quinta-feira, 22 de junho de 2017

A Livraria dos Finais Felizes, de Katarina Bivald

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Sara, a protagonista, é uma bibliófila, adora ler e trabalhou numa livraria na Suécia. Assim, quando a livraria fechou as portas, resolve visitar a Amy em Broken Wheel, uma pequena cidade norte-americana do Iowa. Amy e Sara tornaram-se amigas, à distância, através das cartas que foram trocando. Ambas adoram ler e trocar as suas experiências literárias. Porém, quando Sara chega a Broken Whell, Amy tinha acabado de sucumbir a uma doença grave e não a chega a conhecer. Mas Sara não desiste e resolve abrir uma livraria com os livros de Amy, despertando, aos poucos, nos moradores, o gosto pela leitura.


 


Este livro foi-me recomendado pela Magda e estava à minha espera (e eu à espera dele) e, quando lhe peguei, não consegui parar. Aliás, a frase "Há sempre uma pessoa para livro"confirma-se em cheio. Se, por um lado, as referências literárias multiplicam-se ao longo do livro de uma forma natural (e gigantesca, conforme lista de autores que a Roberta Frontini apontou e indica aqui), por outro lado, o leitor sente-se como se estivesse em Broken Whell, como se conhecesse os moradores e os livros de Amy.


 


A Livraria dos Finais Felizes é um daqueles livros em que temos uma protagonista jovem, normal, simples, e sempre "com o nariz enfiado nos livros", mas cuja simplicidade irá "revolucionar" a vida dos outros. E quando ela julga estar a ajudar os moradores e a retribuir a sua hospitalidade, percebemos que está, no fundo, a ajudar-se a si própria (ainda que ela não se aperceba disso). O mais interessante é que irá ter de passar por situações reais, o que a levará a compreender que aquelas pessoas, aqueles moradores de uma cidade pequena desinteressante, são muito importantes. Os livros "são melhores do que a realidade (...). Mais grandiosos, mais divertidos, mais bonitos, mais trágicos, mais românticos",  porém, em Broken Whell, Sara sentir-se-á em casa. E quem não estaria ao sentir-se rodeada de amigos "reais" e de uma livraria repleta dos fiéis livros?!


 


Numa última análise, considero que "A Livraria dos Finais Felizes" é uma ode aos que "respiram livros"  e que não passam sem eles, mas na qual a escritora utiliza, com habilidade, uma mensagem estratégia que leva a que os livrólicos concluam o seguinte: é preciso ler e é imprescindível viver... 


 



Os livros tinham constituído uma defesa, sim, mas não era só isso. Tinham protegido Sara do mundo à sua volta, mas também o tinham transformado num difuso pano de fundo para as verdadeiras aventuras existentes na sua vida.


 


Livros de capa mole e de capa dura tinham um cheiro diferente, mas também existiam disparidades entre as edições de bolso inglesas e suecas (...) Curiosamente, os manuais para o público adulto cheiravam ao mesmo que os livros escolares: o aroma familiar das salas de aula, ar viciado e desassossego.



 


Sinopse:Há sempre uma pessoa para cada livro e um livro para cada pessoa."A Livraria dos finais felizes é uma história comovente sobre o poder Se a vida fosse um romance, o da Sara certamente não seria um livro de aventuras. Em vinte e oito anos nunca saiu da Suécia e nenhum encontro do destino desarrumou a sua existência. Tímida e insegura, só se sente à vontade na companhia de um bom livro e os seus melhores amigos são as personagens criadas pela imaginação dos escritores, que a fazem viver sonhos, viagens e paixões. Mas tudo muda no dia em que recebe uma carta de uma pequena cidade perdida no meio do Iowa e com um nome estranho: Broken Wheel. A remetente é uma tal Amy, uma americana de 65 anos que lhe envia um livro. E assim começa entre as duas uma correspondência afetuosa e sincera. Depois de uma intensa troca de cartas e livros, Sara consegue juntar o dinheiro para atravessar o oceano e encontrar a sua queria amiga. No entanto, Amy não está à sua espera, o seu final, infelizmente, veio mais cedo do que o esperado. E enquanto os excêntricos habitantes, de quem Amy tanto lhe tinha falado, tomam conta da assustadora turista (a primeira na história de Broken Wheel), Sara decide retribuir a bondade iniciando-os no prazer da leitura. Porque rapidamente percebe que Broken Wheel precisa de um pouco de aventura, uma dose de auto-ajuda e, talvez, um pouco de romance. Em suma, esta é uma cidade que precisa de uma livraria. E Sara, que sempre preferiu os livros às pessoas, naquela aldeia de poucas gentes, mas de grande coração, encontrará amizade, amor e emoções para viver: e finalmente será a verdadeira protagonista da sua vida.


