sexta-feira, 17 de março de 2017

O gato preto, de Edgar Allan Poe

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Li este conto na internet (http://www.livros-digitais.com/edgar-allan-poe/o-gato-negro/sinopse) enquanto pesquisava livros para falar no clube de leitura "Conversas Livrásticas". Já tinha lido “Os crimes da Rua Morgue” e sabia que o escritor é conhecido pelas histórias de mistério um tanto sinistras.


“O Gato Preto”, de Edgar Allan Poe, foi escrito em 1843, e é uma história repleta de simbolismo que ainda hoje é analisada pela psicologia.


 


O narrador gosta de animais sobretudo de um gato preto, chamado Plutão, mas devido ao álcool ele sofre mudanças de humor e torna-se violento, chegando a cortar um dos olhos do gato e até a enforcá-lo numa árvore. É nessa noite que há um incêndio na casa da família e o narrador entende isso como um mau presságio, especialmente quando vê a sombra do gato enforcado numa parede que se manteve de pé.


Uma noite, já muito bêbedo, vê um gato semelhante a Plutão e leva-o para casa. Só depois se apercebe que o gato tem uma mancha branca no pêlo em forma de forca.


Ao descer ao porão, tropeça no gato e, em fúria, agarra no machado para matar o gato, só que a mulher tenta defender o animal e é atingida no meio da cabeça. Depois de esconder o corpo por detrás da parede da cave, ele repara que não há sinal do gato. Só quando a polícia chega, e descobre o cadáver escondido, é que é encontrado o gato.


 


Acredito que Poe se serviu da superstição para incutir um certo medo aos leitores. Os gatos pretos eram (e são ainda) associados ao azar ou a bruxas. Se lerem a história, irão verificar que a culpa, pelo incêndio e pela descoberta do cadáver, recai sobre o pobre do gato. 



Ainda me restava alguma coisa do meu antigo coração para que a princípio me afligisse esta evidente antipatia da parte de uma criatura que tanto me amara em tempos. Mas esse sentimento em breve deu lugar à irritação. E apareceu, então, como para me destruir total e irrevogavelmente, o espírito de perversidade. Deste sentimento não se ocupa a filosofia. No entanto, tão certo como a minha alma existe, creio que a perversidade é um dos impulsos primitivos do coração humano - um dos indizíveis sentimentos ou faculdades primárias que marcam a direcção do carácter do homem. Quem não se surpreendeu cem vezes a cometer uma acção tola ou vil pela simples razão de saber que não se deve cometê-la? Não é verdade que temos uma inclinação perpétua, apesar da excelência do nosso julgamento, a violar aquilo que é lei, simplesmente porque sabemos que é a Lei? 


quinta-feira, 16 de março de 2017

O que dizem os meus livros?

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Os meus livros dizem-me para ler e deixar de escrever aqui no blogue. Eles são muito ciosos da sua importância e nada os pode perturbar. Certamente será uma fase, porque, às vezes, os meus livros são bipolares. Se num dia pedem-me "lê um romance", noutro ordenam "folheia uma aventura". Pois, são assim os meus livros, um pouco caprichosos, sempre a chamar à atenção dos meus deveres enquanto leitora. Lembram-me constantemente todas as horas passadas na sua companhia (e olhem que lhes perdi a conta!!!). Todos os dias penso no blogue mas continuo a falhar. Acho que sou péssima a gerir o tempo e gostava de mais. Sabe-me a pouco o que escrevo e a muito o que é escrito pelos outros. Eu oiço-os ao virar das páginas e admiro toda a originalidade, sensibilidade e imaginação. Perco tempo sim. Perco tempo nas leituras, mas sou feliz e esqueço tudo o resto. 

segunda-feira, 13 de março de 2017

Línguas-de-gato| A caverna # 23

Desapareci durante uns tempos, pois devem estar a ficar fartos de mim. Hoje, acordei cheio de esperança em como a graça me irá acompanhar neste discurso improvisado. É que sempre ouvi os humanos dizer: "mais vale cair em graça do que ser engraçado". E graça é coisa que não falta, pelo menos este ano, aqui, em Portugal. Fala-se de esperança e de paz, e eu, com a música, até mio um bocado.  



Sabemos que junto a uma azinheira apareceu Maria (ou Fátima) e eu, um pobre gato, espero sempre ouvir o lado B da cantoria. Sem dúvida que verdade há só uma. Aí, eu penso em algo nada habitual. Vejamos. Maria foi ao sepulcro ver Jesus Cristo, pois, nessa altura, sepultavam os mortos em cavernas. Atualmente, temos a Christiana  que viveu numa caverna e, felizmente, tornou-se na escritora de um best-seller.


Então, a moral da história é a de que há a morte e a vida. Já a realidade, essa estará para além do mundo sensível, pois, tal como na caverna de Platão, é uma sombra e o vulto do dinheiro uma ilusão.


Eu quero uma caverna só minha, sem gatinhas intrometidas, e ser um solitário feliz. Miados à parte, espero que tenham gostado desta conversa filosófica de Platão embuída no espírito e na graça de Maria, e se não gostaram comentem na mesma.