terça-feira, 4 de julho de 2017

Línguas-de-gato | Dar o doce na cauda? # 35

Gosto de ser gato. Gosto mesmo. Se penso noutro bicho logo se me eriça o pelo de desgosto. Nenhum é tão bonito, fofo, fiel, amigo, antistress e companheiro, como O Gato. Quem tem um tem tudo. Mas se procuram outras razões, saibam que ter um gato é sempre melhor do que: ser pobre, ter emprego abaixo de cão, ser gago, ter problemas de visão, entre outras razões que existem neste livro aqui. Ninguém me paga pela publicidade, mas se querem saber fico satisfeito que um humano tenha descoberto as razões para se gostar de um gato. É claro que isto é para os humanos. Ou melhor são eles que o explicam. Procurei obter respostas concretas, mas para o amor entre gatos. Acreditem que gostaria de perceber. E ainda não entendo...


A Pipoca anda eufórica com o Amado gato da vizinha que, por sinal, é do Brasil. Vai daí disse à Pipoca que queria "dar o doce" e ela ficou furiosa com o Amado. Só depois (muito mais tarde) ele conseguiu explicar que a expressão significa casar. E aí, meu Bastet, os meus olhinhos viram a Pipoca com asas de alegria. Bem, quase voou de contentamento porque ia caindo pela janela enquanto ronronava com o Amado gato da vizinha Brasileira que, por sinal, é dos Santos. 


Meu Bastet, peço o teu conselho nesta hora de grande angústia. Ser gato é melhor que tanta coisa, porque é que haveria de existir um Amado gato da vizinha brasileira dos Santos? 


Não sou de Espírito Santo, mas, na dúvida, irei explicar que dar o doce é para os humanos e que os gatos só costumam ficar na cauda...


 


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 http://atarde.uol.com.br/brasil/noticias/1853576-cena-inusitada-gato-preto-deita-na-cauda-de-vestido-de-noiva


 

domingo, 2 de julho de 2017

Hoje é dia de destaque no SAPO

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Não podia deixar passar este momento sem demonstrar a minha gratidão à equipa do SAPO. Muito e muito obrigada. Fizeram o meu domingo mais risonho e alegre (enquanto escrevo, acreditem que estou a sorrir).


 

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway | Livro secreto # 4

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"O Velho e o Mar" foi escrito em 1951, em Cuba, mereceu o Prémio Nobel da Literatura no ano de 1954, e eis senão quando este livrinho chegou ao meu correio (não, não recebi de nenhuma editora e, sim, recebi do grupo do livro secreto. O meu eterno agradecimento).


Em "Paris é uma Festa" fiquei com a ideia de que seria um livro de memórias do próprio escritor e n´" O Velho e o Mar" julguei que se trataria de uma metáfora utilizada para descrever as dificuldades da vida bem como a resiliência imprescindível para as vivenciar e ultrapassar. Mas depois conto melhor o que se passou.


 


O personagem principal é um velho pescador cubano, chamado Santiago, que ficou sem conseguir pescar um peixe durante 3 meses. Santiago tem a ajuda e apoio do jovem Manolin. Já em mar alto, lembra-se constantemente do jovem, pois já é velho e sente que já não tem a força de antes. Quando finalmente apanha um peixe enorme, trava uma luta, com o peixe, durante 3 dias e 3 noites, acabando cercado por tubarões. Com dores e feridas nas mãos, com fome e sede, sente que vai morrer ali, mas aguenta todos os "golpes" para levar o grande peixe consigo.


Durante esse tempo, o velho Santiago dialoga consigo mesmo, com o mar, com as aves, com o peixe, e sente a falta do seu jovem amigo Manolim, o qual lhe devota um grande respeito e lhe alivia o sofrimento imposto pela idade.


 


É, portanto, num estilo simples que é narrada esta história, cheia de termos ligados à pesca e à vida em alto mar. A narrativa é sobre o velho e sobre a vida no mar e é, a meu ver, muito convicente, direi antes um retrato fiel de alguém com quem Hemingway constumava pescar o peixe Marlim azul, alguém que se chamava Gregório Fuentes e que morreu 40 anos depois do escritor.


Portanto, nada mais lógico do que associar a história à própria vida difícil dos pescadores, bem como de todos os que precisam de coragem para enfrentar e superar as dificuldades. 


 


Mas há quem entenda as palavras de outra forma, associando: Hemingway ao velho pescador, o peixe ao seu talento literário e os tubarões aos críticos do seu trabalho; ou, ainda, à fé e à religião.


O que é certo é que o próprio Hemingway negou a existência de qualquer simbolismo quando afirmou que: "O mar é o mar. O velho é um velho. Os tubarões são tubarões, nem melhores nem piores".


 


Em "Paris é uma Festa" descreveu a obra como uma fição e em  "O Velho e o Mar" refere que não há simbolismo nenhum? Acham que voltou a baralhar os leitores?


A minha interpretação é a de que não. Para o escritor não há simbolismo para a Vida, ela é, e sempre foi, exatamente assim, tal como na história.  



As aves têm uma vida mais dura que a nossa, à excepção das de rapina e das muito fortes. Porque há passaros tão delicados e finos como essas andorinhas quando o oceano pode ser tão cruel? É gentil e muito belo. Mas sabe ser tão cruel e sê-lo tão de súbito que tais pássaros que voam e mergulham à caça, com as suas vozinhas tristes, são demasiado delicados para o amor.



 


1


O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway


Editado em 1952


Editora Livros do Brasil