziam as minhas delícias. 


 


"Os Olhos de Ana Marta" é classificado como o melhor romance de Alice Vieira, pela construção das personagens, a estrutura narrativa e a conceção da história. Sem dúvida uma grande escritora cujas obras foram traduzidas para várias línguas e que merece um carinho especial por me ter "acompanhado" na infância. Mas vamos à história.


 


Marta é uma menina de 11 anos com muita imaginação. Ela acha que foi trocada no hospital e que a mãe, Flávia, não é a sua verdadeira mãe. A sua imensa imaginação, instigada por Leonor, a governanta que lhe conta histórias, não consegue descortinar a razão desse sentimento de rejeição, o qual não é de todo infundado-é que a mãe nunca pronuncia o seu nome e mal olha para ela. Já o pai, só tem se interessa por Flávia. Fecham-se quartos na casa de Marta assim como se fecharam as portas do coração daquela mãe. 


 


O livro tem, obviamente, um mistério, um segredo de família, que deveria ter despertado uma vontade enorme de descobrir toda a verdade. Infelizmente, desta vez, não funcionou comigo. Não sei bem o que aconteceu durante a leitura, mas não consegui agarrar a história, senti-la em todas as suas palavras nem imaginar o sofrimento de Marta. Na verdade, não senti nada. Foi mesmo muito estranho.


 


Mais tarde, refleti um pouco e entendi este distanciamento ou esta aparente falta de ligação com a personagem. De forma inconsciente, o meu objetivo foi voltar à infância e sentir o desprendimento total das férias de Verão. Através desta leitura, isso falhou e, como não encontrei o que procurava, facilmente perceberão o motivo de ter sido uma leitura demasiado rápida e sem grandes emoções. Mea culpa, assumo.


 


Portanto, aconselho o livro a quem procura encontrar uma lição de vida, mas desaconselho a quem procura uma forma de voltar atrás no tempo como foi o meu caso.


 


E vocês, já leram? Comentem, pois gostaria muito que partilhassem aqui a vossa opinião. 


 


Classificação: 3/5


 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

À minha filha em França, de Barbara & Stephanie Keating

6323187.jpg


 Sinopse: aqui.


 


Opinião: O livro começa por um testamento e pela descoberta de uma filha desconhecida. Solange de Valney não conhece Eleanor Kirwan e o facto de ficar a saber que o seu pai não é o pai biológico deixa-a desvastada ao ponto de não querer nada, nem dinheiro, nem bens.



 


A ação desenrola-se nas Irlanda e na França e leva-nos a viajar no espaço e no tempo, entre o presente e o passado, num tempo de guerra (Segunda Guerra Mundial). Já quanto à narrativa, considero que é muito levezinha quando volta ao presente e se centra na espécie de «obstinação» de Solange, uma vez que não quer acreditar que o pai, Henry Valney, que sempre conheceu como pai a vida toda, afinal não é o verdadeiro pai. Claro que percebo a sua posição, pois é terrível desconhecer a verdade e não ter a mãe para a ajudar a esclarecer a história!


 


Na minha opinião, é um livro interessante, mas as suas quatrocentas e trinta e duas páginas retiraram à leitura um pouco do entusiasmo inicial. Também retirou o entusiasmo verificar que certas situações são previsiveis, o que, no caso sou suspeita, ou não fosse uma grande admiradora de mistérios por desvendar. 


Gostei, apesar dos aspetos que já referi, da história de Seamus e Leah e do triângulo amoros de Helena, Richard e Celine. 


 


Um livro escrito por duas irmãs, Barbara e Stephanie, e uma história sobre duas irmãs, julgo que são fatores suficientes para suscitar o bichinho da curiosidade.


Aos editores, deixo a pergunta óbvia: não acham que o livro merecia uma capa mais bonita?!


 


Classificação: 4/5