terça-feira, 11 de abril de 2017

O Diário Oculto de Nora Rute, de Mário Zambujal | Livro secreto # 1 |

nora rute.jpgEste foi o primeiro Livro Secreto que chegou à minha caixa de correio. Trata-se de o diário de uma jovem que, no ano de 1969, vai relatando os seus segredos escândalos, bem como alguns acontecimentos. A ida do homem à lua é um deles e penso que, mesmo quem não viveu naquele período, pelo menos já ouviu falar de algumas coisas. Lembro-me especialmente de uma professora contar situações relacionadas com a minissaia e com as calças à boca de sino. Era comum as jovens serem castigadas pelos pais ou expulsas das escolas se aparecessem com os trajes da moda revolucionários . Apesar disso Nora é, a meu ver, uma exceção pois pertence a uma classe social superior. Ela tem uma rebeldia (própria dos anos 60) e, apesar do pai "torcer o nariz", usa a minissaia sem qualquer pudor ou vergonha. 


O que gostei menos no livro? A  parcimónia nas palavras, os capítulos pequenos e a rapidez com que se lê a história. Parece positivo (e é de certa forma) mas não me fez sentir especialmente desafiada.  


 


Sinopse: Nora Rute é uma personagem de romance e, ao escrever o seu diário, vai escrevendo, no desconhecimento do que virá a seguir, o seu próprio romance. Ao mesmo tempo, acrescenta-lhe o registo de acontecimentos e usos que marcaram um ano (1969) desde a chegada do Homem à Lua à moda da minissaia, das manifestações estudantis a guerras em África, aos bares e cafés de Lisboa.







Narrativa de marcada originalidade, O Diário Oculto de Nora Rute coloca os leitores no caminho irrequieto de uma jovem que desafia as regras, as de uma sociedade machista de um pai austero. Predominam as personagens que são membros da família, não só uma misteriosa tia Nanda, a prima Mé mas um quase desconhecido que parece ter conquistado, em definitivo, o amor de Nora Rute. E um primo ribatejano que lhe revelará o reverso das luzes e sombras da cidade.
Ao colocar-se na sua mente de uma forma travessa, Mário Zambujal, sem abandonar o seu estilo próprio de escrita, incorpora-o no espírito e na conduta de uma jovem que descreve no seu diário a agitação dos seus dias.











segunda-feira, 10 de abril de 2017

Línguas-de-gato | As palavras que nunca te direi # 27

Olá. Estou de volta nas línguas-de-gato e mais uma vez pretendo miar as novidades da semana. Ao que tudo indica uma menina "Mogli" foi descoberta numa floresta na Índia!!! - e já vieram dizer que não estava a viver com macacos?! Por acaso até vi na televisão. Achei estranhíssimo ela agarrar e beber água por um copo. Não aceitou comida mas um copo, sim?! A minha perspicácia felina disse logo:"Algo está errado e a história não foi bem contada". Mas como quem conta um conto acrescenta um ponto, não sei bem se posso confiar em tudo o que os humanos escrevem. O problema real reside na comunicação e volto sempre à mesma miadela de sempre! Quem me diz a mim, senhor gato, que a realidade é tal como descrevem?! Ou, melhor, que o certo é o que se fala agora e não o que se disse antes. É muita confusão, não é? Nada que um gato não aguente e que, por palavras que nunca te direi, revele a chispar dos seus olhos encantadores.Pruuuuuu, pruuuu. A sério?


Clarice Lispector disse o seguinte:


 



Vocês não sabem nada de mim. Nunca te disse e nunca te direi quem sou. Eu sou vós mesmos.



[Não estudem tanto, a verdade está nos olhos de um gato...]


 



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daqui


terça-feira, 4 de abril de 2017

Línguas-de-gato | A tradição já não é o que era # 26

Depois de ler este post, soube que a minha dona assinou a petição «Línguas de Gato Triunfo» e juntou-se aos humanos que têm a opinião de que se devem manter as tradições. Ela é assim. Um tanto saudosista! Certo dia contou-me que se lembra de comer, muitas vezes, essas bolachinhas quando era miúda; diz que eram estaladiças e viciantes... Humpff. Eu cá gosto da minha comida, e de trincar, e de morder, e de brincar, e de correr e... de miar em poucas palavras: americanos e espanhois não conhecem a nossa língua!!!  


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quinta-feira, 30 de março de 2017

O convidador de pirilampos, de Ondjaki

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Este livro é simplesmente surpreendente. A história, que julgamos ser dirigida apenas a crianças, é interessante para os adultos, uma vez que possui frases que nos levam a refletir enquanto admiramos as ilustrações maravilhosas. 


Um menino tem medo do escuro e gosta de "cientistar" e, tal como um cientista verdadeiro, "inventa" objetos para conversar com os pirilampos. O seu avô acompanha-o e vai fazendo perguntas ao neto. A relação entre os dois, a criatividade do neto e a "humanização" dos pirilampos novos e velhos, permite-nos entender a importância dos laços que se criam entre as duas gerações.


Li a história perante 24 crianças e achei curioso quando disseram que adoraram os pirilampos e o código de morse. Tenho a certeza que se tivesse 8 anos iria dar a mesma resposta. Atualmente, gosto de "cientistar" e observar e, quando vejo o mundo, fico feliz por ser nova e velha.



 Os cientistas parecem malucos porque passam muito tempo a olhar as coisas e às vezes olham coisas que os outros não conseguem ver. Porque há pessoas que olham sempre a ver muito pouco!


 



 Sinopse:


- Não achas que podem ficar tristes, esses pirilampos dentro de uma gaiola que fica dentro do teu quintal?


- Se estivessem tristes, acho que não brilhavam assim.


- E se estiverem a brilhar de tristeza? - perguntou o Avô.

- Não tinha pensado nisso.
Perto da Floresta Grande vive um menino e o seu Avô.
O menino gosta de cientistar coisas: Já inventou um aumentador de caminhos e um convidador de pirilampos.
Fala em código Morse com eles.