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A Livraria dos Finais Felizes, de Katarina Bivald


Editado em abril de 2016 pela Suma de Letras



ISBN: 978-989-665-070-4


 


 

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Felicidade Roubada, de Augusto Cury

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Este é o segundo livro que li do Dr. Augusto Cury, pois adoro psicologia, especialmente quando explicada de uma forma leve e acessível, como é o caso. Além disso, tem um ingrediente especial, que aprecio muito, uma vez que a história é baseada em factos reais.


 


Se já não se recordam, lembro que se trata de de mais um livro do psiquiatra, psicoterapeuta e escritor Augusto Cury, em que se aborda, de forma romanceada, o tema do esgotamento e dos ataques de pânico e ansiedade.


 


O personagem principal é um neurocirurgião famoso e com uma brilhante carreira que se chama Dr. Alan de Alcântara. Ele é, ainda, muito exigente, profissional e diz tudo o que pensa. Porém, apesar de conhecer muito bem o cérebro, desconhece que que o seu também tem limites. Ele é acima de tudo um Workaholic e vive exclusivamente dedicado ao seu trabalho, negligenciado a filha e a mulher.


O Dr. Marco Polo aparece como psiquiatra do Dr.Alan, o que não esperava mesmo nada. Se quiserem podem ler a opinião sobre A Saga de Um Pensador (aqui), o qual continua a ser o meu preferido. 


 


O que gostei menos no livro Felicidade Roubada e não constatei no outro? Eu respondo, foram os diálogos, quase como os do Tomás de Noronha nos livros de José Rodrigues dos Santos, e a escrita no português do Brasil. Os livros do Dr. Augusto Cury tiveram um volume de vendas enorme no Brasil, mas, para mim, torna-se estranho frases como:



-Você cobra demasiado de si?-perguntou o psiquiatra.


-Muito. Todos os dias. Olho para o meu passado bem-sucedido e comparo-o com aquilo em que tornei. Isso fez brotar em mim um sentimento de vergonha e de raiva.


-Na verdade, provavelmente sempre cobrou de si próprio. E quem cobra demasiado de si próprio sabota a sua saúde emocional, aumenta os níveis de exigência para ser feliz- afirmou o doutor Marco Polo.



  


Sinopse:E se de repente você perdesse a capacidade de fazer aquilo que dá sentido à sua vida? E se fosse paralisado pelos seus medos? Alan de Alcântara é um neurocirurgião bem-sucedido, que dedica grande parte do seu tempo à medicina. Cético e pragmático, não reconhece qualquer sinal de fraqueza em si e tem dificuldade em lidar com pessoas lentas.A sua vida profissional suga toda a sua energia, e, apesar de amar a sua inteligente filha Lucila e a sua adorável esposa Cláudia, mal convive com elas. Pensa que o amor é algo incondicional e não precisa de ser cuidado... Durante uma cirurgia, no entanto, Alan é acometido por uma crise de pânico e não é capaz de terminar o procedimento, deixando a responsabilidade para o seu auxiliar. Alan convence-se de que está a sofrer um ataque cardíaco, e não admite o diagnóstico: transtorno psíquico. O seu mal-estar jamais poderia ter origem emocional, pensa; isso é para fracos. Alan verá as suas certezas desmoronarem-se perante a doença – que irá significar, em última instância, uma oportunidade rara de se reconstruir como ser  humano. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

Boneca de luxo, de Truman Capote

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Boneca de Luxo é o título traduzido do romance de Truman Capote, o qual foi escrito em finais de 1950 e publicado em 1958. A história começa pelo fim e o narrador, que não revela o seu nome, começa a contar, quinze anos depois, o ano que passou na companhia de Holly Golightly. E foi no ano de 1943 que algo captou a atenção do narrador: a caixa de correio da vizinha e o cartão sugestivo na mesma "Em Viagem".


Holly, a vizinha, é jovem, bonita, loura e ambiciosa, gosta de grandes festas e de estar rodeada de homens influentes. 


Basicamente o tema central, neste pequeno livro, é o da amizade e da liberdade. Holly é livre. Holly busca a sua felicidade, a fama e o sucesso, de forma a ter sempre quem a sustente.Os amigos facilmente se apaixonam e "Fred", como é chamado por Holly uma vez que lhe lembra o irmão, é o escritor/narrador e vizinho de Holly.


Esta é uma das obras mais elogiadas de Truman Capot, mas, apesar de ter gostado da escrita e da leitura rápida, não me encheu as medidas. Ainda assim vou dar outra oportunidade com "Sangue Frio" (perceberam o trocadilho?).



A nossa casa é onde nos sentimos em casa. E eu ainda estou à procura. 


 



Sinopse:Holly Golighly é mais do que uma boneca de luxo. Deslumbrante, espirituosa e ternamente vulnerável, inquietando as vidas dos que com ela se cruzam, é retratada por Truman Capote em Breakfast at Tiffany’s (Boneca de Luxo), um romance tocante e singelo sobre a amizade, que constitui uma autêntica história de sedução.